Revez (2004, pg.96) refere que Judith Chapman (1990) e France Rollin (1992) “identificam o estilo de liderança como uma das características organizacionais determinantes para a eficácia das escolas”. Estas duas investigadoras defendem que a qualidade e coesão de uma escola encontram-se directamente relacionadas com a existência de uma liderança organizacional efectiva e reconhecida, que desenvolva estratégias de actuação e promova o empenho de cada pessoa e o empenho colectivo com vista a atingir os objectivos da organização.
Podemos reconhecer que existem umas escolas mais eficazes do que outras. Este facto está inerentemente relacionado com as características de cada organização escolar, entre os quais, as lideranças e o clima de trabalho. Desta forma, para que o líder possa escolher a melhor forma de acção perante as diversas situações, ou seja, o seu estilo de liderança, deverá ter um conhecimento prévio das percepções dos diversos grupos intervenientes no
75 processo educativo (Revez, 2004). Formosinho e Machado (2000) pactuam com esta opinião e referem que a nível escolar a liderança deverá ter em conta o conhecimento e a perspectiva dos seus liderados, trabalhar em estreita ligação com os mesmos, respeitar as várias experiências vividas no contexto escolar e saber quais as limitações de todos os envolvidos.
Correia (2009) aponta para uma das categorizações mais conhecidas e influentes de estilos de liderança ligadas à gestão e administração educacional. Esta autora refere-se à teoria desenvolvida por Leithwood, Jantzi e Steinbach que, partindo do recenseamento das revistas inglesas e americanas, identificaram seis modelos genéricos de liderança educacional.
Tabela 7: Estilos de liderança escolar
Estilo de liderança Principais características Liderança instrucional ou
pedagógica
O líder centraliza a sua atenção na aquisição de conhecimentos por parte dos alunos. Este líder domina as competências científicas e pedagógicas e ser auxiliado nas suas funções pelos professores.
Liderança moral
Estilo de liderança com foco nas pessoas (interesses, necessidades, bem estar), nos valores (democracia e justiça social) e na ética. O líder promove o debate, a articulação e o fortalecimento de concepções superiores sobre o bem e o mal.
Liderança participativa
Promove a partilha da tomada de decisão. O líder encoraja e facilita a participação dos professores em decisões que poderia tomar sozinho de forma a aumentar a satisfação e a consequente eficácia de resultados.
Liderança gestionária ou transaccional
É dada prioridade às funções, tarefas e comportamentos. O líder gere a organização escolar de forma empreendedora e competitiva de forma a assegurar a sobrevivência da organização e se possível o êxito financeiro.
Liderança contingente ou a do líder ajustável
Este estilo de liderança tem como prioridade centrar-se nas qualidades fixas e universais – “the one best Way” e factores situacionais e contextuais - “it all depends”. O líder tem especial atenção aos ambientes internos e externos em que as escolas estão inseridas, com os quais interagem e pelos quais são influenciadas.
Liderança transformacional
O líder tem o papel de gerir culturas organizacionais, nomeadamente crises, e tentar promover visões partilhadas e homogéneas das organizações com o intuito de incutir mudanças profundas nas
CAPÍTULO 2 - Liderança
76
organizações com base no carisma e na inspiração. Privilegia as pessoas, os valores e os sentimentos, concede visão e determina as necessidades da organização.
Fonte: Adaptado de Correia (2009)
Muitos outros investigadores sugerem estilos de liderança que possuem algumas semelhanças aos enunciados por Correia (2009), entre os quais Costa (2000) e Revez (2004). Segundo Costa (2000), a estratégia diplomática do líder aberto ou democrático faz com que nas escolas os professores sejam mais colaborativos, residindo nestas organizações a amizade, a cordialidade, a empatia e uma comunicação mais aberta. Estêvão (2000) também considera que a liderança escolar deverá privilegiar procedimentos democráticos, nomeadamente, igualdade de oportunidades, autonomia, justiça e equidade. Segundo o autor anteriormente referido, a liderança escolar deverá também caminhar de acordo com os princípios de colaboração, colegialidade e solidariedade, respeitando as autonomias individuais e de grupo e colaborando com estas.
Por seu turno, Revez (2004) categoriza a liderança escolar em dois tipos: o tipo burocrático e o tipo carismático. O primeiro reporta-se aos líderes que centralizam a sua acção na burocracia e não conseguem ultrapassar a falta de autonomia, ou seja, estes líderes limitam-se a ocupar um cargo e a exercer uma liderança legal. Os líderes carismáticos reportam-se àqueles que têm um grande atractivo pessoal e bons conhecimentos técnicos superiores aos dos liderados, o que os faz pessoas admiradas e respeitadas por todos. Costa (2000, p.28) refere que a nível das organizações escolares, e de acordo com os diversos estudos efectuados, privilegia-se uma liderança “participativa, colaborativa, emancipadora, de interpretação crítica da realidade” em detrimento das “visões mecanicistas, hierárquicas, tecnocráticas e instrumentais da liderança”. Este autor realça que nas escolas com maior sucesso, as lideranças têm se preocupado fundamentalmente com as questões educativas e pedagógicas em detrimento dos aspectos administrativos ou de gestão financeira.
No entanto, Torres e Palhares (2009) referem que, na maior parte das vezes, para avaliar a liderança de uma escola se focaliza na figura do Presidente do Conselho Executivo o que
77 subentende a ideia de liderança individual em vez da, culturalmente instituída, de liderança colegial. Dizem os autores que (p.95-96):
Valoriza-se primordialmente o domínio de ferramentas de gestão que permitam a concretização das metas nas esferas do mercado (angariação de verbas, projectos e parcerias; inovação tecnológica; oferta educativa; indicadores de procura), do estado (eficiência dos processos e eficácia dos resultados, com monotorização e avaliação; qualidade e excelência) e da escola (cultura organizacional da escola). Transparece um perfil de liderança de tipo gestionário, reverencial e receptivo, orientado mais por uma lógica de prestação de contas (ao estado e ao mercado) do que por princípios de desenvolvimento da cidadania democrática.
Em suma, os diversos estudos desenvolvidos na área da liderança escolar concluíram que a liderança é um aspecto fundamental para a eficácia das organizações escolares privilegiando-se uma liderança de características fundamentalmente transformacionais (Hunter, 2006 e Greenfield, 1999). Os professores e administradores deverão pensar que, para melhorar a sua eficácia, dependem mais da influência da sua liderança do que da autoridade associada à sua posição (Greenfield, 1999).
O novo paradigma de administração escolar, para além da autonomia, acarreta o pressuposto das responsabilidades partilhadas entre todos os elementos da comunidade educativa. Por conseguinte, o líder terá de ser participativo e inovador, capaz de adaptar o seu estilo de liderança às várias situações, em particular às situações em que sejam necessárias alterações às estruturas que, na maior parte da vezes, se encontram inadequadas, e preparar o “terreno” para as inovações, com o objectivo último de potenciar o sucesso educativo dos alunos.
79