• Aucun résultat trouvé

Meaning of Declarators

Dans le document Preface to the first edition (Page 174-179)

Chapter 8 - The UNIX System Interface

A.7 Expressions

A.8.6 Meaning of Declarators

A análise dos dados teve ênfase qualitativa, pois responde a questões particulares, difíceis de quantificar, trata-se do “universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes” (MINAYO, 2009, p.21), do conjunto de representações humanas, relações sociais e intencionalidades.

O método utilizado foi a análise de conteúdo, que Bardin (2009) define como:

um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos, ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 2009, p.42).

Assim sendo, buscou-se através da inferência uma interpretação aprofundada dos materiais linguísticos, dos sentidos das mensagens, ultrapassando a mera descrição. E, como há várias maneiras de analisar conteúdos de materiais de pesquisa, utilizamos aqui a análise da enunciação, que compreende a comunicação como um processo e trabalha com:

(a) as condições de produção da palavra (respeita as exigências da lógica socialmente aceita – a fala como um discurso); (b) análise das estruturas gramáticas; (c) análise da lógica de organização do discurso; (d) análise das figuras de retórica. Tal técnica, sob a influência da psicanálise lacaniana, procura focalizar estruturas formais que podem esconder conflitos latentes, analisando jogos de palavras, chistes, lapsos e silêncios. (MINAYO, 2009, p.86)

Em relação aos procedimentos metodológicos da análise de conteúdo, Minayo (2009) menciona a categorização, a inferência, a descrição e a interpretação. Esta sequência não é fixa e pode ser reorganizada de acordo com os interesses da pesquisa e do pesquisador. Porém, geralmente costuma-se: separar o material em partes; distribuir as partes em categorias; descrever os resultados da categorização; inferir resultados; interpretar os resultados através da fundamentação teórica adotada. Nesse contexto, Minayo (2009, p.88) cita Bardin (1979, p.117) para definir categorização como “uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com critérios previamente definidos”. As referidas categorias foram definidas após a coleta de dados, com base nas temáticas que mais se evidenciaram e estão devidamente apresentadas e ilustradas adiante, no início do capítulo 4.

Em suma, o desenvolvimento de uma análise de conteúdo organiza-se conforme exposto na Figura 12.

Figura 12 - Desenvolvimento de uma análise

Os materiais foram transcritos seguindo algumas normas contidas na obra “Análise de Textos Orais”, organizada por Dino Preti (1999), tendo em vista que a língua falada possui suas regras próprias e as pausas, silêncios, entonação e outros marcadores têm significados e contribuem para uma compreensão mais aprofundada das mensagens.

[...] o estudo da modalidade oral da língua ampliou-se consideravelmente nas décadas de 80 e 90 e a aplicação das teorias da Análise da Conversação tornou possível o estudo do fenômeno da oralidade, fora dos métodos tradicionalmente usados para a análise da língua escrita. Problemas novos, como o do turno (a macrounidade da língua falada) e suas estratégias de gestão; das leis de simetria na conversação natural; da estruturação dos tópicos ou temas; dos procedimentos de reformulação; do emprego de sinais característicos da língua oral (marcadores conversacionais); da sobre posição de vozes; do fluxo conversacional; da densidade informativa; etc. vieram mostrar que a língua falada tem suas regras próprias. (PRETI, 1999, p.7)

As normas utilizadas estão expostas no Quadro 1. A primeira coluna apresenta as ocorrências nas falas da entrevistadora e entrevistados, por exemplo: incompreensão de palavras ou segmentos, silabação, interrogação, truncamento, entre outros; a segunda apresenta os sinais utilizados para marcar tais ocorrências; e, a última coluna, exemplifica cada um dos casos.

Quadro 1 - Normas para transcrição de textos orais

OCORRÊNCIAS SINAIS EXEMPLIFICAÇÃO*

Incompreensão de palavras ou segmentos

( ) do nível de renda... ( ) nível de renda nominal Hipótese do que se ouviu (hipótese) (estou) meio preocupado

(com o gravador) Truncamento (havendo

homografia, usa-se acento indicativo da tônica e/ou timbre)

/

e comé/e reinicia

Entonação enfática Maiúscula porque as pessoas reTÊM moeda Prolongamento de vogal e consoante (como s, r ) ::podendo aumentar para::::: ou mais ao emprestarem os... éh::: ... o dinheiro

Silabação - por motivo tran-sa-ção

Interrogação ? e o Banco... Central...

certo?

... razões... que fazem com que se retenha moeda... existe uma... retenção Comentários descritivos do

transcritor

((minúscula)) ((tossiu)) Comentários que quebram

a sequência temática da exposição: desvio temático

- - - -

... a demanda de moeda - - vamos dar casa essa notação - - demanda de moeda por motivo ...

Indicação de que a fala foi tomada ou interrompida em determinado ponto. Não no seu início, por exemplo.

(...)

(...) nós vimos que existem...

Citações literais de textos,

durante a gravação “entre aspas”

Pedro Lima... ah escreve na ocasião... “O cinema falado em língua estrangeira não precisa de nenhuma baRREIra entre nós”...

OBSERVAÇÕES:

1. Iniciais maiúsculas: só para nomes próprios ou para siglas (USP etc.) 2. Fáticos: ah, éh, ahn, ehn, uhn, tá (não por está: tá? Você está brava?) 3. Nomes de obras ou nomes comuns estrangeiros são grifados.

4. Números por extenso.

5. Não se indica o ponto de exclamação (frase exclamativa) 6. Não se anota o cadenciamento da frase.

7. Podem-se combinar sinais. Por exemplo: oh:::... (alongamento e pausa)

8. Não se utilizam sinais de pausa, típicas da língua escrita, como ponto e vírgula, ponto final, dois pontos, vírgula. As reticências marcam qualquer tipo de pausa.

* Exemplos retirados dos inquéritos NURC/SP nº 338 EF e 331 D. Fonte: Preti (1999, p.11 e 12)

Buscamos ainda ancoragem na teoria dialógica discursiva de Bakhtin (2003) como instrumento para a análise dos materiais linguísticos produzidos. Segundo o referido autor (2003, p. 261), “todos os campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem”, sendo que “o emprego da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da atividade humana”. Nesse sentido, o enunciado é considerado unidade real da comunicação verbal que responde a enunciados anteriores e antecipa enunciados posteriores.

[...] refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo [da atividade humana] não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua, mas, acima de tudo, por sua construção composicional. (p. 261)

Desse modo, o conteúdo temático, o estilo e a construção composicional fazem parte da totalidade do enunciado e são estabelecidos pelas características próprias de certo campo da comunicação. Segundo Bakhtin (2003, p.262), todo enunciado particular é individual, porém cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, conhecidos como gêneros do discurso. São “estáveis” por conta daquilo que é constantemente o mesmo, e “relativamente” porque essa dinâmica também envolve a recriação de alguns elementos. Nesse sentido, Lima (2009) diz que:

São os mesmos porque, como diz Bakhtin, nenhum homem é um Adão bíblico que, pela primeira vez, rompe o silêncio com suas palavras: um discurso é sempre a repetição ou a retomada de um discurso anterior. São outros porque aquele que fala, ao repetir ou retomar um discurso, sempre o faz de uma maneira mais ou menos criativa, em função das circunstâncias da atividade comunicativa na qual está engajado e de acordo com seus objetivos no processo de interação verbal. (LIMA, 2009, p.2)

Corroborando com a discussão, Bakhtin/Volochinov (2006, p.34) considera que a compreensão de um signo envolve a aproximação deste com outros signos já existentes, ou seja, a compreensão torna-se um processo de resposta a um signo por outros signos. Esse processo constitui um elo de natureza semiótica e, portanto, material.

Nessa perspectiva, os gêneros discursivos orais e escritos são múltiplos e ricos, pois é inesgotável a atividade humana, que sempre está se recriando e consequentemente recriando os gêneros do discurso utilizados em seu determinado campo de atividade. Esses gêneros vão se modificando e complexificando dadas as condições específicas de cada campo. Devido à grande heterogeneidade dos gêneros discursivos é que surge a dificuldade de definir a natureza geral do enunciado.

Um dos campos e problemas da linguística envolve a estilística. O estilo “está indissoluvelmente ligado ao enunciado e às formas típicas de enunciados, ou seja, os gêneros do discurso” (BAKHTIN, 2003, p.265). Desse modo, existem gêneros

apropriados para a utilização em determinadas esferas de comunicação e, também, a escolha das palavras se dá com base no gênero, o que determina o estilo da linguagem.

Cada enunciado é único e, por isso, reflete a individualidade de quem o emite. Todavia, existem gêneros mais propícios para a manifestação da individualidade do falante na linguagem, como os artísticos-literários, e outros menos propícios, como aqueles que possuem uma forma padronizada, por exemplo, os documentos oficiais.

Para o autor,

O estilo é indissociável de determinadas unidades temáticas e – o que é de especial importância – de determinadas unidades composicionais: de determinados tipos de construção do conjunto, de tipos do seu acabamento, de tipos da relação do falante com outros falantes da comunicação discursiva – com os ouvintes, os leitores, os parceiros, o discurso do outro etc. (BAKHTIN, 2003, p.266)

Como se pode perceber, ao se considerar o enunciado como unidade real da comunicação discursiva, as relações estabelecidas entre o falante e o ouvinte são de suma importância para a compreensão dos enunciados: quem eles são, em nome de quem eles falam, com que objetivo etc. Ambos os sujeitos discursivos – falante e ouvinte - ocupam uma posição ativa responsiva, desmistificando a ideia de que o ouvinte é apenas receptor, atuando de maneira passiva. Ao perceber e compreender o significado do enunciado, este pode concordar ou discordar, complementar, ampliar, ou seja, assume o papel de falante.

De acordo com o pensamento bakhtiniano, a linguagem apresenta-se como um processo de interação por meio do diálogo. Isso significa que não se pode compreender a língua de modo isolado, uma vez que fatores extralinguísticos – conjuntura histórica, relação entre os interlocutores, situação da fala - também são importantes. Em Marxismo e filosofia da linguagem, afirma-se que Bakhtin considera o aspecto social e não individual da enunciação, pois “a fala está indissoluvelmente ligada às condições da comunicação, que, por sua vez, estão sempre ligadas às estruturas sociais” (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2006, p.14).

Bakhtin (2003) compreende que os enunciados - por serem reais - passam a integrar a vida das pessoas e, do mesmo modo, é por meio dos enunciados que a vida

passa a integrar a língua. O autor considera o enunciado “um núcleo problemático de importância excepcional” (BAKHTIN, 2003, p.265), pois ele reflete os problemas existentes na sociedade. Em outras palavras, onde existe linguagem existe sociedade e onde existe sociedade existem problemas.

Nesse sentido, a palavra configura uma arena onde se confrontam as ideologias, os valores sociais dos indivíduos e das classes. A comunicação verbal envolve, pois, conflitos, “relações de dominação e resistência, adaptação ou resistência à hierarquia, utilização da língua pela classe dominante para reforçar seu poder etc.” (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2006, p.14). Em suma, todo signo é ideológico e a ideologia é uma representação das estruturas sociais.

O trabalho de investigação parte de um material linguístico concreto, envolvendo consequentemente enunciados concretos e únicos relacionados a um campo da atividade comunicativa: a entrevista enquanto gênero discursivo. Para Arfuch (1995, p.27), ponderar a entrevista enquanto um gênero do discurso

[...] é atender à situação comunicativa, seus interlocutores, o pacto de cooperação que se estabelece entre eles (mesmo quando seja para discordar), suas regras e suas infrações. Mas também é considerar os sentidos dessa interação, os sistemas de valoração do mundo que são colocados em jogo, a relação com outras formas discursivas, o modo ao qual se articula ao contexto sociocultural.

Trata-se de uma interação oral entre entrevistador e entrevistado, uma conversação, por meio da qual o entrevistador faz as perguntas e o entrevistado as responde. Precisa-se minimamente de duas pessoas envolvidas e desempenhando os mencionados papéis. Isso não significa que a entrevista não possa envolver entrevistador e mais de um entrevistado ao mesmo tempo. É importante deixar claro que existem diversos tipos de entrevista – entrevista de emprego, entrevista médica, entrevista jornalística etc. - apresentando, desse modo, diferentes estilos e finalidades.

Para a análise das entrevistas não se pode desconsiderar fatores como a esfera de produção, circulação e recepção. No estudo ora apresentado, estas foram pensadas e produzidas voltadas para o meio científico, pois fazem parte de um estudo associado a uma dissertação de mestrado. Assim sendo, a relação entre os sujeitos da entrevista é de suma importância, pois não envolve qualquer entrevistadora e quaisquer

entrevistados. Nessa situação, a entrevistadora é pesquisadora de um programa de pós-graduação da universidade pública federal da cidade; os gestores são os responsáveis pelas experiências educativas; os alunos entrevistados são imigrantes haitianos em situações educativas; e, as professoras ministram aulas de LP.

Dans le document Preface to the first edition (Page 174-179)