Inicialmente, os voluntários foram convidados a comparecerem ao Centro do Estudo da Saúde e do Exercício Físico (CESEF) para as avaliação antropométrica (massa corporal, estatura e índice de massa corporal [I.M.C.]). Após a avaliação antropométrica, os participantes foram submetidos os testes incremental de Vai e Vem (LEGER, 1982), para coleta de lactato sanguíneo e VFC, com o intuito de determinar o limiar anaeróbio dos voluntários.
Em visitas posteriores, os voluntários da pesquisa realizaram testes de corrida em distância fixa de deslocamento e com velocidades constantes de acordo com o limiar anaeróbio determinado pelo protocolo incremental e corrida contínua com duração de cinco minutos. Três trajetórias diferentes foram utilizadas: Linha Reta, Semi Círculo e Círculo. A distância percorrida nas três trajetórias foi de 20 metros, variando o raio de curvatura nos dois deslocamentos curvilíneos.
Durante todas as avaliações, os voluntários estavam utilizando o frequencímetro (Polar®, R modelo RS800CX) para determinar a frequência cardíaca durante os testes bem como a variabilidade da frequência cardíaca.
A coleta de lactato sanguíneo no protocolo incremental foi feita antes do teste e ao final de cada estágio completado. Para os testes com velocidade constante, a coleta de lactato sanguínea foi feita pré teste (basal) e pós teste (imediatamente após).
O intervalo entre um teste e outro foi de no mínimo de 24 horas e no máximo 48 horas para evitar a fadiga muscular e destreinamento funcional e motor com a condição do teste.
Os voluntários realizaram todos os testes no mesmo horário do dia, afim de evitar alterações no ritmo circadiano. Cinco minutos após a realização do teste, era apresentado ao voluntário a escala de percepção de esforço (FOSTER et al., 1998; FOSTER et al., 2001), perguntado ao voluntário um número da classificação e confirmando com descrito ( muito, muito fácil até máximo).
Após a realização dos testes, os voluntários foram separados em grupos de acordo com nível de capacidade aeróbia obtidos pelo protocolo incremental, sendo grupo 1 (G1) os voluntários que apresentaram valores de limiar anaeróbio entre ≥ 9,0 km/h a 10,9 km/h e no Grupo 2 (G2) os voluntários que apresentaram desempenho acima de 11 km/h. Cada grupo foi composto por cinco voluntários. Dessa forma, foi possível analisar as diferenças entre as trajetórias retilíneas e curvilíneas de modo geral (n=10) e feitas por grupo (G1, n=5; G2, n=5).
2.4.2 - Avaliação Antropométrica
Todos os voluntários participaram de uma avaliação antropométrica antes do início da avaliação física, que foi avaliado:
A. Massa Corporal
A massa corporal foi aferida com o auxílio de uma balança digital Plenna Acqua® 180 kg com precisão de 100 gramas. O avaliado posicionava-se em pé, de costas para a escala da balança, com afastamento lateral dos pés, estando à plataforma entre os mesmos. Em seguida colocava-se sobre e no centro da plataforma, ereto com olhar num ponto fixo à sua frente. Foi pedido que os!indivíduos!utilizassem!roupas!adequadas!para!fazer!atividade! física,!ou!seja,!roupas!leves!e!foi!pedido!para!que!subissem!à!balança!descalços.
B. Estatura
A estatura foi aferida por meio do aparelho estadiômetro WCS®. O avaliado estava na posição ortostática (PO): indivíduo em pé, posição ereta, braços estendidos ao longo do corpo, pés unidos procurando por em contato com o instrumento de medida as superfícies posteriores do calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. A medida foi feita com o avaliado em apnéia inspiratória, de modo a minimizar possíveis variações sobre esta variável antropométrica. A medida foi feita com o cursor em ângulo de 90o em relação à escala. Permite-se ao avaliado usar calção e camiseta, exigindo-se que esteja descalço.
C. Índice de Massa Corporal
O IMC foi calculado a partir do peso corporal e estatura total por meio da fórmula:
IMC = peso (kg) / altura2 (m). Equação 4.
2.4.3 – Protocolo dos testes motores
Para realização dos testes, os avaliados foram submetidos previamente a uma corrida de baixa intensidade como forma de aquecimento com duração de aproximadamente cinco minutos. Para que o atleta se recupere e se apresente preparado para iniciar o teste um
testes. O primeiro protocolo (A) foi utilizado para determinação do limiar anaeróbio dos avaliados e em seguida aplicou-se três variações de trajetos em corrida constante (B).
A - Protocolo Incremental
Foi utilizado o protocolo de Léger e Lambert (1982) para determinação do limiar anaeróbio. O referido protocolo preconiza uma corrida de Vai e Vem, na qual os voluntários percorrem 20 metros com velocidade inicial de 8,5 quilômetros por hora (km/h) com incremento de 0,5 km/h a cada minuto de teste. Ao final dos 20 metros, o voluntário deverá realizar uma mudança de direção de 180 graus e retornar ao ponto de partida. Ao final de cada estágio, era realizado a coleta sanguínea, para determinar os valores de lactato sanguíneo. O tempo médio de coleta de sangue do lóbulo da orelha 50 segundos. Os participantes realizaram o teste incremental até a exaustão voluntária. Através do protocolo incremental e das coletas de lactato sanguíneo, a cada final de estágio, foi possivel determinar o limiar anaerobio (Lan) seguindo o método visual apresentado por Baldari e Guidetti (2000).
B - Corrida Constante
Após determinação do LAn, os voluntários foram submetidos a três corridas com velocidade constante de acordo o valor da velocidade do estágio de corrida do teste incremental e o valor do limiar anaeróbio. Dessa forma, os participantes realizaram o mesmo deslocamento (20 metros) modificando a forma da trajetória do deslocamento, ou seja, a trajetória em Linha Reta, Semi Círculo e Círculo.
B.01 – Vai e Vem -20 metros - Linha reta
Os voluntários percorreram a distância de 20 metros, deslocando em linha reta. Ao final dos 20 metros, o voluntário realizava a mudança de direção de 180 graus, retornando ao ponto inicial da corrida de 20 metros. O tempo de duração do teste foi de cinco minutos, com velocidade constante, de acordo com a velocidade na qual obteve-se o limiar anaeróbio de cada participante.
A velocidade de corrida durante o teste foi regulada por um sinal sonoro, para que o participante realiza-se a corrida na velocidade na qual obteve-se o Lan. Os voluntários
deveriam completar o percurso de 20 metros exatamente no momento que o som é emitido. Abaixo segue a representação esquemática do teste (Figura1).
Figura 1. Representação esquemática do teste de Vai e Vem Adaptado em deslocamento em linha reta e com velocidade constante.
B.02 – Vai e Vem -20 metros Adaptado Trajetória Curva
Para as trajetórias curvas, mantendo a mesma distância (20 metros), adotou-se dois formatos curvilíneos: Semi Círculo e Círculo. O que diferenciou a trajetória do Semi Círculo para o Círculo, foi o raio de curvatura. O Semi Círculo teve raio de 6,28 metros (Figura 2), enquanto o Círculo teve o raio de 3,18 metros (Figura 3).
O procedimento adotado para a corrida retilínea também foi utilizado para o deslocamento curvilíneo, ou seja, o voluntário percorria os 20 metros e ao cruzar a marcação limítrofe dos 20 metros, o voluntário realizava uma mudança de 180 graus para retornar à posição inicial. O tempo de duração do teste foi de cinco minutos, com velocidade constante, de acordo com a velocidade na qual obteve-se o limiar anaeróbio de cada participante.
A velocidade de corrida durante o teste foi regulada por um sinal sonoro, para que o participante realiza-se a corrida na velocidade na qual obteve-se o Lan.. Os voluntários deveriam completar o percurso de 20 metros exatamente no momento que o som é emitido.
Figura 2. Representação esquemática do teste de Vai e Vem Adaptado (Semi Círculo, raio = 6,28 metros) em deslocamento em trajetória curvilínea e com velocidade constante.
Figura 3. Representação esquemática do teste de Vai e Vem (Círculo, raio = 3,18 metros) em deslocamento em trajetória curvilínea e com velocidade constante.
2.4.4 - Avaliação da Frequência Cardíaca
No estudo foi utilizado um frequencímetro (Polar®, modelo RS800CX) para obter a frequência cardíaca média e pico. O modelo utilizado também foi programado para coletar o intervalo R-R do eletrocardiograma, viabilizando a coleta da variação entre batimentos cardíaco sucessivos, com precisão de um milissegundo (1ms), obtendo informações relacionadas com a Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC). Após as avaliações (corrida incremental e corrida contínua), utilizou-se o software PolarTrain5 para obter os valores da frequência cardíaca (média e pico) e da VFC. As análises da VFC foram realizadas no programa KUBIOS® versão 2.0, com o objetivo de obter os valores da variável não linear SD1, especialmente para avaliação incremental.
A variável SD1 também foi utilizada como ferramenta de avaliação das corridas retilíneas e curvilíneas. Nas análises de corridas contínuas, desconsiderou-se o primeiro e o último minuto, avaliando-se apenas o intervalo do segundo ao quarto minuto.
2.4.5 - Lactacidemia
As coletas de sangue foram realizadas por meio da punção no lóbulo da orelha. Antes de iniciar os testes, realizou-se a coleta em repouso. Para o protocolo incremental, a coleta foi realizada ao final de cada estágio completado e para as corridas constantes, ao final dos cinco minutos do teste.
Uma fração de 25 µl de sangue foi misturada com uma solução de 50 µl de fluoreto de sódio a 1% em tubos Ependorff® e armazenada a -20oC até o momento da análise. e para análise posterior. A lactacidemia foi analisada em lactímetro eletro-enzimático (YSI 1500 Sport, Yellowsprings®).
2.4.6 - Determinação limiar anaeróbio
A identificação do limiar anaeróbio foi feito pelo método visual apresentado por Baldari e Guidetti (2000). A normativa do método consiste na determinação do limiar anaeróbio quando ocorre o segundo aumento do valor da concentração de lactato sanguíneo maior que 0,5 mmol/l em relação ao valor anterior.
2.4.7 - Percepção Subjetiva de Esforço (P.S.E.)
Com o objetivo de obter informações em relação ao tipo de esforço após a corrida continua nas três trajetórias (Linha Reta, Semi Círculo e Círculo) os participantes foram indagados sobre a intensidade de esforço, segundo protocolo sugerido por Foster et al (1998). A pergunta realizada foi: "O quão intenso foi a sua corrida?". Assim, o voluntário procurou classificar ao mesmo tempo que era apresentada uma escala (Tabela 7) com os escores, para proceder adequadamente na classificação do esforço.
Tabela 07: Escada de Percepção Subjetiva de Esforço (Foster, 1998) Percepção Subjetiva de Esforço
0 Repouso
1 Muito, Muito Fácil
2 Fácil 3 Moderado 4 Algo Forte 5 Forte 6 - 7 Muito Forte 8 - 9 - 10 Máximo 2.4.8 - Análise estatística
Os dados foram analisados no ambiente Matlab® 7.5. Os valores experimentais foram expressos em média e desvio-padrão.
Para todas análises estatísticas a normalidade das distribuições foi determinada através do teste Kolmogorov – Smirnov e o nível de significância adotado foi de p<0,05.
Inicialmente foram realizadas as análises da frequência cardíaca - média, pico e VFC (SD1), concentração de lactato sanguíneo, distância média percorrida, PSE e a carga interna nas três trajetórias utilizadas no estudo, realizando o teste ANOVA one way de medidas repetidas. Posteriormente, o mesmo procedimento, ANOVA one way, foi realizado com a amostra dividida entre os grupos G1 e G2. Foi realizado o teste de normalidade da amostra avaliada.