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Un mod`ele de services ` a base de composantes

4.3 Pr´esentation du mod`ele de services

4.3.2 Un mod`ele de services ` a base de composantes

Essa cultura é a que tem uma maior aproximação entre os modelos tradicionais locais e o SAF proposto. Porém, algumas diferenças adotadas no SAF garantem maiores níveis de sustentabilidade. A primeira diferença é que no sistema tradicional, o caju é cultivado em monoculturas, ou seja, quando vai-se instalar uma área de cajucultura, a primeira ação é o corte raso da vegetação nativa e introdução apenas de mudas de caju. Apesar de o cajueiro ser uma espécie nativa da região, seu cultivo em monocultura leva a uma simplificação do agroecossistema que começa a ter sua dinâmica modificada. Por um cultivo monoespecífico, o mesmo produz apenas um tipo de resíduo, que é originada do próprio cajueiral. Mesmo que esse resíduo seja incorporado ao solo, a biodiversidade de organismos do solo que irá decompor esse material será reduzido devido ser uma fonte única. Essa dimuição dos organismos do solo, seja micro, meso ou macro fauna, vai prejudicar a dinâmica da ciclagem dos nutrientes do solo, o que pode, a médio ou longo prazo, prejudicar a cultura. Outra questão sobre o cultivo monoespecifico, é que todos os indivíduos dessa população irão competir pelos nutrientes e outros recursos necessários ao seu desenvolvimento. Ou seja, as possíveis relações benéficas entre diferentes culturas serão praticamente ignoradas, permitindo apenas as relações de competição. Nesse sistema tradicional, a pecuária não está inclusa, apesar de alguns agricultores utilizarem esterco de diferentes animais (dependendo das facilidades de cada proprietário) para adubação periódica no cajueiral.

No caso do SAF, a inclusão de outras espécies na área de cultivo tem vários objetivos. O primeiro deles é a própria diversificação da produção, que é conseguida ao adicionarmos outros gêneros alimentícios, no caso o milho e o feijão, com culturas forrageiras e indutoras a manutenção e melhoria do solo, que escolhemos a gliricídia que apresenta essa dupla função, e espécies nativas para garantir a questão dos serviços ambientais. Nesse sistema, além da

59 relação de competição que existem entre as plantas intraespecíficas, tentamos potencializar as relações interespecíficas benéficas. Podemos citar a incorporação da folhagem da gliricídia e do feijão ao solo, que por serem de espécies leguminosas são ricas em N e irão implementar melhoria ou manutenção das propriedades do solo, além de sua fertilidade. Por se tratar de um sistema de policultura e ainda apresentar 200 árvores por hectare de espécies nativas, a diversidade de resíduos produzidos por essa vegetação é bem mais considerável do que a produzida no sistema tradicional, isso faz com que a diversidade de organismos que irão decompor essa MOS também seja maior. A maior diversidade da fauna do solo (micro, meso e macrofauna) irá otimizar a dinâmica da MOS, fazendo com o a cliclagem dos nutrientes ocorra de forma mais eficiente. Essa questão sobre a fauna do solo será melhor detalhada nas Vantagens Ambientas do SAF. Além das relações benéficas entre espécies vegetais, a integração no SAF entre atividades agrícolas e pastoris, trás benefício para duas atividades. Para parcela agrícola, temos a disponibilidade de esterco que poderá ser utilizada para a adubação do pomar, além disso, o próprio rebanho, quando vai se alimentar do banco de proteínas, também aduba naturalmente a área agrícola. Na cultura do caju, isso é importante principalmente nos 5 primeiros anos de implantação, quando as mudas de caju ainda não desenvolveram completamente seus sistemas radiculares.

Quanto aos outros manejos específicos da cultura do caju, os sistemas tradicionais e o SAF proposto são bastante similares, nesse sentido, citaremos algumas técnicas de manejo que são indicadas nos dois sistemas. O primeiro deles trata-se da “Substituição das Copas”, que é é uma técnica de manejo que pode ser realizada quando se pretende substituir a copa de plantas de baixa produtividade, plantas que apenas florescem e não produzem, a ou ainda quando se deseja implantar um determinado genótipo de cajueiro-anão-precoce ou variedades do cajueiro comum com maiores níveis de produtividade (RIBEIRO et al, 2007). A técnica consiste na retirada da parte aérea das plantas indesejáveis e substituição por clones de elevada produção de castanha e porte reduzido, por meio de enxertia, mantendo-se o sistema radicular e parte do tronco. Existem três estratégias para a recuperação de pomares de cajueiro por meio da substituição de copas, podem-se adotar três estratégias, conforme a situação do pomar (MONTENEGRO, 2002).

Vamos ressaltar duas delas. Segundo Parente e Oliveira (1995), em cajueiros originários de sementes, é comum ocorrer entre 5 % e 10 % de plantas com produção insignificante. Outros estudo sugerem uma proporção de plantas improdutivas anda maior, chegando a 62% (ROSSETTI et al., 1998). Nesses casos, indica-se a realização de uma “Substituição seletiva”

60 dessas copas com baixas produtividades. É necessário identificar plantas produtivas, improdutivas, raquíticas e atípicas e a partir desse levantamento, executar a substituição das copas desejadas (MONTENEGRO, 2002). Já a “Substituição total ou gradativa” é indicada para plantios velhos, com idade variando entre 20 a 30 anos ou quando o portar é completamente indesejável.

Além da substituição da copa, outras duas técnicas merecem atenção. A “poda de rejuvenescimento é recomendada para plantios de cajueiro comum com até 20 anos de idade, que estejam com ramos bastante entrelaçados, produtividade diminuindo ano após ano, mas o produtor não tem interesse de substituir a copa das plantas de seu pomar por outro clone. O rejuvenescimento tem as mesmas fases da substituição de copas, onde apenas a enxertia não é realizada. Normalmente, a partir do primeiro mês do corte, as plantas de cajueiro comum e de cajueiro-anão-precoce já apresentam brotações novas, aumentando até o terceiro mês após a decepamento, época ideal para realizar-se a seleção definitiva, deixando quatro ramos bem- vigorosos.

Em pomares adultos, seja de cajueiro comum seja de anão-precoce, há necessidade de se manter a planta livre, para que haja iluminação adequada, principalmente nas laterais, onde ocorre a quase totalidade da floração e frutificação. Caso não haja intervenção regular por meio de podas, os pomares adultos ficam com os ramos entrelaçadas, aumentando a competição por água e luz e diminuindo a área foliar; ocorrem ramos secos e praguejados, principalmente com cupins e broca-do-tronco, causando redução drástica da produção. Nesses casos, é indicada a realização de uma “Poda drástica”, que visa à redução do porte da planta e facilita os tratos culturais e a colheita. A diferença entre a poda de rejuvenescimento e drástica, é que na primeira o corte realizado no tronco principal a uma altura de 40 a 50 cm, enquanto a segunda o corte é realizado nos galhos laterais (OLIVEIRA; ANDRADE; COSTA, 2005).