Chegamos ao momento de evidenciar as contribuições de nossa pesquisa para a Educação Física. Devemos agora pensar em como podemos incorporar os saberes por trás do Aikido e do cuidado de si.
Portanto, considerando os elementos identificados do cuidado de si no Aikido, aproveitamos a oportunidade para expor algumas reflexões que nos impele a perceber a Educação Física como promotora de uma estilística da existência, uma arte do bem viver. Nessa perspectiva, de modo a explicitar a forma que podemos compreender a Educação Física recorremos a Mendes (2007, p. 133-134), a discute da seguinte maneira:
Como a arte de cuidar do corpo, da saúde, da vida, através do ensino dos jogos, das danças, das lutas, das ginásticas e dos esportes, tendo como base o sentido grego de tékhne. A Educação Física considerada uma técnica, uma obra de arte, capaz de despertar a criação, sem possuir a intenção de dominar os seres humanos, nos faz atentar para a compreensão de que a máxima socrática “Conhece-te a ti mesmo” é fundamental para a construção de uma educação que valorize a subjetividade no processo de produção do conhecimento, através do diálogo, sem operar pela heteronomia.
Desse modo, seja como arte, como criação, como educação, pensamos ser pertinente também nesse contexto a percepção da Educação Física como promotora de estilísticas de existência, criando diferentes artes de viver. Se considerarmos um sentido próximo ao que Foucault aborda, a arte de viver pode ser compreendida da seguinte forma:
É toda uma maneira de se constituir como um sujeito que tem por seu corpo o cuidado justo, necessário e suficiente. Cuidado que atravessa a vida cotidiana; que faz das atividades maiores ou rotineiras da existência uma questão ao mesmo tempo de saúde e de moral; que define entre o corpo e os elementos que o envolvem uma estratégia circunstancial; e que, enfim, visa armar a próprio indivíduo com uma conduta racional (FOUCAULT, 2012, p. 137).
Nesse ínterim, nossa concepção de uma arte do bem viver compreende a utilização o conhecimento de si mesmo, a partir do próprio movimento do sujeito. Como vimos, conhecer
a si mesmo não se trata de uma atitude egoísta, ou de individualização, ao contrário, é um movimento no qual a percepção do outro se faz necessária.
Compreendemos que conhecer a si mesmo é de suma importância. E podemos considerar que não se restringe à ideia de saber nossos limites, nossas qualidades. Conhecer a si mesmo é um contínuo exercício de se situar, de uma forma integral, complexa, em um dado momento da vida. É uma ação de investigar em nós mesmos o que está inscrito em nosso corpo. O que perpassou em nossa história, os gestos, a cultura que incorporamos e os sentimentos, as emoções e os desejos que vivemos. Conhecer a si mesmo remete-se à nossa existência, perceber de modo mais profundo a si mesmo.
Desse preceito de conhecer a si mesmo percebemos, em certo aspecto, um possível exercício espiritual que a Educação Física pode promover. Nesse sentido, consideramos a possibilidade de se viver bem, buscando-se estabelecer relações mais harmoniosas entre as pessoas e respeitando-se o tempo dos acontecimentos. Além disso, evitando-se atitudes egoístas e impositivas.
O exercício espiritual que aqui enxergamos também se demonstra como uma oportunidade para refletirmos sobre a denominação “Arte da Paz”, título este que o Aikido recebe na obra de Morihei Ueshiba (2002). A Educação Física e sua tékhne podem, através de práticas e saberes pautados, por exemplo, na filosofia do Aikido e no cuidado de si, por o corpo em um movimento de pacificação. Um caminho espiritual que procura despertar a nossa sensibilidade para com a nossa condição existencial em relação com a natureza e com o os outros. Uma forma de saber prático que visa a universalização ao invés da individualização.
Nesse contexto de universalização e individualização é que podemos perceber a importância de discutirmos, de modo a dialogarmos e realizando um exercício de compreendermos melhor o outro, de refletirmos acerca de nossas concepções de corpo, de alma e/ou de espírito.
A Educação Física há tanto tempo se apropria dos conhecimentos sobre o corpo humano. Diversos pensadores com diferentes referenciais apontam para condições orgânicas do corpo e seus aspectos objetivos, bem como outros apontam para a condição subjetiva do corpo e a construção de sentidos e significados. Outros autores, como por exemplo, Mendes (2007), Mendes e Nóbrega (2009), apontam para o entrelaçamento, a condição integral do ser humano na qual não se disassocia o biológico do simbólico.
Neste sentido, considerando os elemento da krhêsis (alma-sujeito) e a condição do
haku (alma corpórea) que surge dos estudos do cuidado de si e do Aikido, respectivamente,
pensamos que discussões acerca da temática da espiritualidade se tornam pertinentes para a Educação Física. Uma vez que a atitude, o movimento do corpo e as crenças de cada pessoa não compõem partes de um sujeito, podemos ampliar nossa concepção de corpo e tenderemos a enxergar o sujeito de uma forma integral. O que nos permitirá compreender melhor nossas ações e refletir sobre elas.
Por estas razões também podemos entender que criar uma arte do bem viver não demanda um período específico da vida tal como a infância, a juventude ou a velhice. É, antes de tudo, necessário que o sujeito intente ter este domínio de si ou, considerando o cenário de uma relação entre mestre e discípulo, que se perceba a parrhesía, o dizer verdadeiro, e o dever do mestre em fazer com que seus dirigidos ocupem-se consigo mesmos até o ponto no qual estes consiguirão realizá-lo por si próprios.
Este momento, inclusive, pode ser um apelo para a Educação Física. Apelo, pois, destinado aos profissionais, podemos perceber o quanto que os exercícios espirituais podem contribuir com a área se investigados, compreendidos e percebidos em suas diferentes formas e objetivos na atualidade. Ao mesmo tempo em que na condição de dirigidas77, as pessoas compreendam a importância de se movimentar em sua própria direção, de promover o então rodopio, a conversão em si mesmo.
Para isso a Educação Física necessita de uma paraskeué, uma equipagem, por assim dizer, que favoreça a transformação do sujeito por ele mesmo e que favoreça a criação deste caminho de viver bem. Como vimos, na filosofia antiga do cuidado de si e nas tecnologias de si do Aikido foi possível identificarmos diversos exercícios e práticas que possibilitam uma transformação do sujeito. A meditação ou a prática de retiro, por exemplo, podem ocasionar uma reflexão sobre uma dada situação, sobre algum aspecto da ação do próprio sujeito e favorecer uma melhor tomada de decisão.
Os regimes, as abstinências, a preparação para o sono, o exame da manhã e da noite, as práticas de respiração e a dinâmica entre as pessoas num âmbito marcial, como é o caso do Aikido, permitem que o sujeito se experimente. Vivencie um caminho espiritual, ou seja, rico em saberes e práticas que intervem diretamente em seu ethos, em seu modo de ser.
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A vida como prova, como uma dessas práticas espirituais, ainda é presente nos dias atuais. No Aikido, percebemos a relação com as questões de vencer a si mesmo no aqui e no agora, de se viver cada dia como se fosse o último, de se estar preparado para lidar com os diversos conflitos ou dificuldades que a nossa existência e a relação com os outros e o mundo nos proporciona.
A realização da purificação é outra prática espiritual encontrada. No cuidado de si remeteu-se à ideia de se manter em moderação quanto aos desejos e às ações egoístas nas questões pertinentes ao governo de si e dos outros. A purificação também nos possibilita compreender os sentidos por trás de expressões como: uma ligação com Deus, com o universo. E aqui podemos rever as práticas de ascese que se formam a partir da noção do pecado também.
A ascese que percebemos para a Educação Física como arte do bem viver é aquela que sugere como uma atividade, tornar nossas ações mais harmoniosas, transparecendo uma atitude na qual consideramos nossa responsabilidade ao nos dirigirmos uns aos outros, com tons de amizade, de maneira amistosa, gentil e empática, em detrimento das diversas manifestações de violência que ocorrem no mundo.
Talvez as práticas de vigilância ainda tenham algo a nos ensinar. Não no sentido de controle de todo e qualquer sentimento, não no sentido de colocarmos uns aos outros sob nossas vistas, impelindo-os de agir livre e espontaneamente, mas na ideia de percebermos em nós mesmos nossos pensamentos, as consequências de nossas ações, o direcionamento de nossas energias em algum projeto e se interferimos na vida de outrem sem a sua permissão, invadindo seu espaço. Este mundo já sofre demasiado domínio, por parte do ser humano sobre o outro e sobre o restante da natureza.
Para tanto, este mundo que percebemos terá uma íntima relação com a compreensão que temos da natureza, de phýsis, que possuímos. Nesse constexto, o elemento que se demonstra essencial para a existência e que em nós é manifestado no pneûma, ou kokyu, o pelo sopro vital. Aquilo que nos preenche e nos constitui e que nos faz perceber a relação o sentido de ki, a energia que nos dá forças, que nos dá vida.
Esses são possíveis elementos que nos fazem pensar numa Educação Física como arte do bem viver. Como uma facilitadora de um estilo de vida harmonioso tanto consigo, como com os outros. Um campo de atuação e de releitura sociocultural facilitadora de práticas e saberes voltados ao corpo, à saúde, ao bom convívio, ao movimento de conversão do sujeito
por ele mesmo, dentre outras possibilidades como a do treinamento, do exercício e atividade física. E que podem ainda estar presentes, pois, tomando a educação espartana como referência, estes exercícios espirituais ainda compõem, em partes, a Educação Física de hoje, porém, com outras roupagens, como por exemplo, através do próprio Aikido ou de práticas esportivas que nos remetem à constituição do atleta e sua formação ética.
Pensamos, portanto, numa Educação Física que reveja os aspectos filosóficos presentes no âmbito das artes marciais e perceba a relação de cuidado consigo mesmo e com o outro e na formação do sujeito ético que é constituído por meio das mais variadas formas de tecnologias de si. O Aikido pode ser considerado apenas uma delas.
O Aikido encontra-se inserida em meio às práticas da Educação Física no Japão78. Na carta de intenções que foi enviada ao governo japonês, através do Ministério da Educação, para a abertura da Fundação Aikikai. Em 1948 foi emitida a autorização e em seu conteúdo encontramos:
também é uma educação física, uma ferramenta poderosa para a formação do caráter e um meio de cultivar a vitalidade a fim de construir o palácio dourado da vida. Tanto os homens como as mulheres podem praticá-lo. À medida que suas técnicas são aperfeiçoadas, a mente e também o corpo experimentam a purificação (UESHIBA, 2011, p. 285-286).
Essa relação entre Aikido e Educação Física também nos instiga a perceber outras relações que são possíveis de se perceber através do cuidado de si. Desse modo, em Barbosa (2005, p. 14) encontramos assegurado que a arte de pensar e de agir corretamente, que surge a partir dos gregos, “estendeu para todas as culturas a força perene do logos como uma energia ou fogo que jamais se extinguiria”, e, no tocante à Educação Física, “afinando-se à grandeza do homem, pouco a pouco, foi-se sentido que a „educação física‟ transcendia o corpo, indo além dos limites da própria física e da educação” (BARBOSA, 2005, p. 15).
Nesse sentido, é preciso ressaltar que estamos caminhando pelo viés das tecnologias de si, ou melhor, das práticas corporais. Como no estudo de Mendes (2007, p. 135), buscamos a valorização das construções culturais e “com o despertar do desejo de desfrutar o tempo
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Acreditamos ser um fato interessante que, no ano de 2012, no estado de Sergipe, no ano de 2012, ocorreu um processo seletivo, a partir da Prefeitura Municipal de Aracaju e Secretaria de Esporte e Lazer, para professor de Aikido.
vivido, pois só sabemos que a nossa finitude traz possibilidade de gerar novas vidas, mas não podemos prever quando e onde irá ocorrer a nossa morte”.
Nesse sentido, podemos ampliar nossa pesquisa para o campo espiritual, a partir de um estudo sócio-filosófico da Educação Física que se baseia na perspectiva das práticas corporais e da cultura de movimento. De acordo com Mendes (2007), perspectivas como a da cultura corporal ou cultura de movimento auxiliam na ampliação da área da Educação Física, fazendo- a não se restringir aos esportes, mas englobando construções culturais como os jogos, as danças, as lutas e as ginásticas.
Desse modo, em Foucault (2010), a espiritualidade é designada em um conjunto de condições, o qual é posto pelo imperativo do cuidado de si. Estas condições, como vimos, aparecem sob a forma das “transformações necessárias no ser mesmo do sujeito que permitirão o acesso à verdade” (FOUCAULT, 2010, p. 17).
Em seu sentido mais profundo, vimos que a espiritualidade no cuidado de si remete-se a um trabalho, uma ocupação consigo mesmo, no qual se busca a ascese, a constituição do sujeito que cuida de si mesmo e dos outros, do sujeito que terá, por meio desta ocupação, acesso à verdade (FOUCAULT, 2010).
A espiritualidade, portanto, funda a relação entre o sujeito e a verdade (FOUCAULT, 2010). A verdade é algo que não era simplesmente dado ao sujeito, nem para recompensá-lo, pelo ato de conhecimento. A verdade é aquilo que ilumina o sujeito, dando-lhe beatitude e tranquilidade à alma. A verdade é aquilo que transfigura o ser mesmo deste sujeito.
É necessário levarmos em consideração a distinção entre espiritualidade ocidental e oriental, fato que o próprio Foucault (2010; 2012; 2013; 2014) a evidencia. Em meio às suas reflexões, encontramos, com certa frequência, que o filósofo situa, seja a cultura ou a espiritualidade presente nestas obras, como sendo a ocidental.
Pelo que foi possível perceber, Foucault (2010) descreveu a espiritualidade ocidental em três aspectos. O primeiro condiz à ideia de que a verdade jamais seria dada, como de direito, do sujeito. Postula-se “a necessidade de que o sujeito se modifique, se transforme, se desloque, torne-se, em certa medida e até certo ponto, outro que não ele mesmo, para ter direito a [o] acesso à verdade” (FOUCAULT, 2010, p. 16).
Quanto ao segundo aspecto, Foucault (2010) afirma referir-se ao movimento da conversão, no qual retira o sujeito de sua condição atual e a verdade viria até ele, o iluminando. Além disso, Foucault (2010) identifica que esse movimento pode ser regido pelos
preceitos do éros (amor) e da ascese, por meio de um labor. O primeiro, correspondendo a estilística da vida moral através da erótica79 e o segundo, um trabalho a ser realizado sobre si (FOUCAULT, 2013).
O labor, Foucault (2010, p. 16) afirma tratar-se de um trabalho “de si para consigo, elaboração de si para consigo, transformação progressiva de si para consigo em que se é o próprio responsável por um longo labor que é o da ascese (áskesis)”. Neste sentido, o éros e a
áskesis seriam as duas modalidades, na cultura da espiritualidade ocidental, que correspondem
ao segundo aspecto de transformação de sujeito.
O terceiro aspecto da espiritualidade ocidental é representado pelo acesso à verdade. Foucault (2010) considera que esta verdade seria efeito da realização do procedimento espiritual necessário para atingi-la. Além disso, chamou “„de retorno‟ da verdade sobre o sujeito” (FOUCAULT, 2010, p. 16).
Desse modo, a espiritualidade, para Foucault (2010, p. 17), não se limita a um ato de conhecimento, como afirma o filósofo, “em si mesmo e por si mesmo, jamais conseguiria dar acesso à verdade se não fosse preparado, acompanhado, duplicado, consumado por certa transformação do sujeito, não do indivíduo, mas do próprio sujeito no seu ser do sujeito”.
O Aikido, nesse ponto de vista, pode ser considerado uma prática de si, uma arte de existência, que se define, como em Foucault (2010; 2012; 2013), à maneira de uma modalidade da cultura de si em que o eu é um valor universal e que somente seria alcançado por meio da ascese, uma prática associada a um tipo de saber teórico (mathesis). Uma prática regrada e refletida.
No tocante à espiritualidade oriental, e aqui reforçamos nosso ponto de vista a partir das obras analisadas acerca do Aikido, podemos compreendê-la a partir da noção de budo. Sobre isso, em Sasaki (2008), encontramos evidenciada uma tendência de se definir o budo à cultura da espiritualidade e valores morais, em certos pontos, ligados à tradição japonesa. Este autor também afirma não haver uma definição precisa do budo, mas aponta que “a ambiguidade do Budo é principalmente devido ao pensamento tradicional japonês”80 (SASAKI, 2008, p. 47).
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No âmbito da Educação Física, encontramos em Mendes (2007, p. 139), a possibilidade de uma educação erótica que “abra espaços para o cuidado de si, para despertar emoções, sonhos, desejos, afetividade, amizades, paixões, a partir do corpo vivo em experiência e esteja centrada em uma estética de existência, na idéia de que a vida é uma obra de arte e requer a aprendizagem das relações conosco e com quem está a nossa volta”.
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Tendo sido estabelecido pelo Conselho Curricular Japonês (Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia), o budo no currículo japonês, no século XXI, tem por objetivo enriquecer o modo de pensar das pessoas, tornando-as adaptáveis às mudanças e as faz assumirem seu lugar perante a sociedade.
Na nova política do Departamento de Educação Física, esporte não apenas significam melhora da força física e manutenção da saúde dos indivíduos mas são considerados como um dos mais importantes elementos para se viver uma vida mais feliz e plena. A função da educação física é encorajar as pessoas a fazeres todas essas coisas ao longo da vida delas. Isso torna o budo um esporte unicamente japonês que contem além das características citadas acima a contribuição de uma educação esportiva ao longo da vida cujas instruções buscam um verdadeiro benefício e empatia. Por esta razão, a principal parte da aprendizagem é experienciar o prazer em lutar nas artes marciais81 (SASAKI, 2006, p. 13).
Na compreensão Kalina e Barczyński (2008), o treinamento segue fielmente o princípio de auto-aperfeiçoamento, ou uma constante educação, e seu objeto inclui a saúde somática, mental e social e competência motora relativos à sobrevivência. Os autores concluem que, budo significa: “uma filosofia e prática de valor, vida criativa. Um caminho da não-agressão e oposto ao mal em todas as formas. Budo é ensinamento não para desistir nas adversidades do destino, mas superá-los”82 (KALINA; BARCZYŃSKI, 2008, p. 2).
Como preceito que, de forma abrangente, caracteriza a cultura japonesa, o budo refere- se a um caminho espiritual de aperfeiçoamento. Um caminho de formação do caráter, definindo ethos do sujeito83, através da incorporação de seus princípios pela prática constante (UESHIBA, 2005).
O aperfeiçoamento de si como meta, em nossa interpretação, pode ser uma clara definição do objetivo do budo. Entretanto, considerando o contexto moderno, Kisshomaru Ueshiba (2005, p. 23), aponta para uma distinção necessária quanto às práticas atléticas, na qual se destacam a competição e a vitória, do Aikido, que “se nega a tornar-se esporte competitivo e rejeita todas as formas de competição ou de confrontos que incluam divisões por pesos, classificações baseadas no número de vitórias e premiações de campeões”.
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Tradução por parte do autor.
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Tradução por parte do autor.
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Em tradução por parte do autor, temos que para Barczyński, Graczyński e Kalina (2009, p. 119) o budo não se limita à esfera motora, sendo “muito mais, e a dimensão prática deste conceito e a medida de atração é a diversidade das artes marciais baseadas em fundamentos éticos”.
Para Kisshomaru Ueshiba (2005, p. 23), atitudes que enfatizam a vitória e o prêmio são fonte de egoísmo, vaidade e desinteresse pelos outros84. Essas atitudes, vistas sob a perspectiva do budo, somente trazem prejuízos a seus praticantes, pois, o budo “tem como finalidade última livrar-se do egoísmo, chegar ao não-eu e, assim, realizar o que é verdadeiramente humano”.
O Aikido, como budo, utiliza da prática das artes marciais para desenvolver a percepção e a sensibilidade do sujeito para consigo mesmo e a ligação vital com a natureza. Nessa perspectiva, encontramos os elementos fundantes de sua espiritualidade, o que nos