3. Étude, évaluation et mise en valeur
3.2 ETUDES DES EAUX SOUTERRAINES
3.2.2 METHODES GEOPHYSIQUES .1 Aspect des méthodes géophysiques
O Século XXI poderá ser o século das descobertas neurocientíficas. O desenvolvimento tecnológico, em especial as técnicas de neuroimagem estrutural e funcional, vem promovendo um maior entendimento dos mecanismos neurobiológicos subjacentes ao comportamento e cognição, na normalidade ou patologia. As terapias com células-tronco, psicofarmacologia, robótica, técnicas modernas de neurocirurgia, para citar algumas, buscam, incessantemente, aperfeiçoar o tratamento de diversas afecções neurológicas que limitam a vida de milhões de pessoas no mundo inteiro, como as doenças de Alzheimer, Parkinson, Esclerose Múltipla, Lesões Medulares, entre outras.
Em 2014, o mundo inteiro presenciou, durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Brasil, um jovem paraplégico portando um exoesqueleto, chutar uma bola. Na realidade, este fato é somente um dos mais incríveis resultados de experimentos científicos realizado por neurocientistas da área da neurotecnologia.
Percebe-se que o desenvolvimento neurocientífico ancorado no desenvolvimento tecnológico vem gerando impacto em diversos campos, ganhando destaque em revistas e congressos da área e, inclusive, em manchetes de revistas de divulgação científica de ampla circulação, em que se divulga a descoberta dos mecanismos cerebrais subjacentes ao funcionamento mental, bem como a possibilidade de usar este conhecimento no tratamento de doenças mentais, compreensão do desenvolvimento infantil, prevenção de problemas da velhice, promoção da inteligência e outras faculdades mentais (RUSSO; PONCIANO, 2002). Segundo Ribeiro (2013, p. 7),
(...) as neurociências fascinam cada vez mais pessoas pela possibilidade de compreensão dos mecanismos das emoções, pensamentos e ações, doenças e loucuras, aprendizado e esquecimento, sonhos e imaginação, fenômenos que nos definem e constituem. Mais concretamente, profissionais de saúde, terapeutas, professores e legisladores podem agora se apropriar da imensa massa de dados empíricos sobre genes, proteínas, células, circuitos e organismos inteiros (RIBEIRO, 2013, p. 7).
Embora exista interesse pelo estudo do cérebro e suas relações com o comportamento e cognição, as questões neurocientíficas têm fascinado o homem
desde os tempos mais remotos. O interesse é evidenciado desde o paleolítico, no qual indícios de neurocirurgia (técnica chamada de trepanação) foram constatados com o intuito de liberar maus espíritos que habitavam o cérebro de pessoas com sintomas psiquiátricos. Os papiros faraônicos de aproximadamente 3.000 A.C. indicam que os egípcios, mesmo dispondo de poucos recursos, possuíam grande conhecimento sobre as funções do cérebro, especialmente as motoras (TONI et al., 2005).
Entretanto, seguramente pode-se afirmar que houve uma evolução significativa no estudo das relações entre cérebro, comportamento e cognição a partir do século XIX, com os estudos do anatomista Franz J. Gall (1758 – 1828). Gall desenvolveu a técnica de cranioscopia (mais tarde chamada de frenologia) para estudar as diferentes faculdades mentais que ele acreditava estarem correlacionadas com depressões e protuberâncias no crânio dos seus pacientes (TONI et al., 2005).
Não cabe aos propósitos desta tese realizar uma descrição minuciosa acerca da história da neurociência, mas convém citar alguns importantes cientistas que contribuíram para o nascimento e desenvolvimento desta área, como Paul Broca (1824-1880) e Carl Wernicke (1848-1905), os quais a partir de investigações científicas descobriram as áreas cerebrais responsáveis pela expressão e compreensão da linguagem, respectivamente. Os termos atualmente utilizados afasia de Broca (perda da expressão da linguagem) e afasia de Wernicke (perda da compreensão da linguagem) foram criados em homenagem aos seus respectivos descobridores (TONI et al., 2005).
Sem dúvida um trabalho que merece destaque, por marcar o início da Neurociência moderna, é o do histologista espanhol Santiago Ramon y Cajal (1852 – 1934). Ramon y Cajal não é considerado nem pai nem pioneiro da neurociência, porém em função das suas enormes contribuições neuro-histológicas, é considerado um dos pioneiros das ciências neurais, um importante componente da neurociência (PARRA et al., 2011).
A literatura científica mostra que as maiores construções neurocientíficas ocorreram nos últimos 100 anos, em que muitos aspectos da fisiologia, bioquímica, farmacologia e estrutura do cérebro dos vertebrados foram compreendidos (GOSWAMI, 2004). Contudo, somente a partir dos anos 90, período consagrado pelo governo dos Estados Unidos como “década do cérebro”, que o interesse e pesquisas relacionadas ao cérebro aumentaram consideravelmente (VENTURA, 2010). De fato, a partir desta época, a mídia passou a divulgar com bastante ênfase as construções
científicas da área, como o desenvolvimento tecnológico presente em modernas técnicas de neuroimagem estrutural e funcional e outros recursos tecnológicos sofisticados que permitem analisar detalhadamente, as estruturas cerebrais em pleno funcionamento (CARVALHO, 2011).
A neurociência vem se desenvolvendo de forma bastante satisfatória no Brasil, no qual se encontra representada pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (Sbnec), Academias Brasileiras de Neurologia (ABN) e Psiquiatria (ABP), Sociedades Brasileiras de Neuropsicologia (Sbnp), Psicologia (SBP), de Farmacologia e Terapêutica Experimental (SBFTE), Fisiologia (Sbfis) e Bioquímica (Sbbq), além da Brazilian Research Association on Vision and Ophthalmology (BRAVO). Há programas de pós-graduação stricto sensu em Neurociências e Psicobiologia na Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como vários outros programas como bioquímica, biofísica, farmacologia, fisiologia, psicologia entre outros com linhas de pesquisa na neurociência. Os temas de estudo dos principais neurocientistas brasileiros são: memória, psicofarmacologia, sistema visual, comportamento animal e neuroetologia, epilepsia, organização funcional do sistema nervoso, nutrição, sono e cronobiologia, desenvolvimento e funções neurais, doenças mentais, neurociência computacional e neurodegeneração em acidente vascular cerebral e doença de Parkinson (VENTURA, 2010).
É importante lembrar que o conhecimento científico gerado pela neurociência pode, também, trazer implicações negativas para a sociedade. É sabido que os neurocientistas vêm gerando importantes contribuições sobre os mecanismos neurais subjacentes a desordens neurodegenerativas (Doenças de Alzheimer, Parkinson) e outras doenças debilitantes, como as doenças psiquiátricas. Em contrapartida, o desenvolvimento da neuropsicofarmacologia e da indústria farmacêutica são acompanhados de um aumento significativo de pessoas que ingerem medicamentos psicotrópicos de forma indiscriminada, caracterizando uma verdadeira epidemia de distúrbios psiquiátricos (RIBEIRO, 2013).