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6.3. Synthèse des articles

7.1.4. Modification du rôle social

Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) representam um grupo de mais de 100 compostos químicos formados por dois ou mais anéis benzênicos condensados. São formados pela combustão incompleta e pirólise da matéria orgânica em geral (carvão, madeira, petróleo e derivados etc.) e são encontrados sempre como uma mistura de compostos individuais (ASTDR, 2010; WHO, 1998).

Os HPAs, assim como seus derivados nitrados e oxigenados, possuem ampla distribuição e estão presentes em todos os compartimentos ambientais, recebendo atenção considerável devido às propriedades carcinogênicas e mutagênicas de alguns deles (NETTO et al., 2000).

O primeiro alerta de que havia evidência da ocorrência de câncer em humanos devido à exposição a produtos de combustão foi feito em 1775 pelo médico britânico Percival Potts. Ele observou uma elevada incidência de câncer de escroto entre os trabalhadores responsáveis pela limpeza de chaminés e que, portanto, tinham contato diário com os produtos de combustão (ASTDR, 1995). Anos depois, o potencial de carcinogenicidade foi atribuído à presença de benzo[a]pireno nas amostras do material retirado das chaminés. Posteriormente, descobriu-se que outros membros da família dos HPAs também possuíam atividade carcinogênica (NETTO et al. , 2000).

Em 1953, ficou provado, através de estudos estatísticos, que o fumo é a causa primária do câncer de pulmão. Estudos detalhados do tabaco mostraram a presença de vários HPAs, dos quais o benzo[a]pireno foi considerado o mais perigoso (REMIÃO, 2007).

Embora constituam apenas 0,1% do material particulado transportado por via aérea, sua existência como poluente do ar é preocupante, já que, como destacado, muitos HPAs são considerados carcinogênicos (BAIRD, 2002). Dessa forma, esses compostos têm sido alvo de estudos e de monitoramento, uma vez que são uma ameaça para a saúde da

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população exposta. Alguns HPAs possuem prioridade em seu monitoramento, sendo que essa prioridade se baseia na freqüência de ocorrência desses compostos, sua toxicidade e potencial de exposição para a população.

Em 1997, a USEPA, juntamente com a Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ASTDR), formulou uma lista conhecida como CERCLA (Comprehensive

Environmental Response, Compensation, and Liability Act – Priority List of Harzardous

Substances) de substâncias potencialmente nocivas aos seres humanos. Essa lista prioriza as substâncias que devem ser controladas, com base na combinação de três fatores: freqüência de ocorrência ambiental, nível de toxicidade e potencial de exposição dos seres humanos. Para cada fator é atribuído uma pontuação e, ao final, os pontos são somados. A substância que obtém a maior pontuação vem em primeiro lugar na lista. O benzo[a]pireno ocupa a oitava posição dessa lista, HPAs, de forma genérica, ocupam o nono lugar e o benzo[b]fluoranteno ocupa a décima posição (ASTDR, 2010).

A International Agency for Research on Cancer (IARC), agência que coordena e conduz pesquisas relacionadas ao câncer e suas causas, classifica diversas substâncias e atividades industriais de acordo com a sua probabilidade de causar câncer. Essa agência classifica 12 HPAs como sendo potencialmente carcinogênicos para seres humanos, sendo eles: benzo[a]antraceno, benzo[a]pireno, benzo[b]fluoranteno, benzo[j]fluoranteno, benzo[k]fluoranteno, dibenzo[a,h]antraceno, dibenzo[a,e]pireno, dibenzo[a,h]pireno, dibenzo[a,i]pireno, dibenzo[a,l]pireno, indeno[1,2,3-cd]pireno e o naftaleno.

A quase totalidade dos HPAs lançados na atmosfera originam-se de fontes antropogênicas (WHO, 1998). Fontes naturais como incêndios florestais e processos vulcânicos são menos representativas nesse aspecto. Os meios de transporte (carros, ônibus, navios, trens, aviões etc.) são responsáveis por lançar grande quantidade de HPAs na atmosfera das cidades. A emissão de HPAs por essas fontes são função do tipo de motor, peso e idade do veículo e a qualidade e o tipo de combustível usado (RAVINDRA et al., 2008).

Alguns processos industriais também são conhecidos como importantes fontes de HPAs para o ambiente, dentre eles é citada a fabricação de alumínio primário (particularmente as plantas industriais que utilizam o processo Söderberg), produção de coque, creosoto e preservantes de madeira, incineração de resíduos, produção de cimento, indústria petroquímica e correlatas, indústria de betume e asfalto, geração de energia a partir da queima de combustíveis, além de outros processos de combustão nos quais o

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carbono ou o combustível não são completamente convertidos em CO ou CO2 (BAIRD, 2002; EUROPEAN COMMISSION, 2001). Em ambientes fechados, a fumaça de cigarro e as fontes de aquecimento (pela queima de combustíveis) podem contribuir para o aumento dos níveis ambientais dos HPAs (NETTO et al., 2000).

Os HPAs lançados no ambiente pelas fontes destacadas anteriormente podem ser encontrados a longas distâncias de onde foram emitidos. A sua distribuição ambiental vai depender de suas propriedades físico-químicas e das condições ambientais (WHO, 1998).

A Tabela 3.1 apresenta as evidências de carcinogenicidade e mutagenicidade de alguns processos industriais e misturas complexas que liberam HPAs para o ambiente, de acordo com a classificação da IARC.

Tabela 3.1: Evidências de carcinogenicidade e/ou mutagenicidade de alguns processos industriais e misturas complexas

Processos/ misturas Evidências epidemiológicas

Evidências experimentais

Classificação pelo grupo IARC; grupo Produção de alumínio

Gaseificação de carvão Produção de coque

Produção de eletrodos de carbono Betumes (extratos)

Negro de carvão

Exaustão de motores a diesel Exaustão de motores a gasolina Óleos minerais (não ou pouco tratados) Óleo de xisto Fuligem Suficientes Suficientes Suficientes Suficientes - Inadequadas Limitadas Inadequadas Suficientes Suficientes Suficientes - - - - Suficientes Suficientes Suficientes Suficientes Suficientes Suficientes Suficientes 1 1 1 1 2 B 2 B 2 A 2 B 1 1 1 Fonte: Netto et al. (2000)

Quanto maior a massa molecular desses compostos, menor será a sua solubilidade em água e menor sua pressão de vapor, dessa forma, compostos com cinco anéis ou mais são encontrados na atmosfera principalmente adsorvidos em material particulado. Aqueles com quatro anéis ou menos, podem estar tanto na forma de vapor quanto adsorvido no material particulado (WHO, 1998). A maior parte desses compostos presentes no material particulado encontra-se associado às partículas inaláveis de tamanho submicrométrico; consequentemente, podem ser transportados para os pulmões durante a respiração (BAIRD, 2002).

A maior fonte de contaminação do solo por HPAs é a deposição atmosférica, podendo ocorrer, em menor escala, pela disposição de lodo das estações de tratamento de

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efluentes, pela lixiviação de depósitos de materiais betuminosos etc. No solo, os HPAs permanecem, na maioria das vezes, firmemente aderidos às partículas. Alguns deles, geralmente de menor massa molecular, podem evaporar para o ar. Outros podem migrar para os lençóis freáticos, contaminando as águas subterrâneas.

Os HPAs podem contaminar as águas superficiais através da deposição atmosférica, pela descarga de efluentes industriais, efluentes municipais e a disposição imprópria de óleo de motor usado, por exemplo (ASTDR, 1995). Também entram no ambiente aquático como conseqüência do derramamento de petróleo e derivados (BAIRD, 2002).

Os HPAs podem ser bioacumulados por plantas terrestres e aquáticas, peixes e invertebrados, embora muitos animais sejam capazes de metabolizar e eliminar esses compostos. O fator de bioacumulação21 para peixes e crustáceos está na faixa de 10 a 10000 (ASTDR, 1995).

A exposição humana a HPAs pode ocorrer por diferentes vias que incluem a inalação de ar poluído ou fumaça de cigarro, a ingestão de produtos defumados, a ingestão de água contaminada, assim como a absorção dérmica pelo contato de matérias contendo HPAs, como o creosoto e o carvão (ASTDR, 1995).

Pode-se dizer que, devido à presença dos HPAs em todos os meios (água, ar e solo), tais compostos constituem uma ameaça potencial para a saúde de toda a população, apesar de que alguns grupos populacionais, como aqueles que trabalham em ambientes diretamente influenciados por essas fontes, estão submetidos a um risco maior (NETTO et al., 2000).

21 O fator de bioacumulação é uma constante de proporcionalidade que relaciona o teor de uma substância

nos organismos aquáticos e na água. A bioacumulação representa a incorporação do contaminante a partir de todas as rotas, por contato direto do organismo com o meio e ingetão de alimentos (RODRIGUES et al., 2005)

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