PARTIE II. PRESENTATION DE L’OPERATION
IV. MODALITES DE SOUSCRIPTION ET D’ATTRIBUTION
Entrevistas abertas em profundidade e não dirigidas são explicadas, por Mack et al. (2005), como uma técnica designada para se obter uma imagem viva da perspectiva do participante sobre o tema de investigação. Durante as entrevistas em profundidade, a pessoa que está sendo entrevistada é considerada um expert e o entrevistado, o estudante, independentemente de seu conhecimento sobre o assunto. Esta técnica é motivada pelo desejo do pesquisador em aprender tudo o que o participante pode compartilhar sobre o tópico de pesquisa. Desta forma o pesquisador se engaja com o participante, posicionando questões de
maneira neutra, ouvindo atentamente as respostas do participante e efetuando perguntas que sigam a base do pensamento do participante de maneira a comprovar suas respostas. Os autores explicam, ainda, que as entrevistas em profundidade são geralmente conduzidas face a face e envolvem um entrevistador e um participante. Quando o entrevistador não se sentir seguro sobre o assunto, a presença de dois entrevistadores é recomendada. Nestas situações, no entanto, deve-se tomar um cuidado especial para não intimidar o participante. As conversações por telefone e com mais de um participante também se qualificam como entrevistas em profundidade.
Para Gil (2006), a entrevista é uma técnica de coleta de dados onde o pesquisador se apresenta ao pesquisado e lhe formula perguntas com o objetivo de obter dados que interessem à investigação.
O roteiro de entrevista semiestruturado usado neste trabalho é uma réplica daquele usado por Schreiber (2014) em sua tese de doutorado. Schreiber (2014) construiu o roteiro de entrevistas em duas fases, sendo que na primeira ele fez pré-entrevistas e na segunda ele fez as adaptações necessárias. Esta técnica é também conhecida como espiral recursiva, conforme Grbich (2007), que começa com a definição da questão de pesquisa, coleta de informações, análise preliminar e um refinamento contínuo entre a questão e o método, voltando ao campo até que os dados emerjam.
De acordo com Gil (2006), as limitações que podem ser encontradas na entrevista são:
a) falta de motivação do entrevistado para responder às perguntas; b) a compreensão incorreta do significado da pergunta;
c) o fornecimento de respostas falsas;
d) incapacidade do entrevistado de responder às perguntas por problemas de cunho psicológico;
e) influência que o entrevistador pode ter sobre o entrevistado;
f) influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas do entrevistado.
Para Schultze e Avital (2011), a entrevistas resultam em um conhecimento profundo do contexto, com a interpretação e relato das experiências por parte dos participantes. Marietto (2014) afirma que a entrevista em profundidade é uma conversa direta e pessoal com o ator social, com o intuito de se capturar o universo mental do mesmo permitindo ser possível entender se comportamento. As entrevistas em profundidade fornecem rica informação para entender a experiência “viva” do entrevistado e os significados que dela
derivam (MARIETTO, 2014). Para Doody e Noonan (2013) existem vantagens e desvantagens no uso de entrevistas e o resumo das suas constatações estão no Quadro 13.
Neste estudo, as entrevistas em profundidade ocorreram com todos os membros do TMT, individualmente, em locais seguros para que se mantenha a confidencialidade e deixar os participantes “a vontade” para falar o que achar necessário. Adicionou-se ainda membros influenciadores da tomada de decisão como o coordenador de controladoria e o gerente de compras, que apesar de não serem parte do TMT da empresa, as informações que prestam e da maneira como prestam são de importante valia para a tomada de decisão.
Quadro 13 – Vantagens e desvantagens da entrevista em profundidade
Vantagens Desvantagens
- usado para ganhar profundidade e contexto. - pode parecer intrusivo para o participante. - ajuda os participantes a descrever o que é
importante para eles.
- consome um determinado tempo não só para fazer a entrevista em si, mas para
transcrever e analisar os dados pós entrevista. - é útil para gerar estórias. - pode ser mais caro do que outros métodos. - permitem ao pesquisador desenvolver
rapport, ou seja, vínculo.
- entrevista de cunho pessoal ou íntimo pode fazer aparecer emoções que precisam ser administradas com alta sensibilidade. - dá a oportunidade ao pesquisador de
observar e ouvir.
- é suscetível ao viés que pode incluir o desejo do participante de satisfazer o pesquisador:
-falar ou responder o que o participante acredita que o pesquisador quer ouvir de resposta ao invés de dar o seu ponto de vista; -o desejo de criar uma boa impressão pode resultar em respostas não-honestas;
-existe uma tendência de responder algo ao invés de não responder nada caso o
participante não saiba a resposta;
-a visão do pesquisador pode influenciar a resposta do participante.
- permite que questões mais complexas possam ser averiguadas.
- o pesquisador pode explicar o motivo da entrevista e pode responder as dúvidas do participante.
- o pesquisador pode testar as repostas do participante com outras perguntas ou pode solicitar para que o participante esclareça. - ajuda o participante a dar as respostas com os detalhes necessários.
- pode explorar as razões que faz um participante agir de certa maneira, ou a sua interpretação sobre algum evento.
- é mais apropriado para alguns grupos com dificuldade de escrita ou de leitura, por exemplo.
- o participante é estimulado a se auto- explorar e se descobrir o que pode vir a ser um prêmio.
- benefício pessoal de poder contar a sua estória a alguém.
Fonte:Doody e Noonan (2013).
e um gravador. A análise das entrevistas ocorreu de forma microscópica de forma que todo o conteúdo das gravações foi revisto duas vezes de forma a realizar marcações e categorização dos trechos. A codificação foi feita de acordo com a categorias analíticas destacadas ao longo deste trabalho. Todas as transcrições, marcações e categorizações foram feitas no software Nvivo. Esta etapa demandou em torno de 10 horas de análise.