Na contemporaneidade, o capitalismo apresenta características diferentes das de outras épocas históricas, tornando-se quase obrigatório discutirmos os significados da globalização e seus desdobramentos em vários setores da sociedade. É imperioso saber exatamente do que estamos falando, já que
para alguns, globalização é o que devemos fazer se quisermos ser felizes; para outros é a causa da nossa infelicidade. Para todos, porém, globalização é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos (...) estamos todos sendo globalizados (BAUMAN, 1999, p. 7).
Para tal abordagem, achamos por bem esclarecer que não compactuamos com a idéia de ser o capitalismo um “estado natural da humanidade”, e acreditamos ser a globalização, um movimento do mercado capitalista . Tentamos desembaralhar a ideologia que impera em relação ao que acreditamos ser um movimento econômico, político e cultural reversível, como outros tantos que existiram e mudaram na historia da humanidade. Afinal, “o mundo contemporâneo, com seu brilho de mercadoria bem embalada, ofusca a compreensão mesmo dos críticos mais bem intencionados” (JAMESON, 2002, p. 8).
Desta forma, nossa abordagem sobre globalização busca sua base na própria materialidade de um mundo mercantilizado, sem a análise fetichi zada em que a discussão fica no campo negativo ou positivo. Buscamos, assim, não isolar elementos específicos, mas explorar os vários níveis da globalização, não sendo esta apenas cultural e, sim, também política, tecnológica e social, sem nos esquecermos ser esta fruto de um sistema econômico capitalista, que acreditamos influenciar de maneira direta os demais ramos da globalização que estão relacionados entre si. Como nos coloca Jameson:
As tentativas de definir a globalização são, o mais das vezes, só um pouco melhores do que as apropriações ideológicas (...) em outras palavras, apresentam julgamentos que são totalizadores por natureza, ao passo que as descrições funcionais tendem a isolar elementos específicos sem relacioná-los uns com os outros. Assim, pode ser mais produtivo juntar todas as descrições e fazer um inventário de suas ambigüidades, que implica falar tanto sobre fantasias e ansiedades quanto sobre a coisa em si. (JAMESON, 2002, p. 17)
A atual globalização possui particularidades que a distinguem de outros períodos históricos, como o século XIX , em que ocorreu a internacionalização do capital. Se procurarmos datar seu desenvolvimento, podemos afirmar que nasceu nos anos 70, devido à necessidade do capitalismo de superar mais uma crise dentro do processo de produção, como as que aconteceram anteriormente, em diferentes estágios de seu desenvolvimento. O ímpeto à globalização, no entanto, deu-se nos anos 80 e 90 e continua até a atualidade. Essa crise por que passou o sistema em pauta exigiu novas mudanças estruturais na dinâmica de reprodução, comercialização e consumo de mercadorias, tornando-se a própria crise o impulso necessário para buscar a consolidação de novas formas de produção. Para isso, foram fundamentais novas tecnologias que deram base para a recente reestruturação produtiva, característica da própria dinâmica do capital, que tem por base a produção de mercadorias, como bem assevera Giovanni Alves:
de certo modo a globalização, ou seu processo em marcha, se identifica com a própria característica do movimento do capital, considerado por Marx um processo contraditório, a própria contradição em processo, uma relação social voltada para a valorização do valor, para a produção de mercadorias. E o que é o mundo moderno, com a globalização, senão um imenso
shopping center? (ALVES, 1997, p. 165).
Podemos entender, dessa forma, que o processo pelo qual estamos passando está vinculado à própria dinâmica do capital e sua reprodução de mercadorias, agora em escala global, característica que torna o sistema em pauta diferente de todas as formas anteriores de produção, como já levantado pelo grande pensador crítico do sistema capitalista Karl Marx. Sendo assim, este sistema também é a base material para o desenvolvimento cultural, político e ideológico da atualidade, ou seja, traz em si determinações estruturais que são dadas pelo contínuo desenvolvimento de novas tecnologias, com fortes impactos na sociabilidade da humanidade, abrangendo vários segmentos da vida cotidiana dos indivíduos, como a própria alimentação.
Diante deste contexto, nosso trabalho entende ser a fast-food a imagem característica desse padrão alimentar que tem como seu representante principal a rede McDonald’s. Essa cadeia é, hoje, a maior do mundo, presente em 117 países. O McDonald’s ostenta o título de uma das marcas de maior penetração internacional e uma das mais conhecidas mundialmente, alcançando o reconhecimento entre uma das marcas globais mais poderosas. Segundo uma pesquisa de The New Press, a
empresa de fast-food aparece como um dos símbolos mais conhecidos do Planeta. A própria pesquisa aponta que , atualmente , é um símbolo mais conhecido que a cruz cristã.
Seus 26.000 mil restaurantes espalhados pelo mundo servem, por dia, mais de 40 milhões de pessoas, o que nos leva a deduzir que existe um gosto global “mcdonaldizado”. Seu sistema de produção e fabricação padronizado, até mesmo por parte de seus fornecedores, permitiu que se encontrasse em todo canto do mundo a familiaridade de seu tempero, bem como o mais global de todos os sanduíches: o Big Mac, que, dado a sua alta padronização e universalização, foi transformado pela revista inglesa The Economist em “moeda”, ou seja, serve como indicador de comparação cambial entre as moedas das principais economias do mundo.
Podemos afirmar que, no mundo globalizado e racionalizado, a instantaneidade avança para várias áreas, chegando à alimentação; desta forma, está posta a necessidade de refeições rápidas e do uso de tecnologia para o preparo. Tudo isto porque o tempo é um elemento fundamental para concretização deste modelo de produção de um alimento específico, a “comida rápida”.