Chapitre III. Multir´esolution Non Emboˆıt ´ee : Aspects Analytiques
III.2. Mesure d’erreur
Neste núcleo, acompanhamos os aspectos teórico-práticos e as disciplinas auxiliares no planejamento das etapas do estágio, com os sentidos construídos pelas estagiárias. Não foram incluídas as significações em torno do processo de aprender a profissão docente neste curso de Pedagogia, pois fazem parte do Núcleo de significação 4 e do Núcleo de significação 2, que diz respeito ao estágio como tempo e espaço na formação de um professor para a EI
Entre as estagiárias, percebemos que há uma compreensão acerca da importância da relação teoria e prática como referência para o estágio, mas que revela algumas contradições em torno deste fenômeno, pelas suas aproximações e distanciamentos observados nos enunciados.
As formas evidenciadas pelas estagiárias em alguns enunciados, quando questionadas sobre a relação teoria e prática no estágio, revelam que a teoria foi fundamental quando aliada à prática. Por meio da fala dessas estagiárias, vislumbramos a experiência vivida por elas com os diferentes contextos sociais: universidade, Centro de Educação Infantil, os pares, que são também influenciados por valores, atitudes, modos de agir, afetos, de modo que esses fatores estão entremeados na forma como explicam o que compreendem da articulação teoria e prática no estágio. Acompanhamos o início da análise, com os excertos do Indicador referente à importância da teoria e prática:
Bom, a teoria, ela te dá, bom, quando a gente fala assim de imediato, a teoria e a prática da Educação Infantil são totalmente ligadas, né!. Se a gente não tem nenhum conhecimento já da prática, parece que são coisas distantes, mas na realidade estão entrelaçadas, porque não tem como você ter uma prática sem uma teoria, e com
a teoria você vai à prática. (E4 2014/I, informação oral46).
A importância de ser uma boa base teórica para ir a campo, nunca esquecendo que a teoria sem prática nos serve parcialmente, pois nada melhor que estar no ambiente escolar para perceber as dificuldades e as possibilidades metodológicas. (E10 2014/II, informação oral47). A teoria é o suporte para a prática. (E18 2015/I, informação oral48).
A teoria vem para aperfeiçoar a prática, a primeira complementa a segunda. A teoria fundamenta a prática para que seja eficaz. (E26 2015/I, informação oral49).
Ao acompanhar os excertos acima, percebemos que a relação teoria e prática foi significada pelas estagiárias como complementares. Diante da compreensão dessa estrutura relacional, podemos afirmar a existência da tomada de consciência do processo vivido no estágio. Trata-se de uma compreensão relacionada ao processo de perceber algo que não se percebia antes.
De acordo com Vigotski, a consciência é sempre consciência socialmente mediada de alguma coisa (VYGOTSKI, 1921, 1933, 1996). Não se trata de um sistema estático e mecânico, mas relacionado ao desenvolvimento da conduta voluntária. Toassa (2006), ao estudar o conceito de consciência em Vigotski, nos esclarece que para este autor o
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E4. Enunciado IV. [1º semestre de 2014]. Entrevistadora: Claudete Bonfanti. Itajaí, 2014. 1 arquivo mp3. em posse da autora. O roteiro da entrevista encontra-se no Apêndice B desta tese. Todas as falas de E4 apresentadas neste trabalho dizem respeito a esta entrevista.
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E10. Enunciado X. [2º semestre de 2014]. Entrevistadora: Claudete Bonfanti. Itajaí, 2014. 1 arquivo mp3. em posse da autora. O roteiro da entrevista encontra-se no Apêndice B desta tese. Todas as falas de E10 apresentadas neste trabalho dizem respeito a esta entrevista.
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E18. Enunciado XVIII. [1º semestre de 2015]. Entrevistadora: Claudete Bonfanti. Itajaí, 2015. 1 arquivo mp3. em posse da autora. O roteiro da entrevista encontra-se no Apêndice B desta tese. Todas as falas de E18 apresentadas neste trabalho dizem respeito a esta entrevista.
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E26. Enunciado XXVI. [1º semestre de 2015]. Entrevistadora: Claudete Bonfanti. Itajaí, 2014. 1 arquivo mp3. em posse da autora. O roteiro da entrevista encontra-se no Apêndice B desta tese. Todas as falas de E26 apresentadas neste trabalho dizem respeito a esta entrevista.
sistema da consciência não equivale à percepção e se desdobra em duas acepções principais, a saber: 1) como um processo e seu produto; 2) como atributo. Deter-nos-emos na acepção primeira por entendermos que nos ajuda na compreensão da significação construída pelas estagiárias em torno da relação teoria e prática no estágio.
A consciência, na acepção de processo e seu produto, costuma ser utilizada por Vigotski, de acordo com Toassa (2006), como tomada de consciência com relação ao meio, ao próprio eu e às vivências subjetivas, realizada por um complexo mecanismo psicológico:
Trata-se de uma relação de compreensão ou conhecimento, ativa[sic] com respeito ao meio social. Demanda, contudo, uma consonância entre os fatos internos ou externos ao sujeito e sua representação, ainda que inconclusa ou imperfeita, na palavra – daí a ideia de compreensão. (TOASSA, 2006).
A tomada de consciência que as estagiárias expressaram nas significações vem ao encontro do que Vigotski (1991, p. 50) chama de “dar-se conta de algo”.
Dando continuidade ao processo de análise, consideramos que a base teórica oferece instrumentos e esquemas para analisar, reorganizar, reinventar e inovar as práticas e as ações dos sujeitos, submetendo-as também ao questionamento, pois as teorias servem para explicar temporariamente a realidade. Acompanhamos outros enunciados que nos remetem ao aspecto dessa relação:
Teoria e prática no ambiente escolar para perceber as dificuldades e as possibilidades metodológicas. (E10 2014/II).
É através da teoria, no caso daquilo que a gente vai aprender com os autores de pesquisa, que a gente vai entendendo como é que se deve trabalhar. (E25 2015/I, informação oral50). São significações que vão ao encontro do que é apontado por Pimenta e Gonçalves (1990), autores que redefinem o estágio como o
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E25. Enunciado XXV. [1º semestre de 2015]. Entrevistadora: Claudete Bonfanti. Itajaí, 2015. 1 arquivo mp3. em posse da autora. O roteiro da entrevista encontra-se no Apêndice B desta tese. Todas as falas de E25 apresentadas neste trabalho dizem respeito a esta entrevista.
caminho para a reflexão, ou seja, trata-se de uma atividade teórica instrumentalizadora da práxis docente, transformadora da realidade.
As estagiárias mostram ainda que o estágio na sua relação teoria e prática se aproxima com o que autores de pesquisas apontam, levando ao entendimento do que deve ser trabalhado com as crianças e à compreensão da realidade de ser professor da Educação Infantil, como pode ser observado nas falas abaixo:
Bom, primeiramente, assusta ao pensarmos em estudar a docência e seus conceitos e praticarmos, ou seja, o momento da intervenção, de entrarmos em contato com as crianças e toda atuação de ser professor. Isso tudo acontecendo junto, mas compreendo que foi importante porque são oportunidades que temos de entender aquela realidade de ser professor da Educação Infantil. (E24 2015/I, informação oral51).
Bom, eu entendo que é colocar em prática tudo aquilo que tá nos livros, realmente; é compreender e, de uma forma imperativa, conseguir colocar em ações, em projetos e executar com as crianças. E a teoria dá todo o embasamento pra que tu consigas fazer uma prática com uma boa qualidade, tendo fundamentação; uma base boa, que tu consigas desenvolver toda aquela parte que tu pensou e projetou de uma forma eficiente, tanto pra ti quanto pras crianças. E, da forma adulta de pensar, transformar ela em algo que a criança possa compreender e conseguir executar aquela proposta bem feita. (E25 2015/I).
Essas falas evidenciam o que Pimenta e Lima (2012, p. 43) discutem sobre a relação do estágio como espaço de questionamento das práticas educativas:
No estágio dos cursos de formação de professores, compete possibilitar que os futuros professores compreendam a complexidade das práticas
51 E24. Enunciado XXIV. [1º semestre de 2015]. Entrevistadora: Claudete