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5.2.2 Mesures ` a haut champ dans Eu-LSCO

O insucesso na formação académica pode ser concebido como o resultado de fatores internos e externos que se vão acumulando, no decorrer da vida escolar e revela o seu estágio de superação, aquando da escolha da carreira profissional. Diversos autores defendem a ideia de que o que causa o insucesso é a falta de integração relativamente ao curso e à instituição.

Palma (2007), Machado (2009), Moussatche (2009), Adachi (2009), Rochael (2011) e Zordan (2012), por exemplo, assinalam como decisivo para a permanência do aluno a integração académica e destacam que essa falta de integração, certamente, ocasionará o abandono.

Albuquerque Filho (2009), Lara (2011) e Gurgel (2011) associam o abandono às relações familiares ou de trabalho; Comarella (2009) atribui-o ao pouco tempo que os formandos têm para se dedicarem aos estudos; Barros (2010), Marcelino (2010) e Souza (2009) acreditam que a dificuldade de aprendizagem está na base do problema; e Moura (2009), Assis (2009), Baggi (2010), Queiroz (2011), Gnecco Júnior (2012) e Pacheco (2010) atribuem a responsabilidade à própria gestão – que, segundo eles, não é adequada, aumentando o nível do abandono.

Já Carrito (2014) entende que o problema ultrapassa a falta de integração, referindo nitidamente o contexto familiar e social, para além da falta de investimento individual no jovem.

A autora salienta também que não haverá mudanças, se não se alterar o sistema de avaliação e a metodologia de ensino. Porque é exatamente devido à metodologia de ensino e à qualidade da oferta de cursos que muitos alunos chegam à conclusão de que lhes é mais vantajoso abandonar a formação académica. Cislaghi (2008) é bastante claro acerca deste

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assunto, ao explicar em que consistem, para si, as principais causas do abandono. Na sua opinião, de resto corroborada por Moraes e Theóphilo (2006), os alunos chegam à universidade com uma determinada perceção das aulas e acabam por sentir que as suas expectativas são defraudadas.

Embora esta investigação incida sobre o abandono dos cursos que ocorrem em período intervalar (férias ou fins-de-semana), é importante observar como tem sido o abandono dos cursos regulares de ensino a fim de se poder comparar os índices de abandono nas duas situações. São, por isso, apresentadas causas ou indicadores idênticos aos que se verificamcom os alunos que abandonam a formação nos cursos intervalares.

O abandono no Ensino Superior brasileiro constitui um tema cada vez mais preocupante, dado que ocorre em todos os níveis de ensino, modalidades e instituições, sejam elas públicas ou privadas.

De acordo com Behar (2009) e Andriola (2003), foi a partir de 1972 que o Ministério da Educação – MEC e as universidades públicas começaram a preocupar-se com esta temática, o que conduziu a algumas pesquisas neste domínio. Foi, também, por volta dos anos 80, que os estudos se intensificaram, acompanhando a expansão das universidades brasileiras que ocorreu a partir da década de 90

Duran (2007) e Gaioso (2005) garantem que as principais causas da evasão do Ensino Superior radicam em questões como a repetência, a orientação vocacional, a mudança de curso, a falta de prestígio da profissão, o horário de trabalho e a desmotivação do aluno, destacando que todos estes fatores, em maior ou menor grau, contribuem para o aumento do abandono da formação no Ensino Superior.

Em relação aos cursos regulares de ensino, poderia imaginar-se que o abandono seria pequeno porque o futuro profissional está em contacto diário com o professor e tem acesso contínuo a materiais bibliográficos – ao contrário de quem estuda no período intervalar, que, muitas vezes, só vai à instituição superior uma ou duas vezes por mês –, pode partilhar o conhecimento e interagir diariamente com colegas da sua turma, beneficiando, deste modo, de uma série de fatores que propiciam mais segurança ao estudo. A realidade mostra, no entanto, que apesar de todas estas vantagens, existem muitos alunos que desistem dos seus cursos.

No caso dos cursos regulares, um fator a ser considerado poderia ser o vocacional – a escolha de cursos nem sempre ocorre por vontade própria do candidato. Por vezes, são cursos escolhidos pelos pais, noutros casos escolhe-se determinado curso por não se necessitar de uma classificação tão elevada para se ser selecionado, apesar de se ambicionar um outro, que

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requer uma classificação mais elevada. E há o peso que o estatuto social associado a uma determinada profissão tem na altura da escolha. Ao decidir-se por uma profissão, o jovem deve levar em conta que se trata de uma escolha que poderá mudar todos os seus planos futuros, e que pode ser a longo prazo. Gera-se, então, uma situação conflituosa que a maior parte do público-alvo, normalmente muito jovem, não está preparado para enfrentar. O futuro universitário precisa do “apoio necessário para a superação de seus conflitos, rumo a uma escolha consciente, baseada em suas possibilidades concretas de vida” (Moura, 2008, p. 44).

Outro fator preponderante na decisão de desistir da escolha profissional pode estar associado com o desencantamento relativamente à escolha feita. Ao iniciar os seus estudos, o aluno enfrenta situações antes inimagináveis e percebe que não está preparado para aquela profissão ou que não se identifica com ela.

Quem já se encontra, ou encontrava, num curso superior de formação, de forma regular, também pode optar por abandoná-lo, porque tem pressa, ou necessidade, de entrar no mercado de trabalho. Uma vez que as aulas têm lugar todos os dias e, principalmente para quem já trabalhou durante todo o dia, também à noite, verifica-se uma situação difícil de conciliar, porque existe, de um lado, o cansaço e, do outro, a necessidade de se manter financeiramente.

Também há os que escolhem a docência (cursos de licenciatura) por ser mais fácil encontrar um emprego no mercado competitivo dos nossos dias. Nesse caso, o desencantamento chega cedo, pois esta é uma profissão que exige uma grande entrega por parte dos profissionais.

Independentemente dos fatores que interferem na decisão de abandonar a formação, é possível afirmar-se que, entre as possíveis soluções, está, certamente, o acompanhamento e orientação dos alunos, quando ainda no ensino médio, de modo a que possam fazer uma escolha informada.

O que não quer dizer que o problema se resolveria, simplisticamente, com feiras, palestras ou exposições sobre profissões. A solução vai muito para além dessas iniciativas que são, naturalmente, importantes. É necessário valorizar a individualidade dos alunos, abrir caminho para que descubram o que verdadeiramente querem, desejam e estão dispostos a enfrentar na jornada que o Ensino Superior representa.

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