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Ao longo da sua existência, a maior parte dos altares das igrejas e capelas sofreu modificações ao nível da sua estrutura, decoração e invocação, mediante intervenções nem sempre de acordo com os cânones artísticos e respeitando a época em que foram concebidos, mas devido ao gosto ou mau gosto dos encomendadores de épocas posteriores, sempre e segundo alegam, numa tentativa de facultar a mobilidade dentro dos espaços sacros. Neste sentido, muitas destas estruturas retabilísticas foram amputadas senão mesmo deslocadas do seu contexto original, desvirtuando completamente a sua leitura inicial e compreensão. É neste âmbito que pretendemos dar a conhecer algumas destas alterações. Para isso recorremos às Memórias Paroquiais de 1758 e ao códice 547, numa tentativa de estabelecer confrontações entre a invocação dos altares e a sua disposição, assim como a colocação das imagens nos respectivos retábulos, tendo como objectivo compreender o ambiente místico que se vivia na altura, já que muitas das vezes num mesmo espaço arquitectónico foram dispostos em épocas diferentes os altares, permitindo-nos desta forma conhecer a invocação dos Santos venerados nas diferentes épocas.

O Santíssimo Sacramento que a partir do século XVII assumiu especial relevo por toda a Europa católica como um dos meios de "fortalecer a devoção da Eucaristia, mantendo

e reafirmando uma fé católica cujo enfraquecimento se procura evitar"116 face aos avanços do

protestantismo, surge-nos bastantes vezes assim como os novos santos ligados ao espírito contra-reformista e a Sagrada Família.

A análide dos Quadros A a U permitiu-nos concluir que na maior parte dos espécimes retabilísticos que chegaram até aos nossos dias não se registaram grandes alterações relativamente ao século XVIII, no que respeita à invocação dos altares. As que surgiram dizem respeito às novas devoções dos finais dos séculos XVIII, XIX e XX como é o caso do

Sagrado Coração de Jesus, a de Nossa Senhora de Lurdes (as primeiras aparições datam de 1858) e a de Nossa Senhora de Fátima que ganhou importância desde o aparição em 1917 aos pastorinhos. Nestes casos, apesar de em alguns deles se manter a estrutura retabilística original, registou-se unicamente uma substituição das imagens a serem veneradas, fruto destes novos cultos. Em outros casos registou-se a situação inversa, isto é, a máquina retabular foi substituída por uma nova, ao gosto da época, mantendo-se a invocação original.

Na igreja de Nossa Senhora do Desterro pudemos constatar através da comparação

entre a descrição dada pelo códice 547nl e as Memórias Paroquiais de 1758 que no altar-mor

houve uma alteração na imagem colocada no nicho lateral do lado da Epístola, figurando

antes Santa Quitéria e, em 1758, Santa Luzia"8.

Relativamente à Igreja de Santa Maria de Almacave sabemos que antes de ter a estrutura que hoje se encontra no retábulo-mor de estilo joanino, teve uma estrutura maneirista pois segundo descrição de Augusto Dias "e o retábulo apainelado de painéis de

Roma, no cimo do qual está uma pintura de meio corpo da Senhora". A invocação manteve-

se na segunda metade do séculoXVIII, sendo introduzidas as imagens "do Senhor Sam Jozé" do lado direito num nicho e de São João Evangelista do lado esquerdo igualmente disposto.

Curiosa é a história do altar das Almas que depois de muitas vicissitudes se encontra na igreja paroquial de Cimbres, ainda que não seja a este que se refere Augusto Dias, na medida que apesar de ser "feito ao moderno com um painel das almas, e no alto dele a

Imagem de Santa Catarina dourada, e estofada", a data de contrato de feitura do retábulo das

Almas que de presente está na igreja acima referida é de 1779"9, o que nos permite datá-lo da

época rococó120.

Segundo a descrição do Reitor de Almacave José de Santa Maria Evangelista Taveira existia ainda neste retábulo uma imagem de São Caetano, que não é referida no códice 547.

Completamente afastado do seu contexto original, o presente altar de Santa Catarina de Almacave proveio da igreja do Convento de Vilar de Frades, sob a invocação de Santo António e foi executado pelo duo António Gomes e Domingos Nunes da cidade do Porto. Em

116 Vide FERREIRA-ALVES, Natália Marinho - ob. cit., vol. I, p. 53.

117 Este códice provavelmente data do fim do primeiro quartel-início do segundo quartel do século XVIII. Vide

DIAS, Augusto - ob. cit., p. 28.

118 Vide documento VII, vol. II, p. 46 e DIAS, Augusto - ob. cit., p. 93. 119 Vide documento III, vol. II, p. 113-116.

23 de Março de 1698 assinaram contrato nas notas do tabelião José Leite de Faria para a realização de diversas obras de talha e pintura na igreja de Vilar de Frades, entre as quais se destacam os dois retábulos colaterais do transepto e vinte e dois painéis com molduras em

1 9 1 talha que deveriam cobrir as paredes laterais da capela-mor.

Encomendado pelo Reverendo padre Manuel Nuno da Madre de Deus reitor do Convento de Vilar de Frades e restantes padres, os dois mestres imaginários moradores na

"caza da Porta dos Carros" contrataram com estes de "lhes fazerem dous retabollos colatrais na igreja deste convento na forma da traça que esta feita de talha alta e boa na forma dos appontamentos os coais e a planta [...] e outrosim de lhes apainelarem a capela maior do dito convento de painéis que os ditos padres lhes darão cujo numero consta de vinte e dous [...] os coais painéis telas terão seus caixilhos a roda os coais serão cobertos de talha efolhage que hade conrresponder com a obra da trebund". Refere ainda o mesmo contrato que estes dois

mestres imaginários se obrigavam a fazer nos dois altares colaterais dois sacrários "na forma

dos dous que estão nos altares colatrais do convento de Santo Eloi da cidade do Porto". A

obra deveria ficar acabada e assentada até o último dia do mês do ano de mil e seiscentos e noventa e nove. Teria custado 276.000 réis efectuados em três pagamentos: cem na assinatura do contrato, no Natal de 1698 setenta e seis mil réis e "assentada" a obra mais cem mil réis. Os padres do dito convento comprometiam-se a fornecer a madeira.

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Em relação ao douramento e pintura do retábulo nada se sabe até agora.

Em 1758 uma descrição do interior da igreja de Vilar de Frades, "parcialmente

baseada na crónica de Francisco de Santa Maria"123 existente no I.A.N./T.T.1 4 refere a

existência no cruzeiro de dois altares: o da parte do Evangelho dedicado a São Lourenço

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Justiniano e o da parte da Epístola dedicado a Santo António.

Ainda em 1758, um inventário existente no Arquivo Distrital de Braga faz

referência ao altar de Santo António127.

121 A.D.B., Notarial de Barcelos, L.° 763, ils. 89-89v. Publ.: VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., documento

XVI, vol. II, pp. 68-70.

122 Vide VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. I, p. 253. 123 Idem, ibidem, vol. II, documento XXVIII, p. 98.

124 índice Geographico das Cidades, Villas, e Parochias de Portugal conteudas nos 43 volumes manuscritos do

Diccionario Geogrphico existente na Bibliotheca da Senhora das Necessidades, Lisboa, 1832 - Vol. 41, Mc. 288, fis. 1769-1772 publicado por VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. II, doc. XXVIII, pp. 97-102.

125 Vide VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. II, doc. XXVIII, p. 98.

126 Publ: VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. II, doc. XXIX, pp. 103-112. A.D.B., Fundo Monástico

Outro inventário realizado na altura da extinção das ordens religiosas em Junho/Julho

de 1834128 dá-nos conta do mesmo altar e descreve-o desta forma: "Item no altar collateral do

lado da Epistola, e virado a porta principal huma imagem grande de Santo Antonio. O altar he todo de entalha dourada de gosto ao antigo com huma sanefa de pau também dourada donde pendem duas cortinas de damasco vermelho com seus galões de ouro, e já uzadas = Quatro castiçaes, e hum crucifixo sobre a banqueta os quaes são de pau pintados de branco comfrizos - e flores amarellos - mais duas andarellas de latão [...]" .

Por ordem dos Edifícios e Monumentos Nacionais, o retábulo original da igreja de Santa Maria de Almacave foi deslocado do seu contexto original, encontrando-se na igreja

paroquial de Cimbres130 para onde foi vendido, em 1945, por 2.500$00, e o que lá

actualmente se encontra foi transferido da igreja do Mosteiro de Vilar de Frades, tal como se

pode depreender do precesso existente na D.G.E.M.N.131, o qual consiste na correspondência

trocada entre os responsáveis desta Direcção Geral e o pároco local para a sua substituição . Em 16 de Dezembro de 1941 foi apresentada uma proposta pelo construtor civil Manoel Ferreira Morango do Porto relativamente a diversas obras a executar na Igreja de

127 Vide VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. II, doc. cit., p. 112. Através de uma relação dos padres reitores e

das suas principais obras publicada pelo mesmo autor (pp. 114-133), sabemos ter sido da responsabilidade do Reverendo padre Manuel da Conceição Trindade, reitor de Vilar de Frades em 1767 "os duas çanefas dos altares colateraes". Vide documento XXXI, vol. II, p. 122 existente no A.D.B., Ms. 924, fis. 773-778.

128 I.A.N./T.T. - Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Cat. n.° 439, Cx. 2264, doe. 8, fis. l-23v.

publicado por VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. H, doc. XXXII, pp. 134-163. Neste inventário é referido que o altar do lado do Evangelho "he de entalha com sua sanefa dourada igual ao do outro altar" (do lado da Epístola dedicado a Santo António), vol. II, p. 141.

129 Vide VINHAS, Joaquim Alves - ob. cit., vol. II, p. 140

130 Vide LARANJO, F. J. Cordeiro - A Igreja de Santa Maria de Almacave, in Colecção "Cidade de Lamego",

n.° 10, edição da Câmara Municipal de Lamego, 1996, p. 66. O autor refere que o antigo retábulo das Almas ou de Santa Catarina se encontra na igreja paroquial de Cimbres como constatámos. Contudo, por não dispormos na altura dos meios necessários, já que por diversas vezes tínhamos tentado visitar a igreja e se encontrava fechada, não o incluímos no Apêndice Fotográfico, mas é nossa intenção fazê-lo num próximo trabalho.Uma vez que possuímos documentação contratual da sua feitura, analizaremos este retábulo, ainda hoje da invocação das Almas, transferido para esta paróquia em 1945. Refere ainda o autor, através de um inventário de 1848, fl. 70 na posse da Irmandade das Almas "Livro de Inventário das Alfaias e Objectos da Irmandade das Almas de Almacave. Iniciado em 1862", que este retábulo foi renovado em 1779, inventário este que não tivemos oportunidade de consultar. O contrato que possuímos nada refere neste sentido. Vide p. 67 da obra deste autor, relativamente à pintura que se encontra na sacristia e diz pertencer ao anterior retábulo, antes do de 1779. Como pudemos constatar , apesar destas mudanças operadas nos anos 40 do século XX, as imagens pertencentes ao antigo retábulo das Almas mantiveram-se em Almacave como se atesta da actual invocação do altar. Vide LARANJO, F. J. Cordeiro - ob. cit., pp. 67-68.

131 Vide D.G.E.M.N./D.R.E.M.C. - Processo Administrativo, n.° 180501/002 (v. 29). Anos 1936/49.

132 Vide VINHAS, Joaquim Alves - A Igreja e o Convento de Vilar de Frades. Das origens da Congregação dos

Cónegos Seculares de São João Evangelista (Lóios) à extinção do Convento (1425-1834), volume I, Porto, 1996, pp. 203, nota 701, 204-206 e 276-279. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da

Almacave solicitadas pela Direcção dos Monumentos Nacionais. Entre estas destaca-se a alínea C sobre a "Reposição e consolidação geral de um altar de talha, compreendendo o seu

apeamento parcial, substituição e de peças danificadas, etc, por 2.500S00 esc" E a alínea E

respeitante à "Montagem completa de um altar em talha compreendendo a execução da

armação interior, assentamento de uma viga de betão armado no arco da caixa do altar, etc, por 3.000S00 esc". A 30 de Janeiro de 1943 um oficio da Direcção Geral da Fazenda Pública,

Repartição do Património enviado ao Director Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais diz "que esta Direcção Geral não pode ainda operar a cessão, a título precário à Irmandade

da Igreja das Almas de Santa Maria Maior de Almacave, em Lamego, do altar que se acha desmontado, sem aplicação na igreja matriz de Ar mamar, em virtude do Revm. ° Prelado da Diocese não ter autorizado o pároco daquela freguesia a outorgar no auto de devolução do mesmo, com o fundamento de que os lugares dos altares ainda estão todos vasios e não saber se há algum sem aplicação.

Por este motivo e para esclarecer da conformidade aquele Prelado, tenho a honra de solicitar de V. Ex.a que se digne informar-me se na aludida igreja matriz será colocado outro

altar em substituição do que vai ser cedido ou de outra solução que possa ser adotada".

Em 29 de Março do mesmo ano um ofício dirigido ao arquitecto director dos Monumentos Nacionais informa do seguinte: "o altar que se pretende deslocar da Igreja de

Armamar para a de Almacave, estava encobrindo um pequeno absidiolo primitivo, cuja existência era desconhecida e cuja forma e dimensões são excepcionais.

Nesta circunstâncias não é possível - ou pelo menos seria um contrasenso - colocar de novo o altar no mesmo local". E continua "informo ainda V. Ex.a de que além do altar-mor - que

não pode voltar a ser colocado - havia na igreja de Armamar seis altares em talha, dos quais serão mantidos dois - os melhores - e de que se construirão três altares em pedra, um para a capela-mor e dois para os absidiolos recentemente postos a descoberto".

Outro ofício enviado ao arquitecto director dos Monumentos Nacionais datado de 31 de Julho de 1943 expunha o seguinte: "O altar que existia na nave da Igreja de Almacave e

que foi demolido quando das obras de restauração, é uma peça do século XVIII de grandes dimensões, pintado a verde com molduras douradas.

A sua reconstrução próximo dos dois altares laterais da nave - altares do século XVII, de carácter ainda Renascentista - só pode ser admitida perante a impossibilidade da sua

substituição por outro de menor tamanho e mais afinidades de estilo com os que a igreja possue.

Por esta razão se pretendia utilizar o altar apeado na Igreja Matriz de Armamar.

Todavia estando arredada esta solução, esta Secção [...] admitiu a possibilidade de se obter outro altar com as condições designadas.

Assim, se V. Ex." o achasse conveniente e viável poderia aproveitar-se um dos altares laterais, já demolido, da igreja de Vilar de Frades, onde não tem, nem poderá vir a ter qualquer aplicação.

Creio que esta solução permitirá ordenar o interior da igreja de Almacave, com mais unidade decorativa". E foi perante estas condições e a bem da nação, que a igreja de

Almacave acabou por ter o altar de Santo António de Vilar de Frades, tudo em prol da

"unidade decorativa".

Porém, a odisseia ainda não acaba aqui. Uma carta enviada pela Secretaria Arquiepiscopal a 21 de Outubro de 1943 assinada pela Arcebispo Primaz de Braga, ao director da Fazenda Pública diz: "Primeiro - O altar não é necessário para o culto,

actualmente, na Igreja de Vilar de Frades, e, por este lado, nada obsta, portanto, a que seja dali retirado.

Segundo - Há várias igrejas neste Arcebispado, onde ele poderia ser aplicado com muita vantagem.

Terceiro - Estamos certos de que Vossa Excelência, cuja impecável correcção e apaixonado anos da justiça são já proverbiais, não consentirá que o altar seja retirado daquela igreja sem uma condigna compensação, pois estamos inteiramente convencidos de que este móvel

[...] não é propriedade do Estado, mas sim da fabrica da dita igreja, a qual é aliaz

paupérrima e está mui precisada do preço ou valor do altar para com ele melhorar o asseio interior e a limpeza do templo e adquirir novas alfaias e reparar as poucas que já possue. Quarto - Em Vilar de Frades, consoante podemos pessoalmente observar, há a esperança bastante radicada, de que o Estado, que já iniciou o restauro do formoso templo pela capela- mor, não só o completará, mas até restaurará também a casa anexa [...] e, se isso se fizesse com a possível brevidade, nenhuma objecção se poderia levantar a que ele, o Estado, leve dali o altar para outra parte, ainda que seja para fora desta Arquiodiocese, sem outra compensação".

A 23 de Outubro do mesmo ano outro ofício enviado pela Secretaria Arquiepispocal ao Director da Fazenda Pública acrescenta relativamente ao último que "nesse oficio nos

queríamos referir a algum dos dois altares que se encontravam (e um ainda se lá encontra) colocados no transepto da igreja, (à entrada da capela-mor), e não aos que ocupam as capelas laterais da mesma [...]".

Em 10 de Dezembro de 1943, um ofício enviado ao arquitecto director dos Monumentos Nacionais diz o seguinte: "O altar que se pretende retirar da igreja de Vilar de

Frades para o de Almacave, é um dos que se encontrava no transepto à entrada da capela- mor e que foi já apeado para facilitar as obras de restauro daquela capela.

A sua aplicação na Igreja de Vilar de Frades não pode ser prevista, por falta de espaço [...]".

A 21 de Fevereiro de 1944, encontrámos neste arquivo, uma carta endereçada ao arquitecto chefe da segunda secção dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Norte e enviada pelo juiz da Irmandade das Almas da Igreja de Santa Maria de Almacave a agradecer a "chegada do novo e valioso altar que vem substituir o da referida Irmandade, que,

desharmonico com o estilo do templo e com os seus restantes altares, teve de ser apeado. E aproveito o ensejo para rogar a V. Ex." com o maior empenho [...] se digne, com os seus bons e eficientes ofícios, interessar-se para que, sem demora, seja montado o novo altar [...]".

Finalmente, em 26 de Junho de 1944 surge uma nova proposta do mesmo construtor civil endereçada à Direcção dos Monumentos Nacionais onde é referida na alínea B a

"Montagem completa de um altar de talha, compreendendo a reparação de peças mutiladas, arranjo do envasamento em cantaria, etc, por 1.000$ 00 esc"

Exemplo da mudança de invocação proporcionada pelas novas devoções e cultos do fim do século XVIII, XIX e XX é o altar colateral do lado do Evangelho da Igreja do extinto

Convento de São Francisco. Anteriormente da invocação de Nossa Senhora da Conceição133

passou a ser da invocação de Nossa Senhora de Fátima, acabando por receber uma nova estrutura retabilística que não analizaremos porque se encontra fora da esfera cronológica que nos propusemos analizar. Ainda nesta igreja houve uma mudança na invocação da antiga capela da Rainha Santa Isabel que passou a ser da invocação de Nossa Senhora da Conceição, passando a figurar a primeira na peanha do lado do Evangelho como padroeira da Ordem Terceira. Na igreja do Convento de São Francisco, outra modificação ocorreu na capela do

Santo Cristo ou Cristo Crucificado, acabando Nossa Senhora das Dores, que ocupava o trono juntamente com a imagem do Senhor Crucificado, por ter o lugar de destaque da capela,

acompanhada de seus pais: São Joaquim e Santa Ana, em nichos laterais do retábulo.

Nossa Senhora de Lurdes, como já dissemos, ganhou importância a partir de 1858 quando fez as primeiras aparições na pequena povoação de Lourdes, em França. Esta facto reflectiu-se em novas devoções patentes, por exemplo, na actual Capela de Nossa Senhora de Lurdes da igreja do extinto Convento de Santa Cruz, anteriormente da invocação de Nossa

Senhora da Piedade que não vamos analizar por se encontrar fora do nosso âmbito de estudo134

e no altar lateral do lado da Epístola da Sé Catedral de Lamego, antigamente de São Bento135.

Este altar sofreu outra alteração dentro do espaço sacro. Segundo Augusto Dias e tendo por base o códice 547, encontrava-se encostado ao pilar que divide a nave do lado do sul da nave

central, tal como o altar que lhe fazia frente da invocação da Rainha Santa Isabel136. Esta

modificação era típica do gosto barroco, já que as grandes máquinas cenográficas retiravam espaço de circulação e de alcance visual se estivessem encostadas aos pilares. Assim, sendo numa tentativa de melhor explorar e aproveitar o espaço cénico criado por estas espantosas estruturas, permitindo ao crente serem visualizadas de todos os ângulos do interior sacro,

adoptou-se o esquema de inserção dos retábulos nas paredes laterais.137

Ainda na Sé Catedral é de destacar a Capela de São Nicolau, actualmente da invocação de São João Baptista. Esta mudança na invocação deu-se porque no século XIX

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