No que concerne aos procedimentos realizados para a concepção deste estudo, efectuou- se pesquisa documental e bibliográfica de modo a fundamentar cientificamente a base teórica do mesmo, bem como se aprofundou o conhecimento estatístico referente à comunidade brasileira.
Considerou-se pertinente a elaboração de um Inquérito por Questionário, por se considerar ser uma forma fidedigna de se conhecer e generalizar um conjunto de opiniões.
A construção dos inquéritos aplicados à população em estudo foi realizada nos meses de Janeiro e Fevereiro. O inquérito por questionário foi elaborado de raiz, para o efeito, foi elaborado um guião, dividido em blocos de modo a ser facilitada a construção do questionário. Considerou-se fundamental incluir a caracterização dos inquiridos, sendo construídos os restantes blocos de acordo com os objectivos do estudo e com a
informação que se pretendia obter dos inquiridos, de modo a recolhermos a maior quantidade de informação possível.
Assim, no segundo bloco questionou-se relativamente ao percurso migratório e à situação em que se encontram a nível legal no nosso país, considerou-se pertinente perguntar o ano de chegada a Portugal e a Albufeira, bem como o visto de entrada e situação que se encontra neste momento. No bloco três colocaram-se questões sobre o motivo da emigração, para se compreender a sua forma de integração. No bloco quatro questionou-se sobre as habilitações literárias no sentido de se perceber se as funções que desempenham vão ao encontro das suas habilitações académicas. No bloco seguinte, pretendia-se perceber como foi a entrada no mercado de trabalho, se já havia contactos com amigos/familiares com vista à obtenção de trabalho e quanto tempo levaram a conseguir. No bloco seis e sete as questões eram direccionadas para as redes familiares e de amigos, pois importava-nos saber se o facto de terem em Portugal essa rede, facilitou ou não o seu processo de integração, bem como quais as medidas que essas redes tinham tomado no sentido de os auxiliarem nesse decurso, portanto as questões foram obviamente nesse sentido. Quanto aos bloco oito e nove, abordámos a comunicação com o país de origem, e o acesso às novas tecnologias, pois era nossa intenção perceber quais os meios de comunicação mais utilizados, bem como a regularidade, e se essa comunicação favorecia a integração no país de acolhimento. Na utilização das novas tecnologias pretendíamos saber se as utilizavam como forma de comunicação com o país de origem e com que objectivos. Por fim, no bloco dez, pretendíamos verificar se as tecnologias de informação e comunicação eram vistas e sentidas pelos imigrantes como factor integrador.
Foi preparada uma primeira versão, que após as sugestões da orientadora foi melhorada, consequentemente após a mesma concordar com as sugestões de alteração avançou-se para a versão a ser aplicada aos informantes qualificados.
Foi solicitado a 4 informantes qualificados que fizessem uma apreciação ao Inquérito por Questionário, os mesmos foram entregues e recolhidos em mãos entre o dia 21 de Fevereiro e o dia 5 de Março.
As sugestões de melhoria apresentadas foram pertinentes, nomeadamente no que diz respeito aos termos técnicos, uma vez que se desconhece o nível de formação dos inquiridos. Foi sugerido que em algumas questões, e de acordo com a resposta sim ou
não passasse para a questão seguinte e/ou para o bloco seguinte. Alguns informantes indicaram que em algumas questões deveria colocar-se a possibilidade dos inquiridos poderem optar por mais do que uma resposta, por exemplo na questão “Utiliza a internet com que objectivo?” existe a probabilidade do indivíduo utilizar para diversos fins, desta forma seria mais adequado haver essa possibilidade, não reduzindo o conhecimento global da utilização da internet, até porque, desta forma se poderá recolher bastante informação, que se julga ser importante para o estudo em causa. Relativamente às redes sociais foi sugerido que se incluísse o Hi5 e o Orkut, este último muito utilizado pela comunidade brasileira para comunicar com a família.
Tendo em conta as sugestões apresentadas, foi elaborado o inquérito por Questionário com as devidas rectificações, e enviado à orientadora para apreciação. Após as alterações efectuadas de acordo com o sugerido pela orientadora, foi elaborada nova versão.
Foi efectuado um pedido de autorização2 para aplicação dos questionários, à Câmara Municipal de Albufeira, Divisão de Acção Social Saúde e Juventude, de modo a que os inquéritos fossem aplicados no Gabinete da Família e no Gabinete do Imigrante.
O pré-teste foi aplicado a 4 indivíduos com as características idênticas à população alvo do estudo. A média do tempo despendido a preencher o inquérito foi de 14,5 minutos. Os Inquéritos foram entregues e recolhidos em mãos entre o dia 21 e 27 Março.
Após as devidas correcções foi elaborada a versão final do Inquérito por Questionário a ser aplicado à amostra.
Os inquéritos por questionário definitivos3 foram aplicados nos meses de Abril, Maio e Junho de 2012, no Gabinete do Imigrante (GAI) e Gabinete da Família (GAF) da Câmara Municipal de Albufeira. Foram entregues em mãos, alguns preenchidos no local, outros os inquiridos levaram para preencher na sua residência e posteriormente efectuaram a entrega nos serviços. Sempre que solicitado, foram esclarecidas dúvidas pelos técnicos que aplicaram o questionário, foi garantida o anonimato e a confidencialidade da informação aos inquiridos.
2Anexo 1
Não obstante, sentiu-se alguma dificuldade pois nos meses referidos a afluência de indivíduos provenientes do Brasil, foi muito diminuta, tendo que ser alargado o prazo que se havia inicialmente estipulado para aplicar os inquéritos.
Após se dar por concluída a fase de recolha de dados, efectuou-se a análise dos mesmos. Assim, e de acordo com Quivy e Campenhoudt (1992) “ a maior parte dos métodos de análise das informações depende de uma de duas grandes categorias: a análise estatística dos dados e a análise de conteúdo” (p.220). Não obstante, neste estudo os inquéritos por questionário foram analisados à luz da análise estatística, bem como, da análise de conteúdo.
Desta forma, os dados obtidos foram organizados, codificados e tratados com recurso ao programa Microsoft Office Excell 2007, bem como o programa Statistical Program for Social Sciences, versão 17.0 (SPSS).
O tratamento estatístico consistiu na utilização de técnicas de estatística descritiva, em que foram calculadas as frequências e percentagens.
Foi feita uma análise quantitativa nas questões fechadas e semi abertas do inquérito, de modo a analisar o mesmo. Para que se possa efectuar mais facilmente uma leitura, compreensão e interpretação dos dados, foram elaboradas tabelas e gráficos.
Tendo em conta que o instrumento de recolha de informação adoptado para este estudo foi o inquérito por questionário, constituído por questões fechadas, semi-abertas e abertas, foi efectuada a análise de conteúdo das questões abertas e algumas das questões semi-abertas.
Assim, e tendo em linha de conta que “a análise de conteúdo aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens” (Bardin, 2004, p.33) tendo como finalidade clara, ou não, de que se pretende obter inferências relativas às condições de produção, recorrendo a indicadores.
Desta forma, para o estudo em causa, criou-se uma tabela, constituída por cinco campos, dimensão, categorias, subcategorias, unidades de contexto e unidades de registo. Posteriormente verificou-se quais as questões semi abertas passíveis de se efectuar a análise de conteúdo, bem como as questões abertas. Indo ao encontro da estrutura do inquérito por questionário delineou-se as dimensões, bem como as categorias, as subcategorias foram criadas após se verificar as respostas das questões,
que constam na unidade de registo, criando subcategorias que englobassem as respostas dos participantes, as unidades de registo4 foram recolhidas com base nas citações das unidades de contexto.
Quadro 10 – Esquema geral das Dimensões, Categorias e Subcategorias.
Dimensões Categorias Subcategorias
Emigração Motivação para a Emigração Razões
Emigração Motivação para a Emigração Escolha do país
Emigração Motivação para a Emigração Decisão
Habilitações Literárias Não continuação dos estudos
Não continuação dos estudos Situação no país
Motivação
Mercado de trabalho Obtenção de trabalho Outros
Próprio Redes Integração Laboral Profissional e pessoal Pessoal Global
Redes Não Integração
Laboral Pessoal Global
Redes O que já fez para se integrar Laboral
Pessoal Rede Amigos
Apoio dos Amigos em Albufeira, em que medida? Logístico Laboral Diversos Emocional Financeiro
Redes Contribuição dos amigos em
Albufeira para a integração
Laboral Bem estar Logística Apoio
Conhecimento
Redes Inexistência de amigos em Solidão
4Anexo 3
Albufeira Desmotivada Autónomo
Redes Rede Amigos Proveniência
Dinâmicas Familiares Tradições facilitam a integração Positivo
Desconhecimento Comunicação país origem Meios de comunicação Financeiro Celeridade Facilidade/praticidade Celeridade/custo Celeridade/Facilidade Emocional Limitações usual Comunicação país origem
Vantagens dos meios de comunicação Financeiro Celeridade Ambos Facilidade Emocional Conhecimento Todas Comunicação com o país de origem
Comunicação como forma de integração
Emocional Conhecimento Integração
Novas Tecnologias Utilização da Internet Informação
Novas Tecnologias Objectivo das Redes Sociais
Comunicação Convívio Proximidade
Contribuição das TIC Integração Comunicação
Emocional Motivação
Modernidade Contribuição das TIC Bem estar psicológico e emocional Proximidade
Ligação
Comunicação com o país de origem
Informação como forma de integração
Conhecimento Realidade Sentimento