5.3 Pompage optique dans un champ de 1.5 Tesla
5.3.3 Mod´elisation et comparaison th´eorie-exp´erience
No Manuscrito de 1844 – “O trabalho alienado”, a questão da alienação (e do estranhamento) é colocada no centro das preocupações de Marx. Esta questão é abordada em três características. Nas duas primeiras, a alienação é tratada de uma perspectiva eminentemente histórica, concernente ao processo de trabalho da produção capitalista.
A primeira é a alienação (e o estranhamento) do trabalhador em relação ao objeto produzido pelo trabalho, ou melhor, o produto de seu trabalho. O produto do trabalho humano é trabalho incorporado em um objeto e convertido em coisa física; esse produto é uma objetificação do trabalho, que é percebida como uma perda e uma servidão ante o objeto, este objeto estranho o domina, este produto se opõe como um ser estranho, como uma força independente e a sua apropriação não tem um significado e representa a alienação do trabalhador do seu produto. A execução do trabalho é simultaneamente sua objetificação, e este é visto como algo estranho e hostil.
“(...) O trabalhador põe a sua vida no objeto, e sua vida, então, não mais lhe pertence, porém, ao objeto. Quanto maior for sua atividade, portanto, tanto menos ele possuirá. O que está incorporado ao produto de seu trabalho não mais é dele mesmo. Quanto maior for o produto de seu trabalho, por conseguinte, tanto mais ele minguará. A alienação do trabalhador em seu produto não significa apenas que o trabalho dele se converte em objeto, assumindo uma existência externa, mas ainda que existe independentemente, fora dele mesmo, e a ele estranho, e que com ele se defronta como uma força autônoma. A vida que ele deu ao objeto volta-se contra ele como uma força estranha e hostil.”( Marx, Manuscrito de 1844, grifos do autor)
A segunda é a alienação em relação à própria atividade produtiva. É a relação do trabalho como o ato de produção dentro do trabalho. Para Marx, essa é a relação do trabalhador com sua própria atividade humana, sendo esta vista como algo estranho e não pertencente a ele mesmo. Atividade passa a ser sofrimento por ser também a passividade, seu vigor passa a ser sua impotência, sua criação é emasculada, a sua energia física e mental, assim como a sua vida pessoal, passa a ser uma atividade voltada contra ele mesmo, uma atividade independente dele e não pertencente a ele.
“(...) O produto é, de fato, apenas a síntese da atividade, da produção. Conseqüentemente, se o produto do trabalho é alienação, a própria produção deve ser alienação ativa - a alienação da atividade e a atividade da alienação. A alienação do objeto do trabalho simplesmente resume a alienação da própria atividade do trabalho.” (Marx, Manuscrito de 1844)
Estas duas formas históricas da alienação decorrem fundamentalmente do fato de que, sob o capitalismo, a própria condição para que os trabalhadores se tornem trabalhadores está na direta dependência de que eles mesmos se tornem mercadorias.
“O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo dos objetos. O trabalho não cria apenas objetos; ele também se produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e, deveras, na mesma proporção em que produz bens. (...) o caráter exteriorizado do trabalho para o trabalhador é demonstrado por não ser o trabalho dele mesmo, mas trabalho para outrem, por no trabalho ele não pertencer a si mesmo, mas sim a outra pessoa.” (Marx, Manuscrito de 1844)
Para Marx, a terceira característica, que parte das duas anteriores, é a alienação considerada num plano mais abrangente, num plano mais geral, na dimensão ontológica. Aqui, o trabalho alienado aliena do homem do seu gênero. Para o autor, o
trabalho alienado transforma a vida genérica – vida universal – em vida individual, em ser isolado, sem pares.
“o trabalho alienado: 1) aliena a natureza do homem e 2) aliena o homem de si mesmo, de sua própria função ativa, de sua atividade vital, assim também o aliena da espécie. Ele transforma a vida da espécie em uma forma de vida individual. Em primeiro lugar, ele aliena a vida da espécie e a vida individual, e posteriormente transforma a segunda, como uma abstração, em finalidade da primeira, também em sua forma abstrata e alienada.
(...) Então, o trabalho alienado converte a vida do homem como membro da espécie, e também como propriedade mental da espécie dele, em uma entidade estranha e em um meio para sua existência individual. Ele aliena o homem de seu próprio corpo, a natureza extrínseca, de sua vida mental e de sua vida humana.
Uma conseqüência direta da alienação do homem com relação ao produto de seu trabalho, à sua atividade vital e a sua vida como membro da espécie, é o homem ficar alienado dos outros homens. Quando o homem se defronta consigo mesmo, também está se defrontando com outros homens.” (Marx, Manuscrito de 1844)
É o trabalho humano que marca a existência, permite a sobrevivência do homem, o homem será o que o seu trabalho for. Se o homem é roubado no seu próprio trabalho, é roubado de si mesmo, perde-se quando deveria se identificar, desconhece a si mesmo quando deveria se reconhecer, destrói-se quando deveria estar se construindo. Pois além do trabalho construir a mim, no momento em que está sendo realizado, ele constrói o Outro, pois me apresenta ao Outro e promove a minha intervenção na vida dele. O trabalho é uma via de identificação com o outro, permite a inserção no grupo, na espécie, iguala e diferencia os indivíduo, “é pela via do trabalho que eu significo algo para o outro e o outro significa algo para mim.”(Codo, 1995, p.33)