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I. Etat de l’art

3. Augmentation de la capacité des fibres multimodes : les techniques MIMO

3.2. Le MIMO optique

A parte interior das molduras possui uma ranhura que permite a inserção dos painéis, tal como as molduras retabulares standard dos países do norte da Europa (WADUM, 1998: 161). Este sistema de encaixar os painéis em molduras com ranhuras interiores predominou na pintura flamenga até c. 1520 (VEROUGSTRAETE, 2015: 66). A parte exterior possui igualmente ranhuras, mas apenas nas laterais. No caso da moldura do Martírio de S. Sebastião, a lateral esquerda da moldura já não possui essa ranhura, podendo esta estar já bastante frágil e ter sido cortada.

As marcas existentes no verso das molduras sugerem que foram usadas serras manuais e enxó, predominando uma e outra na moldura de Santa Luzia e do Martírio de S. Sebastião, respetivamente (Figura 58).

Relativamente ao sistema de ensamblagem, todos os cantos foram unidos com ligação macho fêmea com respiga de fora a fora travada por uma cavilha circular de madeira em cada canto. A linha de corte das ensamblagens é direita horizontalmente no verso e mista (combina uma união direita horizontal com uma união diagonal) na frente (Figura 59).

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Figura 58 - Marcas de serra manual no verso da moldura de Santa Luzia (a) e de enxó no verso da moldura do Martírio de

S. Sebastião

Figura 59 - Esquema do sistema de assemblagem das molduras (a, b) e perfis dos elementos horizontais (c) e verticais (d)

As molduras flamengas desta época apresentam uma enorme variedade de sistemas de encaixe, estando a sua evolução relacionada quer com o efeito estético, quer com a sua força e resistência. Destacam-se os cortes com ângulo reto, os cortes com ângulo a 45º e os cortes que combinam os dois anteriores (VEROUGSTRAETE, 2015: 50). Embora com uma ligeira variação, é neste último tipo de corte que as molduras em estudo se enquadram. Para além do corte, o sistema de encaixe das molduras variava igualmente no que refere ao mecanismo que garantia a sua união, havendo também diversas formas de o fazer (VEROUGSTRAETE, 2015: 50). Neste caso, as molduras em estudo enquadram-se no grupo dos encaixes de furo e respiga. Nenhum dos esquemas apresentados por H. Verougstraete correspondem exatamente às ligações das molduras em estudo, mas um deles apresenta muitas semelhanças (Figura 60), sendo que é nas travessas horizontais que existe a respiga e nas laterais o furo, enquanto que nas molduras em estudo ocorre o contrário.

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4.5.3. Camada de preparação

A camada de preparação das molduras foi analisada por FTIR (Figura 61).

Figura 61 - Espectro FTIR da amostra ES e de referência do gesso (RRUFF Project, Gypsum R040029) Embora com menor absorção, as bandas coincidem com as do espectro de referência do gesso.

4.5.4. Camada pictórica

Foram recolhidas três amostras de cada uma das molduras (de cada uma das áreas onde se verificou a sobreposição de mais de uma cor), tendo essas áreas sido igualmente analisadas por FRX. Uma vez que as amostras de cada uma das pinturas são idênticas, aqui apenas serão apresentados os resultados das amostras mais representativas, podendo o conjunto dos resultados ser consultado no Anexo IV p.135-165.

A Figura 62 mostra o corte estratigráfico da amostra recolhida do friso azul da moldura do Martírio de S. Sebastião e também a sua observação com o microscópio digital manual.

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É visível a camada de preparação branca, sobre a qual foi aplicada uma tinta vermelha, uma castanha/cinza e, por fim, uma azul.

O espectro FRX (Figura 63) detetou a presença de chumbo, ferro, mercúrio e, possivelmente, zinco.

Figura 63 - Espectro FRX do ponto SS1

A presença de mercúrio deverá estar relacionada com o uso de vermelhão na camada vermelha. Quanto à camada azul, uma vez que não foi detetado cobre nem cobalto, pode-se excluir o uso de azurite e azul de cobalto.

A segunda amostra foi retirada do friso central da moldura, onde era visível um marmoreado vermelho e branco sobre uma camada de um vermelho mais luminoso.

O corte estratigráfico e a observação com o microscópio digital manual (Figura 64) permitiram perceber que, sobre a camada de preparação branca existem três camadas de tinta: preta, vermelho alaranjado e por fim um marmoreado vermelho e branco.

57 O espectro FRX da amostra (Figura 65) mostrou a presença de chumbo, mercúrio e ferro, revelando que deverá existir branco de chumbo e vermelhão nas duas policromias mais à superfície.

Figura 65 - Espectro FRX do ponto SS2

A última amostra foi recolhida do friso interno onde era visível uma camada dourada sob o marmoreado vermelho e branco.

No corte estratigráfico e com o microscópio digital manual observou-se a existência de três camadas sobre a camada de preparação: camada dourada, camada castanha e marmoreado vermelho e branco (Figura 66).

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A análise por FRX à área onde foi recolhida a amostra foi realizada em dois pontos: um sobre o vermelho (Figura 67a) e outro sobre o dourado (Figura 67b), de modo a perceber se este último era folha de ouro.

Figura 67 - Espectros de FRX: vermelho (a) e dourado (b)

Na área vermelha foi detetado chumbo, mercúrio e ferro, enquanto que na área dourada foi detetado chumbo, ouro, ferro e cobre.

59 Tal como na amostra anterior, o marmoreado vermelho e branco deverá ser composto por vermelhão e branco de chumbo. Já na camada dourada confirma-se a presença do ouro e do cobre, constituintes da folha de ouro.

Estes resultados permitiram perceber que inicialmente as molduras teriam um friso central preto, um friso interior dourado e dois frisos exteriores apenas nas partes laterais vermelhos, conforme mostra o esquema da Figura 68.

Figura 68 - Esquema relativo à policromia original das molduras

Embora as preferências quanto à cor das molduras tenham mudado ao longo do tempo, as cores vivas, particularmente vermelhas, foram bastante populares nos séculos XIV e XV na Flandres. A partir de meados do século XV usou-se marmoreados vermelhos com um friso interno dourado (VEROUGSTRAETE, 2015: 92) e o preto começou a dominar, sendo, em muitos casos, acompanhado também de um friso dourado ao redor da pintura (VEROUGSTRAETE, 2015: 87). A partir do início do século XVI, a maioria das policromias limitam-se precisamente a um friso interno e próximo da pintura dourado, e a restante moldura era pintada de preto ou castanho (VEROUGSTRAETE, 2015: 89), o que, de um modo geral está de acordo com o que é observado nestas molduras.