TWO CHILLED SEMI-PREPARED MEALS BY GAMMA IRRADIATION
2. MATERIALS AND METHODS 1. Test material and packaging
A Entrevista Reϔlexiva a partir do Registro de Observação (EROb) foi desenvolvida, a princípio, para atender nossa demanda por uma estratégia de investigação e coleta de dados que fosse coerente com os parâmetros metodológicos que balizavam o processo de pesquisa por nós implementado. Neste sentido, a EROb foi desenvolvida com base nos mesmos pressupostos da Entrevista Reϔlexiva e, fundamental- mente, possui os mesmos objetivos: a) suscitar informações objetivas e subjetivas e; b) conduzir o processo de diálogo de modo a ampliar e aprofundar o tema discutido. Na EROb também utilizamos os mesmos cinco tipos de questões propostas pela Entrevista Reϔlexiva.
Entretanto, considerando o objetivo fundamental do projeto de pesquisa que ocasionou sua criação, a EROb possui objetivos e proce- dimentos que lhes são especí icos, os quais, a nosso ver, oferecem uma amplitude maior de captação de informações e de compreensão do fenô- meno investigado. Neste sentido, os objetivos fundamentais da EROb são:
a) “Emprestar” para a professora/entrevistada o olhar da pes- quisadora/entrevistadora sobre a realidade de sua sala de aula, captado através das sessões de observações ali realiza- das e registrado nos Registros de Observação (disponibiliza- dos para a professora), propiciando-lhe assim a oportunida- de de observar aquela realidade sob uma nova perspectiva; b) Oportunizar à professora/entrevistada um espaço de re le-
xão e discussão mediada em que ela possa re letir e discutir sobre as ideias, impressões e dúvidas surgidas em decor- rência de sua nova forma de observar a realidade de sua sala (consequência da leitura do Registro de Observação); c) Propiciar à pesquisadora/entrevistadora oportunidade
para coletar e trocar informações, investigando os aspectos relacionados à prática pedagógica da professora/entrevis- tada e às interações estabelecidas dentro da sala de aula.
Portanto, como podemos observar, o conhecimento construído na situação de Entrevista Reϔlexiva a partir do Registro de Observação (EROb) origina-se de uma construção conjunta, resultante da intera- ção estabelecida entre a professora/entrevistada e a pesquisadora/ entrevistadora. Nesta interação, tanto a professora quanto a pesquisa- dora participam, trazendo para a situação de Entrevista seus próprios conjuntos de conhecimentos.
No caso da professora/entrevistada, a mesma possui e traz para a EROb três conjuntos especí icos de conhecimentos, os quais se cons- tituem em focos de interesse da pesquisadora/entrevistadora:
a) Os conhecimentos relacionados à sua área especí ica de formação; oriundos de suas experiências pro issionais, pes- soais e culturais, dentro dos seus diversos ambientes de interação social. Apesar desse conjunto de conhecimentos ser único e individual, a professora, como indivíduo per- tencente a um grupo, traz em sua fala a representação de seus pares e possui certo conhecimento partilhado com eles (Bakhtin, 1986);
b) Os conhecimentos relacionados à implementação de sua prática pedagógica: o modo como se dão as interações den- tro da sala de aula; as di iculdades e facilidades encontradas por ela no enfrentamento de seu cotidiano; suas opiniões, concepções, e sentimentos a respeito de sua prática, de seus alunos e de si própria, pessoa e pro issional, inserida naque- le contexto;
c) Por im, o conjunto de conhecimentos construídos a partir de sua experiência como participante do processo de inves- tigação mediado pela pesquisadora. Ou seja, o que signi ica para a professora estar participando da pesquisa: as im- pressões, os sentimentos, as expectativas e as di iculdades surgidas em decorrência de sua participação na pesquisa e de sua interação com a pesquisadora.
A pesquisadora/entrevistadora também possui e traz para a si- tuação da Entrevista Reϔlexiva a partir do Registro de Observação certo conjunto de conhecimentos que são aqueles relacionados à sua área de formação acadêmica, às suas experiências pro issionais, pessoais e culturais. Esse conjunto de conhecimentos está presente na Entrevista
de forma indireta, revelando-se no processo mediacional estabelecido entre ela e a professora como, por exemplo, no estilo da descrição feita pela pesquisadora ao registrar os eventos observados na sala de aula, ou na maneira como ela conduz sua interação com a professora, bus- cando garantir a ocorrência do processo de análise re lexivo-crítica. Além disso, no caso da pesquisa realizada, a formação da pesquisa- dora como psicóloga escolar favoreceu o exercício de uma prática de compreensão e interpretação psicológica que foi colocada a serviço do processo de análise re lexivo-crítica, nos diversos momentos de sua interação com a professora.
Resumindo, podemos dizer que o procedimento fundamental da EROb é o de possibilitar à professora/entrevistada um novo olhar sobre a realidade de sua sala de aula, um “olhar” oferecido pela pes- quisadora/entrevistadora. Essa forma inédita de olhar para o contexto de sua atuação pro issional, além de ampliar o conjunto de informa- ções sobre o ambiente de sua sala, também favorece à professora um aprofundamento em sua forma de perceber e interpretar os aspectos relacionados à sua prática pedagógica e às interações estabelecidas daquele contexto.
As etapas do procedimento de aplicação da EROb são descritas a seguir:
a) A pesquisadora realiza períodos de observação em sala de aula. São feitas as sessões de Observação com Registro (de aproximadamente 1h), em que os dias e horários são previa- mente agendados com a professora regente;
b) Após cada sessão de observação, a pesquisadora produz um documento chamado Registro de Observação, que se cons- titui em uma descrição circunstanciada de tudo aquilo que a ela conseguiu observar e registrar por escrito, durante o período em que esteve dentro da sala;
c) A pesquisadora entrega, com antecedência, uma cópia do Registro de Observação para a professora, depois solicita para que ela faça a leitura desse documento e destaque os pontos da descrição que mais lhe chamaram a atenção e quais ela gostaria de conversar em seu próximo encontro com a pesquisadora;
d) A pesquisadora também lê, previamente, o Registro de Observação, em seguida, assim como a professora, faz um
levantamento dos pontos considerados mais relevantes e, então, decide quais pretende coletar informações e/ou aprofundar sua compreensão;
e) A pesquisadora, juntamente com a professora, ao realizar a
Entrevista Reϔlexiva, a partir do Registro de Observação, se-
gue os seguintes passos:
• Pesquisadora/entrevistadora e professora/en- trevistada reúnem-se para discutir e analisar os aspectos que consideraram mais relevantes do Registro de Observação e, em seguida, dão início ao processo de análise re lexivo-crítica;
• O processo de análise re lexivo-crítica, na medida do possível, deve ser desencadeado por colocações da professora, que precisa ser incentivada a apon- tar os aspectos que mais lhe chamaram a atenção durante a leitura do Registro de Observação; • Caso a professora não se disponha a iniciar a dis-
cussão apontando algum tópico de seu interesse, a pesquisadora/entrevistadora pode formular
Questões Desencadeadoras com objetivo de desen-
cadear o processo de análise re lexivo-crítica. A
Questão Desencadeadora é construída pela pesqui-
sadora com base em sua compreensão sobre o que está acontecendo ou sendo discutido em determi- nado momento da situação interacional estabeleci- da com a professora.
Entretanto, mesmo que a professora/entrevistada destaque, ini- cialmente, pontos relevantes do Registro de Observação, isso não im- pede que a pesquisadora/entrevistadora, ao longo da Entrevista, traga também para a discussão e análise os aspectos identi icados por ela como importantes e que não foram mencionados pela professora. Nesse sentido, sempre que surgirem oportunidades, a pesquisadora pode e deve elaborar Questões Desencadeadoras relacionadas a aspectos im- portantes que tenham sido notados por ela e não foram comentados pela professora. Nesses momentos, é necessário que a pesquisadora/ entrevistadora tenha sempre o cuidado de fazer colocações descritivas, seguidas por Questões Desencadeadoras. Essa recomendação justi ica-se
pelo fato de que, em essência, o objetivo da Entrevista Reϔlexiva a partir
do Registro de Observação é suscitar informações e conduzir o proces-
so de diálogo de modo a ampliar e aprofundar a compreensão do tema em foco, não fazendo parte das atribuições da pesquisadora avaliar ou orientar aspectos da conduta da professora em sala de aula.
O fato da Entrevista Reϔlexiva a partir do Registro de Observação, como o próprio nome diz, desenvolver-se a partir de aspectos suscita- dos pelo registro descritivo (Registro de Observação) dos eventos ob- servados pela pesquisadora na sala de aula da professora/entrevista- da, confere às situações de entrevista, conotações ainda inéditas como estratégia de investigação qualitativa. Isso porque, como foi possível observar, o processo de análise re lexivo-crítica desencadeado desta forma, dentro daquele contexto interacional, produz um conjunto de informações muito signi icativo e amplia as possibilidades de compre- ensão do fenômeno estudado.
Assim, acreditamos que coletar informações ou discutir sobre aspectos relacionados à prática pedagógica docente ou re letir sobre situações que ocorrem no ambiente de sala de aula, será muito mais estimulante e provocador quando essa prática ou esse ambiente es- tiverem relacionados diretamente com a professora/entrevistada. A motivação da professora em participar desse processo de análise re le- xivo-crítica também estará muito condicionada ao tipo de proveito que ela deseja obter ao participar do mesmo. Desse modo, a pertinência e a utilidade dessa participação, com certeza, serão muito mais evidentes para a professora se ela estiver re letindo e discutindo sobre questões relacionadas, direta ou indiretamente, à sua própria prática pro issio- nal, ou seja, questões que lhe interessam e preocupam.
Ao ler o Registro de Observação fornecido pela pesquisadora, muitas vezes, a professora constata fatos da dinâmica de sua sala ou observa aspectos relacionados à sua prática pedagógica sobre os quais ainda não tinha uma clareza de conhecimento. Isso torna a interação muito mais rica por conta das novas informações que vão surgindo e da situação de troca que se estabelece entre os participantes da en- trevista, pois não só a pesquisadora/entrevistadora estará obtendo o conhecimento que deseja, como a professora/entrevistada também estará construindo, sistematizando ou (re) signi icando determinado conjunto de conhecimentos.
tica e experiência pedagógica e sobre tudo mais que acontece em sua sala de aula, ela passa a ser reconhecida como alguém que possui um conhe- cimento que é do interesse do OUTRO, no caso, da pesquisadora/entre- vistadora. Os relatos de experiência da professora, suas opiniões, suas avaliações, suas percepções sobre o que acontece em sua sala de aula constituem um conjunto de conhecimentos que é exclusivo e próprio dela.
Assim, ao reconhecer sua condição de detentora de saberes e de opiniões, que são valorizados dentro do microssistema das Entrevistas
Reϔlexivas a partir do Registro de Observação, a professora abandona o
papel passivo de mera fornecedora de informações, tão usual em en- trevistas que visam “extrair do sujeito” os dados de interesse do in- vestigador, e passa a assumir o papel de conhecedora, ou seja, de de- tentora de um conhecimento que é alvo do interesse do OUTRO. Essa mudança de perspectiva motiva a professora a assumir a posição ativa de colaboradora no processo de análise re lexivo-crítica instaurado ao longo das EROb(s), levando-a a contribuir de forma mais efetiva para o desvelamento do fenômeno em investigação.