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1. Les MEMS en diamant pour la transduction olfactive biomimétique

1.2 Les différents types de capteurs biochimiques

1.2.5 Les MEMS

“O movimento popular da Maria da Fonte, a crise económica de 46, que é uma consequência directa das primeiras especulações monopolísticas em desenvolvimento sob o regime cabralista, o levantamento das Juntas, abafado com o apoio da esquadra inglesa e do exército espanhol, coincidem com o complexo donde sairá o movimento europeu de 1848, que apanhou o país em plena luta política entre a oligarquia financeira que apoiava o cabralismo e uma coligação de camponeses, clérigos miguelistas, artesãos e pequenos burgueses, secundados por uma elite intelectual que namorava as ideias do socialismo utópico francês. Entre 48 e 50 assinalam-se jornais e panfletos socializantes e republicanos, entre os quais o Eco dos Operários, onde se distinguem António Lopes de Mendonça, Leitor de Fourier, Saint-Simon e Proudhon. Escritores

 

 

progressistas como George Sand e Eugène Sue encontram popularidade no nosso País.” (Idem, Idem: 666)

Quando se inicia a Regeneração encontramos um panorama literário diverso do anterior, onde encontramos um certo contraste entre os três centros citadinos e culturais nacionais mais importantes. Assim, os escritores do centro comercial portuense e os novos escritores do meio universitário coimbrão demonstram alguma insatisfação contra a plutocracia crescente do «fontismo» (governo de Fontes Pereira de Melo) e uma certa simpatia pelo idealismo «vintista» e «patuleia» (Arnaldo Gama, Camilo, Xavier de Novais, Júlio Dinis, Soares de Passos, Tomás Ribeiro, etc.).

Em Lisboa, pelo contrário, encontramos um “separar de águas” entre a tendência formalista de que Castilho é símbolo e líder incontestado e conta com os intelectuais burocratizados e, por outro lado “uma bruxuleante tendência realista que vinga através da novela ou do drama «da actualidade» e da poesia protestativa, tendência ainda incerta, de que Mendes Leal foi, em dada fase, o mais conhecido representante. Até que, em coincidência com a ligação ferroviária das três cidades entre si e com Paris, e depois com os primeiros sintomas de uma nova crise política e social, surge entre 1864 e 1871 uma nova geração que, por um lado, corporiza mais a fundo algumas tendências do Romantismo europeu, e, por outro, procura reajustar quanto possível a cultura portuguesa às novidades de que França era o centro de irradiação desde meados do século.” (Idem,Idem: 667)

“Esta geração traz à cultura portuguesa, como trouxera a primeira geração romântica, um novo caudal de influências e de motivos. Assimila parte dela o positivismo de Comte, e, em segunda mão, alguma coisa de hegelianismo. Inicia-se no evolucionismo darwiniano, na crítica bíblica de Rean. Literariamente, enriquece-se com o conhecimento de autores românticos que o primeiro romantismo não assimilou: Heine, G. de Nerval, Michelet, Musset, e o Vítor Hugo humanitarista. Os seus primeiros mentores são porventura Proudhon e Michelet. Recrutado em parte entre os estudantes de Coimbra (Antero do Quental, Teófilo Braga, Eça de Queirós), em parte fora de Coimbra (Oliveira Martins, Batalha Reis, Adolfo Coelho), este grupo vibra com os grandes

 

 

acontecimentos europeus da época: as insurreições na Polónia, a crise da Irlanda, a oposição ao Segundo Império em França; e choca-se com os horizontes estreitamente provincianos da literatura vigente. O embate deu-se em 1865 entre Antero de Quental, que aparece como mentor da nova geração que então se formara em Coimbra, e António Feliciano de Castilho, padrinho de uma capela de literatos lisboetas.

É certo que a conjugação entre a luta anticabralista e a revolução francesa de 1848 permitira a certos espíritos combativos, como António Pedro Lopes de Mendonça, José Félix Henrique Nogueira, Francisco Maria de Sousa Brandão e Custódio José Vieira, estreitamente ligados aos inícios da imprensa e do associativismo operários em Portugal, apropriarem-se de algumas concepções de Hegel e dos socialistas pré-marxistas, nomeadamente Proudhon; e que há importantes linhas de continuidade até à geração de 70, quer desde estes primeiros socialistas, quer mesmo desde o pensamento liberal mais rasgado (Francisco Solano Constâncio, Mouzinho da Silveira, Herculano, Oliveira Marreca) – mas nem por isso pode negar-se a Antero do Quental, Oliveira Martins e Eça de Queirós a primeira melhor expressão literária e a repercussão pública de uma nova visão de realidades humanas e portuguesas, que aliás só nas condições do seu tempo se tornou entre nós possível.” (Idem, Idem: 667 e 668)

Encontramos então um contexto sociopolítico nacional e europeu, onde deflragra a revolução de 1868 que leva à expulsão de Isabel II de Espanha, à unificação da Itália por Garibaldi e Cavour, à guerra franco-prussiana, `as lutas «cartistas» em Inglaterra e, por fim à Comuna de Paris, e no plano nacional, à «Janeirinha» - revolução contra o imposto do consumo, em 1856, que pela primeira vez revela a existência de forças populares fora da política bipartidária - e, em 1872 à «Pavorosa», como ficou conhecida a primeira greve moderna em Portugal.

 

 

6 - A “Geração de 70”

No nosso país, sob o ponto de vista literário “(…) o positivismo e o proudhonismo dominam uma primeira fase da obra de Eça de Queirós, que pretende ser uma crítica geral da sociedade portuguesa contemporânea. As influências hegelianas são mais patentes em Antero de Quental e em Oliveira Martins. Aquele inaugura uma poesia de ideias e de crítica social; este divulga tendências mais recentes de história e sociológica racista numa «Biblioteca das Ciências Sociais». Teófilo, por seu lado, faz da doutrina positivista de Littré, discípulo de Comte, um instrumento activo de luta política.” (Idem, Idem: 668)

Por outro lado, a actividade deste grupo atrás referido é muito intensa, diversificada e profícua: Eça de Queirós, com as Farpas, inicia uma crítica persistente da vida portuguesa; Antero organiza as Conferências Democráticas em 1871, no intuito de divulgar algumas correntes mais actuais do pensamento europeu, que, ao serem suspensas pelas autoridades, provocam grandes protestos a que se associa Herculano. Antero, tenta criar com José Fontana, um partido socialista português de que chegou a ser candidato a deputado; Ramalho Ortigão converte-se ao jornalismo, no Porto, enquanto Teófilo Braga colabora na constituição do partido republicano, de que o Centenário de Camões, em 1880 (por nós referido anteriormente), é primeira grande manifestação pública.

E se o radicalismo pequeno-burguês vai encontrar uma adesão popular não lograda pelo socialismo utópico, Teófilo Braga vai manter-se até ao fim impermeável às decepções e às oscilações de conjuntura, sendo o elemento do grupo que mais se manteve em consonância e, a partir de 1874 “(…) Antero confina-se em solilóquios que inspiram parte dos Sonetos, que aliás já iniciara antes; dois anos depois Oliveira Martins adere aos partidos constitucionais e ingressa mais tarde no parlamento, pensando trocar a acção doutrinária junto das classes operárias por uma informação reformadora a partir do poder constituído.

 

 

A revolta de 31 de Janeiro, subsequente ao Ultimato, é uma afirmação da vitalidade das forças políticas exteriores aos grupos governantes, nomeadamente galvanizadas pela humilhação nacional imposta pela concorrência colonial inglesa. Oliveira Martins e Antero ficaram alheios àquele movimento militar, e em 1894, já morto o seu grande amigo, Oliveira Martins é varrido da política.” (Idem, Ibidem: 668)

Para Guerra Junqueiro e Gomes Leal, para quem o modelo era Vítor Hugo, estes tomaram por si o programa da poesia de combate e doutrinação iniciada por Antero, mas direccionado num sentido jacobino mais próximo de Teófilo. Guerra Junqueiro conseguiu não apenas uma audiência mas também um prestígio junto das grandes massas de público, pelo que sociologicamente, foi, entre nós, o representante típico da poesia romântica de combate ao trono, ao altar e, até à miséria. (Idem, Idem: 669)

Na última década de novecentos encontramos uma alteração na literatura portuguesa. Proudhon, Michelet, Comte e Vítor Hugo deixam de ter a primazia na influência sobre as nossas letras, sendo substituídos por Schopenhauer, Carlyle e os Simbolistas. Enquanto Oliveira Martins faz a apologia do herói carlyliano nas suas biografias, os membros do antigo grupo do Cenáculo que sobreviveram, afastaram-se da antiga postura de combate e crítica e Eça de Queirós “(…)sugere uma regeneração da antiga aristocracia de sangue, preocupa-se com novos ideais de santidade e opõe-se à poluição mecânica das grandes metrópoles numa versão mais ou menos idílica da realidade portuguesa. Ramalho Ortigão apologiza as belezas turísticas e o folclore, acabando por dobrar-se ante o trono e o altar. Junqueiro entra numa nova fase, em que também valoriza as raízes rurais, restituindo à religião os símbolos que se empenhara em laicizar sob um panteísmo progressista. Entretanto irrompe outra geração, que abaixa ainda mais a curva descendente do empenhamento reformista de 1870. António Nobre, de início tocado por Junqueiro, é, logo a seguir a Cesário Verde, um dos renovadores da linguagem poética, mas com base na saudade de uma infância provinciana perdida, que redescobre no bairro latino de Paris; mais inovadora ainda é a escrita em verso de Gomes Leal, émulo de Junqueiro na poesia panfletária e personalidade-encruzilhada deste fim-de-século. A lição do

 

 

decadentismo-simbolismo francês, acarretando ousadias estilísticas e versificatórias mais antigas mas ainda não aclimatadas, é ostentivamente dada por Eugénio de Castro, e instaura um novo reinado do poético hermético, «para os raros apenas». Vindo do naturalismo, é todavia Fialho quem, pela rebusca de efeitos estilísticos e do insólito como tema de ficção ou ensaio, assinala na prosa esta viragem para a arte pela arte, embora parta, precisa e paradoxalmente, do ponto em que o naturalismo se debruça sobre a miséria social mais extrema das cidades.” (Idem, Ibidem: 669)

Este é decerto um momento fundador da modernidade, não apenas pelo que significou no seu momento histórico, mas sobretudo como fundador de uma modernidade e de um novo período histórico que chega até aos nossos dias, onde a nossa poesia lírica, embora certamente vestindo novas roupagens, continua a seguir o seu caminho, caminho de modernidade mas igual a si própria na sua essência.

7 Poesia Romântica

Vamos agora exemplificar, ainda que muito sucintamente, referindo alguns, poucos, autores deste período, como fizemos com os poetas anteriores.

De Almeida Garrett (1799-1854), incluído no seu livro Folhas Caídas, considerada a sua melhor colectânea poética, que, ao contrário do que o título poderia indicar, de uma eterna Primavera parece se tratar.

Os Cinco Sentidos

São belas – bem o sei, essas estrelas, Mil cores – divinais, têm essas flores, Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:

 

 

Não vejo outra beleza

Senão a ti – a ti!

Divina – ai! Sim, será a voz que afina Saudosa – na ramagem densa, umbrosa, Será; mas eu do rouxinol que trina

Não oiço a melodia,

Nem sinto outra harmonia

Senão a ti – a ti!

Respira – n’aura que entre as flores gira, Celeste - incenso de perfume agreste. Sei… não sinto: minha alma não aspira,

Não percebe, não toma

Senão o doce aroma

Que vem de ti – de ti!

Formosos – são os pomos saborosos, É um mimo – de néctar o racimo: E eu tenho fome e sede… sequiosos,

Famintos meus desejos

Estão… mas é de beijos,

É só de ti – de ti!

Macia – deve a relva luzidia

Do leito – ser por certo em que me deito. Mas quem, ao pé de ti, quem poderia Sentir outras carícias,

Tocar noutras delícias Senão em ti- em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos

Todos num confundidos,

 

 

Em ti, por ti deliram.

Em ti a minha sorte,

A minha vida em ti; E quando venha a morte, Será morrer por ti.49

De Eugénio de Castro (1869-1944) um dos escritores portugueses mais conhecidos e prestigiados além-fronteiras, nomeadamente como romancista (autor p. ex. de a Selva), o poema incluído no livro A Sombra do Quadrante, onde analisa metafisicamente a vida, que não é senão “uma sombra que passa”.onde o sentido está na busca do belo, da primordial beleza.

Murmúrio de água na clepsidra gotejante, Lentas gotas de som no relógio da torre, Fio de areia na ampulheta vigilante,

Leve sombra azulando a pedra do quadrante, Assim se escoa a hora, assim se vive e morre.

Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,

Tão doidas ambições, tanto ódio, e tanta ameaça? Procuremos somente a Beleza, que a vida

É um punhado infantil de areia ressequida,

Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa50

Augusto Gil (1873-1929), é, tal como João de Deus “um poeta de límpida simplicidade. E, também como ele, é um lírico de veia satírica. O autor do Luar de Janeiro é igualmente o autor d’O Canto da Cigarra.”

Transcrevemos o poema “A Gota de Água”, do livro Avena Rústica.

 

 

A lágrima triste

Que por ti surgiu

Mal que tu a viste,

Quase se não viu…

Como quem desiste,

Logo se deliu… E, mal lhe sorriste, Logo te sorriu

Já não era a dor, O sinal aflito

Duma funda mágoa; Era o infinito

- O infinito amor Numa gota de água…51

50

Idem, Idem: 172

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