Chapitre I : généralité sur les cellules PV
Chapitre 3 : modélisation des performances des cellules PV à hétérojonction de silicium…
II. Modélisation des performances des cellules PV à base de a-Si/c-Si
“O desejo de destruição não caminha sem a pulsão de autodestruição, o ódio ao outro se nutre do ódio de si mesmo e o conduz a ele”
(Enriquez, 2004/2005, p.28). Desde os anos 80, o tráfico de drogas tem trazido, principalmente por sua forma de funcionamento, um aumento notável do crime violento (o crime contra a pessoa, que na definição jurídica são os homicídios, tentativas de homicídios, assaltos, latrocínios, lesões corporais dolosas, estupros, tentativas de estupro), em especial do homicídio entre homens adolescentes que dele participam. Estes adolescentes provavelmente têm sido assassinados por outros adolescentes da mesma idade (nas lutas internas entre os grupos do tráfico) ou por policiais corruptos (grupos de extermínio ou envolvidos no tráfico). O problema reside na dificuldade de comprovar a autoria das mortes (Zaluar, 2006).
Muitos usuários de drogas são levados a roubar, assaltar ou matar, caso não consigam saldar suas dívidas, para pagar aos que os ameaçam de morte, que podem ser tanto os policiais (no esquema de extorsão praticado por eles) quanto os traficantes. Muitos acabam se tornando membros das quadrilhas, seja para pagarem suas dívidas, seja para se sentirem fortes diante dos inimigos criados, ou pelo próprio ‘fascínio’, ‘euforia’ e ‘ilusão’ que o crime organizado exerce sobre eles. Zaluar (2006) chama esta trama de ‘círculo diabólico’.
Assim, segundo a autora, a idéia de que o aumento do índice de crimes violentos é uma forma disfarçada de luta de classes, entre ricos e pobres, não tem fundamento, visto que o aumento se dá muito mais nas periferias das cidades, onde moram os pobres. Os pobres são as principais vítimas dessa onda de violência, que se agrava ainda mais pelo fato de não terem recursos políticos e econômicos que lhes garantam acesso à Justiça e à segurança.
Para o fim da violência há, de um lado, uma demanda crescente por ordem, ou seja, uma tendência conservadora, encontrada em todas as classes sociais, de exigir mais eficiência e mais dureza nas práticas policiais, além de eleger políticos e governos fortes que defendam a pena de morte. De outro lado, há uma linha de pensamento de que, ante a deterioração da qualidade de vida dos trabalhadores, os baixos salários, as altas taxas de inflação, a miséria crescente e o desemprego - a desordem é, não só inevitável, como boa (Zaluar, 2006).
Neste sentido, seria importante a investigação de como se dá esta relação entre a situação de pobreza e a condição de exclusão social do adolescente, a formação de identidade e a vulnerabilidade às condutas de risco, tais como o envolvimento com drogas (seja pelo consumo como pela inserção no tráfico) e outras práticas infracionais. Por outro lado e ao mesmo tempo, faz-se também importante examinar a função dessas condutas de risco em tal contexto (Sudbrack, 1998).
Muitos adolescentes moradores da comunidade identificam-se com os traficantes, em virtude do processo de marginalização que sofrem, inclusive pelas medidas repressoras e arbitrárias dos policiais, que estão contra todos aqueles que correspondem ao estereótipo policial do criminoso. Muitos usuários de drogas e traficantes são forçados a pagar propinas a fim de evitar processos judiciais e a prisão (Zaluar, 2006).
Para Minayo (2001), existem três aspectos fundamentais a serem estudados e compreendidos sobre a realidade dos adolescentes envolvidos com o tráfico de drogas: os aspectos históricos deste grupo social e as determinações estruturais e conjunturais que criam o contexto de suas condições, situações e estilos de vida; as políticas sociais que possibilitam mudanças no quadro das determinações ou das pessoas que se envolvem com atividades ilegais; e a liberdade humana própria de cada um destes adolescentes, de fazer opções, de correr riscos, de aceitar ou rejeitar as regras e imposições do tráfico de drogas.
A forma de organização do tráfico de drogas apresenta diferenças no que se refere à estrutura, localização e nomenclatura dos cargos nela ocupados. Existe uma dinâmica de funcionamento extremamente rígida e forte no mundo do tráfico. Há planejamento, estratégia, plano de carreira (no qual as possibilidades de ascensão e remuneração são definidas com base no desempenho e na produtividade demonstrada no dia-a-dia do tráfico) e uma hierarquia que provoca admiração a qualquer
administrador ou consultor de empresas, grandes estudiosos da forma de se organizar um empreendimento comercial (Neto, Moreira & Sucena, 2001).
No entanto, o número de adolescentes que morrem no exercício de suas atividades no tráfico de drogas, almejando ascensão no “plano de carreira”, ou seja, com o ideal de ocupar um lugar mais destacado na estrutura do tráfico é espantoso. Segundo Neto, Moreira & Sucena (2001), é o que evidencia a perversidade da situação. O termo usado é “se formar bandido” e para ascensão no tráfico é preciso mostrar ser digno de muita confiança.
Quando falam sobre o ‘chefe’ do tráfico, é bastante paradoxal: “o patrão trata
na maior humildade. Trata todo mundo bem, só não pode errar”. Será que esta relação
é muito diferente da relação patrão-empregado na sociedade de hoje? O patrão exerce sua função de bom chefe até ocorrer um erro. Errou, está demitido! Na verdade, no tráfico não parece ser muito diferente. O que importa não é o sujeito e sim a sua função, o que ele rende ao patrão (Neto, Moreira & Sucena , 2001).
As atividades ilegais do tráfico de drogas têm um caráter de negócio contínuo, obedecem a uma hierarquia e são baseadas no segredo, nas relações de confiança sempre colocadas à prova, no conhecimento das pessoas e nos acordos tácitos estabelecidos entre elas. As relações são abertas no tempo e no espaço, vinculam diversas pessoas através de diversos tipos de contatos que vão se multiplicando pelos intermediários. A organização do grupo prescinde, portanto, a idéia de organização corporativa e burocratizada, podendo ser rapidamente desfeito e refeito em outras rotas e circuitos e com outras pessoas (Zaluar, 2006).
Além disso, o jogo financeiro e especulativo proveniente do tráfico de drogas sobrevive melhor sem regulação, aproveitando-se da fraqueza dos Estados nacionais. Por isso, as mais expressivas organizações do crime que atuam no varejo, o fazem nas áreas urbanas onde se processa a atividade econômica e a concentração do poder aquisitivo (Minayo, 2001).
Outro fator importante que contribui para manutenção e dinâmica desta trama de relações no tráfico a ser considerado, refere-se às expressões de violência social no contexto atual: o mundo globalizado, a ênfase no lucro e no consumo.
As expressões de violência social de hoje são diferentes daquelas dos anos 60 e 70, quando predominavam as expressões de conflitos políticos, movimentos vinculados a propostas revolucionárias e a projetos sociais desenvolvimentistas – grupos nos quais a juventude se engajava. Hoje, as expressões de violência se deslocam para fenômenos
de ordem infra e metapolítica, ligados ao corromper-se, aos desejos de controle financeiro, de possuir muito dinheiro rapidamente, de consumismo e de vingança social. Portanto, as formas mais visíveis de violência social hoje (tráfico de drogas) denunciam o fim de uma época desenvolvimentista e a decomposição dos sistemas sociais, políticos e estatais (Minayo, 2001).
Para concluir, é importante ressaltar que toda esta forma de atuação e organização das relações descrita até aqui se aplica apenas aos níveis mais baixos do tráfico de drogas (o chamado “baixo” tráfico), que são descentralizados, com difícil controle pela estrutura de gerenciamento em grandes números e poderosas hierarquias. Não se aplica aos negociantes atacadistas e grandes financistas do tráfico, que tendem à centralização e à hierarquia em cartéis e máfias (Zaluar, 2006).
2 A CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE PESQUISA
A formulação do objeto de pesquisa é um desenvolvimento progressivo. Inicia- se com a formulação de um problema. Questões e reflexões são feitas acerca de um determinado tema, fundamentadas a partir de uma base de leitura e de maturidade pessoal, o que nos permite fazer certa representação do problema. As questões e reflexões iniciais orientam o processo de organização da pesquisa, o qual é suscetível a mudanças de curso. Esta é a primeira aproximação do pesquisador com seu objeto de estudo e é alimentada de incertezas, dúvidas, conflitos.
Na verdade, a preocupação do pesquisador não deve ser em torno de ter pronto o problema (como se isso representasse uma tarefa que deva ser finalizada), pois “a
elaboração de um problema inicia um processo de problematização que acompanhará todo o processo da pesquisa, em relação ao qual o pesquisador nunca ficará tranqüilo, nem mesmo depois de a pesquisa ter sido concluída” (González Rey, 2005, p.87).
O problema é a delimitação do que se quer estudar dentro da complexidade compreendida pelo pesquisador no momento inicial de sua pesquisa. O problema de fato evolui à medida que o processo de pesquisa avança. O estudo apresentado ancora-se nessa premissa.
2.1 Contexto da pesquisa
O presente estudo está inserido em uma das linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília (PPG PsiCC/UnB), intitulada “Processos interacionais no contexto do casal, da família, do
grupo e da comunidade”. Também está vinculado ao Programa de Estudos e Atenção às
Dependências Químicas (PRODEQUI), que é um laboratório do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, criado em 1991, com o objetivo de desenvolver atividades integradas de pesquisa, ensino e extensão sobre o fenômeno das drogas. A pesquisadora participa como membro deste laboratório desde seu ingresso como aluna do mestrado, em março de 2001.