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Evitai (disse o lavrador) vender a herança. Que de nossos pais nos veio. Esconde um tesouro em seu seio.

La Fontaine – O lavrador e seus filhos.

Mas ao morrer o sábio pai. Fez-lhes essa confissão: O tesouro está na educação.

Jaques Delors – Educação: um tesouro a descobrir.

No contexto dos estudos literários revistos anteriormente, mostramos o desenvolvimento dos caminhos da educação profissional no Brasil e uma visão inovadora da prática pedagógica na sala de aula da formação técnica, utilizando recursos midiáticos como fotografias, filmes e documentários, com a perspectiva de uma concepção de protagonismo onde professor e aluno, em parceria, compartilhando o saber tecnológico, facilite a construção pelo aluno de sua própria aprendizagem.

Consciente de que o estudo se desenvolverá no contexto da prática da educação escolar, objetivando obter respostas aos questionamentos formulados inicialmente quanto à utilização da imagem como estratégia pedagógica inovadora na formação do Técnico em Edificações do Campus Pesqueira do Instituto Federal de Pernambuco, destacaremos a seguir o caminho metodológico a ser utilizado para realização da investigação.

Conforme Delors (2012), ante os múltiplos desafios do futuro, a educação surge como um trunfo indispensável à humanidade na sua construção dos ideais da paz, liberdade

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e da justiça social. Tem papel essencial no desenvolvimento contínuo, tanto das pessoas como das sociedades. Não como um remédio milagroso, não como um “abre-te sésamo” de um mundo que atingiu a realização de todos os seus ideais, mas, entre outros caminhos e para além deles, como uma via que conduza a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras (...). (DELORS, 2012, p.11).

No início de um novo século que permanece marcado quer pela agitação e pela violência, quer pelos progressos econômicos e científicos – estes, aliás, ainda tão desigualmente repartidos e, que nos deixa indecisos entre a angústia e a esperança, impõe- se a todos os responsáveis, prestar mais atenção às finalidades e aos meios da educação, como um processo permanente de enriquecimento dos conhecimentos e como uma via privilegiada de construção da própria pessoa e das relações entre elas, grupos e sociedades. É como se tudo devesse, constantemente, recomeçar, renovar-se, ser reinventado, inovar- se.

A educação deve encarar esse problema, uma vez que, na perspectiva do parto doloroso de uma sociedade mundial, ela situa-se no coração do desenvolvimento tanto do ser humano como das comunidades. Cabe-lhe a missão de fazer que todos, sem exceção, façam frutificar seus talentos e potencialidades criativas, o que implica, por parte da cada um, a capacidade de se responsabilizar pela realização do seu projeto pessoal. (DELORS, 2012, p. 15).

Educação engloba os processos de ensinar e aprender. Em qualquer sociedade é exercida enquanto processo de socialização nos diversos espaços do convivo social, seja para a adequação do indivíduo à sociedade, ou do indivíduo ao grupo, ou dos grupos à sociedade. A educação sofre mudanças das mais simples às mais radicais, de acordo com o objetivo ao qual ela se aplica, e se ajusta à forma considerada padrão na sociedade. Ela também acontece no dia a dia, na informalidade, no cotidiano do cidadão. Nesse caso sendo ela considerada informal. A prática educativa formal que ocorre nos espaços escolarizados – que sejam da educação infantil até o pós-doutorado – dá-se de forma intencional e com objetivos determinados, como no caso das escolas – a Educação Escolar.

A educação é um direito universal fundamental do homem. Ela deve visar plenamente a expansão da personalidade humana e o reforço das liberdades fundamentais do homem e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos sociais ou religiosos. No caso específico de nossa pesquisa, onde a

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educação é exercida na sociedade visando à utilização dos recursos técnicos e tecnológicos como instrumento e ferramenta para o trabalho, dá-se o nome de Educação Tecnológica.

Conhecer, ainda mais de perto, o Campus Pesqueira do Instituto Federal de Pernambuco – Pernambuco - Brasil, local da pesquisa, na sua dinâmica de formação dos técnicos em edificações, procurando entender como se realiza o dia-a-dia de sua prática escolar e os seus mecanismos de transferência de conhecimentos, atitudes, valores, crenças e modos de sentir a realidade do mundo social e cultural que o cerca, será também um dos nossos maiores objetivos.

Para tanto, faz-se necessário uma perspectiva teórica definida, um enfoque determinado que ajude a captar esse dinamismo e que oriente sua análise e interpretação. Com essa determinação, buscamos através da etnografia da educação, estudar e conhecer esse campo teórico que será esclarecido quando do desenvolvimento completo dos trabalhos.

A etnografia da educação é a prática etnográfica dos professores investigadores que interpretam os fenômenos educativos pela lente de uma teoria explícita da educação, mediante imersão nas culturas escolares ou não. É uma prática que acontece por dentro dos fenômenos educativos, muito menos de uma abertura a interpretações fundadas no senso comum. (FINO, 2011, p.7).

Segundo André (1995), a pesquisa qualitativa do tipo etnográfico, que se caracteriza fundamentalmente por um contato direto do pesquisador com a situação pesquisada, permite reconstruir os processos e as relações que configuram a experiência escolar diária. Dessa forma, por meio de técnicas etnográficas de observação participante e de entrevistas intensivas, é possível documentar o não documentado, isto é, desvelar os encontros e desencontros que permeiam o dia-a-dia da prática escolar, descrever as ações e representações dos seus atores sociais, reconstruir sua linguagem, suas formas de comunicação e os significados que são criados no cotidiano do seu fazer pedagógico. (ANDRÉ, 1995, p.41).

Os fundamentos da abordagem qualitativa nas pesquisas têm suas raízes históricas no final do século XIX quando cientistas sociais começaram a indagar se o método de investigação positivista das ciências físicas e naturais deveria continuar servindo de modelo para os estudos das ciências humanas e sociais.

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Ainda conforme André (1995), Dilthey foi um dos primeiros a fazer esse tipo de indagação e a buscar uma metodologia diferente para as ciências sociais, argumentando que os fenômenos humanos e sociais são muito complexos e dinâmicos, o que torna quase impossível o estabelecimento de leis gerais como na física e na biologia. (ANDRÉ, 1995, p. 16).

Outros estudiosos das questões humanas e sociais aliaram-se a ideia, defenderam a perspectiva de conhecimento conhecida como idealista-subjetivista e criticaram a concepção positivista existente, nascendo daí um amplo debate entre as metodologias qualitativas e quantitativas de pesquisas.

Os cientistas sociais, não aceitando que a realidade seja algo externo ao sujeito, opuseram-se à visão empirista de ciência também adotada em pesquisas sociais, idealizando um modelo apoiado na interpretação em lugar da mensuração, na descoberta em lugar da constatação, valorizando assim a indução e assumindo que fatos e valores estavam inter-relacionados tornando inaceitável uma postura neutra do pesquisador.

Conforme Lüdke & André (1986), os pressupostos da pesquisa etnográfica fundamentam-se em dois conjuntos de hipóteses sobre o comportamento humano:

A hipótese naturalista-ecológica, que afirma ser o comportamento humano significativamente influenciado pelo contexto em que se situa. Nessa perspectiva, qualquer tipo de pesquisa que desloca o indivíduo do seu ambiente natural está negando a influência dessas forças contextuais e em consequência deixa de compreender o fenômeno estudado em sua totalidade. E, a hipótese qualitativo-fenomenológica, que determina ser quase impossível entender o comportamento humano sem tentar entender o quadro referencial dentro do qual os indivíduos interpretam seus pensamentos, sentimentos e ações. De acordo com essa perspectiva, o pesquisador deve tentar encontrar meios para compreender o significado manifesto e latente dos comportamentos dos indivíduos, ao mesmo tempo em que procura manter sua visão objetiva do fenômeno. (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, P. 15).

Com base nesses princípios se configurou uma nova abordagem de pesquisa para a área humana e social, chamada de naturalista para uns ou qualitativa para outros, por não envolver manipulação de variáveis, nem tratamento experimental, constituindo-se assim no estudo do fenômeno no seu acontecer natural.

Qualitativa porque se contrapõe ao esquema quantitativista de pesquisa (que divide a realidade em unidades passíveis de mensuração, estudando- as isoladamente), defendendo uma visão holística dos fenômenos, isto é,

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que leve em conta todos os componentes de uma situação em suas interações e influências recíprocas. (ANDRÉ, 1995, p. 17).

Dessa maneira, é a concepção fenomenológica do conhecimento que origina a abordagem qualitativa de pesquisa e na qual estão presentes as ideias da etnografia, enfatizando aspectos subjetivistas do comportamento humano e preconizando ser necessário penetrar no universo conceitual dos sujeitos para poder entender como e que tipo de sentido eles dão aos acontecimentos e às interações sociais que diariamente ocorre em suas vidas. Para Triviños (2008), a fenomenologia exalta a interpretação do mundo que surge intencionalmente à nossa consciência. Por isso, na pesquisa, eleva o ator, com suas percepções dos fenômenos, sobre o observador positivista. (TRIVIÑOS, 2008, p. 47).

Dentre os diferentes tipos de pesquisa com abordagem qualitativa, pode-se destacar a pesquisa etnográfica, o estudo de caso e a pesquisa-ação. Vamos nos deter mais detalhadamente às características e significados da pesquisa etnográfica por tê-la escolhido para ajudar na compreensão do nosso objeto de estudos vinculado a educação.

As pessoas na sociedade usam sistemas de significados para organizar seu comportamento, para entender a si próprias e aos outros, dando sentido ao mundo em que vivem. Esses sistemas de significados constituem a sua própria cultura. A etnografia é a tentativa de descrição dessa cultura e o papel do etnógrafo é de interpretar as diferentes formas de vida.

O etnógrafo encontra-se, assim, diante de diferentes formas de interpretação da vida, formas de compreensão do senso comum, significados variados atribuídos pelos participantes às suas experiências e vivências e tenta mostrar esses significados ao leitor. (ANDRÉ, 1995, p. 20).

A etnografia foi desenvolvida por antropólogos para estudar a cultura e a sociedade, significando etimologicamente “descrição cultural”. Para os antropólogos, etnografia tem dois sentidos: um conjunto de técnicas que são usadas para coletar dados sobre valores, hábitos, crenças, práticas e comportamentos de um grupo social, e, um relato escrito resultante do emprego dessas técnicas.

Dessa maneira, o interesse dos etnógrafos é a descrição da cultura de um grupo social e a preocupação central dos estudiosos em educação é com o processo educativo. Há, pois, uma diferença de enfoque nessas duas áreas, dispensando os estudiosos das

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questões educacionais de certos requisitos sugeridos nas pesquisas etnográficas antropológicas, dentre os quais, como exemplo, uma longa permanência do pesquisador em campo e o contato com outras culturas. Para André (1995), o que se tem feito, pois, é uma adaptação da etnografia à educação, ou seja, estudos do tipo etnográficos e não etnografia no seu sentido estrito.

Pode-se dizer que um trabalho pode ser caracterizado como do tipo etnográfico em educação quando faz uso das técnicas que tradicionalmente são associadas à etnografia, ou seja, a observação participante, a entrevista intensiva e a análise de documentos. (ANDRÉ, 1995, p. 28).

A abordagem etnográfica na pesquisa educacional deve ser feita de forma cuidadosa, pensando o ensino e a aprendizagem dentro de um contexto cultural amplo, não se restringindo apenas sobre o que se passa dentro da escola, mas sim relacionar o que é aprendido dentro e fora dela.

Nesse contexto, Lüdke & André (1986) nos apresenta os métodos de coleta de dados por observação, entrevistas e análise documental na realização de pesquisas etnográficas educacionais:

Embora já tenha havido algumas tentativas para especificar o processo de coleta e análise de dados durante a observação participante, não existe um método que possa ser recomendado como melhor ou mais efetivo. Segundo Stubbs e Delamont (1976), a natureza dos problemas é que determina o método, isto é, a escolha do método se faz em função do tipo de problema estudado. (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, p. 15).

No entendimento de Lüdke & André (1986), na pesquisa etnográfica participante o observador exerce um papel desafiador de ser aceito pelo grupo pesquisado que nele identifica maturidade, comprometimento e confiança. As habilidades exigidas do observador são fruto de características e experiências pessoais, tais como: tolerância com ambiguidades, capacidade de trabalhar sob sua própria responsabilidade, inspirar confiança, comprometimento e autodisciplina. Além dessas qualidades pessoais e das decisões que deve tomar quanto à forma e à situação de coleta de dados, o observador se defronta com uma difícil tarefa, que é a de selecionar e reduzir a realidade sistematicamente. Essa tarefa exigirá certamente que ele possua um arcabouço teórico a partir do qual seja capaz de reduzir o fenômeno em seus aspectos mais relevantes e que conheça as várias possibilidades metodológicas para abordar a realidade a fim de melhor compreendê-la e interpretá-la.

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Desde os contatos iniciais com os participantes, o observador deve-se preocupar em se fazer aceito, decidindo quão envolvido estará nas atividades e procurando não ser identificado com nenhum grupo particular. Esses cuidados são fundamentais para que ele consiga obter as informações desejadas. (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, p. 17).

Tendo-se como base esses pressupostos, com a realização de pesquisa qualitativa de cunho etnográfico através das técnicas de observação participante, entrevistas e análises documentais, contemplam-se os objetivos dessa pesquisa. Nesse contexto, conforme Lapassade (2005), a observação participante parte do princípio de que o pesquisador tem sempre um grau de interação com a situação estudada, afetando-a e sendo por ela afetado.

A observação participante é a técnica fundamental da investigação etnográfica. Trata-se de uma pesquisa caracterizada por um período de interações sociais intensas entre o pesquisador e os sujeitos, no meio destes [...]. Os dados coletados, ao longo dessa permanência junto das pessoas, provêm de muitas fontes e, principalmente, da “observação participante” propriamente dita (o que o pesquisador nota, “observa” ao vivo com as pessoas, compartilhando de suas atividades), das entrevistas etnográficas, das conversas ocasionais de campo, do estudo dos documentos oficiais e dos documentos pessoais. (LAPASSADE, 2005, p. 69).

Além da observação participante, também será empregada a técnica de entrevistas. As entrevistas têm a finalidade de aprofundar as questões e esclarecer os problemas observados. Pode permitir o aprofundamento de pontos levantados por outras técnicas de coleta de alcance mais superficial, como o questionário. Elas desempenham importante papel não apenas nas atividades científicas de pesquisa como em muitas outras atividades humanas. Para Lüdke & André (1986), mais do que outros instrumentos que em geral estabelecem uma relação hierárquica entre o pesquisador e o pesquisado, como na aplicação de questionários, na entrevista a relação que se cria é de interação, havendo sempre um clima de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde. Na medida em que houver esse clima de estímulo e aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e aceita.

Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, onde não há a imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no fundo é a verdadeira razão da entrevista. (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, p. 33).

A grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos. Para Lapassade (2005), ao longo do trabalho de campo propriamente dito, o observador participante ocupa-se essencialmente de olhar, de escutar

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e de conversar com as pessoas, de coletar e de reunir informações diversas, como é visto na entrevista etnográfica não estruturada onde seu conteúdo e suas teses são elaborados no seu decorrer, quase como uma conversação “aos saltos”, mesmo se os objetivos da pesquisa forem mantidos.

A entrevista etnográfica é um dispositivo no interior do qual há uma troca que não é, como na conversação denominada de campo, espontânea e ditada pelas circunstâncias. A entrevista põe face a face duas pessoas cujos papeis são definidos e distintos: o que conduz a entrevista e o que é convidado para responder, a falar de si. (LAPASSADE, 2005, p. 79).

E ainda, visando complementar os dados coletados no campo da pesquisa, se analisará documentos disponíveis no ambiente escolar. A análise de documentos, na visão de Lüdke &André (1986), é usada para contextualizar e completar as informações coletadas através de outras fontes, seja completando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema.

São considerados documentos “quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano”. Estes incluem desde leis e regulamentos, normas, pareceres, cartas, memorandos, diários pessoais, autobiografias, jornais, revistas, discursos, roteiros de programas de rádio e televisão, até livros, estatísticas e arquivos escolares. (LÜDKE & ANDRÉ, 1986, p. 38).

Persistindo ao longo do tempo, os documentos podem ser consultados várias vezes e inclusive servir de base a diferentes estudos, o que dá mais credibilidade e estabilidade aos resultados obtidos. Dessa forma, os documentos constituem uma fonte poderosa de retiradas de evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador, e ainda, como técnica exploratória, a análise documental pode indicar problemas que podem ser mais bem avaliados através de outros métodos.

Durante o processo etnográfico há necessidade de uma negociação de acesso ao campo de pesquisa, bem como na relação entre as pessoas, diariamente, durante todo o processo de pesquisa, e não apenas no início dos mesmos. Nessa perspectiva, assim nos fala André (1995):

O período de tempo em que o pesquisador mantém esse contato direto com a situação estudada pode variar muito, indo desde algumas semanas até vários meses ou anos. Além, evidentemente dos objetivos específicos do trabalho, tal decisão vai depender da disponibilidade de tempo do pesquisador, de sua aceitação pelo grupo, de sua experiência em trabalho de campo e do número de pessoas envolvidas na coleta de dados. (ANDRÉ, 1995, p. 29).

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Subjacente a todo o uso dessas técnicas, existe o princípio da interação constante entre o pesquisador e o objeto pesquisado, princípio esse que segundo André (1995), determina fortemente algumas outras características da pesquisa do tipo etnográfica, quais sejam:

1. O pesquisador é o instrumento principal na coleta e análise dos dados. O fato de ser uma pessoa, o põe numa posição bem diferente de outros tipos de instrumentos, porque permite que ele responda ativamente às circunstâncias que o cercam, modificando, se necessário, técnicas de coletas, revendo questões que orientam a pesquisa, localizando novos sujeitos e revendo a metodologia ainda durante o desenvolvimento dos trabalhos;

2. Ênfase no processo, naquilo que está ocorrendo e não no produto ou nos resultados finais;

3. Preocupação com o significado, com a maneira própria com que as pessoas veem a si mesmas, as suas experiências e o mundo que as cerca. O pesquisador deve tentar apreender e retratar essa visão pessoal dos participantes;

4. Envolve trabalho de campo onde o pesquisador se aproxima de pessoas, situações, locais, eventos, mantendo com eles um contato direto e prolongado, sem a pretensão de mudar o ambiente, introduzindo modificações que serão experimentalmente controladas como na pesquisa experimental. Essas pessoas, os eventos, as situações são observadas em sua manifestação natural, o que faz com que tal pesquisa seja também conhecida como naturalística ou naturalista. (ANDRÉ, 1995, p. 29).

Além dessas, também faz parte da pesquisa etnográfica as características de descrição e indução em que o pesquisador faz uso de grande quantidade de dados descritivos: situações, pessoas, ambientes, depoimentos que são por ele reconstruídos em forma de palavras ou transcrições literais, buscando a formulação de hipóteses, conceitos, abstrações, teorias e não sua testagem. O que a pesquisa etnográfica visa é a descoberta de novos conceitos, novas relações, novas formas de entendimento da realidade. Para isso faz uso de um plano de trabalho aberto e flexível, em que os focos da investigação vão sendo constantemente revistos, as técnicas de coleta, reavaliadas, os instrumentos teóricos, repensados. (ANDRÉ, 1995, p. 30).

Para André (1995), os trabalhos etnográficos na educação vêm evoluindo, superando concepções ingênuas de realidade e colocando-se em questões que envolvem a relação conhecimento-poder. O etnógrafo não pode ser ingênuo a ponto de acreditar que seu trabalho é uma reprodução fiel do real, sendo, portanto, isento de valoração.

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Questões de poder têm emergido nas discussões recentes sobre o papel e as relações do etnógrafo no trabalho de campo, havendo uma tendência para diminuir o distanciamento pesquisador-grupo pesquisada, presente

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