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Il reste maintenant à modéliser le phénomène de diffusion ainsi qu'à observer le patron de diffusion de l'écran pour venir confirmer ou infirmer nos expériences.

Estudar o que é interação torna-se fundamental quando o assunto são redes sociais, especialmente levando em consideração o ambiente organizacional. Interação pode ser entendida como uma ação entre os indivíduos onde a comunicação aparece como central na relação. A maneira como as interações ocorrem vem mudando no decorrer dos séculos, em

especial neste novo momento da Sociedade em Rede, apontada pelo sociólogo Manuel Castells como a sociedade do nosso século. Os autores Oliveira e Paula (2007, p.6) também enfatizam que “a crescente articulação da sociedade em rede amplia os espaços de interação social e multiplica a atuação de indivíduos e grupos no contexto contemporâneo, devido ao acesso à informação e à facilidade de troca”.

A interação face a face dominou grande parte da história humana, onde os indivíduos se relacionavam na aproximação e por meio de formas simbólicas, como a oralidade, por exemplo. A interação dependia exclusivamente da proximidade geográfica e do deslocamento físico dos indivíduos. Isso começou a ser alterado com o desenvolvimento dos meios de comunicação e a crescente profusão de produtos da mídia a partir do século XV, surgindo assim novas formas de interagir. De acordo com Thompson (1998, p. 77), “a interação se dissocia do ambiente físico, de tal maneira que os indivíduos podem interagir uns com os outros ainda que não partilhem do mesmo ambiente espaço-temporal”. Nos dias atuais a grande interação tem ocorrido de maneira mediada, especialmente por tecnologias da informação, como ferramentas da internet.

Thompson relacionou três tipos de interação proporcionados pelos meios de comunicação: interação face a face, interação mediada e a quase-interação mediada. Porém, o autor não esgota as alternativas e sugere muita ‘interação’ entre as formas. Na interação face a face ainda predomina a co-presença, ou seja, os indivíduos estão presentes e compartilham o mesmo espaço e tempo. Essa interação tem um caráter dialógico, onde a informação ou comunicação pode ir e vir, numa troca de respostas entre o receptor e o produtor. As “deixas” simbólicas usadas pelos indivíduos são características da interação face a face, uma vez que os envolvidos podem usar gestos, mudanças de entonação de voz, sorrisos etc.

Já nas interações mediadas, apontada por Thompson (1998), o uso de um meio técnico é que possibilita a transmissão da informação. Aqui citamos como meio técnico o papel, fios elétricos, onda eletromagnéticas, tudo o que proporciona a comunicação por carta, telefone, internet. “A interação mediada se estende no espaço e no tempo” (THOMPSON, 1998, p.79), o que significa que os indivíduos podem estar em espaço e tempo diferentes. Outra característica é que as deixas simbólicas nessa interação são mais remotas e restritas, o que dá ao indivíduo uma responsabilidade ainda maior para interpretar as mensagens recebidas.

A quase-interação mediada, proposta por Thompson, são aquelas estabelecidas pelos meios de comunicação de massa e tem como uma das características o fluxo de comunicação num sentido único, ou seja, a mesma mensagem é enviada para um número indefinido de indivíduos. Isso quer dizer que a quase-interação mediada é de caráter monológico e se dissemina no espaço e no tempo.

É importante destacar que, apesar do surgimento da interação mediada e da quase- interação mediada, a interação face a face continua importante no contexto da vida social. Ela apenas passou a ter outra dinâmica no cotidiano, onde os indivíduos reforçam a comunicação utilizando outros meios, em especial a interação mediada por computador. Para Thompson (1998, p. 82), “com o surgimento da interação e da quase-interação mediadas, a ‘mistura interativa’ da vida social mudou. Cada vez mais os indivíduos preferem buscar informações e conteúdo simbólico em outras fontes do que nas pessoas com quem interagem diretamente no dia-a-dia”.

A interação continua ser a base da comunicação na sociedade, porém se diversificou, expandiu as formas e meios de acontecer, possibilitando que o tempo e o espaço, bem como a presença física, não sejam o principal. Assim, a interação pode acontecer mesmo que indivíduos estejam em locais diferentes, num espaço de tempo que não necessariamente é o mesmo. É a ação à distância, enfatizada e possibilitada especialmente pela tecnologia, ou pelo computador, neste século em que a Sociedade em Rede se estabelece.

Enquanto nas mais antigas sociedades as ações e suas consequências eram geralmente restritas aos contextos da interação face a face e às suas circunvizinhanças, hoje é comum ver os indivíduos orientarem suas ações para outros que não partilham o mesmo ambiente espaço-temporal, e com conseqüências que ultrapassam de muito os limites de seus contextos e localizações (THOMPSON, 1998, p. 92).

Uma das interações mediadas mais utilizadas atualmente é por meio do computador. E, esse estudo passa por diversos enfoques, como o transmissionista, o informacional, o tecnicista, o mercadológico, o antropomórfico e o sistêmico-relacional. Neste trabalho de pesquisa, o interesse se concentra no enfoque sistêmico-relacional, que aborda o aspecto da relação entre os indivíduos e na complexidade do sistema interativo. De acordo com Primo (2011), essa perspectiva vai além do enfoque da produção, da transmissão ou recepção, pois procura entender o que se passa entre os indivíduos. A recepção e a produção são os focos mais estudados na interação mediada e com essa perspectiva os pesquisadores querem “[...]

defender um olhar que se posiciona no centro desses dois polos. Entendendo que interação é ‘ação entre’ e comunicação é ‘ação compartilhada’, quer-se estudar o que se passa entre os participantes da interação, aqui chamados de interagentes” (PRIMO, 2011, p. 56).

Então, a partir dessa abordagem da interação mediada por computador podem ser traçados dois tipos de interação, analisadas a partir do relacionamento que se estabelece entre os interagentes: a mútua e a reativa. Primo (2005), descreve a interação mútua como aquela em que a negociação e a construção do relacionamento acontece de acordo com as ações dos interagentes, sem previsibilidade, onde um pode modificar o outro. “[...] a interação mútua é um constante vir a ser, que se atualiza através de ações de um interagente em relação à(s) do(s) outro(s). Ou seja, a interação não é mera somatória de ações individuais” (PRIMO, 2005, p. 13). Já a interação reativa, de acordo com o autor, é dependente da previsibilidade e das trocas, num estímulo e resposta. Apesar das interações citadas serem o referencial, Primo (2005) lembra que muitas vezes a comunicação não se estabelece apenas por um canal, podendo ser considerada assim uma multi-interação.

A interação, antes de mais nada, é a ação dos indivíduos e não ocorre sozinha, desvinculada e unilateral. Para que ela seja interação é preciso que os envolvidos se engajem no processo e “vivam” a relação que ocorre, o relacionamento. Por isso, investigar a interação é ir além do processo de troca de informação. É preciso olhar para a relação como algo dinâmico, vivo e que imprime a base da comunicação. Primo (2005, p. 72), destaca que “estudar a interação humana é reconhecer os interagentes como seres vivos pensantes e criativos na relação”. Mais uma vez enfatiza-se a importância dos relacionamentos e os sujeitos que dele fazem parte.

Outra maneira de se observar a interação é destacá-la como a matéria prima das relações, dos vínculos estabelecidos pelos indivíduos, que geram os laços sociais. Como afirma Recuero (2010, p. 31), “interações não são, portanto, descontadas dos atores sociais. São parte de suas percepções do universo que os rodeia, influenciadas por elas e pelas motivações particulares desses atores”. Para a autora, a interação representa um processo comunicacional porque a ação sempre tem um reflexo comunicativo, social.

A interação, então, é feita de relações, que geram relacionamento entre indivíduos. E, numa sociedade em rede, esses conceitos ganham ainda mais força, pois tornam-se centrais.

Nas organizações ficam cada vez mais evidentes e apontam novos olhares e caminhos para a comunicação organizacional. Como destaca França (2011, p. 253), “[...] na era da revolução das tecnologias de comunicação, da inserção de todos nas redes sociais, os públicos representam a rede primária da interação empresa-sociedade e, por essa razão, constituem-se no objeto das redes de relacionamentos corporativos de qualquer organização”. O mesmo autor define que relacionamento é uma ação, um ato de convivência dos indivíduos a fim de estabelecer vínculos, definitivos ou não, porém com objetivos claros do que se pretende com a relação.

Recuero (2010) reforça o conceito de que a interação, tão fundamental num rede social, é a responsável pela formação das relações, do relacionamento. E a relação, ou relações, estabelecida entre os indivíduos é, então, a unidade básica de análise da rede. Porém, as relações não são necessariamente positivas, de construção de algo maior. “Elas também podem ser conflituosas ou compreender ações que diminuam a força do laço social” (RECUERO, 2010, p. 37). A relação, ou relacionamento, não depende do conteúdo, mas sim da ação e da maneira como ela ocorre e se estabelece.

Em uma organização, conhecer os públicos, especialmente os internos, as relações e interações que eles estabelecem, é uma das atividades estratégicas de comunicação para se estabelecer melhor o planejamento e as ações, além de identificar que tipos de relacionamentos fazem parte do contexto organizacional.

Conhecer as características das redes sociais ajuda a determinar os tipos de relação que podem existir no exercício da atividade. Não basta, porém, apenas estabelecer os tipos de relação; necessário se faz ainda determinar os objetivos com que elas se quer alcançar e as expectativas da organização e dos públicos no estabelecimento de suas interação [...] (FRANÇA, 2011, p. 255).

Ao atentar para as relações e interações que se estabelecem em uma organização, a comunicação organizacional cumpre um dos seus objetivos, que é a gestão de relacionamentos e a partir desse monitoramento intervir com ações que promovam um relacionamento mais positivo. Ao trabalhar com o conhecimento das redes sociais internas,

[...] há também lugar para a organização trabalhar contradições advindas de diferenças econômicas, sociais e estruturais dos interlocutores. Torna-se possível um outro olhar para as divergências de opiniões e interesses, uma vez que o espaço de interesse comum é possível. Quanto maior for esse espaço, maiores os avanços na gestão organizacional e na definição de parâmetros estratégicos da comunicação (OLIVEIRA; PAULA, 2007, p. 30)

A interação, que gera a relação e os relacionamentos, é base da análise das redes sociais, uma vez que o interesse é a ação que ocorre entre os indivíduos e como ela impacta o ambiente organizacional. Ao estudar a interação, abre-se o foco para outro elemento central numa relação: os laços sociais. Eles são o que constituem e diferenciam os relacionamentos, dando dinâmica à rede social, em especial a interna.

Outra característica desse novo modo de comunicação, mediada por computador, e pela internet, é como as dimensões do espaço e tempo se entrelaçam e, por isso, modificam a dinâmica das relações, proporcionando uma nova cultura. “O espaço de fluxos e o tempo intemporal são as bases principais de uma nova cultura, que transcende e inclui a diversidade dos sistemas de representação historicamente transmitidos: a cultura da virtualidade real, onde o faz-de-conta vai se tornando realidade” (CASTELLS, 2006, p. 462). A vida online abre espaço para novas experiências offline, reforçando relacionamentos.

Na rede, ou na internet, os indivíduos reforçam, aumentam e modificam seus relacionamentos de maneira a interagir continuamente. Cada vez mais, uma rede se interpõe à outra, proporcionando ao indivíduo uma maneira nova de organizar suas relações, abrindo possibilidades de novas e mais conexões. Os laços fracos acabam sendo mais explorados e atuam como uma nova maneira de se integrar à sociedade. Benkler (2006), argumenta que a questão a ser discutida não é se as relações que ocorrem no contexto online, da rede, são substitutos para as amizades e relações do contexto off line. De acordo com ele, “em vez disso, isso deve ser a forma como entendemos o efeito da interação entre uma rede cada vez mais espessa de comunicações com as relações pré-existentes e a carcaça de uma rede mais ampla, que capta muito mais, e as mais variadas, relações”15 (BENKLER, 2006, p. 366). Ou

seja, é preciso observar como esses dois contextos imprimem uma maneira diferente de encarar as relações, sem uma separação do que pode ser melhor ou não.

Benkler (2006) destaca, ainda, que a internet, por uma questão técnica e organizacional, permite uma gama maior de modelos de comunicação e se torna uma plataforma de conexão humana. Ou seja, ao mesmo tempo o indivíduo tem a comunicação

15Tradução livre da mestranda para: “Instead, it must be how we understand the effect of the interaction between an

increasingly thickened network of communications with preexisting relations and the casting of a broader net that captures many more, and more varied, relations” (BENKLER, 2006, p.366).

textual, a sonora e a visual, interagindo ou não com outros indivíduos. Além disso, segundo as argumentações do autor, “a internet não nos torna mais sociais. Ela simplesmente oferece mais graus de liberdade para que cada um de nós possa criar nosso próprio espaço de comunicação, que não estava disponível no passado”16 (BENKLER, 2006, p. 371). Ou

melhor, a internet possibilita que cada um escolha como quer realizar sua comunicação. É uma construção mediada, que estabelece ainda mais laços.

A tendência que surge com a internet é a de que nos comuniquemos mais com as pessoas geagraficamente distantes e nos agrupemos em novas relações sociais, mais flexíveis que as tradicionais, reforçando os laços fracos. Também nos deparamos com um desenvolvimento constante de mídias e softwares que nos oferecem mais contexto e diversificadas maneiras de nos conectarmos. Esse reforço nos laços fracos não significa que esses novos relacionamentos virão para deslocar a centralidade das relações mais próximas, dos laços fortes. São apenas mais e novas relações.

A autora Nancy Baym também tem estudado a questão das relações na era digital e destaca que, geralmente, há duas maneiras de reação quando o assunto é esse. Primeiro, os indivíduos tem a sensação de que a comunicação se torna mais superficial, pois a quantidade acaba superando a qualidade dos relacionamentos já existentes. Outra reação é a de que as mídias possibilitam mais oportunidades para a interação, o que facilita a aproximação de mais pessoas e, a partir disso, novas relações. Para ela, as amizades on line estão apenas iniciando a caminhada e não significam, necessariamente, superficialidade. “Especula-se que amizades

online são mais experimental em estágios iniciais, mas depois de seis meses a um ano

crescem rapidamente e se tornam mais parecido com amizades offline”17 (BAYM, 2010, p.

131).

Os relacionamentos online, de acordo com Baym (2010) podem ser significativos, apesar de alguns se manterem mais fracos e utilizados apenas para troca de interesses comuns. “Estas relaçõesfazem contribuições importantes paraavida das pessoas, especialmente quando elas permitem queas pessoas interajamcom os interessese preocupações queos

16Tradução livre da mestranda para: “[...] the Internet does not make more social beings. It simply offers more degrees of

freedom for each of us to design our own communications space than were available in the past” (BENKLER, 2006, p.371).

17Tradução livre da mestranda para: “They speculate that online friendships are more tentative in early stages, but after six

seusparceirosrelacionais próximosnão compartilham”18(BAYM, 2010, p. 131). Então, é

importante entender as relações online e como elas podem ou não contribuir com os relacionamentos que já ocorrem no contexto offline.

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