• Aucun résultat trouvé

Mod´elisation num´erique de la sonde capacitive et r´egime de film

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 74-78)

Connecteurs coaxiaux

4.2.5 Mod´elisation num´erique de la sonde capacitive et r´egime de film

Apesar do crescimento econômico, da urbanização e da expansão dos sistemas públicos de educação, verificou-se a persistência das desigualdades de oportunidades educacionais na sociedade brasileira. Assim como nas sociedades consideradas modernas, o desenvolvimento econômico e social, bem como a seleção pelo mérito, isto é, a valorização de critérios meritocráticos, por exemplo, as credenciais educacionais na seleção individual para as melhores oportunidades em um contexto de industrialização e expansão educacional, não culminou na redução significativa das desigualdades, permanecendo fortes os efeitos da origem social sobre o destino escolar e profissional dos indivíduos (TAVARES JR.; FERES; FREGUGLIA, 2014; NEUBERT, 2014). Diante disso, diversos pesquisadores seguiram investigando a estratificação educacional no país, buscando examinar a relação entre origem social e destino escolar. No Brasil, a análise sobre estratificação educacional acompanhou o desenvolvimento da literatura científica internacional.

Ao final do século XX, Silva (2003) analisou a estratificação educacional no Brasil, frente à forte expansão do sistema escolar entre as décadas de 1970 e 1990. O termo estratificação educacional se refere ao funcionamento do sistema de ensino enquanto responsável pela socialização e seleção social dos indivíduos. Diz respeito à relação entre as características socioeconômica dos alunos na entrada do sistema de ensino e as características individuais observáveis na saída. Quanto mais aberto e democrático for o sistema de ensino, menor será a relação entre a origem social familiar dos indivíduos e o seu desempenho durante o processo de escolarização. O autor examinou as desigualdades nas chances relativas de se completar com sucesso três transições básicas no nível fundamental de ensino, buscando analisar se essas chances evoluíram durante o período observado. Assim, Silva (2003) analisou a relação entre a

52 estratificação e a expansão educacional para as transições da 1ª, 4ª e 8ª séries, em 1981, 1990 e 1999, utilizando dados no IBGE e um modelo logístico.

Silva (2003) também buscou verificar a plausibilidade da hipótese da MMI (Desigualdade Maximamente Mantida1) para o caso brasileiro. Segundo os postulados da MMI, quando o sistema educacional se expande, as desigualdades entre os grupos sociais tendem a permanecerem estáveis e, até mesmo, a se ampliarem, pois os grupos em vantagem social estariam em melhores condições de aproveitarem as novas oportunidades abertas pela expansão. Somente quando os grupos em vantagem atingirem seus níveis de saturação em relação a uma dada transição educacional é que as desigualdades passam a declinar, nessa transição. Silva (2003) conclui que os principais beneficiários da expansão educacional no Brasil foram os grupos em situação de relativa vantagem, como as jovens do sexo feminino, fora da região Nordeste. Além disso, o autor observa que jovens brancos desfrutam de maiores vantagens nas transições escolares ao longo de todo o processo, e essas vantagens tendem a crescer na medida em que se progride dentro do sistema de ensino. A seletividade racial no sistema escolar é significativa e perversa, embora se verifique certa redução dessas desigualdades nas chances de escolarização. O autor observa uma tendência geral de deslocamento das desigualdades educacionais em direção aos níveis mais elevados do sistema de ensino, concentrando-se, especialmente, nos níveis intermediários (SILVA, 2003).

Diante da permanência dessas e de outras desigualdades, muitos sociólogos brasileiros postulam que a transição para a modernidade não se completou efetivamente no país, ou então, que houve uma “modernização conservadora”. Nesse sentido, tem se constatado, dentre outras coisas, que, apesar de o Brasil ser um país rico em termos de seu produto interno bruto, permanecem altos os índices de desigualdade, por exemplo, de renda, ao longo do tempo. Assim, pesquisadores como Ribeiro (2003) buscam analisar a mobilidade social no país, considerando a classe de origem, as qualificações educacionais e a classe de destino. Ribeiro (2003) se atenta para as características macrossociológicas da modernização da sociedade brasileira, os motivos da existência de níveis tão altos de desigualdade econômica, os principais fatores que podem ser

1

A hipótese da MMI – Desigualdade Maximamente Mantida – é uma abordagem de Raftery e Hout (1993), elaborada a partir da investigação dos efeitos da expansão do sistema de ensino Irlandês, na primeira metade do século XX. A Hipótese da MMI sugere que a desigualdade nas chances de se alcançar um determinado nível do sistema de ensino somente se reduzirá quando houver a saturação desse dado nível por parte dos estudantes provenientes das classes privilegiadas.

53 observados e explicados nas análises de mobilidade social no país, dentre outras questões.

Ribeiro (2003) enfatiza três características importantes para entender as causas das desigualdades que caracterizam o Brasil: a herança rural, a falta de recursos educacionais e a manutenção de setores tradicionais e modernos no mercado de trabalho. Esses três fatores estariam fortemente relacionados aos padrões de mobilidade social, derivados da relação entre classe de origem e classe de destino, tendo como principal variável interveniente a escolarização. Segundo o autor, a expressão herança rural descreve o fato de que a maioria das pessoas no mercado de trabalho em 1996 tinha origem em classes rurais, por exemplo, eram filhos de trabalhadores rurais. Diante disso, Ribeiro (2003) argumenta que é fundamental entender as características históricas da sociedade rural brasileira. No país, o meio rural se caracteriza pela desigualdade de concentração de terras e riquezas. A maioria dos filhos de trabalhadores rurais não herdou os recursos sociais e econômicos que são extremamente importantes no processo de mobilidade social ascendente, como as credenciais educacionais. Assim, as classes e grupos ocupacionais mais altos permaneceram mantendo seus privilégios e contribuindo para a manutenção das desigualdades.

Na primeira década do século XXI, usando como referências várias abordagens teóricas e modelos analíticos da literatura científica internacional, Montalvão (2011) investiga o processo de expansão escolar e estratificação educacional no Brasil, utilizando dados da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílio (PNAD), ano 2001, 2004 e 2007, testando hipóteses relativas aos efeitos das origens sociais sobre as possibilidades de alcance educacional dos estudantes de segundo e terceiro graus no país. Ao examinar os efeitos de variáveis como gênero, raça, educação do chefe da família, chefia feminina, renda familiar, número de filhos e região, sobre as chances de se completar as transições educacionais, Montalvão (2011) conclui que, em geral, há um quadro de alta desigualdade nas chances de se completar as transições educacionais, tanto na rede pública quanto na rede privada: permanecem as desvantagens da população negra e parda no acesso e na longevidade escolar; embora o efeito da educação do chefe diminua levemente nas transições na escola pública, ele aumenta ou é constante nas transições na rede privada; o efeito da renda, por sua vez, aumenta marcadamente em todas as transições, inclusive na rede privada em relação à rede pública; famílias com maior quantidade de filhos prejudicam o desempenho escolar dos mesmos; o efeito das origens sociais não necessariamente diminui ao longo das coortes.

54 Montalvão (2011) destaca que a expansão educacional no Brasil não resultou em maior igualdade educacional. Embora coortes venham sucessivamente avançando pequenos passos dentro da hierarquia educacional, um processo de permanente racionamento das credenciais educacionais mais altas restringe a quantidade de candidatos a essas credenciais, mantendo e legitimando as desigualdades no alcance escolar.

Em relação aos mecanismos que geram a estratificação educacional, a literatura científica nacional aponta os efeitos da origem social, isto é, os efeitos individuais, tais como cor e sexo, os efeitos familiares, tais como a escolaridade e renda dos pais, bem como a composição familiar. A literatura científica nacional também aponta os efeitos associados ao sistema escolar, tais como a disponibilidade de escolas, os recursos físicos, as características da gestão e dos professores, sem contar os elementos associados efetivamente às políticas públicas (ALVES, 2008). As pesquisas empíricas têm evidenciado esses e outros fatores, bem como a sua interação na produção social das desigualdades educacionais. Na sequência, esses fatores serão mais bem abordados.

2.4 DETERMINANTES EDUCACIONAIS: INDIVÍDUO E FAMÍLIA –

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 74-78)