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A marcha humana é composta por uma sequência de movimentos complexos e coordenados ao longo do corpo humano. O seu estudo permite a identificação e resolução de problemas em diferentes áreas, como desporto, medicina e ergonomia. Neste subcapítulo seguinte será tratado mais profundamente a importância do estudo da marcha e as suas características.

A locomoção humana consiste na ação que permite a deslocação do corpo no espaço aquático, aéreo e terrestre. Esta é o resultado de um conjunto de movimentos coordenados ao longo do corpo nos quais também interagem forças internas e externas [22] [23].Sendo acompanhada pela ação do sistema neuro-musculo-esquelético.

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A análise da locomoção engloba três níveis distintos de variáveis físicas: dados cinemáticos, que descrevem a geometria dos movimentos; dados cinéticos que constituem as forças e os momentos exercidos quando o corpo interage, e alterações bioelétricas associadas à atividade do musculo esquelético, designadas de sinais electromiográficos. Em conjunto, estes dados retratam, na sua totalidade, a marcha humana [24].

Tal como anteriormente mencionado, a compreensão do movimento humano do ponto de vista biomecânico é bastante relevante para várias áreas como desporto, medicina e ergonomia [25]:

Desporto: a aquisição de dados sobre o movimento corporal humano é crucial

na aquisição de uma boa técnica, correção de erros técnicos e otimização da formação dos atletas. A medição do movimento humano também promove a biónica, na conceção de locomoção automática em robots [24].

Medicina: a análise e quantificação da locomoção tem possibilitado um maior conhecimento dos efeitos de patologias [26]da maturação e desenvolvimento e da capacidade de aquisição de movimentos humanos selecionados. O campo de aplicação na área da saúde é a construção de próteses e ortóteses com fim de reabilitação médica.

Ergonomia e a saúde ocupacional: a interação homem-máquina tem tido uma importância cada vez mais significativa. As patologias músculo-esquelética profissionais aumentam de ano para ano, tendo consequentemente um impacto económico cada vez mais significativo [27]. Estas doenças são resultado de esforços biomecânicos repetidos, causados por más decisões ergonómicas e por exposição ocupacional [28].Deste modo, é importante estimar o padrão de sobrecarga induzido por determinadas movimentos ou posturas corporais estáticas e, também, em relação ao desgaste energético do corpo. Este tipo de procedimentos promove uma melhoria de produtividade e conforto no trabalho, através da deteção de fatores de risco e, concomitantemente, redução de comportamentos crónicos e prejudiciais, bem como a correção destes comportamentos através de intervenções adequadas e a monitorização da sua eficiência [24].

22 2.3.1 Ciclo de Marcha

O ciclo de marcha compreende um intervalo de tempo ou sequência de movimentos entre duas ocorrências sucessivas de um dos momentos repetitivos do ciclo. A marcha normal é rítmica e é caracterizada pela alternância consiste entre os movimentos dos membros inferiores que definem as diferentes etapas do ciclo de marcha [29].

As diferentes etapas ou eventos que ocorrem durante este ciclo são determinadas através da definição de ocorrências chave de entrar em contacto com o solo ou deixar de estar em contacto com o solo. Geralmente, o evento selecionado para demarcar o ciclo de marcha é o instante em que ocorre o primeiro contacto do calcanhar com o solo, denominado por contacto inicial. Obrigatoriamente deve-se selecionar o membro de referência, isto é, se for escolhido o pé direito, o ciclo iniciará quando o pé direito contactar o solo e prosseguirá até que este volte a entrar em contacto com o solo. Para uma análise eficaz da marcha é imprescindível a devida identificação dos elementos anteriormente mencionados.

Durante cada ciclo ocorrem duas fases distintas, a fase de apoio e a fase de

balanço. A primeira fase inicia quando o membro de referência entra em contacto com

o chão até à descolagem do antepé, a segunda fase decorre enquanto a extremidade do membro inferior se move no ar. Estas duas fases estão subdivididas em sete eventos, quatro deles acontecem na fase de apoio e os restantes três decorrem na fase de balanço, tal como ilustrado na figura 2.19.

A fase de apoio subdivide-se em fase de absorção de choque, fase de apoio

médio, fase final de apoio, fase de pré balanço. A fase de balanço está subdividida em fase de balanço inicial, fase média de balanço e fase final de balanço.

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Figura 2. 19 - Representação gráfica dos diferentes eventos do ciclo de marcha [adaptado de 18]

O ciclo de marcha dá início quando a extremidade do membro de referência do solo contacta com o solo, fase de absorção de choque que finaliza quando a extremidade contralateral levanta do solo (descolagem do antepé contralateral). Neste momento presencia-se um suporte simples, ou seja, realizada por um único pé. Segue-se a fase

média de apoio que termina com a descolagem do calcanhar do pé direito. A fase de apoio final conclui no instante em que o pé oposto contacta com o solo (contacta inicial

contralateral) e sucede-se a fase de pré balanço, inicializando o segundo apoio bilateral. O momento de descolagem do antepé é o que separa a fase de apoio e a fase de balanço. A fase média de balanço decorre enquanto o membro de suporte e o membro oscilante se cruzam (pés juntos), terminando a fase de balanço com o novo contato inicial e o recomeçar de um novo ciclo.

A fase de apoio corresponde a cerca de 60% do ciclo inteiro, sendo que a fase de balanço ocupa os restantes 40%. Contudo, a duração de cada fase do ciclo varia de acordo com a velocidade de marcha, sendo que o aumento da velocidade amplia proporcionalmente a fase de balanço, reduzindo as fases de apoio e de suporte duplo [29].

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