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MODÉLISATION PAR LES GRAPHES

CHAPITRE 3. UNE APPROCHE DE MESURE DES PERFORMANCES DES SMA BASÉE SUR

2. MODÉLISATION PAR LES GRAPHES

Para Vansina (1980:158), tradição oral é “um testemunho transmitido de geração a outra”. Diferente da escrita, a tradição oral caracteriza-se pela comunicação verbal e reconhece-se-lhe a complexidade da definição. Hampaté Bâ (1980) considera a tradição oral como a grande escola da vida que rebusca e confronta todos aspectos da vida espiritual e material. A tradição oral é, ao mesmo tempo, a religião, conhecimento, ciência natural, iniciação, arte, história, divertimento e recreação.

A tradição oral é um elemento fundamental para a educação tradicional, tanto mais que nestas sociedades a oralidade constitui o pilar da transmissão do saber ancestral. O provérbio e o tabu são algumas das formas de transmissão oral da educação tradicional.

Funk (1993) trata a definição do conceito do provérbio, resumindo-o no uso corrente, autonomia, tendência didáctica e estilo elaborado. Explica que o critério de autonomia que engloba o provérbio constitui a propriedade essencial do provérbio, pela sua forma invariável e com funções primordiais de vincular um conhecimento relativo à conduta ou a de incitar a uma determinada acção. O mesmo autor defende a incorporação na definição do conceito do provérbio quatro propriedades, sendo: ser do conhecimento geral; frases fixas; forma curta e marcante; expressão de uma sabedoria. De igual modo, realça que a primeira propriedade do provérbio, a de ser do conhecimento geral, é a que representa a força do provérbio no seu

carácter abstracto e geral que permite a clarificação, a explicação e a avaliação de um grande número de situações.

O provérbio actua como uma das formas expressivas da educação tradicional das velhas às novas gerações. Cavacas (2001:3) procura enaltecer o valor do provérbio como instrumento da educação tradicional a partir dos textos recolhidos por Dumestre Gérard, destacando o seguinte:

Les paroles très anciennes, c’est comme les graines: tu les sèmes avant les pluies, la terre est chauffée par le soleil, la pluie vient les mouiller, l’eau de la terre pénètre dans les graines, les graines se changent en herbe, puis deviennent des épis de mil. Ainsi toi à qui je viens de dire la Parole très ancienne, tu es la terre, j’ai semé en toi la graine de la parole, il faut que l’eau de la vie pénètre en la graine pour que la germination de la parole ait lieu.

A importância do provérbio na educação tradicional é enaltecida por Hauenstein (1967) e Ribas (1978). Para Hauenstein (1967), os provérbios são essencialmente o senso comum, reflectido no termo antigo, comprovado ao longo de muitas gerações. Enfatiza que se os provérbios fossem bem utilizados poderiam contribuir para o desenvolvimento de uma moral forte.

Sobre o valor do provérbio, Ribas (1978:129) afirma o seguinte:

Do património espiritual de um povo – a riqueza tradicional acumulada desde a primitividade de sua consciência – os provérbios constituem o píncaro de sua sabedoria. Na profundidade das sínteses, quais cristalizações do pensamento, contém a essência dos ensinamentos da vida. Portanto, os provérbios representam uma medida aferidora da cultura de um povo.

Não obstante a eficácia do provérbio na educação tradicional, tem-se assistido a uma quebra no seu uso, devido a factores que têm a ver com a assimilação e a aculturação. A este respeito Mittelberger (1991:193) apresenta as seguintes inquietações: “Os povos da geração atual, não apreciam mais os provérbios, estão a esquecê-los”.

Ainda no que se refere à perda da validade dos provérbios, Ribas (1978:132) expressa-se da seguinte maneira:

Com a civilização, cuja fogueira se alimenta com a destruição do exótico, os provérbios estão perdendo a vitalidade: as actuais gerações, numa deplorável vergonha pelas coisas de sua terra,

só querem o que é europeu. E ai daquele que ousar perguntar a alguém já meio liberto do ambiente ancestral, qualquer prática do seu tradicionalismo!

O provérbio é sentença moral ou conselho de sabedoria popular. O seu recurso na educação tradicional é frequente e permanente, atendendo à forma curta como se apresenta, e o impacto que provoca sobre os educandos. Com o provérbio estão também outros instrumentos importantes de educação tradicional, destacando-se o tabu.

O tabu, cuja origem do termo é atribuída, segundo dicionários de ciências sociais (1964) e de Antropologia (1997), à Polinésia20 entrou para o vocabulário europeu na terceira viagem realizada em 1777, pelo Capitão James Cook que desenvolveu pesquisa na Polinésia sobre o comportamento dos chefes e sobre as vítimas de sacrifícios humanos por tocarem em cadáveres, acto considerado de evasão ao sagrado.

Uma referência sobre o tabu passa, necessariamente, pela compreensão do totem ou totemismo.

Na abordagem de Radcliffe-Brown (1989), demonstra-se que o totemismo é de origem e de definição difusa. Distancia-se de Émile Durkheim que tratou o totem como sendo «sagrado» para os integrantes do grupo a que o totem esteja vinculado. Prefere adoptar a expressão «relação ritualista», entre os indivíduos, e o totem, pois, em sua opinião, está-se em presença de uma relação ritualista sempre que se verifique a imposição pela sociedade aos seus membros, de uma certa atitude com respeito a um determinado comportamento em relação a um certo objecto. Atitude merecedora de um certo nível de consideração que pode manifestar- se de forma tradicional num certo comportamento em relação ao mesmo objecto.

Sugere uma teoria sociológica do totemismo expressa no seguinte: “Uma teoria sociológica do totemismo deve mostrar que o totemismo é apenas uma forma especial de um certo elemento ou processo cultural, em certas condições definidas, de um processo cultural que é universal e necessário” (Radcliffe-Brown, 1989:192).

Para Altuna (2006), totemismo é um fenómeno religioso por manter afinidades de parentesco espiritual e místico que cria a realidade mágica que lhe tem como base, ou ainda, como um fenómeno familiar e social, sem estar vinculado a nenhuma religião primitiva, nem tão-pouco a algum aspecto da referida religião. A partir dos símbolos ou totem surgiram alguns grupos sociais com organização estrutural em princípios reguladores do totemismo que são: tabus, exogamia, insígnias e família de sangue.

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É um país composto por um conjunto de ilhas ligado à França, localizado no sul do Oceano Pacífico [Online] http://wikitravel.org/pt/Polin%C3%A9sia_Francesa

Estudos efectuados por Radcliffe-Brown (1989) sobre o tabu determinam que a palavra em causa é uma importação da Polinésia que significa proibir ou proibição de determinados tipos de coisas que podem ser, por exemplo, o contacto com bebé recém-nascido, com um cadáver ou um chefe considerados tabus. A desobediência a essa proibição implica ao prevaricador tornar-se também tabu, e todos os utensílios por si tocados também se transformam tabu. Cuja solução implica o tratamento através do rito de purificação ou de sacralização.

Portanto, a proibição ritualista é um princípio a observar pelos membros do grupo, pois, a sua transgressão pode implicar a transformação não desejada do estatuto ritualista do transgressor. Transformaçãoessa que pode ir até à ocorrência de uma infelicidade de menor ou maior dimensão. Vários são os exemplos que representam o tabu, avançados pelo autor, como forma de representar o seu grau de impacto para os membros de sociedades onde o tabu se observa com rigor (Radcliffe-Brown, 1989).

Da longa lista de tabus encontramos o tabu de incesto, vigora em quase todas as sociedades (Batalha, 2004) como estabilizador da prática sexual, proibindo o relacionamento sexual entre pais e filhos e entre irmãos. Batalha (2004) explica que a apetência sexual inconsciente e descontrolada da família nuclear uns em relação aos outros leva a que se institucionalize uma moral restritiva. São as percepções sexuais que ditaram a regulação de uma regulação moral e cultural. Caso contrário, assistir-se-ia a casamentos dentro da mesma família nuclear e com parentes consanguíneos, com todas as implicações que daí advêm com destaque para os de doenças genéticas.

Os status sociais entre os indivíduos podem representar também tabus. Por exemplo, numa sociedade em geral em que coabitam governantes, intocáveis e insociáveis e pessoas comuns, constituem também tabu, para as pessoas comuns, os iniciados que se encontram na fase de transição social. O tabu tanto pode representar o sagrado como o profanado, razão para a qual a sua transgressão não só constitui crime como também um acto de desrespeito. A violação do tabu pode causar uma sanção sobrenatural específica ou um tipo de infelicidade geral.

Referindo-se ao tabu, Freud (2001) salienta que o seu termo representa duas interpretações meramente opostas. Se, por um lado, toma o sentido de sagrado e consagrado; por outro, é tido como inquietante, perigoso, proibido, impuro. A essência do tabu consiste na sujeição dos povos ditos primitivos, proibindo certas práticas, interdições representadas pelas duas leis fundamentais do totemismo: não matar o animal-totem e evitar relações sexuais com os indivíduos do sexo oposto pertencentes ao mesmo totem.

Ainda na perspectiva do autor acima referenciado, o tabu é uma proibição da Antiguidade instituída exteriormente, por uma autoridade, atingindo as maiores vontades do mesmo modo

que o desejo de violar tais proibições está sempre à espreita no pensamento do homem, de tal forma que aqueles que obedecem às interdições fazem-no de forma ambivalente, ou seja, de duas interpretações opostas ou diferentes. O tabu é detentor de força mágica capaz de atrair o homem à tentação (Freud, 2001).

Hauensteinn (1967) considera o tabu como o segundo meio principal na educação tradicional para além das tradições e do provérbio. Destaca entre os tabus os observados entre os Vahanya que consistem na proibição de ofertar três produtos a um homem do sexo masculino por representar uma grande ofensa, por simbolizar o sexo, proibição de urinar no meio do caminho e/ou estrada, sob pena do prevaricador contrair doença (esquistossomose) e do cuidado a ter ao cruzar com mais velho, procurando sempre escapar ao máximo da sua sombra, sob pena de contrair doença (sarna) e outras proibições. Os adultos recorrem ao tabu para preparar as novas gerações sobre a boa educação da natureza humana, espiritual e ambiental. Para que um determinado tabu seja observado com rigor que se lhe impõe, é investido de argumentos intimidatórios.