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Middle East Mashreq

Dans le document human rights and peacebuilding (Page 60-70)

Conflict overview 2018

1. Armed conflicts

1.3. Armed conflicts: annual evolution

1.3.5. Middle East Mashreq

Para a apresentação do processo de análise e tratamento dos dados coletados por meio da entrevista aplicada nesta dissertação, vali-me da técnica da análise de conteúdo.

Franco (2008, p. 23) afirma ser “[...] um procedimento que se situa em um delineamento mais amplo da teoria da comunicação e tem como ponto de partida a mensagem”. Neste tipo de análise, Bardin (2011) afirma que posso lidar com comunicações para pretender conhecer o que está invisível, pois se encontra além dos significados imediatos da mensagem e,

como menciona Minayo (2012, p. 94), “[...] podemos caminhar na descoberta do que está por trás dos conteúdos manifestos, indo além das aparências do que está sendo comunicado”.

Segundo Bardin (2011, p. 37), “A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações”, um método com características empíricas e que depende da dedicação ao que se fala e de como se interpretam os dados.

Na prática dessa metodologia, está a análise de informações que podem ser encontradas em documentos, que conforme Severino (2007, p. 121) está sob a “[...] forma de discursos pronunciados em diferentes linguagens: escritos, orais, imagens, gestos. Um conjunto de técnicas de análise de comunicações. Trata-se de se compreender criticamente o sentido manifesto ou oculto das comunicações”.

O domínio da aplicação da análise de conteúdo está no código escrito e oral de uma pessoa (um monólogo), assim como os documentos levantados pela necessidade do estudo, os registros de entrevista são um deles, são todos submetidos à análise (BARDIN, 2011).

Como procedimento de análise de conteúdo está a apresentação do “compreender” ao que Bardin (2011, p. 38) declara: “Em última análise, qualquer comunicação, isto é, qualquer veículo de significados de um emissor para um receptor, controlado ou não por este, deveria poder ser escrito, decifrado pelas técnicas de análise de conteúdo”.

Nesse contexto, a análise de conteúdo tem a possibilidade de contribuir para as pesquisas qualitativas com o fornecimento de informações ricas e material completo de comunicação oral ou verbal (BARDIN, 2011). O conjunto de técnicas contribui para a análise de mensagens, discursos, para a busca de significados em mensagens, que podem “[...] ser verbais (orais ou escritas), gestuais, figurativas, documentais”, segundo Severino (2007, p. 121). Sobre as comunicações da análise, Franco (2008, p. 12) declara que “As mensagens expressam as representações sociais na qualidade de elaborações que se estabelece entre a atividade psíquica do sujeito e o objeto do conhecimento” (FRANCO, 2008, p. 12).

Quando lido com problemas referentes à prática humana, a análise de conteúdo pode utilizar como meio “As linguagens, a expressão verbal, os enunciados, são vistos como indicadores significativos, indispensáveis para a compreensão dos problemas ligados às práticas humanas e a seus componentes psicossociais” (SEVERINO, 2007, p. 121).

Busco nas mensagens e por meio das análises, as realidades que podem aparecer. Na análise de conteúdo, o objetivo é investigar as mensagens para trazer as evidências aos indicadores e, assim, inferir sobre a realidade apresentada. Por meio de entrevistas semidiretivas (semiestruturadas) é possível proceder com o registro e a transcrição integral, bem como das inferências de características das falas das pessoas, como hesitação, risos, silêncios, entre outras. O material decorrente da entrevista pode ser considerado rico e complexo, no entanto qualitativo e indispensável para a técnica adotada (BARDIN, 2011).

Do registro das entrevistas, realizo o recorte da informação e divido em categorias; Bardin (2011) considera que uma das técnicas da análise de conteúdo é a análise categórica temática.

Posso visualizar essa declaração quando analiso a definição de análise de conteúdo descrita por Bardin (2011, p. 48), que diz o seguinte:

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de

produção/recepção (variáveis inferidas) dessas

mensagens.

Por considerar as mensagens como o produto de uma entrevista a ser utilizada nesta dissertação, concordo com Bardin (2011), quando da afirmativa de que lidar com as falas de pessoas e a esses indivíduos é concedido o direito de dizer o que precisa ser dito de acordo com a sua vontade e espontaneidade. Da subjetividade de cada participante surge uma fala do que viveu, sentiu e pensou sobre algo que está em questionamento.

Pela linguagem o sujeito fala e descreve a experiência vivida, ele pode dizer sobre acontecimentos, práticas, crenças etc., guardados na sua memória. As condições do seu contexto declaram a evolução histórica, sociais e culturais da humanidade da realidade dos sujeitos. Quando o indivíduo faz isso, ele demonstra a capacidade da competência que têm para saber decodificar os códigos linguísticos e, assim conseguir externalizar: pensamentos, percepção, juízos, valores, emoção, afetividade, e; conseguir mostrar como ele representa o que é consciente e inconsciente também. Por esses motivos é que a análise de conteúdo é complexa e delicada em seu fazer (FRANCO, 2008; BARDIN, 2011). Lembra Merleau-Ponty (2002, p.

36, grifo do autor) que “A linguagem nos conduz às coisas mesmas na exata medida em que, antes de ter uma significação, ela é significação”.

Na análise de conteúdo, é possível encontrar traços de fenomenologia e estética filosófica; esta quando da “[...] abordagem ad hoc, que procura compreender a partir do interior da fala de uma pessoa, lembra talvez a atitude de empatia [...]”; aquela quando da análise exigir esforço e intuição, pois “[...] na medida em que, cada nova entrevista, é necessário fazer uma abstração de si próprio e das entrevistas anteriores” (BARDIN, 2011, p. 96, grifo da autora).

Quando o indivíduo tem a “compreensão” do outro, e exerce a “empatia”, o outro “[...] é um eu generalizado [...]” (MERLEAU-PONTY, 2002, p. 172). Quando me coloco no lugar do outro, tenho aí a ligação com a estética; enquanto que a “abstração de si próprio e das entrevistas anteriores” é um ato que se inter-relaciona com a fenomenologia, quando da suspensão da crença, de olhar como quem dá um passo para trás para ver o todo.

Feita a apresentação de Análise de Conteúdo, apresento o método. De acordo com Bardin (2011), na organização da comunicação ou mensagem para a análise, posso considerar diferentes fases organizadas em três polos cronológicos:

1) a pré-análise;

2) a exploração do material;

3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação (BARDIN, 2011, p. 125).

Na fase da pré-análise, o investigador lida com a organização dos dados, com a possibilidade de intuições, trata-se de um período de operacionalizar e sistematizar as ideias em um esquema preciso para o andamento das etapas na elaboração do plano de análise. Procede com a “leitura flutuante”, o primeiro contato para conhecer o documento; nesse processo tira impressões e segue com orientações extraídas do texto. Após a leitura, ele tem a condição de estabelecer a priori quais são os documentos adequados que farão parte do universo de informações que vão ao encontro do problema levantado para o trabalho da análise de conteúdo. Eleito o corpus da análise, pela aplicação da regra da exaustividade, ele precisa levar em consideração todos os elementos possíveis para a análise, constantes nos documentos, nesse processo ele não pode descartar qualquer aspecto por uma razão ou outra. Destaca nessa fase, as condições sociais,

políticas e históricas que possam surgir nas mensagens (FRANCO, 2008; BARDIN, 2011).

Dessa feita, as entrevistas realizadas com os bibliotecários da Biblioteca Pública de Santa Catarina são transcritas com toda a riqueza de detalhes do que foi dito. As impressões e as observações feitas durante o procedimento da entrevista foram registradas no diário de campo. Os documentos que fazem parte do corpus documental nesta análise de conteúdo são as transcrições das entrevistas.

Assim sendo, Bardin (2011) sinaliza que alguns índices podem ser retidos, como é o caso de expressões, frases não concluídas, repetições, gagueiras, sons incoerentes, entre outros. Os índices quando aparecem frequentemente podem vistos como o indicador do estado emocional dos indivíduos.

A fase de exploração do material se constitui da seguinte condição: “Se as diferentes operações da pré-análise forem convenientemente concluídas, a fase de análise propriamente dita não é mais do que a aplicação sistemática das decisões tomadas” (BARDIN, 2011, p. 131).

Na terceira fase da análise de conteúdo está o tratamento dos resultados obtidos e interpretação. A transcrição das entrevistas dos bibliotecários, na íntegra, pode ser considerada como um procedimento que está no fim de um processo, em que “Os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos (‘falantes’) e válidos” (BARDIN, 2011, p. 131).

Quando o investigador analisa os resultados, ele pode inferir sobre os dados e tem como fazer interpretações de acordo com os objetivos estabelecidos. No exercício da análise de conteúdo, há como escolher por codificar as obtenções de resultados. Bardin (2011, p. 133) aponta que “A organização da codificação compreende três escolhas (no caso de uma análise [...] categorial): o recorte: escolha das unidades; a enumeração: escolha das regras de contagem; a classificação e a agregação: escolha das categorias” (BARDIN, 2011, p. 133).

Desse modo, quem investiga precisa escolher a unidade de registro, “[...] a menor parte do conteúdo, cuja ocorrência é registrada de acordo com as categorias levantadas” (FRANCO, 2008, p. 41). Ela, ainda, pode ser o tema. Na análise por eixos temáticos, é necessário encontrar o núcleo de sentido da comunicação e verificar a presença e frequência em que ele aparece. O recorte feito para compor a categoria do eixo temático ocorre

das expressões do falante a respeito de motivações, opiniões, atitudes, valores, crenças, tendências etc. nos discursos (BARDIN, 2011).

A unidade de contexto, segundo Franco (2008), pode ser o pano de fundo e dá o significado para a unidade analisada. Como exemplo, está a caracterização dos participantes da entrevista, as condições do contexto, o que os qualifica para a inserção no grupo, entre outras. Bardin (2011, p. 137) explica que esse tipo “[...] serve de unidade de compreensão para codificar a unidade de registro e corresponde ao segmento da mensagem, [...] para que se possa compreender a significação exata da unidade de registro” (BARDIN, 2011, p. 137). Para Franco (2008), a unidade de contexto é a informação elaborada por meio da experiência e da vivência dos participantes, a fala transformada em mensagem personalizada e socialmente construída.

Como exemplo de unidade de contexto, tenho a seguinte consideração: ela pode “[...] ser a frase para a palavra e o parágrafo para o tema” e precisa seguir uma regra para a enumeração das unidades, que é “[...] o modo de contagem”, que nesse caso, nós temos a frequência como medida de contagem (BARDIN, 2011, p. 138). Referente à unidade de contexto, Minayo (2012, p. 87) declara que “[...] devemos compreender o contexto da qual faz parte a mensagem que estamos analisando”.

Como técnica aplicada para a análise de conteúdo, utilizei a análise categorial, que segundo Bardin (2011, p. 201),

Funciona por operações de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamentos analógicos. Entre as diferentes possibilidades de categorização, a investigação dos temas, ou análise temática, é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos diretos (significações manifestas) e simples.

A categorização é um procedimento de análise de conteúdo com operações de classificação por critérios definidos previamente. Neste caso, o critério de categorização é semântico, com o emprego de categorias temáticas por meio de ajustes da realidade dada. No processo de tratamento dos resultados obtidos, o investigador agrupa os elementos por semelhança e os isola, compondo um inventário; assim como, classifica-os em estruturas que oferecem organização para os elementos das mensagens (BARDIN, 2011).

Bardin (2011) procura explicar que boas categorias decorrem de qualidades como: a exclusão mútua (uma divisão por elemento), caso haja a necessidade, é possível adaptar a regra e com o princípio da multicodificação (quando de temas diversos); a homogeneidade (um registro, uma dimensão da análise) no caso da multicodificação, torna-se precisos realizar em múltiplas análises; a pertinência (quando pertencente ao quadro teórico); a objetividade e a fidelidade (manter a constância na codificação e evitar distorções e variações de juízos); a produtividade (com resultados férteis em índices de inferências, novas hipóteses e exatidão dos dados).

Minayo (2012) resume bem os procedimentos metodológicos da análise de conteúdo, que segundo ela, compreendem as seguintes fases: categorização, inferência, descrição e interpretação. O mais frequente processo de utilização sequencial é:

a) decompor o material a ser analisado em partes (o que é parte vai depender da unidade de registro e da unidade de contexto que escolhemos);

b) distribuir as partes em categorias;

c) fazer uma descrição do resultado da categorização (expondo os achados encontrados na análise);

d) fazer inferências dos resultados (lançando-se mão de premissas aceitas pelos pesquisadores);

e) interpretar os resultados obtidos com auxílio da fundamentação teórica adotada (MINAYO, 2012, p. 88).

Não há algo pronto ou uma receita a seguir; a cada análise de conteúdo é necessário que ela seja reinventada, de acordo com Bardin (2011), enquanto Minayo (2012) atenta para a informação de que nem toda análise de conteúdo segue a mesma trajetória, pois ela depende de condições como: o propósito da pesquisa, o objeto de estudo, a natureza do material disponibilizado e a perspectiva teórica adotada.

Como metodologia para a análise e interpretação dos dados considero uma mudança de paradigma para a Ciência da Informação o uso da abordagem fenomenológica. O paradigma, segundo Josgrilberg (2004, p. 31) é um modelo adotado,

Designa os princípios gerais e teoréticos aceitos, que fornecem um padrão de investigação de uma comunidade científica e que são ensinados como

necessários para o avanço da ciência. As revoluções científicas acontecem por esgotamento de um paradigma e pelo surgimento de um novo paradigma.

Não ouso dizer que os padrões existentes estejam defasados ou esgotados, mas faço a sugestão do aceite de trabalhos que vislumbrem o uso da fenomenologia como método de investigação, vista como método e não como filosofia, como orienta Josgrilberg (2004).

Josgrilberg (2004) cita a adoção do paradigma fenomenológico como aquele que favorece as perguntas para buscar fundamentos. Neste método, as perguntas são respondidas com relação aos processos internos para deixar surgir o significado fundamental do que é feito ou percebido, preocupa-se com o sentido das coisas.

Na fenomenologia o pesquisador que se utiliza deste método descreve e não explica, analisa o vivido e assim o real deve ser descrito por aqueles que se propõem a utilizar o método, não construído ou até mesmo constituído (MERLEAU-PONTY, 2011). Por esse método que pretendo fazer aparecer a estética por meio da entrevista com os bibliotecários da Biblioteca Pública de Santa Catarina.

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