Florianópolis, a capital do Estado de Santa Catarina atualmente conhecida como “Capital da Inovação” (XAVIER, 2010) e apontada pela revista Newsweek como uma das dez cidades mais dinâmicas do mundo (MARGOLIS, 2006), trilhou um caminho histórico até os dias atuais, o qual foi fundamental para que a cidade ganhasse tais reconhecimentos.
Para que seja possível compreender tal evolução, alguns aspectos históricos serão elencados visando estabelecer uma linha cronológica cujos fatos aqui delineados permitirão compreender o status atual da cidade e o surgimento do Sapiens Parque, que virá a ser o objeto de estudo desta pesquisa.
O fato de Florianópolis ser a capital catarinense por si só já lhe agrega um diferencial estratégico na política de recursos e investimentos públicos tão necessários ao seu desenvolvimento. Um dos primeiros investimentos públicos que passou a fazer parte deste traçado histórico, segundo Xavier (2010) foi a criação em Florianópolis da Escola de Aprendizes Artífices, pelo governo federal em 1909, por parte do então presidente Nilo Procópio Peçanha, a qual atualmente completou 100 anos e que denomina-se Instituto Federal de Santa Catarina (IF-SC), anteriormente conhecida como Escola Técnica Federal de Santa Catarina. A referida instituição foi responsável ao longo destes anos pela formação de milhares de técnicos em nível médio em diversas áreas da tecnologia e disseminou o espírito científico e tecnológico naqueles que por ali passaram.
Com a fundação em 1906 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pelo então presidente Juscelino Kubitschek, Florianópolis passou a formar profissionais em nível superior e iniciando formalmente aí a geração de capital intelectual fundamental para a disseminação do espírito empreendedor, principalmente para as empresas de base tecnológica. Inicialmente a área tecnológica foi composta pela Escola de Engenharia Industrial, a qual iniciou seus
trabalhos pelo curso de Engenharia Mecânica em maio de 1962 (EMC, 2008).
Conforme relatado por Xavier (2010), em 1966 a empresa estatal Centrais Elétricas de Santa Catarina (CELESC), companhia responsável pelo abastecimento e manutenção do sistema de energia elétrica para o estado de Santa Catarina, buscando a criação de um curso superior de engenharia elétrica para realizar a formação de engenheiros para atender as suas necessidades crescentes de contratação de pessoal ofereceu o aporte de recursos junto à UFSC, encontrando na criação de uma Fundação junto à Universidade a facilidade legal para a entrada de tais investimentos, assim como de outras entidades.
Surgiu então a Fundação do Ensino da Engenharia em Santa Catarina (FEESC), a qual desempenhou um papel importante nos anos seguintes e até o presente momento, como elemento integrador entre a universidade, a comunidade, principalmente com o setor industrial e que contou com o apoio de outra fundação para cumprir o mesmo papel, com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa Universitária (FAPEU), em 1977. Tais fundações tornaram-se peças fundamentais para o fortalecimento da relação entre os setores acadêmico, por meio da universidade, o setor privado por meio da indústria e o setor público por meio dos diferentes níveis de governo (XAVIER, 2010).
De volta ao contexto regional de Florianópolis, já em 1984 foi criado o Centro Regional de Tecnologia em Informática (CERTI), fundação privada, sem fins lucrativos que em 1994 passou mudou seu nome para Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras, cuja origem se deu a partir do Laboratório de Metrologia da Engenharia Mecânica e desde sua origem vem sendo conduzida pelo Professor Carlos Alberto Schneider (XAVIER, 2010).
A CERTI surgiu de uma parceria entre a UFSC, o governo estadual e outras entidades públicas e privadas, as quais ainda fazem parte do seu conselho, tendo em seu escopo de atuação os campos de metrologia, automação da medição, sistemas de qualidade e mais recentemente, gestão empresarial e convergência digital.
Embora todas estas atividades tenham sido fundamentais para o reconhecimento internacional desta Fundação por meio de diversos prêmios relativos ao seu diferencial inovador, a exemplo da última de 2009, com o Prêmio FINEP de Inovação Nacional, na categoria Ciência e Tecnologia 2009, concedido pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), destaca-se a atuação na criação de uma das primeiras incubadoras empresariais tecnológicas do Brasil, a Incubadora Tecnológica Empresarial (IET), no ano de 1986. Esta incubadora é até
os dias atuais administrada pela Fundação CERTI e surgiu dentro do Complexo Industrial de Informática onde fazia parceria com o Condomínio Industrial de Informática (CII), administrado pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE), criada para este propósito inicial. Esta união formou o conceito do Pólo Tecnológico de Florianópolis, denominado pela CERTI de Tecnópolis, cujo objetivo era desenvolver empreendimentos na área tecnológica, impulsionando o mercado rumo a uma vocação percebida à época (XAVIER, 2010).
Em 1995, a Incubadora Tecnológica Empresarial é transferida para o então criado Parque Tecnológico Alfa e passa a ser conhecida como Centro de Laboração de Tecnologias Avançadas (CELTA) e já em 1997 recebe o prêmio de incubadora do ano pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC).
O papel do setor público no contexto da hélice tripla no estado de Santa Catarina e mais precisamente em Florianópolis tem um histórico de entidades financiadoras que ao longo dos diversos governos receberam formatações estruturais e políticas, assim como nomenclaturas distintas, alternando esta função imprescindível de apoio à pesquisa científica e ao empreendedorismo tecnológico em diferentes entidades estatais. Segundo Xavier (2010) o processo iniciou-se em 1975 com a criação da Secretaria de Tecnologia e Meio Ambiente e a Fundação de Amparo à Tecnologia e ao Meio Ambiente (FATMA).
Em 1987 foi então criada a Secretaria de Estado Ciência e Tecnologia, das Minas e Energia a qual em 1990 passou a operar como Fundo Rotativo de Fomento à Pesquisa Científica e Tecnológica. Esta passou a ser chamada de Secretaria de Estado de Tecnologia, Energia e Meio Ambiente em 1991. Sendo que já em 1995 foi criada a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e posteriormente em 1997 a Fundação de Ciência e Tecnologia (FUNCITEC).
Esta entidade ficou vinculada à Secretaria de Estado da Educação e Inovação em 2003 e em 2005 finalmente transformou-se em Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica (FAPESC), a qual tem papel fundamental no desenvolvimento dos setores ligados à inovação como elemento de desenvolvimento no contexto dos chamados sistemas de inovação, atuando de forma integrada com o Governo do Estado de Santa Catarina, fornecendo subsídios que o auxiliem na criação de políticas públicas.
4.3 SISTEMAS DE INOVAÇÃO E A POLÍTICA CATARINENSE DE