Avaliar o esforço ou intensidade do esforço é uma recurso necessária para avaliação diagnóstica (TRITSCHLER , 2003). Entender a resposta de adaptação aguda ou crônica é de elevada importância para direcionar as sessões de treinamento, respeitando o princípio da especificidade e individualidade biológica.
Diferentes ferramentas são utilizadas para compreender de que maneira um exercício físico pode alterar a homeostasia corporal. As alterações podem apresentar respostas fisiológicas, biomecânicas ou ambas. E dentro da área, fisiológica ou biomecânica, utilizam- se protocolos que podem ser mais adequados ou que foram desenvolvidos para atender melhor a uma modalidade esportiva, entrando novamente dentro dos princípios do treinamento.
Segundo Forteza De La Rosa (2007), para a carga de treinamento existe uma relação inversa entre a condição na qual o atleta se encontra e o potencial do treinamento. Dessa forma, o exercício físico possui uma carga de treinamento, podendo variar conforme o volume e a intensidade de esforço para os seus praticantes, bem como nível de condicionamento. Portanto, de acordo com o exercício físico utilizado, pode-se ter uma carga de treinamento, e gerar respostas adaptativas positivas ou negativas, de acordo com a alteração da homeostasia corporal.
A carga, que depende da intensidade e do volume, pode ser controlada por meio de diferentes ferramentas, tais como a frequência cardíaca, concentração de lactato sanguíneo, consumo máximo de oxigênio e a percepção subjetiva de esforço. A escala proposta por Borg (BORG, 1982), sugere que a percepção de esforço funciona adequadamente por integrar a comunicação do sistema nervoso central em comandar o trabalho muscular com o sistema cardiovascular central e o respiratório.
A escala de Borg tradicional apresenta valores que variam de 6 a 20, indicando a avaliação da frequência cardíaca entre 60 a 200 batimentos por minuto. E os valores obtidos da PSE mostram relação com a porcentagem da frequência cardíaca de reserva e uma
porcentagem da sessão de treinamento, na qual a frequência cardíaca está nas zonas alvos de treinamento de frequência cardíaca determinadas através da concentração de lactato sanguíneo (FOSTER et al., 1995).
Pesquisadores desenvolveram uma escala modificada da percepção subjetiva de esforço de Borg, inferindo aos participantes da sessão de treinamento sobre a intensidade global das atividades (FOSTER et al., 1995).
A utilização dessa ferramenta para monitorar o treinamento possui utilidades para determinar alterações no treinamento bem como monitorar a carga de treinamento para o desempenho (FOSTER et al., 1995; FOSTER et al., 1996).
Impellizzeri et al. (2005) pesquisaram uma forma de conseguir organizar o processo de treinamento, considerando a carga, especialmente a interna em atletas de futebol. A avaliação da carga interna necessita quantificar a intensidade do estresse fisiológico que é gerado pelo tipo e pela duração do ou dos exercícios físicos utilizados em uma sessão de treinamento. É possível realizar uma pontuação da magnitude da sessão de treinamento, realizando a multiplicação da duração da atividade pela intensidade, obtida através da percepção subjetiva de esforço (PSE). Essa avaqliação de carga interna pode ser obtida pela Equação 3.
!"#$"!!"#$%"&! = !!. !. !. !!!"#$çã!!!"#$#%&%'!(!"#!"#$) Equação 3.
A determinação da carga interna pode ser uma ferramenta útil. O estudo de Castilho et al. (2017) mostrou diferenças na percepção de esforço da carga interna, com variações entre componente central - sistema respiratório, e o componente periférico - sistema muscular, durante a análise da carga interna e carga externa em árbitros de futebol da terceira divisão do campeonato espanhol. Clemente et al. (2019) também utilizaram a ferramenta da carga interna para analisar a diferença entre dois jogos reduzidos, possuindo diferentes tempos de duração e seus efeitos nas respostas fisiológicas. O jogo que apresentou menor duração mostrou-se mais eficiente na manutenção dos níveis elevados de carga interna e externa durante o treinamento de jogo reduzido.
Com as informações da carga interna, a utilização da carga externa (com indicadores tais como distância percorrida e corrida em alta intensidade) auxilia no planejamento das zonas de trabalho no treinamento e estas zonas de trabalho estão vinculadas a intensidade de
ambiente e local de treinamento, o nível de preparação e do estado do atleta (DE LA ROSA, 2007). A Tabela 06 apresenta as zonas de intensidade de treinamento de acordo com a frequência cardíaca e o lactato sanguíneo de acordo com os critérios apresentados por De La Rosa (2007).
Tabela 06. Zonas de intensidade de treinamento de acordo com a frequência cardíaca e o lactato sanguíneo.
Zonas de trabalho no Treinamento
Zonas de Intensidade Objetivo Frequência Cardíaca Lactato I. Zona de RecuperaçãoAtivação dos processos de
recuperação 100- 120 2 - 3
II. Zona de Manutenção
Manutenção das possibilidades
aeróbias 140 - 150 3 - 4
III. Zona de Desenvolvimento
Aumento das capacidades aeróbias de resistência específica a um
trabalho prolongado
165 - 175 4 - 8
IV. Zona de Desenvolvimento
Aumento das capacidades anaeróbias glicolíticas a um
trabalho de curta duração
175 - 185 8 - 12
V. Zona de Sprint
Aumento das capacidades anaeróbias aláticas, melhora das
capacidades de velocidade
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Fonte: De La Rosa, A.F. Treinamento desportivo: do ortodoxo ao contemporâneo. São Paulo: Phorte, 2007, pg. 58.
Cada modalidade esportiva possui sua caracterização, possuindo características específicas as quais exigem dos seus praticantes uma intensidade e um volume, variando os esforços e as características de movimentos (DE LA ROSA, 2007).
Ao entender a caracterização da modalidade, auxilia na compreensão das diferentes tarefas que ocorrem, especialmente nas modalidades coletivas, auxiliando na obtenção de informações em relação as respostas internas corporais (carga interna). Compreender as respostas nas diferentes tarefas que ocorrem durante as modalidades coletivas, propicia uma adequada organização e planejamento dos conteúdos do treinamento.
2.4 – MATÉRIAIS E MÉTODOS
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé -UNIFEG (protocolo número 1.747.455) e, após todos os participantes terem suas dúvidas respondidas, um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado.
Participaram do estudo 10 homens, com idade média de 25,5 ± 2,2 anos, massa corporal de 78,5 ± 11,5 kg, estatura de 177,2 ± 9,1 cm e IMC de 22,1 ± 2 Kg/m2. Os participantes eram indivíduos fisicamente ativos, com vivência e experiência em modalidades esportivas coletivas, como futebol de campo e futsal.
Os testes foram conduzidos no complexo esportivo Mário Dallora no UNIFEG, em uma das quadras (para as avaliações fisiológicas) e no CESEF (Centro de Estudo da Saúde e Exercício Físico) para as avaliações antropométricas. As análises de lactacidemia foram feitas no laboratório de fisiologia do exercício do Departamento de Ciências Fisiológicas da UFSCAR. A seleção dos voluntários foi realizada de acordo com os seguintes critérios de inclusão:
Critérios de inclusão - os participantes deveriam ser do sexo masculino, ter entre 18 a 30 anos, não serem sedentários (exercício aeróbio regular com no mínimo de 2 sessões por semana e > 20 minutos por sessão); não fumantes; não diabéticos (nível de glicose em jejum < 110 mg/dl); média de pressão arterial sistólica (PAS) com duas visitas para medições de 140-159 e de pressão arterial diastólica (PAD) de 90-99 mmHg (SBH - Estágio 1 de hipertensão); ter um IMC < 29,9 kg/m2; Não apresentar doenças neurológicas ou do sistema vestibular que pudessem afetar a sua locomoção. E não ter nenhuma outra condição médica que poderia impedir a prática de exercício físico.
Critérios de exclusão - Os voluntários pré-selecionados que não preencherem adequadamente a anamnese, que negarem ou não informarem conteúdo necessário para o critério de inclusão ou que não concluir um dos testes realizados e que utilize algum estimulante ou fármaco durante a realização do estudo em decorrência do desenvolvimento de alguma patologia, foram excluídos do presente estudo.