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IV. Estimation du potentiel de commerce intra-régional

1. Simulation du potentiel par les outils d’analyse quantitative

1.3 Analyse du potentiel de commerce

Antes da digitalização, do ponto de vista da integração das linguagens, já encontrávamos elementos convergentes nos suportes analógicos, a saber: em um texto de jornal, contávamos com uma infinidade de linguagens (texto, imagens, gráficos); os meios audiovisuais avançaram para agregar vídeo, imagens e sons no mesmo suporte, como o cinema e a TV. Porém, em concordância com Santaella (2003b), compreendemos que a convergência das mídias se configurou como marca registrada da cultura digital. A referida autora (2003a, p. 84) afirma que, com a evolução do digital e o rápido desenvolvimento da multimídia – produtora da convergência –, foi possível unir em um único dispositivo digital as quatro formas principais da comunicação humana: o documento escrito (imprensa, magazine, livro); o audiovisual (televisão, vídeo, cinema); as telecomunicações (telefone, satélite, cabo) e a informática (computadores, programas informáticos).

Na atualidade, cada vez mais, temos evidente a sincronização das diversas linguagens e mídias. Quando olhamos a nossa volta, as pequenas telas digitais – presentes através dos dispositivos móveis, tais como smartphone, tablet, palmtops, terminais eletrônicos, entre outros – estão nos auxiliando nas nossas práticas comunicativas, de trabalho, de lazer e de estudos. Nelas nos atualizamos com notícias, avisos, diversão, comunicação, além de realizarmos trocas de mensagens instantâneas, socialização de vídeo, áudio, imagem e informações em tempo real.

Pellanda (2003) mostra que com a portabilidade das tecnologias móveis, vivenciamos a busca pela informação em todas as horas e lugares. É fato comum presenciarmos em nossa volta – seja nos cafés, instituições de ensino, espaços de entretenimento, lazer e até mesmo no ambiente familiar – pessoas manipulando qualquer tipo de dispositivo eletrônico, procurando algum tipo de conexão na rede para estabelecer uma comunicação coletiva. Com isso, estamos, literalmente, sendo acompanhados pelas tecnologias digitais em todos os locais, em um contexto de imersão midiática onde o “fluxo de áudio, vídeo, fotos, gráficos em vários suportes nos acompanham durante o dia.” (PELLANDA, 2003, p. 2).

Nessa realidade, percebemos que um elemento significativo da cultura digital – e que ganhou espaço, sendo, hoje, quase imprescindível para as nossas práticas sociais – é a convergência entre as diversas mídias. Isto é, tal propriedade nos possibilitou explorar e articular as diversas potencialidades das tecnologias digitais em um mesmo dispositivo. Moreno (2013) afirma que o fenômeno da convergência provavelmente seja o mais importante aspecto da conjugação entre as alterações introduzidas pelo digital e as estruturas e apropriações sociais que se produzem em decorrência dela. Cordeiro (2014) ressalta que a base digital é o primeiro requisito para que a convergência seja possível, sendo viável combinar “padrões digitais em um mesmo suporte, onde podemos interagir com diferentes mídias, ter acesso a redes, produzir, acessar e modificar conteúdos, enfim, um espaço onde interagem diferentes linguagens” (p. 134-135). Nessa mesma direção, Henry Jenkins (2009), um dos teóricos da comunicação que mais abundantemente abordou esse tema, coloca que a digitalização criou as condições para a convergência, mas ressalta que foram os conglomerados de mídias que “criaram o seu imperativo” (p. 11).

O referido autor também explica que o conceito de convergência não pode estar limitado apenas à reunião de mídias em um único ambiente, mas que o termo pode ter uma definição mais abrangente, superando as questões meramente tecnológicas. Para ele, convergência envolve também mercado, tecnologia, cultura e práticas sociais:

Por convergência refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplos suportes midiáticos, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos, dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências, de entretenimento que desejam. (JENKINS, 2009, p. 27).

Dessa forma, concordamos com Moreno (2013, p. 08) ao afirmar que a convergência tanto pode ser entendida como um processo “de cima para baixo”, em que as empresas de

148 mídias aproveitam as potencialidades das tecnologias para distribuir os seus conteúdos por diferentes canais e múltiplos dispositivos, como pode ser um processo “de baixo para cima”, à medida que aprendemos a usar estes dispositivos para além de consumir informação, mas, sobretudo, produzir, disponibilizar e circular conteúdos. Nesse sentido, podemos dizer que as diferentes linguagens favorecem que os interagentes comuns possam narrar uma determinada informação, fazendo-a circular sem que necessariamente os fatos sejam divulgados, prioritariamente, pelos tradicionais meios de comunicação. A partir de tal constatação, queremos sinalizar que, com a convergência das mídias, podemos presenciar, cada vez com mais intensidade, as mensagens sendo narradas de acordo com a linguagem e o tempo necessários para a sua compreensão.

Assim, um acontecimento pode ser divulgado com a linguagem de vídeo para ser mostrado nos diversos ambientes, além de também podermos divulgar fotos com detalhes do acontecimento, áudio para captar depoimentos, etc. Enfim, com todas essas linguagens acessíveis a qualquer pessoa, não há mais a necessidade de um único veículo de comunicação trazer a informação; ao contrário, potencialmente, com “oportunidades crescentes de apropriação dos meios de produção da informação, os quais se tornam mais populares, são criadas condições para que se ampliem a expressão e a manifestação da pluralidade de ponto de vista” (PRETTO; ASSIS, 2008, p. 78). Dessa forma, cada interagente passou a ter a postura da comunicação de forma mais natural e global.

De acordo com Pellanda (2003), os caminhos da convergência ocorrem a partir da demanda da mensagem, considerando a necessidade de expressão não somente do transmissor dessa informação, mas também do receptor que, ao escolher as mídias que mais lhe convém, passa a interagir com a informação, tornando-se também autor. Jenkins (2009) corrobora com essa ideia ao colocar que, na convergência, além das velhas e novas mídias se misturarem, o “poder do produtor de informação e o poder do consumidor de informação interagem de maneiras imprevisíveis.” (p. 29).

Lemos (2009b), por sua vez, pontua que, na cultura digital a convergência é um território recombinante, em que a afluência, a junção das mídias para o mesmo objeto, aparelho e produto torna possível “recombinar, copiar, apropriar, mesclar elementos os mais diversos” (p. 38). Sendo assim, a convergência entre as diversas mídias ou a recombinação dos diferentes elementos, como é apresentada por Lemos, torna-se um traço constitutivo da cultura digital, pois, nesse processo, encontramos tanto o “acolhimento” das diversificadas maneiras de tratar

a informação quanto o convívio simultâneo das múltiplas linguagens – a escrita, o áudio, o vídeo e a imagem.

Nessa perspectiva, “a liberação do polo emissor”, como é abordada por Lemos (2009b), favorece “fenômenos sociais em que o antigo ‘receptor’ passa a produzir e emitir a sua própria informação, de forma livre, multimodal (vários formatos midiáticos) e planetária” (p. 39). Desse modo, mais uma vez levando em consideração as ideias desenvolvidas por Pellanda (2003), podemos dizer que, em um ambiente de convergência, cada uma das linguagens desenvolvida ao longo dos últimos anos tornou-se gradativamente mais presente para proporcionar ao “receptor” uma experiência rica em detalhes e interações. Nesse sentido, tal experiência, segundo o autor, tornou-se um caminho natural a ser percorrido pelo “novo” receptor, caminho esse resultado da fusão das mídias.

Entretanto, é preciso levar em conta que a fusão das mídias não se resume à substituição de uma linguagem por outra; ao contrário, mesmo com a sua convergência, as ditas “mídias tradicionais” ou “mídias analógicas” podem ter sofrido reajustamentos no papel social que desempenham, mas continuam presentes e tendo a sua importância. Assim, continuamos a conviver com os grupos de discussão presenciais, a ouvir notícias e músicas pelo rádio, a ler jornais impressos, a assistir aos telejornais, entre outras práticas. Mas o importante é ressaltar que, independente da natureza das linguagens, depois de transformada em digital, qualquer uma delas pode ser sintetizada em qualquer lugar e em qualquer período, para gerar outros produtos.

Hoje, para exemplificar de forma mais aprofundada a presença da convergência, consideramos que o que mais se ajusta a esse processo é a telefonia móvel, especialmente, com os celulares inteligentes – smartphone. Depois de várias gerações, estes dispositivos diminuíram de tamanho, tornaram-se digitais, receberam outras funcionalidades, ficaram mais leves, ganharam telas maiores com inúmeras funções, inclusive a multitouch31, além da conectividade e sistemas operacionais que permitem ao interagente substituir práticas que somente eram possíveis de ser realizadas em seus computadores pessoais. Vale destacar que, durante o aprimoramento dos aparelhos celulares, em paralelo, outros dispositivos móveis foram surgindo, tais como notebooks, netbooks e os tablets, e também passaram a integrar esse universo comunicacional e informacional.

31 A função multitouch significa “múltiplos toques” e diz respeito à capacidade da tela de reconhecer, ao mesmo tempo, mais de um toque. Um bom exemplo é o movimento que realizamos na tela para dar um zoom no tamanho das imagens ou sites – em que podemos utilizar dois dedos ao mesmo tempo para executar um comando na tela do celular.

150 Diante das inúmeras possibilidades favorecidas pelo dispositivo móvel, podemos dizer que, na contemporaneidade, com as informações produzidas e socializadas em rede, a convergência acontecerá de forma cada vez mais complexa. O que estamos vivenciando são máquinas sendo lançadas para atender as mais diversas necessidades de comunicação e entretenimento, alterando, assim, a relação entre as tecnologias existentes. Neste sentido, Jenkins (2009) alerta que a convergência se refere a “um processo e não a um ponto final” (p.43); este é um processo que consegue integrar “transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais” (p. 31), superando a ideia de se constituir apenas como um produto que une as múltiplas linguagens dentro de um mesmo dispositivo tecnológico.

A possibilidade da convergência das mídias marca a cultura digital, pois nos proporciona uma verdadeira reunião de todas as formas de comunicação e cultura – “um caldeamento denso e híbrido: a comunicação oral, ainda com força; a cultura das massas, também com pontos positivos; a cultura das mídias, que é a cultura dos disponíveis; e a cibercultura; a cultura do acesso.” (SANTAELLA, 2003b, p. 28). Em síntese, podemos dizer que vivemos a cultura que envolve a capacidade de nos relacionarmos com os inúmeros ambientes de informação que nos cercam.

Portanto, a convergência, no contexto da cultura digital, “refere-se a um universo amplo que envolve desde a infraestrutura de rede, os dispositivos que os interagentes levam consigo, até o próprio pensamento humano” (CORDEIRO, 2014, p. 139). Dessa forma, a convergência é por nós compreendida como um complexo de recepção e emissão múltiplas, produtora e distribuidora de uma variedade de conteúdos, onde os interagentes não são meramente consumidores, mas, sobretudo, participantes ativos desse processo.