Vários sistemas têm sido desenvolvidos para apoio à tomada de decisão cooperativa em grupo (Pinson, Louca et al. 1997) (Gachet and Haettenschwiler 2003) (Vahidov and Fazlollahi 2004). Um dos primeiros exemplos foi o sistema Hermes (Karacapilidis and Papadias 2001), descrito pelos seus autores como sendo um sistema “que captura de forma eficiente os argumentos dos utilizadores, estimula a descoberta de conhecimento e a argumentação das questões em jogo, ao mesmo tempo que verifica automaticamente as incongruências entre as preferências dos utilizadores e leva em conta todos os argumentos proferidos para actualizar o estado da discussão”.
Na Tabela 4.2 enumera‐se um conjunto de SADG, nenhum dos quais incorpora qualquer método formal de avaliação da qualidade da informação.
Não se pretendendo efectuar nesta tese uma avaliação de SADG, é indicada para cada um destes SADG uma referência bibliográfica onde pode ser encontrada a sua descrição. A grande maioria dos sistemas não tem cariz comercial.
Tabela 4.2 – Exemplos de SADG42
Designação Refª Site
Hermes (Karacapilidis and Papadias 2001) N/D
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Team Expert
Choice (Saaty 2008) http://www.expertchoice.com Web‐HIPRE (Mustajoki and Hamalainen 2000) http://www.hipre.hut.fi/ Família VISA (Hodgkin, Belton et al. 2005) N/D Família ELECTRE (Figueira, Greco et al. 2009) http://www4.fe.uc.pt/lmcdias/iris.htm http://www.lamsade.dauphine.fr/english/software.html#el3.log HIVIEW3 (Phillips 2004) http://www.catalyze.co.uk
WINGDSS (Csáki, Rapcsák et al. 1995) http://www.oplab.sztaki.hu Opinions‐ Online (H\äm\äl\äinen 2003) http://www.opinions.hut.fi/ NEGOPLAN (Noronha and Szpakowicz 1996) N/D MARKEX (Matsatsinis and Siskos 1999) N/D PREFDIS (Zopounidis and Doumpos 2000) N/D MIIDAS (Siskos, Spyridakos et al. 1999) N/D FARSYS (Volberda and Rutges 1999) N/D 4.6 Sistemas de Apoio à Decisão na Saúde
Várias definições podem ser encontradas na literatura para os Sistemas de Apoio à Decisão na Saúde (SADS). A grande maioria dos autores identifica‐os com a capacidade de efectuar diagnósticos e fornecer recomendações sobre tratamentos, principalmente para os primeiros sistemas suportados por técnicas da Inteligência Artificial (Kong, Xu et al. 2008) (Coiera 2003). 42 Todos os sítios foram verificados em Dezembro de 2009. 43 N/D: não disponível
Actualmente estes sistemas alargaram a sua utilização para além do estrito campo do acto médico de diagnóstico e prescrição, desde os laboratórios clínicos, o ensino, a monitorização clínica, o reconhecimento e interpretação de imagens e os cuidados intensivos.
Os sistemas actuais de apoio à decisão na saúde estão direccionados para quatro grupos diferentes de agentes de decisão, com diferentes requisitos e diferentes níveis de conhecimento médico (Leroy and Chen 2007).
Os primeiros dois grupos – profissionais da área da saúde e investigadores ‐ possuem formação de base em ciências médicas ou biomédicas e usam os seus conhecimentos para tomar decisões que afectam terceiros. Os profissionais de saúde interagem directamente com os doentes e usam os sistemas de apoio à decisão para ajuda no diagnóstico de doenças, adiantar prognósticos, estabelecer a dose ideal de um medicamento ou avaliar as possíveis interacções entre medicamentos.
Os profissionais que fazem a gestão dos recursos de saúde constituem o terceiro grupo. Não têm uma interacção clínica directa com os doentes, mas são os responsáveis, em termos de gestão, pelas opções e pelos meios afectos aos cuidados de saúde.
Finalmente, o último grupo e o mais numeroso de agentes de decisão, com o menor conhecimento de medicina, é o público em geral. Os doentes e os seus familiares cada vez mais procuram informações online sobre doenças específicas, enquanto as pessoas saudáveis pesquisam informação que lhes permita manter essa condição.
Vários sistemas online de apoio à decisão começam a surgir para ajudar os doentes a avaliar os seus sintomas ou para ajudar a gerir as condições de doenças crónicas. Podem ser tão simples como uma calculadora online para prever o risco de desenvolver diabetes44 (Hippisley‐Cox, Coupland et al. 2009) ou sistemas para a
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monitorização pelo próprio doente da evolução da sua doença crónica e o ajuste do tratamento, conforme um plano previamente estabelecido com o médico e regularmente revisto por este, como é exemplo o P’ASMA45 – Programa de Auto‐ Controlo, Seguimento e Monitorização da Asma .
Os sistemas baseados em conhecimento, e entre estes os sistemas baseados em regras, são os SADS mais usuais, contendo conhecimento médico para tarefas muito específicas. A literatura evidencia um consenso generalizado de que os SADS têm potencial para melhorar os cuidados de saúde, ou pelo menos ajudar a alterar o comportamento dos técnicos de saúde (Coiera 2003), sendo utilizados com sucesso, nomeadamente, em: Alertas e lembretes; Ajuda ao diagnóstico; Análise crítica de terapias e do seu planeamento; Apoio à prescrição; Pesquisa de informação; Reconhecimento e interpretação de imagens clínicas. Por outro lado, as principais razões para o insucesso de muitos SADS incluem a dependência de um sistema electrónico de processos clínicos dos doentes para obtenção de dados de entrada, a deficiente concepção da interface com o utilizador, a incapacidade de inserção natural na rotina dos processos de cuidados de saúde e de tratamento e a relutância ou mesmo iliteracia informática de muitos profissionais de saúde.
Alguns SADS possuem ainda a capacidade de aprendizagem, permitindo a sua utilização na descoberta de novos conhecimentos na medicina, nomeadamente para
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o desenvolvimento de bases de conhecimento usadas por Sistemas Periciais, o desenvolvimento de novos medicamentos e para pesquisa avançada no desenvolvimento de modelos patofisiológicos a partir de dados experimentais.
As conclusões do último relatório da Agency for Healthcare Research and Quality46 (USA) apontam para os efeitos positivos, de alguma eficácia, na utilização dos actuais SADS. A sua maior utilidade foi demonstrada na prevenção do erro médico, especialmente quando interligados com sistemas electrónicos de registos clínicos dos doentes e directamente inseridos no processo de tratamento. Apontam ainda para o menor suporte que os sistemas actuais fornecem no caso de cuidados continuados de saúde, nomeadamente na doença crónica, e para a necessidade de novos desenvolvimentos nessa área.
É precisamente uma das áreas que o projecto VirtualECare pretende cobrir.