• Aucun résultat trouvé

5.1) Le MOA-IJ: un module dont le contenu peut être source d'insatisfaction

Os questionários foram numerados para facilitar sua identificação, após a devolução pelos respondentes, resguardando o anonimato dos participantes da pesquisa. Por isso, ao mencionar respostas dos questionários devolvidos, para que seja identificado e localizado, se necessário, o formulário a que se está fazendo menção, será usada a abreviação “S”, de “sujeito”, seguido do número correspondente ao que lhe foi atribuído na tabulação.

Observa-se, no quadro 1, em que aparece a tabulação geral das respostas, que os participantes S21, S41, S79 e S128 não marcaram qualquer resposta na Questão 4. Apresentaram, contudo, suas justificativas, em que se verifica muito mais uma dificuldade em enquadrar suas possíveis reações à situação, do que uma recusa a responder ao perguntado. Em geral, indicaram a escolha por observar orientações gerais de primeiros socorros sobre como tratar com pessoas em ocasiões afins, em vez de exibir uma reação mais impulsiva ao quadro apresentado. As justificativas dadas apontam mais para os resultados finais do comportamento, em que mesmo que o respondente não tente dar socorros, ainda assim ele/ela tinha em conta o melhor benefício para o ciclista acidentado.

Observa-se também que S58 não assinalou qualquer alternativa na questão 3. Sua justificativa, entretanto, enfatizou que o fato de ser também advogado recomendava-lhe um tratamento diferenciado à situação, devendo telefonar à pessoa, posteriormente, para marcar um horário e conversar sobre os vários fatores a se considerar naquela situação.

O S68 não assinalou qualquer resposta para a questão 5. Sua indecisão por uma das respostas apresentadas se deu pela ausência de alternativa que contivesse uma combinação entre a busca por cumprir horários e a possibilidade de avaliar se vale a pena ou não ser pontual, dependendo do evento.

Apresentaram duplicidade de respostas os seguintes participantes nas respectivas questões:

• S4 – Questão 4 – respostas “c” e “d”; • S5 – Questão 1 – respostas “b” e “c”;

• S37 – Questão 5 – respostas “b” e “c”; • S99 – Questão 4 – respostas “c” e “d”; • S109 – Questão 5 – respostas “a” e “d”; • S120 – Questão 5 – respostas “a” e “c”.

As justificativas para a duplicidade dessas respostas serão discutidas mais à frente. Pode-se inferir, entretanto, que a indecisão deve ser parte da auto-imagem dos sujeitos mencionados, não só para questões relacionadas a altruísmo.

Os quadros que serão apresentados abaixo trazem a distribuição percentual de respostas .para cada questão, por cada faixa etária. As faixas etárias foram estabelecidas a partir do participante da pesquisa com menor idade (23 anos), considerando-se 10 anos para cada faixa. No último grupo, o indivíduo mais idoso (81 anos) deu o limite de idade para a faixa. Os dados devem ser analisados a partir de cada linha, isto é, na horizontal, pois a distribuição do número absoluto de indivíduos pelas diferentes faixas etárias não aconteceu igualitariamente. Em algumas linhas, os percentuais não somam exatamente 100%. Quando o somatório das várias respostas, na mesma linha, é menor que 100%, significa que alguns dos participantes da pesquisa não marcaram alguma opção. Quando excede a 100%, é sinal de que um ou mais participantes daquela faixa etária escolheram mais de uma resposta, isto é, mais de uma letra. Decidimos por trabalhar com os dados quantitativos deste modo, respeitando a ausência de resposta ou sua duplicidade, reservando o espaço de análise das justificativas para dar o tratamento posterior às opções feitas pelos participantes da pesquisa.

Na Tabela a seguir, aparecem os percentuais de cada resposta à questão 1, para cada faixa etária.

Tabela 7 – Percentuais de cada resposta à questão 1, para cada faixa etária.

Idade Q1a Q1b Q1c Q1d 23 até 33 21% 46% 29% 4% 34 até 43 16% 66% 13% 3% 44 até 53 27% 47% 13% 13% 54 até 63 27% 67% 0% 7% 64 até 73 33% 58% 0% 8% 74 até 81 100% 0% 0% 0%

Nota-se que, entre os(as) pastores(as) das cinco primeiras faixas etárias, há uma maior tendência a se verem como “muito provavelmente” dispostos a levantar os braços, entrar na frente de carros e auxiliar uma pessoa idosa a atravessar uma rua. Já entre os mais idosos – de 74 a 81 anos de idade – todos declararam que o fariam “sempre”, ou seja, imaginam-se como dispostos a assim agir. Pode ter havido alguma cautela da maioria dos participantes em pronunciar-se como sempre dispostos a comportar-se daquela maneira, já que só entre os que têm entre 23 e 33 anos de idade a opção “c”, pouco provavelmente, teve maior percentual de respostas. Excetuando-se a última faixa etária, nas demais, a opção “a” foi a segunda mais escolhida. Não houve sequer um único participante da pesquisa que respondeu que “nunca” apresentaria o comportamento de levantar os braços e entrar na frente dos carros, a fim de que a pessoa idosa pudesse atravessar a rua.

A tabela seguinte é o de percentuais obtidos por cada opção, na questão 2, para cada faixa etária.

Tabela 8 – Percentuais obtidos por cada opção na questão 2, para cada faixa etária

Idade Q2a Q2b Q2c Q2d 23 até 33 71% 21% 8% 0% 34 até 43 66% 24% 11% 0% 44 até 53 70% 27% 3% 0% 54 até 63 80% 7% 13% 0% 64 até 73 58% 42% 0% 0% 74 até 81 100% 0% 0% 0%

Observa-se que, em todas as faixas etárias, prevaleceu sobre as demais a escolha de que o indivíduo atenderia “sempre” ao telefone (opção “a”), em termos percentuais, mesmo que o participante da pesquisa estivesse pronto para iniciar seu jantar. Em nenhuma faixa etária apareceu alguém que marcasse a opção “d” (nunca). É relevante notar que, entre os respondentes entre 74 e 81 anos de idade, 100% declaram que atenderiam sempre. Na faixa entre 64 e 73 anos de idade, 42% responderam que atenderiam “muito provavelmente”, sem que qualquer dos demais participantes, nesta faixa, escolhessem opções “c” e “d” (“pouco provavelmente” e “nunca”, respectivamente). Entre 54 e 63 anos de idade, houve mais opções por “pouco provavelmente” (letra c) em relação ao “muito provavelmente” (letra b). Isto não

ocorreu nas demais faixas, em que a segunda opção mais escolhida foi a letra “b”, isto é, os respondentes atenderiam “muito provavelmente” ao telefone.

O destaque da tabela abaixo é que ninguém opta pela letra “c” (“lamenta pelo que está acontecendo, e diz que não há nada que você possa fazer”), conforme se vê a seguir:

Tabela 9 – Distribuição de opções por faixa etária, na questão 3.

Idade Q3a Q3b Q3c Q3d 23 até 33 83% 17% 0% 0% 34 até 43 92% 8% 0% 0% 44 até 53 87% 10% 0% 3% 54 até 63 87% 0% 0% 0% 64 até 73 83% 17% 0% 0% 74 até 81 100% 0% 0% 0%

Curiosamente, contudo, 3% da faixa etária entre 44 e 53 anos optam pela letra “d”, que corresponde a “apenas diz que torce para que o casal encontre uma forma de reverter a situação” de possível divórcio. Nas demais faixas, há prevalência da resposta “a”, seguida pela opção “b”.

A tabela a seguir traz a distribuição de opções por faixa etária, na questão 4:

Tabela 10 - Distribuição de opções por faixa etária, na questão 4.

Idade Q4a Q4b Q4c Q4d 23 até 33 0% 63% 25% 25% 34 até 43 0% 37% 32% 24% 44 até 53 0% 37% 23% 30% 54 até 63 0% 13% 40% 40% 64 até 73 0% 8% 33% 58% 74 até 81 0% 0% 0% 100%

Destaque para a opção “a”, que seria a menos altruísta. Ninguém escolheu esta letra, em qualquer das faixas etárias. Nas três faixas etárias entre 23 e 53 anos, nota-se um maior percentual de respostas “b” em relação às respostas “c” e “d”. Na faixa etária mais jovem, em

que 63% optaram pela letra “b” (“abre a janela do carro e pergunta a ele como está”), há que se prestar atenção na análise das justificativas, em que se poderá investigar possíveis respostas para o aparente pouco envolvimento de pastores(as) com uma pessoa em situação de vulnerabilidade, como apresentado na questão. Esta tendência naquelas três faixas etárias seria influência das informações correntes (falsas ou não) sobre golpes dados por pessoas que pedem socorro com vistas a enganar motoristas, nas vias públicas da Região Metropolitana de São Paulo? A opção “d”, que indica maior tendência ao altruísmo segundo os padrões mais convencionais, é feita por 100% dos mais idosos, por 58% das pessoas entre 64 e 73 anos de idade, por 40% das que têm entre 54 e 63 anos de idade, por 30% das que têm entre 44 e 53 anos de idade, por 24% dos que estão entre 34 e 43 anos, e por 25% dentre os mais jovens no ministério pastoral da III Região Eclesiástica da Igreja Metodista.

A tabela seguinte refere-se à questão 5, sobre pontualidade.

Tabela 11 - Pontualidade: questão 5

Idade Q5a Q5b Q5c Q5d 23 até 33 54% 8% 4% 29% 34 até 43 63% 21% 3% 13% 44 até 53 63% 27% 3% 3% 54 até 63 73% 7% 0% 20% 64 até 73 83% 0% 0% 17% 74 até 81 33% 33% 0% 0%

Esta é a única questão em que os mais idosos não optam pela mesma resposta, que nas questões anteriores era a indicativa de melhor imagem sobre comportamento altruísta, conforme as convenções sobre desprendimento e cuidado sem interesses ocultos para com as outras pessoas. Entre os mais jovens, 54% declaram que chegam 15 minutos mais cedo aos compromissos (opção “a”) e 29% indicam que avaliam a importância do compromisso para decidir pela pontualidade ou não (opção “d”). Há uma predominância de escolha da letra “a”, entre os que têm de 34 a 73 anos de idade

Em termos percentuais, as respostas foram as seguintes, independentemente de idade ou tempo de ministério, para as cinco questões, conforme se vê na tabela a seguir:

Tabela 12 – Percentuais das 5 questões respondidas, independente de idade ou tempo de ministério

Chama a atenção o maior percentual descarregado na opção “a”, na questão 3, de 90%, o que sugere que esta questão pode ter proporcionado um maior envolvimento dos participantes da pesquisa com o cenário proposto. O 1% do total que assinalou a resposta “d” (“apenas diz que torce para que o casal encontre uma forma de reverter a situação”), a que menos corresponde à imagem convencional de respostas esperadas de um/a pastor/a, deve ser melhor estudada na análise das justificativas. Na questão 1, a distribuição de percentuais nas letras “a” e “b” apontam para uma tendência dos participantes a se verem correspondendo às expectativas sociais sobre altruísmo, especialmente no cuidado com pessoas idosas. Os demais percentuais para respostas “c” e “d” devem ser investigados nas justificativas. Na questão 2, os(as) 70% que escolheram a letra “a” também sugerem que se vêem como propensos(as) a corresponder às tentativas de comunicação endereçadas pelos outros, recorrendo, como se verá em muitos casos, ao argumento de que, por serem pastores(as), costumam ser procurados por pessoas que precisam de ajuda e que devem estar disponíveis para atendê-las. A distribuição de 22% para “b” e 8% para “c” deve ser também explorada nas justificativas. Na questão 4, a distribuição percentual pelas opções “b”, “c” e “d” e a rejeição unânime à opção “a” mostram que a situação proposta comporta uma complexidade própria dos tempos contemporâneos, em que mesmo o desejo de ajudar pode ser barrado pelo questionamento de que talvez não se esteja devidamente capacitado a fornecer o melhor socorro, o que demonstra responsabilidade ética. O único comportamento inadmissível é o de buzinar para a que a pessoa tire a perna do caminho, para os participantes da pesquisa. Isto deve ser melhor explorado na análise das justificativas. Na questão 5, 65% declaram que chegam “pelo menos 15 minutos antes do horário” marcado para um compromisso, mas as justificativas para tal nem sempre indicam cuidado ou respeito para com o outro, como será discutido adiante.

Dos 130 questionários devolvidos ao pesquisador, todos os respondentes do número 114 ao 130 justificaram suas opções. Este é o grupo de estudantes formandos em 2005, cuja aplicação do questionário se deu em sala de aula, com possibilidade de entrega da folha com

Itens Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5

a 34% 70% 90% 0% 65%

b 40% 22% 9% 40% 17%

c 17% 8% 0% 25% 2%

respostas em outro horário, até o dia 30 de novembro de 2005, na secretaria do curso de Teologia. Os respondentes de números 1 a 113 foram os que participaram da pesquisa no plenário do Concílio da III Região Eclesiástica da Igreja Metodista, ao final de uma sessão, imediatamente antes do horário de almoço, o que pode ter contribuído para que alguns se furtassem à apresentação de justificativas, por pressa para se dirigir ao refeitório ou mesmo por cansaço, já que era o último dia de trabalhos conciliares.

Nove questionários foram devolvidos sem qualquer justificativa para as opções. São os formulários de número 45, 49, 50, 51, 70, 82, 92, 112 e 113.

Para a questão 1, S98 não apresentou justificativa para sua resposta na letra “a”. Na letra “b”, foram três os que não apresentaram justificativa: S13, S54 e S69. Na letra “c”, dois não apresentaram justificativa: S15 e S111. Na letra “d”, com exceção dos respondentes mencionados acima que não apresentaram justificativa para qualquer opção, todos os demais justificaram sua escolha.

Na questão 2, quatro respondentes não justificaram a escolha da letra “a”: S13, S60, S69 e S94. S26 não apresentou justificativa para a escolha da letra “b”. Os demais justificaram sua escolha pelas letras “c” ou “d”, com exceção daqueles que não justificaram qualquer letra escolhida, conforme mencionado acima.

Na questão 3, seis participantes não justificaram sua opção pela letra “a”: S13, S15, S29, S69, S98 e S111. As demais opções foram justificadas pelos respondentes, com exceção dos casos em que os participantes não justificaram qualquer resposta.

Na questão 4, conforme referência anterior, ninguém registrou a opção “a”. Cinco participantes não justificaram sua escolha pela letra “b”: S15, S18, S34, S37 e S54. Três não justificaram sua escolha pela resposta “c”: S29, S32 e S87. Quatro não apresentaram justificativa para sua opção pela letra “d”: S55, S83, S87 e S111.

Na questão 5, sete participantes não justificaram sua escolha pela resposta “a”: S18, S29, S34, S44, S77, S79, S109 e S111. Três não justificaram sua opção por “b”: S15, S22 e S110. Um não justificou sua opção por “c”: S37. Quatro respondentes não apresentaram justificativa para sua escolha da letra “d”: S37, S58, S60 e S109.

Como já foi mencionado, anteriormente, os participantes que não apresentaram justificativas para suas respostas pertencem ao grupo dos pastores(as) já graduados(as). Provavelmente, estavam já cansados pelos vários dias de reunião conciliar e pelo avançado da hora para o almoço. Teriam também que retornar à sala de reuniões plenárias, no período da

tarde, para as últimas discussões. Essa conjugação de fatores pode ter influenciado na abstenção de apresentação de justificativas, isto é, o cansaço e a pressa diminuem a probabilidade de manifestação de atitudes altruístas, conforme Darley e Batson (1973) já procuraram demonstrar.