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Les marchés d'options de devises

CHAPITRE II : LES TECHNIQUES EXTERNES A L'ENTREPRISE

Section 2 Les marchés d'options de devises

Para avaliar as ações de prevenção de quedas realizadas pelos profissionais de saúde, utilizou-se a mesma amostra da validação de constructo e confiabilidade.

Analisou-se o desempenho dos profissionais em cada ação do processo, utilizando-se o mesmo método abordado no estudo de Haddad e Évora (2008), o Índice de Positividade (IP) para Qualidade da Assistência (QA). Para este estudo, considerou- se somente a resposta “sempre executa esta ação em sua rotina de trabalho” como positiva, uma vez que parte-se do princípio que a prevenção de quedas é maior quando os profissionais sempre executam as ações, contribuindo, assim, para a segurança do paciente.

Assim, a assistência foi classificada de acordo com o IP obtido, sendo: IP de 100% – assistência desejável; IP entre 90 e 99% – assistência adequada; IP entre 80 e 89% – assistência segura; IP entre 70 a 79% – assistência limítrofe e IP menor ou igual a 70% – assistência sofrível (HADDAD; ÉVORA, 2008).

Os resultados do IPQP foram analisados em seus domínios (avaliação e monitoramento, orientações para paciente/família, práticas diretas e registro e notificação). A tabela 12 evidencia a execução das ações de prevenção de quedas pelos profissionais de saúde nos níveis de frequência nunca, quase nunca, às vezes, quase sempre e sempre, conforme domínios do IPQP.

Tabela 12 – Distribuição das respostas dos profissionais, segundo o IP e os domínios (Continua)

Inadequado Adequado Itens Nunca Quase nunca Às vezes sempre Quase Sempre

N % N % N % N % N % D om ín io 1 1 17 8,4 5 2,5 10 4,9 26 12,8 145 71,4 2 12 5,9 6 3,0 18 8,9 32 15,8 135 66,5 D om ín io 2 3 4 8 8 3,9 3,9 0 3 1,5 0,0 16 6 7,9 3,0 29 16 14,3 147 72,4 7,9 173 85,2 5 17 8,4 6 3,0 20 9,9 31 15,3 129 63,5

Tabela 12 – Distribuição das respostas dos profissionais, segundo o IP e os domínios (Conclusão) D om ín io 3 6 17 8,4 2 1,0 10 4,9 32 15,8 142 70,0 7 51 25,1 8 3,9 19 9,4 25 12,3 100 49,3 8 40 19,7 3 1,5 7 3,4 14 6,9 139 68,5 9 41 20,2 6 3,0 5 2,5 28 13,8 123 60,6 10 14 6,9 2 1,0 9 4,4 16 7,9 162 79,8 11 40 19,7 11 5,4 20 9,9 35 17,2 97 47,8 D om ín io 4 12 29 14,3 11 5,4 25 12,3 21 10,3 117 57,6 13 47 23,2 23 11,3 14 6,9 28 13,8 91 44,8 14 21 10,3 7 3,4 15 7,4 23 11,3 137 67,5 15 61 30,0 8 3,9 16 7,9 18 8,9 100 49,3

Fonte: dados da pesquisa.

Observa-se na tabela 12 que apenas o item 4 obteve IP entre 80 e 89, sendo a ação a mais realizada pelos profissionais de saúde, classificando a assistência como segura para essa ação. Os itens 1 (71,4%), 3 (72,4%) e 10 (79,8%) atingiram um IP entre 71 e 79%, considerada uma assistência limítrofe, e todos os demais itens obtiveram valores iguais ou inferiores a 70%, classificando a assistência como sofrível.

Para melhor visualização dos resultados, a tabela 13 expõe o índice de positividade para cada categoria profissional.

Tabela 13 – Análise da qualidade da prevenção de queda na pediatria conforme categoria profissional (Continua)

Item Índice de Positividade (%) QA em relação aos profissio- nais de saúde Auxiliar (n=29) N(%) Técnico (n=110) N(%) Enfer- meiro (n=45) N(%) Fisiote- rapeuta (n=9) N(%) Médico (n=10) N(%) Total (n=203) N(%) D om ín io 1

01. Avalia o risco para quedas no momento da admissão da criança. 20

(69%) (77,3%) 85 (80%) 36 (11,1%) 1 (30,0%) 3 (71,4%) Limítrofe 145 02. Avalia o risco para quedas da criança diariamente.

22

Tabela 13 – Análise da qualidade da prevenção de queda na pediatria conforme categoria profissional (Conclusão) D om ín io 2

03. Orienta a criança e o acompanhante sobre a presença do risco de queda relacionado a fatores contribuintes, tais como idade, diagnóstico, fatores cognitivos, história pregressa, jejum prolongado, cirurgia/sedação/anestesia e/ou medicação, dano por queda e como prevenir sua ocorrência

04. Informa para o acompanhante se a criança está liberada ou não para deambular. 24

(82,8%) (88,2%) 97 (91,1%) 41 (44,4%) 4 (70,0%) 7 (85,2%) 173 Seguro 05. Orienta a criança e/ou família/responsável a levantar progressivamente (elevar a

cabeceira 30°, sentar-se no leito com os pés apoiados no chão por 5 a 10 minutos, antes de sair da cama) de acordo com a presença de risco para quedas já identificado.

19 (65,5%) (71,8) 79 (51,1%) 23 (44,4%) 4 (40,0%) 4 (63,5%) 129 Sofrível D om ín io 3

06. Acomoda crianças com idade < 3 anos em berço e crianças > 3 anos em cama, ambos com grades elevadas a altura máxima.

24

(82,8%) (74,5%) 82 (60,0%) 27 (22,2%) 2 (70,0%) 7 (70,0%) 142 Sofrível 07. Providencia que as crianças com idade ≤ 6 meses sejam transportadas no colo do

responsável e este em cadeira de rodas. 15

(51,7%) (59,1%) 65 (33,3%) 15 (11,1%) 1 (40,0%) 4 (49,3%) 100 Sofrível 08. Providencia que as crianças com idade > 6 meses ou ≤ 36 meses sejam transportadas

deitadas em maca na companhia do responsável quando for submetida a procedimentos com anestesia/sedação; ou em cadeira de rodas no colo do responsável.

21

(72,4%) (76,4%) 84 (64,4%) 29 (11,1%) 1 (40,0%) 4 (68,5%) 139 Sofrível 09. Providencia que as crianças com idade > 36 meses sejam transportadas em maca, deitadas

e acompanhadas ou não do responsável, ou em cadeira de rodas no colo do responsável. 18

(62,1%) (66,4%) 73 (57,8%) 26 (11,1%) 1 (50,0%) 5 (60,6%) 123 Sofrível 10. Mantém uma das grades elevadas do berço durante a troca de roupa/fralda da criança.

25

(86,2%) (86,4%) 95 (75,6%) 34 (0,0%) 0 (80,0%) 8 (79,8%) Limítrofe 162 11. Aloca a criança com história pregressa de queda próximo ao posto de enfermagem,

quando possível. 15 (51,7%) (53,6%) 59 (44,4%) 20 (22,2%) 2 (10,0%) 1 (47,8%) 97 Sofrível D om ín io 4

12. Verifica na prescrição os medicamentos que alterem a mobilidade e o equilíbrio. 19

(65,5%) (62,7%) 69 (53,3%) 24 (22,2%) 2 (30,0%) 3 (57,6%) 117 Sofrível 13. Registra no prontuário da criança o resultado para avaliação do risco de quedas e todos os

procedimentos realizados para sua prevenção. 14

(48,3%) (53,6%) 59 (37,8%) 17 (22,2%) 2 (30,0%) 3 (44,8%) 91 Sofrível 14. Registra no prontuário a ocorrência de quedas, fatores relacionados e os danos gerados.

19

(65,5%) (73,6%) 81 (71,1%) 32 (11,1%) 1 (40,0%) 4 (67,5%) 137 Sofrível 15. Notifica os incidentes com quedas à Gerência de Riscos e/ou ao Núcleo de Segurança do

Paciente (quando existentes). 13

(44,8%) (59,1%) 65 (44,4%) 20 (0,0%) 0 (20,0%) 2 (49,3%) 100 Sofrível Fonte: dados da pesquisa.

De acordo com a tabela 13, observa-se que as ações 6 e 12 foram mais desempenhadas pelos auxiliares de enfermagem. As ações 1 e 4 foram melhor desempenhadas pelos enfermeiros e as demais ações do IPQP tiveram o técnico de enfermagem como o que melhor desempenhou a ação dentre os profissionais.

 Domínio 1 – Avaliação e monitoramento

Os resultados em relação ao domínio 1 mostraram que a ação 1 teve a assistência classificada como limítrofe, e a ação 2 como sofrível, sendo o enfermeiro e técnico de enfermagem os profissionais que melhor as desempenharam, respectivamente.

A ação 1 "Avalia o risco para quedas no momento da admissão da criança” (IP 71,4%; QA limítrofe) e ação 2 “Avalia o risco para quedas da criança diariamente” (IP 66,5%; QA sofrível) devem ser realizadas de maneira rotineira, pois a avaliação do risco de queda é um passo crucial na prevenção de danos e na melhoria da segurança para os pacientes pediátricos hospitalizados.

Em geral, a avaliação para o risco de quedas envolve o levantamento de fatores, como histórico de quedas, alteração mental e sensorial, mobilidade, idade, medicações em uso, alterações do equilíbrio, inatividade e alterações da visão e audição. A identificação e avaliação de tais fatores de forma individualizada permite que sejam implementadas estratégias de prevenção de quedas conforme as características apresentadas pelo paciente (HIGAONNA; ENOBI; NAKAMURA, 2017).

Para tanto, os profissionais de saúde devem usar diariamente ferramentas validadas, como escalas de avaliação de risco de queda, em sua avaliação clínica, pois evidências mostram que um programa abrangente de prevenção de quedas que usa uma ferramenta de triagem válida e clinicamente testada e inclui intervenções fornece o melhor resultado para auxiliar na identificação daqueles em risco de queda (KRAMLICH; DENDE, 2016).

Ainda assim, mesmo essas tendo como objetivo prever os pacientes que irão cair, sabe-se que pode acontecer de o paciente que foi classificado como de baixo risco cair e aquele que classificado de alto risco pode não cair (DIGEROLAMO; DAVIS, 2017). Dessa forma, considera-se que essas ferramentas não são a única fonte de

previsão, mas sim ações imediatas para mitigar os fatores específicos que colocam o paciente em risco.

 Domínio 2 – Orientações para paciente/família

A análise dos resultados referentes ao domínio 2 demonstrou que a ação 3 teve assistência limítrofe, a ação 4 teve assistência segura e a ação 5 teve assistência sofrível. Ressalta-se que as ações 3 e 5 foram melhor desempenhadas pelos técnicos de enfermagem, já a ação 4 foi pelos enfermeiros.

A ação 3 “Orienta a criança e o acompanhante sobre a presença do risco de queda relacionado a fatores contribuintes, tais como idade, diagnóstico, fatores cognitivos, história pregressa, jejum prolongado, cirurgia/sedação/anestesia e/ou medicação, dano por queda e como prevenir sua ocorrência” (IP 72,4%; QA limítrofe) deve ser realizada uma vez que a educação do acompanhante na prevenção de quedas é um método eficaz para reduzir quedas pediátricas. Sabe-se que a taxa de quedas é menor em hospitais que implementaram a educação dos pacientes e cuidadores mais de uma vez sobre prevenção de quedas em comparação com os que não os implementaram (FUJITA; FUJITA; FUJIWARA, 2013).

Dentre as possíveis tecnologias a serem utilizadas para a educação dos acompanhantes, o panfleto é considerado eficaz na prevenção de quedas, auxiliando na sua sensibilização (LEE et al., 2013). Dessa forma, é necessário educar o acompanhante e supervisionar constantemente as crianças para garantir que estejam realizando atividades com segurança desde o estágio inicial da hospitalização.

Portanto, educar o acompanhante sobre os fatores relacionados à ocorrência de quedas é uma maneira de demonstrar a importância deste na prevenção de quedas, além de incentivar a compreensão de que o profissional de saúde que faz a avaliação do risco precisa estar atento a intervenções para prevenção, com vistas à segurança do paciente (ALVES et al., 2017).

A ação 4 “Informa para o acompanhante se a criança está liberada ou não para deambular” (IP 85,2%; QA seguro) foi a única dentre as 15 que teve a qualidade da assistência classificada como segura. Ações como esta são fundamentais para evitar deambulação precoce e consequentemente quedas, principalmente em período pós- operatório (SEVERO et al., 2014). A continuidade da assistência ao paciente no meio

hospitalar depende da adequada partilha de informações clínicas entre os profissionais de saúde e o acompanhante, de modo que a comunicação ineficaz, advinda de falhas no processo de compartilhamento destas informações, pode traduzir-se em ações inseguras às crianças (VALERA et al., 2017).

Assim, a transparência e a disponibilização das informações podem contribuir na adoção de práticas mais seguras e custo efetivas nos serviços de saúde, com reflexos diretos na segurança do paciente (VIANA et al., 2016).

Profissionais de saúde devem estar aptos para se comunicarem efetivamente entre si e entre os pacientes, a fim de que haja compreensão mútua e envolvimento nas decisões sobre o cuidado (PAIXÃO et al., 2017), uma vez que a comunicação efetiva como estratégia entre profissionais de saúde e acompanhante favorece o envolvimento deste na segurança da criança (RODRIGUES et al., 2018).

A ação 5 “Orienta a criança e/ou família/responsável a levantar progressivamente (elevar a cabeceira 30°, sentar-se no leito com os pés apoiados no chão por 5 a 10 minutos, antes de sair da cama) de acordo com a presença de risco para quedas já identificado” (IP 63,5%; QA sofrível) é considerada uma ação que, se não realizada, compromete a assistência e a recuperação da clientela (DUARTE et al., 2016).

Observa-se que, apesar de os profissionais de saúde possuírem algum conhecimento de práticas recomendadas relacionadas a essa ação, evidencia-se a necessidade de educação permanente com o intuito de incorporar novos conhecimentos, tecnologias e alternativas disponíveis para utilização em sua assistência, como mostra estudo realizado em centros de terapia intensiva e semi-intensiva de um hospital de ensino da cidade de Curitiba. Em campanha de prevenção realizada, quanto à elevação da cabeceira menos que 45º, o percentual pré-campanha foi de 79,4% e 100% pós- campanha (p < 0,001), demonstrando que pode ser uma estratégia efetiva para estimular a equipe a aderir a medidas recomendadas (OLKOSKI; ASSIS, 2016).

Estudo desenvolvido em três unidades de terapia intensiva (UTI) de São Paulo objetivou analisar as boas práticas em saúde. Ao serem comparadas, as unidades apresentaram diferenças importantes em ações relacionadas à prevenção de quedas, estando o ato de manter a cabeceira elevada acima de 30º, como medida eficaz em mais de 90% nas três instituições (BARBOSA et al., 2014).

 Domínio 3 – Práticas diretas

Os resultados em relação ao domínio 3 mostraram que apenas a ação 10 teve a assistência classificada como limítrofe, sendo as demais classificadas como sofrível. Quanto ao desempenho dos profissionais, apenas a ação 6 foi melhor desempenhada pelos auxiliares de enfermagem. As demais tiveram o técnico de enfermagem como o profissional de saúde de melhor desempenho.

A ação 6 “Acomoda crianças com idade < 3 anos em berço e crianças > 3 anos em cama, ambos com grades elevadas a altura máxima” (IP 70,0%; QA sofrível) chama atenção à acomodação adequada de acordo com a idade e enfatiza a elevação das grades elevadas.

Apesar de haver divergências quanto à faixa etária que cai com mais frequência em ambiente hospitalar, em que um aponta que crianças menores de três anos caem mais (GONZALEZ et al., 2016) enquanto crianças de 5 a 12 anos de idade tem maior risco de cair (FRANK et al., 2017), observa-se que o local mais comum de quedas é a cama (FRANK et al., 2017), daí a importância de acomodar o paciente de acordo com a idade em local apropriado.

Além disso, estudo mostra que entre os pacientes acomodados em maca/leito, identificou-se que no setor internamento menos da metade dos pacientes (49,2%) foram orientados quanto ao risco de queda. Como agravante, observou-se que apenas 72,8% das macas/leitos tinham as grades elevadas, fato que se assoma ao alto risco pelo tipo de acomodação, independente dos fatores preditores contribuintes a ocorrência deste evento (PAIXÃO et al., 2018), demonstrando a importância da realização da ação de acomodação adequada bem como elevação das grades na prática profissional.

Quanto às ações que dizem respeito ao transporte, tais como: ação 7 “Providencia que as crianças com idade ≤ 6 meses sejam transportadas no colo do responsável e este em cadeira de rodas” (IP 49,3%; QA sofrível); ação 8 “Providencia que as crianças com idade > 6 meses ou ≤ 36 meses sejam transportadas deitadas em maca na companhia do responsável quando for submetida a procedimentos com anestesia/sedação; ou em cadeira de rodas no colo do responsável” (IP 68,5%; QA sofrível); e ação 9 “Providencia que as crianças com idade > 36 meses sejam transportadas em maca, deitadas e acompanhadas ou não do responsável, ou em

cadeira de rodas no colo do responsável” (IP 60,6%; QA sofrível) mostram que os profissionais de saúde estudados não realizam as ações de forma segura.

O transporte intra-hospitalar é um período de instabilidade e riscos para o paciente, com possibilidade de intercorrências relacionadas à falhas técnicas, a alterações fisiológicas do paciente, ao tempo de transporte, bem como à equipe que o realiza (MENEGUIN; ALEGRE; LUPPI, 2014).

Os dados de identificação da criança, como a idade, são informações importantes que devem ser avaliadas pelos profissionais de saúde, com o intuito de assegurar a continuidade do cuidado e a segurança do paciente pediátrico relacionado ao transporte do paciente. Apesar de, em geral, ser o enfermeiro o profissional responsável por repassar as informações quanto à transferência do paciente, e, em sua ausência, esta responsabilidade ser transferida ao técnico de enfermagem ou ao auxiliar de enfermagem, é fundamental que seja sistematizado, realizado por profissionais capacitados e com recursos materiais adequados (SILVA et al., 2017).

Vale destacar que se foi levantada a hipótese acerca da qualidade da assistência das ações relacionadas ao transporte terem sido classificadas como sofrível devido à falta de disponibilidade de cadeiras de rodas suficiente nos setores avaliados. Nesse sentido, a garantia de acesso a transporte adequado e oportuno, quando necessário, é fundamental para a segurança do paciente (DULFE et al., 2015).

A ação 10 “Mantém uma das grades elevadas do berço durante a troca de roupa/fralda da criança” (IP 79,8%; QA sofrível) não teve desempenho considerado seguro. A manutenção das grades elevadas do leito é tida como ação básica e irrefutável, porém de baixa adesão dos profissionais (CRUZ, 2016). A não elevação das grades do leito é considerada como um erro na assistência, o que leva a possíveis incidentes ou eventos adversos (DUARTE et al., 2016).

Sabe-se que os cuidados diários, como higiene e troca de fralda, podem ser ações geradoras de estresse à criança e, a depender da maneira que for realizada, pode proporcionar momento de agitação, levando à queda (STELMAK; FREIRE, 2017).

É importante salientar que, esse cuidado, que era específico da equipe de enfermagem, vem sendo compartilhado com a família, ou delegado à mesma, o que sugere um processo de desresponsabilização da equipe com cuidados, muitas vezes, desvalorizados pela enfermagem, por exemplo. Esse processo caracteriza uma clara divisão de tarefas, entre o saber científico, realizado pela enfermagem, e o saber

popular, a cargo da família. O cuidado à criança deveria ocorrer conjuntamente, construindo o conhecimento dos profissionais de saúde com o do acompanhante (CORREA et al., 2015).

A ação 11 “Aloca a criança com história pregressa de queda próximo ao posto de enfermagem, quando possível” (IP 47,8%; QA sofrível) é condizente com a literatura quando afirma que uma vez que o paciente tenha uma queda, esse paciente deve, a partir de então, ser considerado como tendo um alto risco de queda durante o restante da internação hospitalar. Isso pode ser sinalizado como um alerta contínuo no prontuário, semelhante a um alerta de alergia para manter a conscientização constante de todos os membros da equipe clínica (FRANK et al., 2017).

A presença de mais de uma queda pode estar relacionada com a ansiedade pela nova condição em que o paciente se encontra, bem como uso de medicações novas e a não adaptação com o ambiente hospitalar e pode gerar, ainda, depressão, insegurança e o medo de uma nova queda (LAUSS et al., 2014).

 Domínio 4 – Registro e notificação

A análise dos resultados referentes ao domínio 4 demonstrou que todas as ações tiveram assistência sofrível. Ressalta-se que a ação 12 melhor desempenhada pelo auxiliar de enfermagem, sendo as demais ações melhor desempenhadas pelos técnicos de enfermagem.

A ação 12 “Verifica na prescrição os medicamentos que alterem a mobilidade e o equilíbrio” (IP 57,6%; QA sofrível) versa acerca da associação entre o uso de medicamentos e o aumento do risco de quedas, reforçando a ideia de que todos os profissionais de saúde devem adotar um papel ativo referente ao controle de medicamentos a fim de identificar os pacientes com elevado risco.

Um estudo, cujo objetivo foi avaliar se os pacientes que haviam sofrido queda em ambiente hospitalar faziam uso de algum medicamento, apontou que 95,4% destes utilizavam pelo menos um medicamento associado à ocorrência de quedas (JANSEN et al., 2016).

Embora as quedas possam ocorrer tanto dentro quanto fora do hospital, os medicamentos que a criança hospitalizada utiliza podem colocá-los em um risco maior de quedas (MURRAY; VESS; EDLUND, 2016).

A ação 13 “Registra no prontuário da criança o resultado para avaliação do risco de quedas e todos os procedimentos realizados para sua prevenção” (IP 44,8%; QA sofrível) foi, dentre as 15 ações analisadas, a que teve o menor índice de desempenho.

Enfatiza-se a importância dos profissionais de saúde habilitados e qualificados registrarem em prontuário a avaliação do risco de queda do paciente pediátrico na admissão na unidade e durante toda a sua permanência para que haja uma comunicação efetiva entre os profissionais (STUBBS; SIKES, 2017).

A ação 14 “Registra no prontuário a ocorrência de quedas, fatores relacionados e os danos gerados” (IP 67,5%; QA sofrível) reforça a ideia de que a análise dos eventos adversos relacionados a quedas deve ser contextualizada pelo movimento de sensibilização e estímulo ao registro e notificação de ocorrência da mesma, de modo a permitir uma avaliação mais acurada e precisa (QUADROS et al., 2016).

Muitas vezes os registros são deficientes, fato que pode estar relacionado ao número reduzido de trabalhadores e à falta de tempo para registrar a assistência prestada e ocorrência de queda, mas há outros aspectos que podem ser limitantes, como a cultura de segurança e fatores estruturais da instituição. É preciso enfrentar e superar posturas de resistência de alguns profissionais que, por desconhecimento ou pouca valorização da importância, não aderem ao registro das quedas (REINIACK et al., 2017).

A ação 15 “Notifica os incidentes com quedas à Gerência de Riscos e/ou ao Núcleo de Segurança do Paciente (quando existentes)” (IP 49,3%; QA sofrível) diz respeito à importância de se notificar a queda uma vez que propicia auxílio à gestão da assistência (PAIVA et al., 2014).

O processo de notificação da queda deve ser uma prática de todos os profissionais que atuam nas instituições. Cabe destacar que o sistema de notificação deve ser de conhecimento de todos os trabalhadores das equipes assistenciais (FEREZIN et al., 2017).

A baixa frequência do relato de execução da notificação dos episódios de queda dos profissionais do presente estudo foi compatível com pesquisa realizada em hospital do Sul do Brasil com 71 profissionais de saúde (equipe de enfermagem, médicos, farmacêuticos e fisioterapeutas) em que demonstraram que a notificação de

erros e eventos adversos não é uma prática comum na realidade investigada (SOUZA et al., 2015).

Enfatiza-se que apenas o Hospital B dispunha de Núcleo de Segurança do Paciente, o que levanta a hipótese da falta de sensibilização dos profissionais de saúde quanto à importância da notificação, contribuindo para o baixo índice de positividade encontrado.

Assim, há necessidade de se ampliar esforços para construção de sistemas de notificação robustos e eficientes, capacitação de profissionais qualificados, atentos e capazes de identificar possíveis erros e eventos, de forma a contribuir para um ambiente mais seguro e livre de danos.

Assim, em geral, os resultados apresentados constatam que a execução da assistência pelos profissionais de saúde voltadas à prevenção de quedas em hospitais pediátricos divergiu dos padrões de segurança e qualidade, fazendo-se necessário a capacitação e treinamento para prevenção e notificação de quedas.

6 CONCLUSÃO

O presente estudo possibilitou a construção e validação de instrumento de prevenção de quedas em hospitais pediátricos a partir das etapas de construção do instrumento de medida, avaliação das propriedades psicométricas do instrumento e identificação das ações realizadas pelos profissionais de saúde, possibilitando as