7.2 Notion de cluster d’interactions
7.2.1 Cluster d’interactions : d´ efinition
As coletividades e as associações desportivas apresentam-se como as instituições que mais têm contribuído para a promoção e desenvolvimento desportivo no enquadramento do direito constitucional. Neste sentido, compete ao estado colaborar e apoiar o movimento associativo, pelo facto de garantir o referido direito (Constantino, 2001, pp. 10-11). Este movimento apresenta uma profunda responsabilidade social ao nível da socialização, da transmissão de regras, do espírito de solidariedade e da reabilitação dos estratos sociais estigmatizados e abandonados (Marques, 2009, p. 303). As atividades desportivas, especialmente as organizadas pelas coletividades e associações desportivas, reduzem as barreiras sociais e culturais através da promoção do relacionamento entre as pessoas (Krouwel, Boonstra, Duyvendak, & Veldboer, 2006, p. 169). Na base do seu trabalho estão os jovens, sendo estes os que mais beneficiam de um empenhamento gratuito e amigo. De acordo com as linhas definidas pela Carta Europeia do Desporto, enquadradas com os apoios
Autárquicos definidos na Constituição, os jovens devem ter a possibilidade de beneficiar de programas de Educação Física no sentido de desenvolver as suas aptidões desportivas de base, assegurando a possibilidade de praticar desporto e de participar em atividades físicas e recreativas num ambiente seguro e saudável, em cooperação com os organismos desportivos apropriados; devem assegurar a quem manifestar tal desejo, e possuir as competências necessárias, a possibilidade de melhorar o seu nível de rendimento e de realizar o seu potencial pessoal ou de alcançar níveis de excelência publicamente reconhecidos, de proteger e desenvolver as bases morais e éticas do desporto, assim como a dignidade humana e a segurança daqueles que participam em atividades desportivas, protegendo o desporto e os desportistas de toda a exploração para fins políticos, comerciais, financeiros e de práticas abusivas e aviltantes, incluindo o abuso de drogas (Conselho da Europa, 2011). Se existirem debilidades e insuficiências no tecido associativo desportivo, presentemente e segundo Constantino (1999), não são o resultado de uma eventual insuficiência dos apoios públicos, mas sim de uma crise de natureza cultural e civilizacional, existindo uma inadequação entre a procura social e o modelo de organização desportiva proposto. O desafio de futuro aos poderes políticos e desportivos é a adaptação a uma dinâmica plural e a transição de um corpo de políticas que se dirigiam às necessidades coletivas de alguns, para políticas que respondam às necessidades individuais de muitos. Como tal, será necessário abandonar uma política de curto prazo e adotar uma política de projetos de desenvolvimento, com resultados mais sustentáveis e duradouros. A tentativa de responder aos problemas, a curto prazo, através de medidas políticas urgentes, atribuindo subsídios, tem criado um ciclo vicioso onde muitos outros problemas ficam por resolver. A forma como poderemos modificar esta situação será através da “alteração da política” (Constantino, 1999, p. 13). O clube desportivo clássico nasceu e enquadrou-se numa lógica competitiva do rendimento máximo, expressão dos mais dotados. Alterar este modelo, onde o clube desportivo premeie o desporto para todos, não encontra em muitos casos condições objetivas. Contudo, reconhece-se um esforço de transformação e adaptação de muitos clubes
desportivos, onde procuram conciliar a sua identidade originária com a prestação de uma prática desportiva à comunidade. Deste modo, é necessário garantir as formas de apoio por parte das Autarquias, analisando as diferentes tendências, ou expressões desportivas, entre as políticas e os investimentos dirigidos às práticas desportivas de rendimento absoluto e as práticas desportivas de rendimento relativo, entre um desporto para todos e um desporto para alguns (Constantino, 1999, pp. 25-26). Os clubes desportivos necessitam de ser atrativos para os jovens. Atualmente, as opções, os centros de interesse, os hábitos, os consumos e gostos culturais dos jovens são diversos e, como tal, as associações e clubes desportivos deverão adequar-se para poder interagir com as novas realidades. Para que possam motivar os jovens, precisam de se apresentar como um espaço aberto ao convívio para ambos os sexos, à participação individual e coletiva, à organização, num enquadramento e direção das atividades de forma a permitir uma afirmação individual e geracional. O clube desportivo deverá preocupar-se com a continuidade dos jovens na prática desportiva em prejuízo dos resultados desportivos imediatos.A luta contra o abandono desportivo precoce, que se verifica à medida que os jovens avançam na idade, requer medidas preventivas contra o insucesso desportivo, já que aqui pode residir o motivo mais acentuado da sua exclusão, o que limitará o alcance educativo e de desenvolvimento social do próprio desporto (Constantino, 1999, pp. 35-36).
3. METODOLOGIA
“Cada investigação é uma experiência única, que utiliza caminhos próprios” (Quivy & Campenhoudt, 2005, p. 120)
Neste capítulo ocorrerá a sistematização da informação a recolher, no estabelecimento prudente de um protocolo que permita, tendo em conta os objetivos estabelecidos, obter dados verdadeiros e válidos que possam posteriormente ser alvo de análise e interpretação. A definição de uma estratégia integrada de pesquisa, pressupõe a realização de escolhas. Neste sentido, para a realização do presente estudo, optamos pelo método qualitativo, uma vez que não se baseia na simples recolha de “factos” sobre o comportamento humano e no estabelecimento de relações de causalidade que permitem predizer esse comportamento. Mas, procura compreender profundamente o comportamento e a experiência humana, já que os dados qualitativos são factos reveladores de fenómenos importantes e, por vezes, diretamente inacessíveis (Bogdan & Biklen, 1994). Em suma, as informações que pretendemos recolher são qualidades, atributos, propriedades, caraterísticas não traduzíveis por uma linguagem que cifra, em vez de cifrar o seu significado. O método qualitativo utiliza fundamentalmente três formas de recolha de informação: a) o inquérito sob a forma oral (entrevista) ou escrita (questionário); b) observação; e c) análise documental (Bogdan & Biklen, 1994; Quivy & Campenhoudt, 2005). A validade e fiabilidade da informação recolhida através dos instrumentos anteriormente referidos, dependerá, em grande medida, das capacidades metodológicas, da sensibilidade e do treino do investigador. Uma observação sistemática e rigorosa requer muito mais do que o simples ato da presença e um olhar superficial. Da mesma forma a capacidade de entrevistar ultrapassa a simples ação de colocar questões e a análise de conteúdo requer muito mais do que uma simples leitura. Nesta medida, a produção de informações qualitativas úteis e credíveis através da observação, da entrevista e da análise do conteúdo requer disciplina, conhecimento, treino e prática (Patton, 2002). Todavia, importa salientar que a
investigação social é ela mesma um processo social onde a interação entre o investigador e o investigado influenciam diretamente o curso que o programa de investigação contempla. Deste modo, a metodologia de investigação está continuamente a ser definida e redefinida pelo investigador e, em alguns casos, pelo próprio investigado. Neste sentido, a escolha do método não deve ser rígida, mas antes rigorosa (Bordieu, 1999).