4. RESTAURER LA MATIERE GRISE
4.2 EXPLORER LE POSSIBLE IGNORE
4.3.2 La mise en pratique – à l’échelle du matériau
Esse modo de conversão do conhecimento corresponde a um processo em que parte do conhecimento tácito de uma pessoa é convertido no conhecimento tácito de outra43 (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Em nossas análises a socialização do conhecimento apresenta-se como modo de conversão predominante na prática escolhida para reflexão pelo consultor Charles Albert – análise de projeto e busca de informações e conhecimento. No Quadro 13, apresentamos um extrato com algumas reflexões e comentários desse consultor sobre a sua participação na sessão reflexiva.
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Quadro 13
A sessão reflexiva e a socialização do conhecimento
EXTRATO DA SESSÃO COM O SENTIDO DA SOCIALIZAÇÃO O consultor Charles Albert
O consultor Charles Albert tinha como objetivo na prática escolhida proporcionar a socialização do conhecimento entre um profissional com bastante experiência na análise de projetos e um iniciante nessa atividade. Para isso, escolheu como prática reflexiva a análise de projeto e busca de informações e conhecimento. Apoiou-se na utilização de fluxogramas e plantas de projetos e fez inicialmente um nivelamento conceitual de todo o processo de análise de projetos.
Na sessão reflexiva, retomou o contato com o roteiro para reflexão distribuído anteriormente, passando a fazer os comentários conforme a sequência desse roteiro.
Falando sobre o que fez na prática, ele comenta: “[...] percebi que consegui ajudar o profissional mais experiente a identificar e explicar para o menos experiente as falhas do projeto [...]”.
Sobre os modos de conversão do conhecimento o consultor comenta que “[...] essa experiência proporcionou a socialização e a externalização do conhecimento entre o profissional com bastante experiência, orientando como seguir o fluxo para solução do problema junto ao iniciante”.
O consultor fez uma observação sobre essa prática de que: “[...] estudar conjuntamente a solução do problema leva naturalmente a socialização do conhecimento [...] é uma atividade que se desenvolve sempre em equipe através de várias disciplinas diferentes”.
Refletindo sobre o significado do que fez nessa prática, Charles Albert faz o seguinte relato: “[...] meu conhecimento contribui para a formação de um espírito de equipe entre os participantes”.
Sobre as causas de sua atuação nessa prática o consultor ressalta algumas: “[...] a formação como instrutor interno. Ter feito cursos em andragogia. As participações em eventos nacionais e internacionais. Gostar de trabalhar em equipe”.
Refletindo sobre como poderia fazer melhor essa prática ele fez alguns comentários: “[...] eu teria feito um check-list, trabalharia em célula fazendo uma integração depois. Estimularia mais a participação do menos experiente [...]”.
Fazendo um comentário espontâneo no final da sessão esse consultor ressalta: “[...] achei muito interessante o modelo de conversão do conhecimento que estudamos. Estou discutindo esses quatro modos nas minhas práticas com a equipe”.
Acompanhar essa experiência reflexiva nos possibilitou um maior aprofundamento sobre os sentidos atribuídos à socialização do conhecimento nas práticas cotidianas desses consultores. Charles Albert, ao observar-se em ação nas imagens, percebe-se adotando uma postura como facilitador da formação, no sentido de viabilizar o nivelamento conceitual, e relata que mudaria o seu comportamento em relação ao profissional iniciante, procurando angariar mais a participação dele, sinalizando para a necessidade de melhoria de suas habilidades nessa direção.
Lembramos ao leitor que os sentidos desse discurso nos remetem às discussões que desenvolvemos no quinto capítulo,44 acerca da necessidade de um deslocamento por parte desses consultores de um agir centrado na dimensão de natureza técnica para as outras dimensões – estratégica, tática e relacional. Nesse sentido, o discurso : “[…] mudaria meu comportamento em relação ao profissional iniciante, procurando angariar mais a participação dele” evidencia a necessidade de rever a tática desse consultor como facilitador da formação, conduzindo naturalmente a alterações também na dimensão relacional.
Nonaka e Takeuchi (1997, p. 69) ressaltam que “sem alguma forma de experiência compartilhada, é extremamente difícil para uma pessoa projetar-se no processo de raciocínio de outro individuo”. Assim, a socialização nessa prática desenvolvida pelo consultor foi caracterizada pelo compartilhamento de experiências através da qual o profissional menos experiente pode adquirir conhecimento a partir das observações que ele fazia sobre a análise de projeto que estava sendo feita por uma pessoa mais experiente. Nesse sentido, a mobilização pelo consultor dos conhecimentos do profissional mais experiente se constitui como o elemento mais importante na socialização do conhecimento durante essa prática.
Sobre esse modo de conversão do conhecimento, constatamos, também, nas falas dos consultores, algumas evidências quanto à socialização. Percebemos que o sentido de
socialização do conhecimento decorre das oportunidades para a observação e imitação na
troca de experiências. Assim, por exemplo, o consultor Jim Lee afirma: “[…] como consultor, elaboro uma estratégia de formação junto com os profissionais para que eles possam trocar conhecimentos ao passarem em vários processos de atividades, tendo o meu acompanhamento”. O consultor Caio explicita: “[…] faço uma programação para os profissionais em formação incluindo serviço propriamente dito, visitas a outros setores relacionados com o trabalho que irão desempenhar e, assim, eles podem observar como as pessoas desenvolvem as atividades […]”.
Entendemos que essas observações da prática do outro, por um consultor com mais experiência, permite a socialização devido à possibilidade de o profissional em formação observar o mais experiente em sua atividade e de imitar a sua prática, como forma de tornar tácito em si o conhecimento que antes era tácito só no mais experiente.
Compreendemos que essas experiências, caracterizadas pela epistemologia da prática (SCHÖN, 2000), se sistematizadas mediante uma formação direcionada aos papéis que esses
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profissionais desempenham como facilitadores da formação, poderiam potencializar o desenvolvimento do “conhecimento-na-ação”, devido às inúmeras situações que podem ser refletidas sobre o que acontece nas ações desenvolvidas por esses profissionais. Com isso, facilitaria a explicitação parcial do conhecimento tácito pelas práticas de cada um em várias situações. Permitiria, ainda, oportunidades para uma “reflexão-na-ação”, contribuindo para que cada um dos sujeitos envolvidos pudesse ampliar as experiências tácitas sobre a ação, sendo possível a geração de uma aprendizagem crítica e diferenciada sobre a prática e o contexto, no qual se inserem as suas ações, conduzindo-se, assim, para um saber prático mais autônomo.
O processo de formação implícito nas práticas desses consultores seria, também, enriquecido pela sistematização da “reflexão-sobre-as-ações”, especialmente se exercitada em conjunto com os seus colaboradores, no sentido de reforçar um pensar crítico sobre o já realizado, gerando, portanto, novos saberes teóricos, práticos, estratégicos e relacionais para as ações futuras.