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LA MISE EN PLACE DE LA PTH :…

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IX. L’INTERVENTION :

IX.3. LA MISE EN PLACE DE LA PTH :…

A sexualidade é uma parte central da qualidade de vida do indivíduo e é ligada à percepção do seu corpo e da sua imagem,CAMPS e cols. 1996 refletindo seu bem estar

físico, psicológico e social, sendo que distúrbio em qualquer fase da resposta sexual pode interferir na função sexual.BLÜMEL e cols. 2004

Incluímos uma avaliação da função sexual por acreditar que os sintomas das IV podem interferir nesse aspecto e para avaliar o impacto dos instrumentos autocoleta e diário na vida sexual das pacientes.

O IFSF avalia seis domínios: desejo sexual, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor, formando um score.ROSEN 2000 É bem aceito e é uma ferramenta rápida e de fácil administração para rastreio de disfunções sexuais.BLÜMEL e cols. 2004,

ASSIMAKOPOULOS e cols. 2006, THIEL e cols. 2008 A interpretação do índice é que quanto maior é

o score, melhor é a função sexual. Observamos que houve uma pequena diminuição do score em algumas pacientes ao final do estudo (GRÁFICO 52).

4.2.3.4- SINTOMAS

À consulta ginecológica inicial 2 (11,1%) pacientes referiram dor e/ou ardor vulvar; 3 (16,7%) referiram prurido, 2 mau odor (11,1%); 2 disúria (11,1%); 3 (16,7%) dor pélvica; 4 (22,2%) sinusorragia e uma (5,6%) referiu úlcera genital (QUADROS PICTÓRICOS 3 a 20). Cinco (27,8%) apresentavam mais de um sintoma. Não observamos clara correlação entre os sintomas relatados ao longo do estudo e os achados da microbiota vaginal.

Keane, Ison e Taylor-Robinson1997 obervaram que mulheres que mantiveram a flora

vaginal normal ao longo de estudo longitudinal queixaram-se menos de corrimento vaginal do que mulheres que mantiveram a flora oscilante ou permanentemente anorrmal, tendo observado mais queixa de mau odor no último grupo. Hay, Ugwumadu e Chowns1997 observaram correlação entre relato de prurido e corrimento com identificação microscópica de Candida sp., mas também observaram VB surgir sem sintomas.

Anderson e cols.,2004 em revisão da literatura, evidenciaram que a ausência de

prurido e de mau odor torna menos provável o diagnóstico respectivamente de CV e de VB; que o exame físico tem pouco poder diagnóstico; que sinais inflamatórios são associados à CV; que odor característico é preditivo de VB e que ausência de odor associa-se à CV.

Os sintomas apenas não permitem distinguir as causas das vaginites.ANDERSON e cols.

2004 Em um terço das mulheres sintomáticas não se encontra microorganismo

patogênico.BERG e cols. 1984, SCHAAF; PEREZ-STABLE; BORCHARDT 1990 Berg e cols.1984 observaram que os sintomas não têm valor para o diagnóstico da CV, tendo sido o prurido preditor de CV em apenas 38% das pacientes. Aleixo Neto, Hamdan e Souza1999 não evidenciaram associação entre corrimento, dispareunia e presença de

Candida sp. Cerikcioglu e Beksac2004 avaliaram 210 mulheres com corrimento

vaginal anormal, prurido, queimação, dispareunia e sinais de inflamação e evidenciaram CV em 12,8% e VC em 7,1%.

Zurayk e cols.1995 e Bhatia e Cleland2000 observaram concordância baixa entre a presença de corrimento vaginal e ITR. Por outro lado, muitas mulheres que não relataram corrimento apresentam ITR.RIYAMI; AFIFI; FATHALLA 2005 Boris e cols.1997 não observaram diferença no relato das características do fluxo vaginal entre mulheres com e sem VB e as mulheres com VB não se incomodavam mais com o fluxo do que aquelas sem VB. Já Klebanoff e cols.2004 evidenciaram prevalência discretamente

maior de queixas de corrimento e odor entre mulheres com VB.

Riyami, Afifi e Fathalla2005 utilizaram o questionário Gynaecologic Morbidity

Symptoms, que inclui um módulo sobre corrimento vaginal, no qual é perguntado se

a paciente tem corrimento vaginal e o quanto isso a incomoda. Pelo protocolo do estudo o corrimento é considerado merecedor de preocupação médica caso seja fétido, amarelo, verde, sanguinolento, caseoso ou acompanhado de prurido.RIYAMI; AFIFI; FATHALLA 2003 Entre as 768 mulheres participantes 56,4% reportaram corrimento

vaginal, 141 (20,1%) consideraram-no incômodo e 272 (20%) apresentavam corrimento que despertava preocupação médica.RIYAMI; AFIFI; FATHALLA 2003 O estudo evidenciou baixa concordância entre o relato de corrimento vaginal pela mulher com a impressão médica e com ITR, porém essa última relação melhorou quando o

corrimento foi caracterizado como incômodo ou suspeito - o fato de perguntar se o corrimento incomodava a mulher ajudou a diagnosticar mais ITR.RIYAMI; AFIFI; FATHALLA 2003 Observa-se na prática clínica que a fragmentação do conhecimento relega as

questões de valores e significados para o âmbito da antropologia social, da psicologia e do feminismo, ao invés de incluí-las no campo de atuação e na formação do profissional de saúde que assiste a mulher.AMARAL 2003, KARASZ; ANDERSON 2003

Todas referiram apresentar fluxo vaginal e sete (38,8%) consideraram esse fluxo patológico (QUADRO PICTÓRICO 2 e GRÁFICO 18). Dessas, 4 (57,1%) tinham renda menor que mil reais, 1 (14,2%) tinha renda entre mil e cinco mil reais, 1 (14,2%) tinha renda maior que cinco mil reais e uma não informou; 4 (57,1%) estudaram entre 9 e 11 anos e 3 (42,8%) estudaram mais que 12 anos.

A percepção da paciente sobre o que é normal pode ser influenciada por fatores culturais e sociais, entre outros.BRO 1993 Em estudo sobre as opiniões acerca do corrimento vaginal, abrangendo três populações de diferentes níveis sócio- econômicos, evidenciou-se que 75.5% da população de menor nível sócio- econômico consideraram o corrimento vaginal doença, enquanto no grupo de maior nível sócio econômico, em maior proporção o corrimento foi considerado normal.WESTPHALEN e cols. 1981

Em estudo sobre as percepções, crenças e comportamento das mulheres frente ao fluxo vaginal, Bro1993 observou que 65% das mulheres com queixas de fluxo vaginal

e 27% das mulheres sem queixa estavam incomodadas com o seu fluxo usual; 75% atribuíram a causa do corrimento vaginal a alguma infecção e 39% ao método contraceptivo; 48% tentaram automedicação e 58% incrementaram as medidas de higiene genital; medo de apresentar uma doença sexualmente transmissível (DST) ou uma doença grave levaram as mulheres a procurar ajuda médica em 58% dos casos.

Karasz e Anderson2003 observaram em estudo sobre a impressão das mulheres sobre os quadros de vaginite, que a maioria julgou a normalidade do fluxo vaginal pelas suas características de quantidade, cor, odor, consistência e época do ciclo

menstrual. A maioria achava normal haver um discreto fluxo vaginal, porém um quinto das mulheres julgou que a vagina deveria ser seca e sem odor.KARASZ; ANDERSON 2003 As mulheres associaram o corrimento vaginal a doenças infecciosas,

DST, câncer e HIV.KARASZ; ANDERSON 2003 Dois terços acreditavam que seus sintomas

eram sérios e que a doença poderia disseminar para outros órgãos e causar infertilidade.KARASZ; ANDERSON 2003 Outras preocupações eram incomodar parceiros e

colegas de trabalho ou escola, transmitir doenças ao parceiro, dor às relações sexuais e medo de ser consideradas promíscuas devido aos sintomas.KARASZ; ANDERSON 2003 Observou-se que várias pacientes procuraram tratamentos livres de

prescrição médica e apelaram para medidas de higiene para aliviar os sintomas, antes de buscar orientação médica.KARASZ; ANDERSON 2003 Algumas pacientes sentiram que seus médicos não foram capazes de explicar a “cronicidade” dos sintomas.KARASZ; ANDERSON 2003

Boris e cols.1997 observaram que 25% das mulheres sem VB referiram corrimento com odor ruim apenas quando questionadas, o que os autores atribuem ao tabu e culpa suscitados pelas “secreções corporais” e ao fato de que muitas mulheres consideram qualquer odor genital ofensivo. Muitas mulheres toleram sintomas vaginais como “destino ou sorte” inerente à mulher.RIYAMI; AFIFI; FATHALLA 2003 Outras mulheres não suportam nem mesmo a umidade fisiológica da vagina e da vulva, considerando o conteúdo vaginal fisiológico sujeira.ALMEIDA 2000 Giraldo e cols.1997 lembram que a mulher muitas vezes vê no corrimento vaginal a concretização de premissas de sujeira e pecado impostas por questões sociais, culturais e religiosas, podendo resultar em desajustes sociais, conjugais e disfunções sexuais. Para algumas mulheres os sintomas vaginais parecem representar um campo de batalha simbólico para conflitos com parceiros, funcionando como evidência de infidelidade ou como indicador de que a mulher não é merecedora da afeição de seu parceiro.KARASZ; ANDERSON 2003

Simões2004 ressalta que nenhum sintoma é único ou patognomônico de qualquer causa de corrimento vaginal e recomenda um exame ginecológico cuidadoso seguido de exames complementares, o que é corroborado por Gomes,2003 que demonstrou que a anamnese e o exame clínico especular do conteúdo vaginal são, na maioria das vezes, insuficientes para fazer o diagnóstico correto do conteúdo

vaginal, tanto normal quanto alterado, sendo necessário lançar mão de exames laboratoriais microbiológicos.

Uma vez encontrada microbiota normal, cabe ao ginecologista tranqüilizar a paciente, explanando sobre as oscilações fisiológicas do conteúdo vaginal e corrigindo as distorções de interpretação e de conduta.HALBE; RAMOS; ISAAC 2000, ALMEIDA 2000, KARASZ; ANDERSON 2003 Afastadas ou curadas causas infecciosas, a educação da

paciente e a modificação ambiental são fundamentais para o controle e cura de lesões irritativas.WELSH; HOWARD; COOK 2004 É também de suma importância esclarecer

essas questões em consultas de crianças e adolescentes, pois percebe-se na prática clínica que essas distorções de interpretação passam de mãe para filha, de geração em geração, perpetuando problemas decorrentes do desconhecimento da fisiologia da genitália feminina. Bingham1999 afirma que é possível curar algumas pacientes e ajudar muitas outras e pontua: “remember the art of medicine”.

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