a) A educação centrada no aluno:
Esta matéria já foi muito evidenciada no capítulo anterior. Encontramos agora descritos os seguintes objetivos:
Fábrica da Criatividade de Óbidos: estudo exploratório e perceções sociais
«Promover a autonomia das crianças/alunos no espaço educativo; favorecer a aprendizagem das crianças/alunos incorporando diferentes modelos de ensino-aprendizagem; favorecer no espaço de aprendizagem um diálogo entre todos. Atribuir à criança/aluno um papel ativo e participativo nas diversas ações da comunidade educativa» (PEEO, 2012:7).
O que acabamos de ler, podemos interpretar como princípios de universalidade numa educação moderna e já assumidos na Fábrica da Criatividade com outra linguagem.
Como estratégias de ação damos nota:
«Apostar em metodologias socioconstrutivistas na gestão curricular e no desenho da prática pedagógica; apoiar a organização de projetos de educação não formal e informal; organizar a pedagogia em torno de projetos que se articulem entre si, procurando múltiplas possibilidade de aprendizagem e de respostas às necessidades individuais das crianças/alunos. Modificar, adaptar ou elaborar novas abordagens de ensino- aprendizagem, em resposta às necessidades, interesses e preferências de aprendizagem dos alunos» (p.7).
Interrogamo-nos das dificuldades de um corpo docente de um agrupamento habituado a um modelo ministerial para o qual foi formatado, impelido e atento ao cumprimento de um programa curricular. Como “abrir-se” à organização de projetos comuns, organizar as pedagogias em torno dos mesmos, conseguir tempo para as múltiplas possibilidades de aprendizagem mesmo com os ventos favoráveis do citado despacho normativo (o da autonomia) 13-A /2012 de 5 de junho. Estamos em crer que estes questionamentos poderão ser solúveis e guardamo-nos para as conclusões deste trabalho.
b) Criatividade e inovação.
Relembramos o início do capítulo I sobre esta temática bem como toda a descrição do capítulo IV. Encontramos de novo um princípio que já lêramos antes:
«A educação deve potenciar na criança/aluno capacidades pessoais tais como, a criatividade, o espírito de iniciativa e a autonomia, que contribuem para um desenvolvimento de uma atitude empreendedora útil para a integração no meio social e a sua transformação progressiva ao longo da vida» (PEEO, 2012:7).
Fábrica da Criatividade de Óbidos: estudo exploratório e perceções sociais
«Integrar a criatividade nas práticas pedagógicas dos docentes; a apoiar a partilha de estratégias criativas e inovadoras entre educadores/ professores; divulgar iniciativas que reforcem o uso da criatividade no processo educativo e que reforcem as competências criativas, numa lógica de incubadoras pedagógicas» (p.8).
E o tal questionamento de cruzamento de paradigmas recoloca-se. Olhemos as estratégias previstas:
«Construção de projetos pedagógicos e curriculares inovadores que respondam aos desafios da abordagem Óbidos Criativa inserindo-os nas Incubadoras Pedagógicas; utilização dos diferentes espaços e projetos do programa Fábrica da Criatividade, como instrumentos de apoio à aprendizagem; desenvolvimento de contratos de autonomia com o Ministério da Educação que viabilizem o desenvolvimento de projetos inovadores, identificando zonas de liberdade nos conteúdos curriculares, programáticos e pedagógicos. Integração do projeto educativo no plano e estruturas municipais de estímulo à economia criativa» (p.8).
Esta admirável descrição interroga-nos o modo de aplicabilidade / processo de desenvolvimento sobre o modus operandi dos projetos pedagógicos curriculares, a sua articulação/incubadoras pedagógicas com o meio empresarial e as ligações à economia local. Tais estratégias, no seu conjunto, suscitam-nos questionamentos de implementação para não falarmos de seleção. Muitas destas ideias já as encontráramos no capítulo anterior.
C) Investigação e documentação
«Associado ao PEEO é criada a comissão científica da Abordagem Óbidos Criativa que ajudará a escola a implementar estudos de investigação e Investigação-Acção sobre os projetos desenvolvidos nas escolas e Jardins de Infância do Concelho de Óbidos. Esta comissão será constituída por elementos associados a Centros de Investigação, Instituições do Ensino Superior, nomeadamente Universidades e Politécnicos, investigadores individuais e outras instituições educativas e culturais que ajudarão a comunidade educativa a criar um modelo mais eficaz para responder aos objetivos do PEEO» (p.9).
No organograma da criatividade (3.7/ anexos p. II) e no quadro da p.55 encontramos uma célula designada como OBITEC. Esta é a sigla da associação gestora do parque tecnológico (living lab), na qual se conta com a intervenção da Universidade Técnica de Lisboa e a de Coimbra, M.I.T. de Massachusetts e a associação local Óbidos.com,
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representativa do meio empresarial. O papel das instituições de ensino superior na colaboração / superintendência da economia local é extensivo, qual garante de acompanhamento e credibilidade/certificação, também à vertente educacional, ora com a designação de comissão científica da abordagem Óbidos Criativa. Detenhamo-nos nos objectivos:
«Desenvolver estudos de investigação sobre as práticas e projetos desenvolvidos na comunidade educativa; promover um modelo específico de formação contínua de educadores/ professores; criar uma rede de parceiros Nacionais e Internacionais de apoio à implementação da abordagem Óbidos Criativa» (p.9).
Notamos uma abertura ao exterior e/ou uma disponibilidade gratuita enquanto comunidade educativa, para alvo de investigação com aparente permissividade para um modelo de formação de docentes, quiçá animadores. A rede de parcerias nacionais e estrangeiras, volta a ser referida, (ou repetida) tal como atrás se abordou em 3.5. quanto à economia e desenvolvimento da criatividade pelas REC (rede das economias criativas). Mas…quanto a isto, que estratégias o PEEO quer adotar?
«Organização de uma Conferencia Anual Internacional Óbidos Criativa; submissão de candidaturas com financiamento comunitário de apoio; criação de registos documentais sobre as práticas pedagógicas; produzir e publicar livros e artigos científicos; criar e desenvolver um plano de formação para docentes assentes nas suas reais necessidades»
Curiosamente muito deste parágrafo é proveniente do descrito em 4.7.10 - subtítulo “laboratório das ideias”. Aceite-se a confirmação e é de bom grado registar a coerência/continuidade.