No presente capitulo estudo a marcha therapeu- tica que se deve tomar no decurso d'uma pneumonia.
Estudarei primeiramente o caso de um individuo attacado de pneumonia lobar simples, bem definida e sem complicações; e em seguida as formas mais ge- ralmente encontradas e as complicações mais fre- quentes.
Pneumonia lobar simples. - No seu modo
vulgar de evolução, a pneumonia tem uma marcha certa e regular. Quando se nos apresenta um pneu- monico no segundo ou terceiro dia da sua doença, evolucionando regularmente, nâo lucraremos em per- turbar profundamente o seu andamento, mas sem du- vida beneficiamos o doente se conseguirmos diminuir a febre é a intensidade dos symptornas que mais o
fazem soffrer.
Assim, a primeira coisa que se nos oíferece fazer
é attacar a febre; isto consegue-se com excedentes re- sultados empregando a digitalis em infusão ou mace-
Passadas doze a vinte horas depois da primeira por ção de digitalis, a temperatura baixa consideravelmente o o estado geral melhora também.
No primeiro período podemos acompanhar o uso da digitalis com a administração de um calmante que pode ser o seíguinte:
Mydrolafco do louruoere.ja \
Hydrolato de tilia ]■ âa cincoertta grammas Hydrolato de alface . . . . j
Xarope de ópio quinze grammas
Querendo, pôde juntarse a este calmante 3 gram mas de brometo de potássio ou 50 centigrammas de kérmes, conforme houver excitação ou necessidade imperiosa de expectorar.
Pontada do lado. — Um dos symptomas que mais incommodam o doente é a pontada, que por vezes as sume tal intensidade quo exige immediatamente a intervenção do clinico. Podem applicarse na região dolorosa ventosas escariricadas ou uma picada da se ringa Pravaz, injectando 1 centigramma de chlorhy drate de morphina.
Pôde usarse da seguinte fórmula:
Chlorbydrato de morphina. . . cinco centigrammas Hydrolato de lourocereja. . . , cinco grammas
A applicaçâo d'uma injecção ó quasi sempre se guida de prompte allivio.
Dyspnéa. — Esta chega n'alguns casos a ser tão an gustiosa que torna bastante sombrio o estado geral do doente.
A dyspnéa pôde depender da intensidade de febre, de congestão pulmonar concommitante ou de pertur bações nervosas cardiopulmonares, devidas á acção toxica do sangue alterado sobre os centros nervosos. Na dyspnéa dá também bons resultados a injecção hypodermica de morphina.
Quando a congestão pulmonar seja muito intensa e que faça receiar a asphyxia, que parece imminente,
pode empregar-se, se o individuo é robusto, a sangria, de que já fallei quando me referi aos methodos the- rapeuticos. A sangria produz n'este caso allivios rá- pidos e deveras apreciáveis.
Delirio. — Pôde ser devido a causas múltiplas e va- riadas, que nem sempre se podem determinar com precisão.
N'este caso, pode produzir bom effeito o brometo de potássio ou o chloral. Hoje usa-se com muita con- fiança do chloral, associado ao brometo de potássio, como na seguinte fórmula:
Brometo de potássio. . . sete grammas ^gua simples .* sessenta grammas Xarope de chloral. . . . . sessenta grammas
Tosse. - Esta pôde ser pertinaz e reclamar a in- tervenção therapeutica, que se reduz á prescripçâo d'uma poção calmante, que pôde ser a que indiquei quando tratei da pneumonia lobar em começo.
Defervescencia. - No sétimo ou oitavo dia tem ge- ralmente logar a defervescencia sem que todavia o exsudato fibrinoso tenha desapparecido completamente dos alvéolos pulmonares. Podemos desembaraçar estes do seu exsudato, empregando vesicatórios e expecto- rantes.
Os vesicatórios de eantharidas têm tido os seus defensores e os seus inimigos. Tem-se chagado a ne- gar a sua efficacia e a declarar o seu emprego muito prejudicial. Effectivamente, está averiguado que a can- tharidina, penetrando pela pelle na circulação, vae ir- ritar o apparelho genito-urinario, produzindo por ve- zes lesões graves nos rins.
Por outro lado, affirma-se que as eantharidas esti- mulam e levantam as forças do doente e que des- obstruem com facilidade os orgáos entulhados de ex- sudâtes.
E' certa a sua acção vaso-motriz, mas é também innegavel a sua acção desfavoravelmente irritante so- bre o apparelho genito-urinario.
Para approveitar as suas vantagens e obviar aos
seus inconvenientes, aconselham vários tratadistas, e entre elles DujardinBeaumetz e G. Lyon, que se ap plique o vesicatório no formato de um decimetro qua drado, só no período da defervescencia, e que se le vante logo que esteja a empola formada; recommen dam que o vesicatório seja substituído por uma cata plasma coberta de óleo de camomilla camphorado e que, depois da empola esvasiada, se faça o penso com algodão e gaze hydrophila.
Os indivíduos que anteriormente tenham soffrido das vias urinarias, devem tomar a infusão de barbas de milho ou de grama e parietario ou qualquer outra tisana diurética.
Ao mesmo tempo que pelos •vesicatórios appressa mos a reabsorpçao do exsudato inflammatorio, podemos pelos expectorantes activar a expulsão dos escarros, contendo productos que possam obstruir ainda os al véolos pulmonares.
Os expectorantes usados sâo o kérmès, a ipecacua nha e o oxido branco de antimonio e algumas vezes o tártaro stibiado nos indivíduos fortes.
Alimentação. — Deve haver todo o cuidado em con
servar em bom estado de funccionamento as vias di gestivas. E' prudente combater cautelosamente a cons tipação ou a diarrhea e nao sobrecarregar o estôma go com comidas de difhcil digestão. Assim, a alimen tação deve consistir em bons caldos, leite e limonada vinosa, durante os dois primeiros períodos da pneu monia, podendo no terceiro período e na convalescen ça começar o doente a tomar alguns alimentos sóli dos, mas substanciaes e facilmente digeriveis.
P n e u m o n i a n a creança. ■ Nas ereanças é rara
a pneumonia lobar. Quando ella.se manifesta, o que principalmente temos a fazer é: acalmar a agita ção com brometo de potássio e chloral; dar limonada vinosa e bons caldos; e, na defervescencia, o oxido branco de antimonio como expectorante e em logar de vesicatórios, se se quizer, podem empregarse ba nhos sinapisados. Quasi sempre na creança evoluciona a doença sem reclamar intervenção mais enérgica.
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