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Tal como já foi referido anteriormente, numa primeira fase da PSEPE, foi-nos dada a oportunidade de durante duas semanas podermos observar todo o contexto educativo em que estávamos inseridas. Desta forma, foi-nos possível observar a prática da educadora cooperante, as suas rotinas e rotinas das crianças, atividades desenvolvidas, o grupo, entre outros. Este período foi essencial, na medida em que permitiu não só recolher muitos dados importantes e pertinentes para a futura prática, bem como conhecer melhor o meio e as crianças com as quais iriamos lidar nos próximos meses.

Como forma de registo e para nos auxiliarmos, no decorrer do dia íamos registando alguns aspetos importantes observados, algumas questões colocadas à educadora cooperante, etc. No final de cada semana, em par pedagógico, elaborámos uma reflexão semanal onde especificámos essas mesmas observações recolhidas e também alguns momentos vivenciados.

Seguidamente serão apresentadas as duas reflexões semanais que elaborámos.

Reflexão da 1ª semana de observação (24 a 28 de fevereiro de 2014)

Dado que esta foi a primeira semana em que frequentámos a instituição em causa, foi-nos dada a oportunidade de explorar um pouco os diversos espaços existentes na mesma, tais como, a sala onde iria decorrer o estágio, as crianças do grupo dos cinco anos pertencentes à sala dos Coelhinhos, e ainda, conhecer a educadora cooperante e respetivas auxiliares de educação.

Ao longo desta semana desenvolveu-se no infantário a semana da fantasia, sendo que em cada dia as crianças deveriam trazer vestido de casa um fato diferente do que é habitual. Desta forma, segunda-feira usaram um pijama; terça-feira uma pena na cabeça; quarta-feira as meninas colocaram uma flor na cabeça e os meninos uma gravata ao pescoço; quinta-feira um disfarce livre ao gosto de cada um; e por fim, sexta-feira vestiram-se de cozinheiros, procurando assim respeitar o tema definido pela instituição para a sua participação no desfile de Carnaval organizado pela cidade de Castelo Branco. Na nossa opinião, o facto de ser desenvolvida a semana da fantasia na época do Carnaval é benéfico para as crianças, na medida em que lhes permitiu uma maior adaptação aos vários disfarces e a perceção de que é possível desempenhar o papel de várias personagens recorrendo a alguns acessórios, bem como os comportamentos e atitudes que por vezes são necessárias executar perante uma determinada situação. Através das reações das crianças foi visível que estas gostaram bastante desta experiência, uma vez que procuraram sempre participar ativamente em todas as atividades desenvolvidas.

Outro aspeto importante de referir foi o facto de na instituição existir uma rotina que consiste em todas as manhãs as crianças pertencentes ao Pré-Escolar se deslocarem à capela presente no interior da instituição e, recorrendo a alguns cânticos, darem os bons dias e fazerem alguns agradecimentos a Jesus. De acordo com a filosofia da Obra de Santa Zita é importante que desde pequenos sejam incutidos estes hábitos nas crianças, de forma a que estas compreendam que existe sempre alguém a olhar por elas e que as protege. Assim sendo, não só adquirem este hábito como também lhes possibilita dominar algumas canções de cariz religioso. Como já foi referido anteriormente, no decorrer desta semana desenrolou-se a semana da fantasia, sendo que devido a este aspeto as crianças apenas se deslocaram à capela no primeiro dia, uma vez que estavam muito agitadas e seria complicado mantê-las concentradas nesta tarefa.

No que diz respeito às crianças, após os primeiros dias de observação, interação com as mesmas e diálogos estabelecidos com a educadora cooperante, foi possível constatar que o grupo com o qual iriamos trabalhar possui características muito específicas e particulares, na medida em que diz respeito a um grupo um pouco “complicado”, sendo que determinadas crianças têm frequentemente atitudes desadequadas e incorretas, adotando alguns comportamentos desagradáveis, influenciando ainda alguns colegas do restante grupo. Esta situação a nosso ver poderá prejudicar um pouco o decorrer de algumas atividades, uma vez que nem sempre conseguiremos “controlar” todas as crianças e o desencadeamento das várias tarefas a propor. Por outro lado, será também encarado como um desafio, dado que nos permitirá conhecer uma outra realidade e lidar com crianças com personalidades diferentes com as quais já trabalhámos, ou seja, exigirá um maior esforço ao nível da adequação das atividades e na adoção de estratégias que possibilitem captar a atenção de todo o grupo, procurando assim que estes aprendam coisas novas, consolidem conhecimentos e consigam interagir de forma mais harmoniosa com os colegas e adultos envolventes.

Por último, outro aspeto que na nossa opinião é bastante vantajoso é o facto de ser dispensado às crianças um tempo prolongado para atividades livres, sendo que estas podem brincar espontaneamente, tanto na sala como no exterior. Relativamente ao espaço da sala, neste as crianças podem executar diversas tarefas, tais como: construção de puzzles; pinturas; leitura; brincadeiras na casinha das bonecas; entre outros. Por outro lado, no exterior, têm ao seu dispor vários materiais, como por exemplo escorregas, baloiços, pequenos túneis, etc. O facto de irem regularmente, sempre que o tempo atmosférico assim o permite, brincar para o parque da instituição, possibilita-lhes estar em contacto com o ar livre e com os mais diversos aspetos da natureza, explorando assim vários elementos, tais como, árvores, plantas, animais, entre outros. A brincadeira em espaços ao ar livre ajuda a tornar as crianças mais felizes, criativas e auxilia-as a libertar energia de forma saudável. Uma vez que cada vez menos as crianças exploram espaços verdes, passando grande parte do seu tempo em casa e/ou espaços fechados, estes momentos possibilitam-lhes um maior contacto com a natureza, procurando combater esta tendência.

Reflexão da 2ª semana de observação (3 a 6 de março de 2014)

No decorrer desta semana foi-nos possível observar algumas atividades e momentos que consideramos relevantes. No início da semana, as educadoras prepararam uma sessão com as crianças das salas pertencentes ao Pré-Escolar, para que estas pudessem observar várias fotografias referentes à semana da fantasia e ao desfile de Carnaval, ambos desenvolvidos na semana anterior. É importante referir que as educadoras se mostraram preocupadas em proporcionar este momento às crianças, possibilitando-lhes que recordassem alguns dos momentos vividos ao longo

desfile, entre outros aspetos. Na nossa opinião, o facto das fotografias serem mostradas às crianças, contribui para o desenvolvimento da sua capacidade de atenção e observação, sendo também uma forma de recordar algumas situações marcantes para as mesmas.

No que diz respeito às brincadeiras livres, esta semana as crianças tiveram a oportunidade de brincar em duas estruturas adquiridas pela instituição no ano passado. Uma das estruturas diz respeito a uma casinha e a outra foi denominada pelas crianças de “barco”, sendo que esta possui um escorrega, uma rampa, uma ponte, etc. Tivemos conhecimento de que no local onde se encontra a segunda estrutura, ou seja, num pequeno terraço, nos meses de Verão é colocada uma piscina para que esta possa ser utilizada por todos. Deste modo, a utilização deste espaço é feita de forma diferente do parque, dado que se organizam por salas, não se dirigindo todos em simultâneo, para evitar confusão. Desta forma, as crianças possuem momentos de lazer e a vivência de experiências diferentes dentro do próprio Jardim- de-Infância, revelando-se bastante positivo para o desenvolvimento da socialização e afetividade das mesmas. É importante referir que é estimulado nas crianças a estima pelo material durante as suas brincadeiras, sendo visível quando no “barco” se soltou uma peça e uma das crianças foi entregá-la à educadora, para que não se estragasse.

Outro aspeto observado durante esta semana foi o facto de no quintal existir um espaço onde as crianças vão deixar a sua chupeta e alguns acessórios que utilizam para dormir, oferecendo-os a uma tartaruga e pendurando-os num arbusto perto desta, ultrapassando assim uma etapa do seu desenvolvimento. Esta é uma forma diferente de estimular as crianças a libertarem-se de alguns objetos pessoais que marcam a sua infância.

Num dos dias desta semana, pudemos observar a resolução de alguns exercícios presentes no livro de atividades das crianças, sendo que procuramos auxiliá-las sempre que necessário na realização dos mesmos, para que pudessem tirar as suas dúvidas e resolver os exercícios corretamente. Desta forma, as crianças aplicam e consolidam alguns conhecimentos já adquiridos e alcançam algumas bases importantes para quando ingressarem no 1.º Ciclo do Ensino Básico, uma vez que têm cinco anos. É importante salientar que neste grupo de crianças, tal como em todos os grupos, existem ritmos de aprendizagem distintos, sendo que as capacidades diferem de criança para criança e nem todas apresentam as mesmas dificuldades. É fundamental respeitar o tempo de cada uma delas, procurando estimular o interesse de todos e dar resposta às suas necessidades. Durante a resolução dos exercícios surgiu uma situação menos positiva, dado que uma das crianças ao não conseguir copiar a data do quadro sentiu-se irritada e acabou por bater nos colegas que se encontravam na sua mesa de trabalho. Mais tarde, ao arrepender-se, pediu-lhes desculpa e retomou o seu trabalho. Temos vindo a observar que esta situação surge algumas vezes por parte de determinadas crianças, visto que em alguns casos, quando sentem que não estão a efetuar corretamente alguma tarefa, tornam-se agressivos com os restantes colegas.

Outro aspeto a referir, é o facto de apesar de ser estimulado o hábito de partilha, é visível que a maioria das crianças não solicita o material aos seus colegas, acabando por tirá-lo sem a autorização dos mesmos e originando por vezes situações desagradáveis.

É de salientar que são as crianças que escolhem os lugares onde se sentam, o que por vezes pode gerar alguma perturbação, pois algumas crianças quando se sentam perto de outras ficam bastante agitadas, influenciando a realização da atividade, porém, pode levar também a que a realizem com mais prazer, uma vez que apreciam a companhia.

Ao longo do período de observação, pudemos verificar que à medida que as crianças acabam de realizar as atividades propostas, podem dirigir-se para o parque, sempre que o tempo atmosférico seja favorável. Deste modo, o facto da sala possuir uma porta com acesso direto ao parque permite a rápida deslocação das crianças para o mesmo, podendo ir brincar ao ar livre. O parque da instituição possibilita ainda a passagem para o jardim, sendo que estes espaços estão separados apenas por um portão que é aberto sempre que as educadoras o entenderem. Desta forma, as crianças podem deslocar-se em ambos os espaços, podendo realizar diferentes tipos de brincadeiras e explorar ambos os espaços, tendo acesso a alguns elementos da natureza, como por exemplo, algumas árvores, uma tartaruga, entre outros.

No último dia de observação desta semana, em vez da habitual ida à capela, a oração em que as crianças dão os bons dias, foi realizada no exterior, mais especificamente no parque da instituição. Esta situação possibilita às crianças realizarem a oração ao ar livre, compreendendo que não importa o local onde decorre a mesma, mas sim o sentimento e o respeito que demonstram.

Um outro aspeto que consideramos importante referir é o facto das crianças todas as semanas realizarem uma aula de ginástica, podendo praticar algum exercício físico. Desta forma, adquirem um hábito saudável para a sua saúde e podem libertar as suas energias de uma forma positiva. É de salientar que para a realização da aula de ginástica, as crianças têm de se deslocar ao ginásio do Centro Social dos Padres Redentoristas, sempre que as condições atmosféricas assim o permitem. Caso o estado do tempo não possibilite esta deslocação, a aula é desenvolvida na sala polivalente do Jardim-de-Infância Obra de Santa Zita, sendo que é um espaço pequeno para o desenvolvimento da mesma, limitando a execução de alguns exercícios físicos.

1.3.2. Prática Supervisionada: descrição das atividades e reflexão sobre a

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