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5.2 Cons´ equences sur la mod´ elisation

5.2.1 Des mod` eles existants insatisfaisants

Diferentes projetos desportivos são desenvolvidos principalmente em países que apresentam uma grande diversidade cultural. Governos, Autarquias, instituições nacionais e internacionais, particulares individualmente e coletivamente procuram através do desporto promover a coesão, integração e a promoção de um diálogo intercultural. Um destes exemplos surge pelas mãos do governo australiano que reconhece que as atividades desportivas de recreação são fundamentais para a coesão social, pelo que propõe o programa “Multicultural Youth Sports”. Este, tem como objetivo envolver os jovens nas novas e emergentes comunidades de diversas origens culturais através de atividades desportivas de lazer. A Comissão Australiana de Desportos surge neste projeto como responsável pela promoção e desenvolvimento do referido projeto (Australian Government, 2010). A perceção dos benefícios do desporto para o fortalecimento das relações humanas define a sua aplicação. Os imigrantes, muitas vezes com experiências de vida difíceis, têm a possibilidade, através do desporto, de ultrapassar ou esquecer por momentos muitas das experiências negativas inerentes à sua condição. Situação possível, pelo facto do desporto permitir ultrapassar as barreiras linguísticas e culturais. Na Alemanha, mais precisamente, em Munique, “Rudiger Heid” propôs uma liga de futebol de rua intercultural, o “Buntkicktgut” (futebol colorido), contando com mais de cento e cinquenta equipas e com cerca de mil e quinhentos participantes. Um dos principais objetivos do projeto passa pela prevenção da violência, pela resolução pacífica dos conflitos, pela diluição dos preconceitos

racistas, pela indução da negociação democrática e pela participação individual e em grupo. Os jogadores, unicamente masculinos, são uma mistura de refugiados e jovens desfavorecidos de diversas culturas. As idades dos participantes estão compreendidas entre os oito e os vinte e um anos. O “Buntkickgut” que se realiza por toda a cidade, divide-se em duas temporadas a de verão e a de inverno, com uma frequência de jogos que pode ir até cinco vezes por semana incluindo os fins de semana. Associado ao torneio surge também a realização de dois eventos relacionados com a Taça da Liga. As equipas são formadas por seis jogadores e por, pelo menos, um treinador. As equipas são responsáveis pela sua própria organização, mesmo as mais novas, estão comprometidas a participarem todo o ano. Uma das mais valias do evento, em relação a outros eventos desportivos, é a sua continuidade e a frequência com que as equipas se reúnem. Outro elemento chave é a longevidade da liga devido ao facto dos jogadores, à medida que ficam mais velhos poderem avançar de escalão. Esta cria laços entre os jovens e os funcionários, socializando-os com os valores da liga. Os jogadores mais experientes orientam os novos participantes que são, quase sempre, compostas por indivíduos de um mesmo grupo cultural. O “Buntkickgut” está associado com a autonomia, a autoorganização e a autodeterminação da juventude e oferece o reconhecimento e o respeito pelos jogadores, fortalecendo a sua autoconfiança. A relação entre os membros das equipas é próximo e amigável. No dia dos jogos, muitas pessoas vêm assistir e apoiar as suas equipas. O referido projeto, em 2000, recebeu o reconhecimento da cidade de Munique e, em 2002, recebeu o primeiro lugar como o projeto de integração bem sucedido das mãos do presidente alemão, Johannes Rau. Projetos semelhantes ao “Buntkicktgut” foram desenvolvidos na Suíça e na Áustria. Em 2006, o “Buntkicktgut” tornou-se uma iniciativa verdadeiramente global, quando se integrou no Internacional “Streetfootball League” em Munique. Mais de 56 equipas de todo o mundo participaram no evento. Participaram equipas da Índia, do Paquistão, dos Estados Unidos da América, da Polónia, do Brasil, do Reino Unido, da China, dos Camarões e de muitos outros lugares (MayTree Foundation, May 2011). Na Dinamarca surge um

conceito de integração acolhedora dos recém chegados através das deslocações em bicicleta. A cidade dinamarquesa de Copenhague está coberta por mais de 1,2 milhões quilómetros de ciclovias e um em cada três habitantes usa a bicicleta para se deslocar diariamente. Esta forma de estar tem um forte apoio do governo local, que investe cerca de trinta e cinco euros por pessoa / ano na melhoria das estradas e na segurança. Em 2008, Copenhaga foi escolhida como a melhor cidade dinamarquesa para o ciclismo. Para 2015, Copenhaga pretende ter cinquenta por cento dos seus residentes a deslocarem-se para o trabalho e para a escola de bicicleta. Esta iniciativa pretende envolver igualmente as pessoas recém chegadas. A participação, por parte dos destes nas iniciativas da cidade, é importante para o seu conforto. A Cruz Vermelha dinamarquesa, através dos seus voluntários, tendo percebido a referida necessidade, ensina os adultos imigrantes a andar de bicicleta, ensina as regras da estrada e a reparar as bicicletas. As aulas são gratuitas para os imigrantes requerentes de asilo e refugiados e permitem que circulem livremente e em segurança. As referidas aulas apresentam-se como uma oportunidade para os dinamarqueses socializarem e compartilharem as suas habilidades e cultura. As deslocações de bicicleta apresentam-se como uma opção mais rentável relativamente à utilização de carros e transportes públicos, assim como uma oportunidade de aumentar a empregabilidade dos imigrantes, através de trabalhos relacionados com as bicicletas (MayTree Foundation, May 2011). Este tipo de iniciativa inovadora aproveita um fenómeno muito característico da sociedade dinamarquesa para envolver os imigrantes na comunidade. Outro projeto que envolve o desporto, mas não ao nível da sua prática, surge no Canadá. Neste país a transmissão em várias línguas do hóquei em gelo tem tido um grande sucesso. Este tipo de jogo é mais que um passatempo nacional. Ele faz parte da identidade e do tecido cultural canadiano. Aos sábados à noite, desde 1952, famílias e amigos reúnem-se para assistir ao jogo "Hockey Night in Canada", sendo o evento com mais audiência na televisão do Canadá e também o mais antigo programa desportivo televisionado. A 24 de maio de 2008, os telespetadores do “National Hockey League (NHL)”, finais do campeonato de “Stanley”, tiveram a opção de

assistir ao jogo de hóquei em ambas as línguas oficiais do Canadá, o inglês e o francês, e, pela primeira vez, em “punjabi” (língua falada na Índia). Os efeitos positivos deste projeto foram enormes tendo-se normalizado a iniciativa. A transmissão em “punjabi” teve um impacto positivo junto da comunidade que fala esta língua, visto que até aqui não conseguiam perceber o que diziam os comentadores. A transmissão em “punjabi” trouxe novos públicos e ofereceu aos novos imigrantes, uma aproximação cultural com a população autóctone. A capacidade de compreender o jogo permite criar um diálogo entre aqueles que o veem, aumentando assim o sentido de pertença. O “punjabi” é a quarta língua mais falada no Canadá, depois do inglês, francês e chinês. O referido sucesso levou a que o canal de televisão responsável pelos jogos, a “Canadian Broadcasting Corporation”, aderisse à transmissão em mandarim, permitindo, à comunidade chinesa, familiarizar-se melhor com o jogo. Outras transmissões para o Canadá, como a “National Basketeball Association” (NBA), também começarão a ser transmitidos em “punjabi” (MayTree Foundation, May 2011). Na Holanda, mais concretamente na sua capital, Amesterdão, surge outro projeto de integração das várias comunidades existentes: o campeonato do mundo de futebol amador de Amesterdão “WK Amesterdão”. O evento enquadra-se na política de integração holandesa e oferece um espaço para a mobilização da comunidade dominante em articulação com as diferentes comunidades estrangeiras residentes. Ele permite facilitar e articular as diferentes comunidades, no sentido de promover o multiculturalismo, a interação cultural e a integração no Município de Amesterdão. Oferece um importante espaço social para comunidades culturais minoritárias que se encontram excluídos da cultura tradicional do futebol, estando sujeitos ao racismo do futebol holandês local. Neste campeonato competem trinta e duas equipas, em que cada uma delas representa uma nação. O torneio é predominantemente para amadores, contudo podem participar alguns profissionais. Cada equipa participante paga 200 euros, sendo a entrada livre para os adeptos. Para além do evento desportivo, desenvolvem-se outras atividades culturais que se realizam durante o dia, como atrações musicais realizadas predominantemente por jovens de minorias culturais e são vendidas

especialidades alimentares das diferentes comunidades. Relativamente a Portugal, são várias as iniciativas desportivas com o objetivo de promover a inserção social e o diálogo intercultural entre as diversas comunidades culturais, como é o caso do “Programa Escolhas”. Este apoia-se no desporto para a promoção e integração na sociedade de crianças e jovens em ambientes vulneráveis. Pretende contribuir para a coesão, o aumento da autoestima, a diminuição dos níveis de ansiedade e para a melhoria do aproveitamento escolar. As modalidades desportivas desenvolvidas são diversificadas, como por exemplo, o futebol, o rugby, o andebol e as artes marciais. O referido programa foi “seleccionado por um Júri Nacional como Boa Prática no âmbito no Prémio Europeu de Prevenção da Criminalidade, atribuido pela UE, sob o tema, Desporto, Ciência e Arte na prevenção do crime com crianças e jovens” (Farmhouse, 2011, p. 1). O torneio de futebol “Mundialinho da Integração” realizado pelas Autarquias de Lisboa e Sintra, com a parceria do Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural (ACIDI), pretendeu contribuir para a integração das várias comunidades imigrantes e demonstrar que o desporto é, sem dúvida, uma ponte entre culturas. Em 2010, juntou trezentos e cinquenta atletas imigrantes, distribuídos homogeneamente segundo a sua nacionalidade por dezasseis equipas que representavam os seguintes países: Angola, Brasil, Nigéria, Senegal, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Ucrânia, Roménia, Moldávia, Marrocos, Moçambique e China (Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural, 4/06/2011). As “Mini Olimpíadas 2009 - Mais Diversidade Melhor Humanidade” realizado em 2009 pelo ACIDI, em parceria com a Associação Juvenil Ponte e o Movimento Juventude Nova, teve como objetivo promover através do desporto, os valores da solidariedade, da paz, da tolerância, da inclusão e do ideal de um mundo mais unido. As modalidades desenvolvidas foram o atletismo, o futebol, o basquetebol, o voleibol, a natação e o remo. Agrupados em equipas masculinas e femininas, reuniram cerca de duzentos e cinquenta jovens portugueses, imigrantes e ou seus descendentes. A proveniência destes últimos era alemã, angolana, brasileira, caboverdiana, guineense, marroquina, moçambicana, moldava, romena, russa, são tomense,

sulafricana e ucraniana. Representaram 15 Municípios do país ligados à Rede de Centros Locais de Apoio à Integração de Imigrantes - CLAII (Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural, 2/06/2011). Outro exemplo surge pela Associação dos Imigrantes dos Açores AIPA e o Centro Local de Apoio ao Imigrante que organizaram o “Mundialito Futsal de Ponta Delgada”. A iniciativa insere-se no âmbito da “Promoção da Interculturalidade a Nível Municipal” (Associação dos Imigrantes nos Açores, 2011). Neste torneio, com o slogan “Desporto pela Integração”, participaram imigrantes e gentes locais com o objetivo de fomentar o convívio e a ocupação dos tempos livres de forma saudável (Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural, 2/06/2011). Os programas desportivos descritos apresentam-se como estratégias orientadas à inserção das diferentes comunidades culturais nas sociedades de acolhimento. Neste enquadramento, o desporto atenua as diferenças sociais e raciais, promove a coesão social, é uma escola de vida e um símbolo transformador. Este, para além de renovar a identidade das nações, apresenta um papel importante no combate à exclusão social e, neste sentido, as “políticas públicas de inclusão social não podem relegar para segundo plano esta dimensão” (Farmhouse, 2011, p.1).