• Aucun résultat trouvé

V. Des conditions d’expansion du commerce intra-régional

1. La mise en place d’une zone de libre-échange performante

Para compreendermos como o espaço passa a ser reconfigurado a partir dos usos dos dispositivos móveis conectados em rede, primeiramente, precisamos dialogar com algumas ideias para a apreensão desse termo, de modo que possamos ter uma melhor clareza da relação entre os espaços híbridos e as dinâmicas que estes estabelecem. Inicialmente, consideramos que, com as dimensões da mobilidade articuladas à expansão do ciberespaço, a noção de espaço passou, constantemente, a ser vista e revista. Aliado a isso, as diferenças espaciais e temporais entre distintos tipos de atividades sociais também estão se alterando. As relações tornaram-se fluidas e os acontecimentos simultâneos, com possibilidades de constituição de lugares múltiplos.

Nesse contexto, assumimos então, “em lugar de uma perspectiva linear de tempo, uma perspectiva complexa, onde a relação, a influência das diferentes temporalidades provoca transformações nas demais e nos diferentes espaços sociais” (BONILLA, 2002, p. 58). Dessa forma, com a difusão dos dispositivos digitais – computadores, telefones celular, laptop,

notebook, tablets –, e junto à ampliação da internet, várias tarefas são realizadas em “nenhum

lugar” específico e em ritmos variados, pois tudo flui, está em movimento, em devir.

Articulado a isso, com a cultura digital, o conceito de espaço tem se tornando cada vez mais corrente, especialmente, a partir da difusão dos dispositivos móveis, cuja “descrição de usos, comportamentos que acionam, dos efeitos psicossociais que provocam, vê-se acompanhar por termos como ‘nomadismo’, ‘ubiquidade’, ‘bordas e espaço fluidos’, ‘território’, ‘desterritorialização’, ‘rizoma’, ‘lugar’, ‘não-lugar’.” (SANTAELLA, 2007, p. 156). Ou seja, todos os termos pertencentes ao campo semântico de espaço.

Compreendemos que o espaço é uma dimensão importante para as relações humanas, que abriga em si dinâmicas sociais, políticas, econômicas e culturais. Paz (2014) nos auxilia nessa reflexão, ao trazer que a noção de espaço é “fundamental para as nossas relações sociais; ações realizadas no espaço, individualmente ou coletivamente, fazem dele uma importante dimensão das atividades sociais.” (p. 26). Concordamos com Rocha (2012), ao afirmar que estamos no espaço de diferentes formas, estabelecendo diversificadas relações, onde não podemos separar espaço e lugar de um contexto de experiência, pois, independente das interfaces com as quais interagimos, estamos experimentando os espaços “das ruas, dos museus, dos teatros, da natureza, de nossa casa, do trabalho, atribuindo-lhes nossos significados, nos conduzindo a um espaço de percepção, dentro de um contexto histórico e social.” (p. 41).

Nesse sentido, entendemos, em consonância com Milton Santos (2006), que o espaço é formado “por um conjunto indissociável, solitário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá” (p. 63). Para o autor, se pensarmos historicamente a relação do homem com o espaço, veremos que transitamos por “uma natureza selvagem, formada por objetos naturais, que ao longo da história foram sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois cibernéticos” (SANTOS, 2006, p. 51). Assim, o autor trata o espaço enquanto dinâmica, em que os objetos estão imbricados com as ações dos sujeitos. Da mesma forma, a interação com os objetos provoca os sistemas de ações e interfere na relação

178 com os sujeitos e sua subjetividade. O espaço, portanto, segue esta dinâmica de interações, pois “não basta definir os objetos em sistema. Temos de definir qual o sistema de práticas que sobre ele se exerce. Há uma interferência contínua entre os dois.” (SANTOS, 2006, p. 61).

Nessa relação social, os objetos ganham contornos de usos diversificados, os espaços também são vividos de formas distintas, sendo um lugar transformado por aqueles que o habitam. Disso, podemos pensar nos usos atribuídos aos dispositivos móveis, em especial ao telefone celular, que foi idealizado com o objetivo de realizar ligações e, hoje, funciona como um computador na palma das mãos, por meio do qual é possível fotografar, filmar, jogar, ouvir músicas, se comunicar, fazer transações financeiras e se informar em tempo real, adquirindo outro sentido ao que originalmente lhe foi definido. Ou seja, ao ganhar funções diversificadas, o telefone celular recebe outra dimensão que não somente um “objeto da oralidade” entre duas pessoas. Na verdade, a partir do exemplo trazido por esse dispositivo móvel, podemos dizer que o espaço em que vivemos, da forma como nos aparece a partir de nossas experiências vividas em contextos socioculturais, se constitui como “um espaço ativo constantemente recriado pelas atividades humanas.” (SANTAELLA, 2007, p. 168).

Esses movimentos experimentados, constituídos em relação a certos fins são denominados por Augé (2010) de mobilidade sobremoderna. Para o autor, essa mobilidade, além de se expressar nos movimentos da população (migração, turismo, profissional), também acontece “na comunicação geral instantânea e na circulação de produtos, imagens e das informações.” (p. 15). Na mobilidade sobremoderna, a noção de fronteiras aparece ganhando outros contornos, com novas barreiras se erguendo, “seja entre países ricos e pobres, seja no interior dos países subdesenvolvidos ou de países emergentes, entre os setores ricos, figurando na rede da globalização tecnológica, econômica e outras.” (AUGÉ, 2010, p. 21).

Ainda nessa discussão, apresentada por Augé, ao pensarmos nos espaços híbridos e no mundo “sobremoderno” com a presença das tecnologias da informação e comunicação, é cada dia mais forte a representação da globalidade sem fronteiras, que, de alguma forma, permite a circulação sem limitação de imagens, mensagens e de informações. Com isso, o autor nos chama a atenção para repensar a noção de fronteiras e tentar compreender as dinâmicas que afetam o contexto contemporâneo. Em consonância com essas ideias, Lemos (2010) indica que, com a atual fase da mobilidade e das redes sem fios, estamos imersos em uma nova relação com o espaço. Para o autor, vivemos um contexto que nos causa a sensação de “perdas

de fronteiras, de desterritorializações, mas também de novas territorializações” (p. 157). Ou seja, trata-se de perceber formas de compreensões sobre a noção de fronteiras.

Com o avanço das tecnologias digitais na sociedade e com a intensa presença do ciberespaço, as fronteiras se tornam menos nítidas, pois, a partir do ciberespaço, vimos surgir um novo ambiente de comunicação que, gradualmente, se articulou a outros espaços sociais, tais como os digitais ou os físicos. Ainda temos que considerar que, por muito tempo, o acesso a esses contextos através do computador pessoal de mesa e uma conexão a cabo não permitia aos interagentes a mobilidade física ao navegar por espaços digitais. Daí, passou-se a notar que a experiência de estar online geralmente era “solitária”. Entretanto, com os dispositivos móveis, essas experiências ganham outras dimensões, principalmente porque tais dispositivos criaram uma relação mais dinâmica com a internet, incluindo práticas cotidianas que associam os espaços físicos e digitais, proporcionando outros espaços sociais. Com isso surge um novo conceito, ao qual Souza e Silva (2006) denomina de “espaços híbridos”.

Para Souza e Silva (2006), os espaços híbridos são definidos pela mistura ou desaparecimentos das bordas entre espaços físicos e digitais. Eles são percebidos como espaços nômades, “criados pela constante movimentação dos usuários que carregam aparelhos portáteis de comunicação continuamente conectados à internet e a outros usuários.” (p. 24). Contribuindo com essa discussão, Santaella (2008), ao fazer referência sobre os espaços híbridos, faz uso da palavra “intersticiais”. A autora faz a opção por usar essa terminologia, por considerar que os contextos diferentes em que o termo “híbrido” vem sendo empregado são muitos e diversos, o que, de acordo com ela, “colabora para aumentar a incerteza sobre seus sentidos e aplicações.” (SANTAELLA, 2007, 219). Mas o que percebemos é que ao elaborar um novo conceito para designar sobre os espaços intersticiais, a autora não se afasta muito do que já vinha sendo discutido a respeito dos espaços híbridos. Ela coloca que os espaços intersticiais se constituem a partir das “bordas entre os espaços físicos e digitais, compondo espaços conectados nos quais rompe a distinção tradicional entre espaços físicos, de um lado, e digitais de outro.”(p. 21).

As acepções sobre espaços híbridos e digitais apresentadas, respectivamente, por Souza e Silva (2006) e Santaella (2007, 2008), em alguns momentos são semelhantes, em outros se complementam. Tais definições se assemelham quando as duas autoras consideram que no espaço híbrido ou intersticial não existe a necessidade de “sair” do espaço físico para entrar em contato com os ambientes digitais. E ainda quando Santaella (2008) afirma que os espaços

180 intersticiais “combinam o físico e o digital num ambiente social criado pela mobilidade dos usuários conectados via aparelhos móveis de comunicação.” (p. 21). E se complementam quando esta mesma autora sinaliza que os espaços intersticiais têm a tendência de “dissolver as fronteiras rígidas entre o físico, de um lado, e o virtual, de outro, criando um espaço próprio que não pertence nem propriamente a um, nem ao outro.” (p. 21).

Nessa mesma linha de argumentação, que entende que os espaços físico e digital continuam existindo, Lemos (2004) apresenta um terceiro tipo de espaço, que denomina de “espaço fluxo” ou “espaços informacionais”. Para o autor, esse espaço é definido como uma organização material que permite práticas sociais simultâneas sem necessariamente haver uma continuidade territorial física. Já Castells (1999), considerando que as sociedades passaram e passam por transformações estruturais, e que atualmente surgem novas formas e processos espaciais, entende que esses espaços não podem ser definidos sem fazer referência às práticas sociais.

Para Castells (1999), a sociedade está construída em torno de alguns fluxos: de capital, de informação, de tecnologias, de imagens, de sons e símbolos. Assim, para o autor, os fluxos não representam apenas um elemento da organização social, e sim, “são a expressão dos processos que dominam nossa vida econômica, política e simbólica” (p. 436). Para ele, existe uma nova forma espacial característica das práticas sociais que influenciam a “sociedade em rede”.

Dessa forma, entendemos que o espaço de fluxos, como uma forma material de suportes dos processos e funções dominantes na sociedade informacional, pode segundo o autor, ser descrito (em vez de definido) pela combinação de, pelo menos, três camadas de suportes materiais. A primeira é constituída por circuitos de impulsos eletrônicos (microeletrônica, telecomunicações, processamento computacional, sistemas de transmissão, tendo como base as tecnologias da informação), que formam, em conjunto, a base material dos processos que são estrategicamente cruciais na rede da sociedade. Nesta primeira camada, podemos dizer que a articulação espacial que ocorre em nossa “sociedade em rede” de interações, é possibilitada pelos equipamentos de tecnologia da informação. Nela, a rede de comunicação se configura como fundamental, em que “os lugares não desaparecem, mas sua lógica e seu significado são absorvidos na rede” (CASTELLS, 1999, p. 437).

A segunda camada do espaço de fluxos é configurada por seus nós (centros de importantes funções estratégicas) e centros de comunicações. Para Castells (1999, p. 437), o

espaço de fluxos está localizado em uma rede eletrônica, mas esta rede conecta lugares específicos com características sociais, culturais, físicas e funcionais bem definidas. Nesses nós estão localizadas as funções estrategicamente importantes que constroem uma série de atividades e organizações locais em torno de funções chaves da rede. Isto é, as funções preenchidas por cada rede definem as características dos lugares que se tornam nós privilegiados. Castells explica que, em alguns casos, os locais mais improváveis se tornam nós centrais por causa da especificidade que reúne uma rede em torno de uma localidade específica. Por exemplo, um determinado lugar, por ser referência de pesquisas pode atrair pesquisadores, de todo mundo, transformando-o em um nó de rede sobre um conhecimento singular.

Já a terceira camada refere-se à organização espacial das elites gerenciais dominantes (e não das classes), que exercem as funções direcionais em torno das quais esse espaço é articulado. O autor parte da ideia de que “as sociedades são organizadas de maneira assimétrica em torno de interesses dominantes específicos a cada estrutura social” (p. 440). Ou seja, o espaço de fluxos não é a única lógica espacial de nossa sociedade. É contudo, uma lógica dominante, porque está relacionada aos “interesses/funções dominantes em nossa sociedade” (p. 440). Entretanto, para o autor, essa dominação é estabelecida, concebida, decidida e implementada por atores sociais. Dessa forma, os nós dos espaços de fluxos incluem espaços residenciais e de lazer, com outros espaços, que nos proporcionam “fácil acesso aos complexos de arte, cultura e entretenimento” (p. 441).

Partindo dessa discussão apresentada por Castells (1999), consideramos que existe uma relação direta entre os espaços de fluxos e os espaços híbridos ou intersticiais discutidos por Souza e Silva (2006) e Santaella (2007, 2008). Para caracterizar esses espaços, nos apoiamos nas ideias de Souza e Silva (2006), ao deixar claro que o espaço híbrido não foi criado apenas pela presença da tecnologia em si, mas, sobretudo, este se configura como um espaço conceitual gerado na fusão das bordas entre os espaços físicos e digitais, especialmente, devido ao uso das tecnologias móveis em interfaces sociais. Com isso, à medida que foram sendo atribuídas múltiplas possibilidades à comunicação móvel, esses hibridismos não ficaram restritos apenas aos espaços e equipamentos, mas também aos usos que são realizados desses recursos. Portanto, podemos dizer que os espaços híbridos são, acima de tudo, “espaços sociais conectados que são definidos pelo uso de interfaces portáteis como os nós da rede” (SANTAELLA, 2008, p. 22).

182 Considerando as ideias trazidos por esses autores, notamos que ruas, monumentos, praças passam a ser interfaceados pelo espaço de fluxo por meio dos diversos dispositivos de conexão às informações digitais. Essas condições, fortalecidas com a emergência das tecnologias móveis, tornam-se, gradualmente, mais efervescentes à mediada que encontramos a “possibilidade de conexão constante ao se mover pela cidade, transformando a nossa experiência de espaço, pois insere contextos remotos dentro de contextos presentes” (SOUZA E SILVA, 2006, p. 24). Isto é, essa conexão permite que, enquanto as pessoas se movimentem pelo espaço – urbano ou rural –, a depender das condições de acesso à rede, aconteça a conexão local, incluindo tanto interações sociais quanto conexões ao espaço informacional.

Nesse processo, por meio dos nossos dispositivos móveis, estamos promovendo a comunicação remota e multipessoal, transmitindo informações, ao mesmo tempo em que nos movemos. Assim, uma das características desse espaço híbrido, permeado a partir da relação de espaço físico com o digital, é a presença marcante da comunicação always on. Essa comunicação favorece a amplificação das possibilidades de comunicação em tempo real, “[...] unindo todas as linguagens midiáticas e estando disponível independente da posição geográfica.” (PELLANDA, 2009, p. 95). A ideia forte aqui é a possibilidade de estarmos trocando informações de forma permanente e onipresente. A onipresença se dá pela possibilidade de estarmos conectados a vários espaços simultaneamente, com o mínimo de deslocamento físico. É o que muitos autores chamam de “ubiquidade” (DIAS, 2010; LEMOS, 2005; PELLANDA, 2009).

Lemos (2005) nos auxilia no entendimento sobre a ubiquidade ao sinalizar que esta se refere à possibilidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Ou seja, a ubiquidade resulta da integração dos sistemas e informações que esses processam. Já Santaella (2007, p. 222) afirma que vivemos uma época da computação pervasiva, que se espalha por todos os lugares, integrada ao ambiente e aos objetos cotidianos, de modo a capacitar as pessoas a interagir com os dispositivos de processamento de informação de forma natural, casual e ajustado a quaisquer locais e contextos.

Nesse sentido, Pellanda (2009) esclarece que “onde se está fisicamente não é mais o ponto central, e sim qual o tipo de informação precisa-se trocar em um dado instante” (p. 92). Para o autor, a questão de estar o tempo todo conectado pela comunicação always on e estar em todo lugar pode ser explicada, em parte, pelo desejo do ser humano de estar conectado aos demais espaços sociais. O autor ainda acrescenta que, nos dias atuais, não estar conectado

pode significar estar excluído, fora do círculo de conversa, de um modo ou de um estilo de vida.

Com essa discussão, podemos fazer uma relação com o período em que os telefones não identificavam qual a origem da ligação. Nessa época, a curiosidade para saber quem queria falar fazia com que interrompêssemos o que estávamos fazendo para atender a ligação. Hoje, por buscarmos essa comunicação permanente, com os celulares identificando quem está do outro lado da ligação ou da mensagem, a curiosidade é saber o que a pessoa quer falar. Paramos o que estamos fazendo – aulas, consultas médicas, reuniões, momento de lazer – para conhecer a informação que está chegando. Evidencia-se, assim, além da curiosidade humana, que também não existem lugares em que não haja comunicação, e que a distância entre o público e o privado não é mais medida pelo tempo ou espaço (PELANDA, 2006).

Nessa dinâmica social, a relação entre espaços públicos e privados é alterada. A barreira entre esses espaços passa a ser outra linha que se torna menos nítida nessa realidade. Santaella (2007) explica que com as tecnologias móveis o privado começa a invadir o público, borrando, então, as fronteiras. O que observamos é que com essas tecnologias – em especial, nos dias de hoje, com os smartphones e as diversas possibilidades de conexão (Wi-Fi, 3G, 4G) – ampliou-se a capacidade de incluir o acesso à internet no seio do espaço público. Com isso, os limites que eram bem demarcados entre o público e o privado desvanecem, suas bordas ficam porosas, permeáveis, e “a vida urbana parece mais volátil e rápida, mais incerta e mais fragmentada que em qualquer outro tempo.” (LEMOS, 2004, p. 140).

O que percebemos é que se o espaço privado está sendo permeado pelo crescimento da conectividade em diversos lugares, o inverso também acontece: com as tecnologias digitais móveis, a vida privada adentra o espaço público. Há pouco tempo, quando víamos alguém andando pelas ruas, falando consigo mesma, gesticulando e olhando para lugar nenhum, a princípio ficávamos sem saber o que estava acontecendo, até que nos dávamos conta de que a pessoa estava em uma conversa por telefone.

Hoje, essas atitudes já fazem parte do nosso cotidiano. Santaella (2007) diz que, nos dias atuais, as pessoas atendem suas chamadas em lugares públicos, estabelecendo, assim, uma “coreografia da comunicação móvel” (p. 247). Já Cordeiro (2014) exemplifica que, ao estarmos nos espaços públicos, podemos estar conectados, verificar a posição geográfica de amigos, acompanhar o filho na escola, conversar com pessoas que estão em lugares distantes e, ao chegar em casa continuamos conectados, tendo acesso ao que acontece no mundo, nos

184 espaços públicos. Observamos que com a comunicação móvel, sem fio, potencializou-se o espaço de interação híbrida entre os espaços físicos e digitais, permitindo assim, “novas formas de interação e sociabilidade, passando a constituir espaços nômades, interconectando lugares descontínuos.” (CORDEIRO, 2014, p. 162).

A nosso entender, os usos que fazemos dos dispositivos móveis, constituindo os espaços híbridos/intersticiais ou espaços fluxos, fazem emergir outras formas de pensar, de se relacionar, de conviver e fazer coisas diferentes, ou, até mesmo, fazer as mesmas coisas que já fazíamos antes, mas com outras possibilidades de interação, sociabilidade, convivência, de produção do conhecimento, lazer, arte, cultura, etc. Esses usos introduzem “um novo sistema simbólico para ser processado, (re)organizam a visão de mundo de seus usuários [interagentes], impondo outros modos de viver, pensar e agir, modificam hábitos cotidianos, valores e crenças” (BONILLA, 2005, p. 32). Dessa forma, configuram-se em elementos estruturantes das relações sociais.

Nesse sentido, nos apoiamos em Souza e Silva (2006) ao trazer três perspectivas para caracterizar os espaços híbridos: espaços conectados, espaços móveis e espaços sociais. Para tanto, primeiramente, a autora associa os espaços conectados a partir da fusão das bordas entre os espaços físicos e digitais. Por estarmos conectados com nossos dispositivos móveis, não mais percebemos espaços físicos e digitais como desconexos, assim como não temos mais a sensação de “entrar” na internet ou de estar imerso no espaço digital, como ocorria, geralmente, quando precisávamos sentar em frente a uma tela de computador e fazer uma conexão. Dentro desse contexto, é preciso ressaltar que não estamos eliminando totalmente essa segunda possibilidade, mas entendemos que, nos espaços conectados a partir dos dispositivos móveis, as bordas existentes entre os espaços físicos e digitais, aparentemente claras com a internet fixa, se tornaram difusas e não mais completamente distinguíveis (SOUZA E SILVA, 2006). Daí que os espaços híbridos, eminentemente são criados pela “conexão de mobilidade, e materializados por redes sociais desenvolvidas simultaneamente em espaços físicos e digitais.” (p. 32).

Nessa materialização, emergem os espaços móveis, que são definidos por redes sociais e pela transformação de interfaces estáticas e móveis. Reconhecemos que essa mudança define o modo como nos conectamos à internet, e, consequentemente, a nossa percepção de espaços digitais. Souza e Silva (2006) esclarece que as interfaces estáticas incluem monitores, computadores de mesa, capacetes de realidade virtual, ou seja, todo tipo de interface que,

embora possibilite a conexão com os espaços digitais, não permite um amplo movimento em