1.3. Méthodes existantes
1.3.5. Modélisations structurelles et syntaxiques
Em meio à adoção, ainda em larga escala, dos modelos convencionais de desenvolvimento, apresentados no item anterior do presente capítulo, nos anos 1980, a teoria do desenvolvimento econômico passou por uma importante modificação com a formação de um novo paradigma que ficou conhecido como desenvolvimento endógeno.
Segundo Barquero (2001, p. 38), o novo modelo surgiu a partir da convergência de duas linhas de pesquisa, dando lugar a esta nova concepção de desenvolvimento. Uma, que é de caráter teórico, nasceu da tentativa de encontrar uma noção de desenvolvimento que levasse em conta os efeitos da atuação pública na evolução das localidades e regiões atrasadas. A outra, de caráter empírico, surgiu em decorrência da interpretação dos processos de desenvolvimento industrial em localidades e regiões do Sul da Europa.
Segundo este autor, a idéia principal do desenvolvimento endógeno é a de que o sistema produtivo dos países se expande e se transforma pela utilização do potencial de desenvolvimento existente no território - nas regiões e cidades, mediante investimentos realizados por empresas e agentes públicos e sob o controle da comunidade local.
Como bem acrescenta Amaral Filho (1992 apud FEITOSA, 2009, p. 12), este novo paradigma representaria um processo de crescimento econômico implicando em uma contínua ampliação da capacidade de agregação de valor sobre a produção bem como da capacidade de absorção da região, cujo desdobramento é a retenção do excedente econômico gerado na economia local e/ou a atração de excedentes provenientes de outras regiões, com este processo tendo como resultado a ampliação do emprego, do produto e da renda do local ou da região mais ou menos definido dentro de um modelo específico de desenvolvimento regional.
Nesse sentido, observa Barquero (2001, p. 28 e 29), até então, as políticas tradicionais que tratavam do desenvolvimento regional trabalhavam com uma visão baseada em um modelo de crescimento concentrado e se propunham a contribuir para a distribuição territorial de renda e emprego mediante a aplicação de incentivos e à realização de investimentos em infra-estrutura. Na sua avaliação, tanto as políticas keynesianas como as
neoclássicas imaginavam as políticas de desenvolvimento regional como um “jogo de soma zero”, no sentido de que uma região obteria seus recursos à custa apenas das demais; ao passo que a política de desenvolvimento local pretende superar os desequilíbrios por meio do fomento de todos os territórios com potencialidades de desenvolvimento competitivo, sendo vista, dessa forma, como um “jogo de soma positiva”, capaz de tirar proveito do potencial de desenvolvimento existente no próprio território.
Na verdade, explica Barquero, a teoria convencional do desenvolvimento constitui uma das referências da teoria do desenvolvimento endógeno e compartilha, inclusive, dos princípios com a mesma, a saber: a existência de externalidades é uma condição necessária para o desenvolvimento de uma cidade ou região; a rede de empresas industriais dá origem a uma multiplicidade de mercados internos e é, dessa forma, geradora de economias externas. No entanto, diferencia-se da teoria convencional quando assinala que o importante não é o tamanho das empresas, mas sim a existência de um sistema de empresas capazes de manter intensas trocas e relações mútuas (BECATTINE apud BARQUERO, 2001, p. 61). Relações estas, que vão além do intercâmbio de produtos e serviços entre firmas, passando pela troca de conhecimentos tecnológicos e padrões de comportamento.
Sobre isso, ele observa que o desenvolvimento endógeno não exclui do processo as grandes empresas e os grupos industriais originários de outros territórios. Na sua avaliação, é até natural que empresas inovadoras sintam-se atraídas por uma localização que ofereça recursos e infra-estrutura, que conte com um sistema produtivo e uma sociedade aberta à inovação e cujo sistema de empresas seja capaz de gerar economias externas de escala, sendo dessa forma, possível a combinação de fatores locais e externos. Na verdade, eles até podem desempenhar um papel vital no desenvolvimento local, porém, sempre que houver convergência entre suas estratégias e aquelas definidas no âmbito do território.
De fato, acrescenta Feitosa (2009, p. 13), o caráter endógeno do desenvolvimento não quer dizer que este modelo é autocentrado na própria região ou no local, com tendências ao isolamento e ao fechamento. Ao contrário, o desenvolvimento endógeno deve ser entendido como um processo de transformação, fortalecimento e qualificação das estruturas internas da região e desse modo, completa Barquero, as estratégias das empresas, mesmo externas, e dos territórios parecem compartilhar os mesmos objetivos, quando buscam fazer com que os atributos destes últimos assegurem vantagens competitivas às unidades produtivas ali localizadas. Havendo essa convergência de estratégias entre empresas e territórios, ele conclui que os processos de desenvolvimento endógeno adquirem uma dinâmica própria.
Por isso, no caso das estratégias de desenvolvimento local, esse processo estaria associado a uma abordagem de baixo para cima - ao contrário do que propunham os modelos convencionais -, e onde são os atores locais que, na tentativa de atender às necessidades e demandas da população local, desempenham o papel central na definição, execução e controle das políticas de desenvolvimento.
O objetivo, aqui, explica, Barquero é buscar o bem-estar da comunidade envolvida em seu conjunto, influenciando não só os aspectos produtivos, mas também atuando sobre as dimensões sociais e culturais, o que leva a diferentes caminhos de desenvolvimento, conforme as características e as capacidades de cada economia e sociedades locais, consistindo, dessa forma, em um enfoque territorial do desenvolvimento e do sistema produtivo. O território passa a ser um agente de transformação e não de mero suporte dos recursos e atividades econômicas, uma vez que existe a interação entre as empresas e os demais atores, que se organizam para desenvolver a economia e a sociedade local.
Nesse contexto, o conjunto de recursos – econômicos, humanos, institucionais e culturais, formadores do seu potencial de desenvolvimento -, passa a ser o ponto de partida à comunidade. Estes podem ser identificados, por exemplo, nos elementos da estrutura produtiva; no mercado de trabalho; na capacidade empresarial; no conhecimento tecnológico; nos recursos naturais; na infra-estrutura; no sistema político e social; e ainda na tradição e na cultura, em torno dos quais se articulariam os processos de crescimento econômico e mudanças estruturais e nesse sentido as pequenas e médias empresas, por sua flexibilidade e capacidade empresarial e organizacional, estariam fadadas a ocupar papel de protagonistas nos processos de desenvolvimento endógeno.