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A TJ é um ramo do conhecimento fundamentado na Matemática, desenvolvido após a publicação em 1944 de The Theory of Games and Economic Behavior de John von Neumann e Oskar Morgenstern. A sua utilização na gestão das empresas, possibilita estudar a tomada de decisões entre agentes, quando o resultado de cada um depende das decisões de outros participantes - numa interdependência similar a um jogo - a TJ é utilizada para melhor entender ou interpretar como eles que tomam as decisões e interagem entre si.
Myerson (1991, p. 1) define a TJ como o estudo de modelos matemáticos de conflito e cooperação entre tomadores de decisão que utilizam à inteligência racional. Por sua vez, Osborne e Rubinstein (1994, p. 1) definem como um pacote de ferramentas analíticas que ajudam a compreender os fenômenos que observamos quando os tomadores de decisão interagem. E, também pode ser entendida como: “o estudo de interações entre participantes cujos ganhos dependem das opções uns dos outros e que reconhecem essa interdependência ao tentar maximizar seus respectivos ganhos”. (GHEMAWAT, 2007, p. 87).
Myerson (1991, p. 1) explica que muitos trabalhos sobre a TJ foram feitos durante a II Guerra Mundial, em Princeton, na mesma comunidade intelectual em que muitos líderes da física teórica também foram úteis. Vista de uma perspectiva mais ampla da história intelectual, esta proximidade não parece ser coincidência. Pois, foi utilizada na Corporação RAND para definir estratégias nucleares. Entretanto, destaca que grande parte do apelo e da promessa da TJ é derivada da sua posição nos fundamentos matemáticos das ciências sociais. Osborne (2004, p. 1) ensina que a TJ pode ser aplicada a uma variedade de situações, a exemplo de: interações entre empresas, competição de políticos por votos, decisão de membros de um júri (veredito), interações entre animais (presa e predador), concorrência entre licitantes em leilão, evolução de comportamento de irmãos uns com os outros, comportamento de legisladores sob pressão de grupos de interesse, assim como o papel das ameaças e castigos em relacionamentos de longo prazo.
Sendo assim, trazendo a TJ para estratégia empresarial, sempre que houver situações em que as decisões tomadas, por agentes, influenciarem uma a outra e vice-versa é possível dizer que os
atores envolvidos se encontram em um jogo. É neste sentido que se desenvolve todo o pensamento relativo à TJ. Entretanto, cabe destacar que um dos objetivos da TJ é permitir entender a lógica da situação McMillan (1992, p. 8) e Fiani (2006, p. 6-8) citam o filósofo Karl Popper para afirmar que o objetivo das ciências sociais é entender a "lógica de uma situação". Portanto, o entendimento de ações apropriadas e consistentes com o comportamento racional acontece quando se entende a lógica das interações humanas e suas respectivas decisões. Neste sentido a TJ permite explicar decisões de produção, lançamento de produtos e fixação de preços de empresas competidoras, pagamento de prêmios de incentivo a executivos, dentre outras possibilidades.
Ao verificar os trabalhos de Myerson (1991); Tirole e Fudenberg (1991); Osborne e Rubinstein (1994); Vega-Redondo (2004); Osborne (2004) e Fiani (2006) constata-se que o objeto de estudo da TJ são os jogos de estratégia. Os principais elementos que caracterizam o jogo estratégico são:
a) um modelo formal, ou seja, existem regras a serem seguidas para possibilitar a discrição e análise e consequentemente à compreensão da TJ;
b) as ações dos agentes geram consequências aos demais e vice-versa;
c) o indivíduo, as organizações ou países podem ser considerados agentes, desde que tenham capacidade de decisão que afete os demais;
d) os agentes são racionais, muito embora o conceito de racional seja amplo. Contudo, considera que são aqueles que empregam os meios mais adequados em relação aos objetivos estabelecidos; e,
e) por fim, o comportamento estratégico. Entendendo que cada jogador, ao tomar sua decisão, considera que o resultado obtido será aquele decorrente não apenas de sua decisão, mas também da decisão de outros jogadores e vice-versa. Ou seja, decorre da interação. Logo, de quais são às respostas as suas ações e vice-versa.
Outro aspecto importante extraído de Myerson (1991); Tirole e Fudenberg (1991); Osborne e Rubinstein (1994); Vega-Redondo (2004); Osborne (2004) e Fiani (2006) é que o estudo da TJ possui duas vantagens. A primeira é a que a TJ ajuda a entender teoricamente o processo de decisão de agentes que interagem entre si, a partir da compreensão da lógica da situação em que estão envolvidos. E a segunda é que a TJ ajuda a desenvolver a capacidade de raciocinar
estrategicamente, explorando as possibilidades de interação dos agentes, possibilidades estas que nem sempre correspondem à intuição.
Considerando os objetivos desta dissertação, a seguir serão apresentados conceitos básicos da TJ extraídos de interações estratégicas a partir de jogos clássicos e básicos. A primeira situação de interação estratégica a ser estudada é o “dilema dos prisioneiros”, o jogo mais popular da TJ. A interação é citada por vários autores, tais como: Myerson (1991); Tirole e Fudenberg (1991); Osborne e Rubinstein (1994); Vega-Redondo (2004); Osborne, (2004); Pindyck e Rubinfeld (2006); Varian (2006) e Fiani (2006). O jogo foi originalmente formulado por Merrill Flood e Melvin Dresher enquanto trabalhavam na RAND em 1950. Mais tarde, Albert W. Tucker fez a formalização com o tema da pena de prisão e deu ao problema geral esse nome específico. O problema retrata o dilema da cooperação em oposição ao próprio interesse.
Os fatos são os seguintes: dois ladrões foram apanhados pela polícia, no entanto, sem haver uma prova cabal de culpa. Durante o interrogatório, ambos têm duas opções: denunciar o outro ou ficar calado. Neste jogo, assume-se que cada jogador quer ter o melhor resultado possível, sem se preocupar com o outro jogador. Para tentar resolver o caso, a polícia isola os prisioneiros e faz a cada um deles uma proposta de igual teor. A proposta é a seguinte: se ele confessar o delito e o outro prisioneiro não confessar, ele ficará livre em razão de sua cooperação, enquanto o outro ficará preso por cinco anos. Caso ocorra o inverso ele é que passará aquele tempo na prisão. No caso dos dois confessarem o critério de cooperação é suprimido e ambos passarão dois anos na prisão. Finalmente, embora não dito pelos policiais, caso os dois não confessem, terão que passar um ano na cadeia por vadiagem. Observe-se que qualquer que seja a opção do outro jogador, a melhor opção é sempre confessar. Agindo racionalmente, os jogadores tendem a trair. O final de qualquer uma das estratégias depende sempre da opção do outro jogador. A característica deste jogo é que não há comunicação entre os jogadores (jogo simultâneo). Logo, não se sabe a estratégia do oponente. A matriz a seguir ilustra a situação.
Figura 4 - Matriz de resultados do Dilema do prisioneiro