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Jeudi 14 mai 2020

M. Martin Hirsch. – Je reste à votre disposition

Conforme mencionado anteriormente, a turma escolhida para ser investigada era o 8º “A” do ensino fundamental (correspondente à 7ª série), composta no primeiro momento da pesquisa por 29 alunos, pertencentes à faixa etária entre os 13 e 15 anos, os quais doravante serão identificados nesta investigação como sujeitos da pesquisa.

A escolha da turma em questão se deu em função do gênero textual com qual pretendi trabalhar - gênero expositivo de caráter opinativo - por este situar-se justamente no volume correspondente à citada série/ano. A triagem inicial do texto pendeu inicialmente pela categoria dos não literários, por levar em consideração que suas características são as mais apropriadas para um trabalho de recuperação de informações, tal como requer os propósitos da investigação aqui empreendida. Essa dedução é endossada nas palavras de Kleiman (1999, p.14):

Não conseguimos imaginar, por exemplo, um trabalho de depreensão do tema ou de recuperação de informações com um conto que utilize a surpresa,

o inesperado para nos encantar. Nem conseguimos imaginar como algum elemento de uma estória bem contada poderia nos causar dificuldades para processá-la, quando, de fato, o processamento ficará totalmente submerso por esse mesmo encantamento frente ao interesse intrínseco da estória.

Isso comprova que as características fugidias do texto literário não são tão adequadas ao trabalho a que me propus desenvolver, que demanda um texto de natureza menos subjetiva.

Nesse caso optei por uma modalidade textual que, conforme o agrupamento proposto por Schneuwly e Dolz (2004), em função da capacidade de linguagem, classifica-se como

pertencente ao domínio do expor e em função da sua circularidade social classifica-se como um

artigo enciclopédico. De acordo com o grupo autoral do LD em estudo, a inserção desse gênero

textual no volume destinado ao oitavo ano, se deu em função da gradação gênero/série, estabelecida por níveis de complexidade textual.

Conforme os dados acessados na Estatística Inicial7 2014 disponível na secretaria da escola, a matricula inicial da turma registrara 27 alunos. No entanto, no transcurso do período letivo em que realizei a pesquisa, ocorre uma oscilação no número de matriculados de modo que na segunda etapa, apenas 22 alunos estavam presentes em sala, e, portanto contribuíram com esta nova fase do trabalho.

A turma em questão destaca-se pelo fato de se manter na órbita das avaliações de desempenho do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

(INEP), tendo sido submetida aos exames da Prova Brasil em 2011, quando compreendia o 5º ano. Durante a presente pesquisa, vislumbrava-se já a expectativa de novo exame a realizar-se em 2015, quando os alunos estariam cursando o 9º ano.

Outro fato digno de registro refere-se à origem histórica e social dos alunos desta turma, posto que, enquanto a maioria residia na própria vila, a parte restante compunha-se filhos de trabalhadores rurais sem terra que se achavam acampados em uma determinada fazenda pleiteando sua posse, e de filhos de funcionários desta mesma fazenda. Deste modo, sonhos e ideologias totalmente opostas ocupavam o mesmo cenário escolar, sem quebrar a harmonia e a pacificidade entre os alunos.

Essa ocorrência submetia a escola, ainda que forma não planejada - pois não houvera discussões ou orientações teóricas sobre o assunto -, à prática de um ensino, assentado na

perspectiva intercultural8 tal como preconiza Fleuri (2001, p. 49):

A perspectiva intercultural propõe novas estratégias de relação entre sujeitos e entre grupos diferentes. Busca promover a construção de identidades sociais e o reconhecimento das diferenças culturais. Mas, ao mesmo tempo, procura sustentar a relação crítica e solidária entre elas.

7

Estatística Inicial é uma ficha padronizada preenchida pela escola e enviada à secretaria municipal de educação, informando os dados quantitativos de matrículas de alunos efetuadas pela unidade de ensino no início do ano letivo.

8

Perspectiva intercultural é um conceito que vem sendo construído há várias décadas no âmbito dos estudos da educação. As definições mais usualmente atribuídas a este termo são formuladas em contraste a outras perspectivas de estratégias educacionais como o monoculturalismo e o multiculturalismo e traduzem uma práxis pedagógica pautada na convivência entre diferentes culturas em um mesmo espaço de ensino, não se restringindo a garantir a harmonia entre esses grupos heterogêneos, mas e principalmente, pondo em destaque, conforme sintetizam Teixeira e Ribeiro (2012), a consciência das diferenças e das relações entre culturas.

A dinâmica intercultural pressupõe a interação entre os sujeitos, membros de grupos sociais históricos, de identidades variadas, nos quais são sujeitos ativos. A interação do indivíduo de uma determinada cultura com uma cultura dessemelhante da sua, favorece a ampliação do seu horizonte de compreensão da realidade, posto que, torna possível compreender ou adotar pontos de vistas diferentes da relação social.

Vimos neste capítulo que o PROFLETRAS, curso de pós-graduação de professores de língua portuguesa em nível de mestrado que deu suporte à realização da pesquisa aqui relatada, tem como objetivo central contribuir com a melhoria da qualidade do ensino no Brasil através da capacitação dos professores. Assim, estimula a produção da pesquisa-ação como estratégia de estudos dos problemas de aprendizagens recorrentes nos ambientes escolares. A pesquisa- ação por sua vez, é subsidiária da abordagem qualitativa, sobretudo no tocante à observação local e à prática interventiva na busca de solução dos problemas evidenciados na investigação. Seguindo essa orientação, o trabalho aqui descrito utiliza os métodos da pesquisa-ação, porém alia as abordagens qualitativa e quantitativa como meios de quantificação e compreensão dos dados levantados.