3. A SYSTEMATIC APPROACH TO DEVELOPING PROGRAMMES FOR THE SELECTION,
3.1. Management support and involvement
A entrevista tem sido um dispositivo “[...] empregado em pesquisas qualitativas como uma solução para o estudo de significados subjetivos e de tópicos complexos demais para serem investigados por instrumentos fechados num formato padronizado” (SZYMANSKI, 2008, p. 10).
Ao considerarmos o caráter de interação social da entrevista, passamos a vê-la submetida às condições comuns de toda interação face a face, na qual a natureza das relações entre entrevistador/entrevistado influencia tanto o seu curso como o tipo de informação que aparece. Como experiência humana, dá-se no ‘espaço relacional do conversar’, que, segundo Maturana (1993, p. 9), é ‘o entrelaçamento do linguajar e do emocionar’ (SZYMANSKI; 2008, p. 11).
Como afirma Minayo (2008, p. 68) “[...] a inter-relação, que contempla o afetivo, o existencial, o contexto do dia-a-dia, as experiências e a linguagem do senso comum no ato da entrevista é condição sine qua non do êxito da pesquisa qualitativa”.
Penso que a entrevista face a face permite que as intencionalidades, tanto do pesquisador como do entrevistado, fiquem perceptíveis. O que gera uma situação de confiabilidade e de interação humana que possibilita a identificação das interpretações, dos sentimentos, dos sentidos, das angústias, dos preconceitos dos atores envolvidos.
Assim, a entrevista torna-se um “[...] momento de organização de ideias e de construção de um discurso para um interlocutor, o que já caracteriza o caráter de recorte da experiência e reafirma a situação de interação como geradora de um discurso particularizado”. É um processo interativo e complexo e que tem um caráter
íntimo, singular e reflexivo, que permite um “[...] intercâmbio contínuo entre significados e o sistema de crenças e valores, perpassados pelas emoções e sentimentos dos protagonistas” (SZYMANSKI, 2008, p. 14).
Para mim, a preparação para as entrevistas foram precedidas de alguns momentos de angústia e ansiedade, pois eu não sabia ao certo como orientar esse dispositivo para que tudo o que eu precisava que fosse intercambiado no diálogo com os professores não fosse desviado, ou até mesmo esquecido.
Novamente a ideia de um roteiro que me auxiliasse no sentido de percorrer toda a itinerância formativa dos professores foi elaborado, para que na entrevista biográfica, havendo alguma necessidade, eu o consultasse.
Essa prática do roteiro conectou o momento das entrevistas doutorais ao que havia experienciado no mestrado, quando realizei um conjunto de entrevistas com professores, alunos e representantes do “trade turístico” alagoano. Apesar do termo entrevista, quando as experiências são em momentos e contextos diferentes, em tempos diferentes, e fundamentadas em referências diferentes, mesmo que a prática de partida indique uma semelhança ou até pareça a mesma coisa, o saber é mobilizado, ressignificado com a aprendizagem, do vivido e experienciado que o sujeito elege como formativo.
Nesse sentido, percebi que o roteiro foi, em princípio, o sentido do tradicional ainda enraizado. Porém, o movimento da partida sendo recontextualizado, foi, também, com um significado diferente atribuído nesse momento doutoral. Assim, na primeira entrevista o roteiro foi bastante útil, instrumento de fronteira no meu saber profissional como pesquisadora, pois eu ainda estava com insegurança.
Contudo, na segunda entrevista, o diálogo já fluiu com mais naturalidade e as entrevistas aconteceram com mais leveza, conversa embalada por interesses e implicações que se entrecruzam, e, apesar da exaustão física e/ou mental, em virtude das suas durações, as entrevistas etnográficas permitiram, no momento da análise, uma [...] reflexão sobre a reflexão, ou seja, uma meta-reflexão sobre os caminhos interpretativos que levaram até as compreensões da pesquisa (MACEDO, 2012, p. 42, itálicos do autor).
primeiro momento foi de entrevista biográfica, que procurou a itinerância de formação dos professores, desde a educação básica; seus percursos profissional e institucional, incluindo seu percurso como professor na Coordenação de Design. Destaco aqui que o conteúdo das entrevistas biográficas está especificamente tecido nos itens 4.1 e 4.4 do Platô 4 e 5.4 do Platô 5 relativos aos sujeitos da pesquisa.
O segundo momento foi de entrevista etnográfica, na qual foram incluídos episódios vividos pelos professores para diálogo e aprofundamento de questões identificadas na observação de campo e que não estavam claras para a pesquisadora. Para este momento elaborei 6 (seis) roteiros personalizados para cada professor, procurando identificar nos diários de campo dilemas, episódios e questões específicas para cada sujeito, ou mesmo que importavam para a análise da cultura do grupo, como foi o caso da única pergunta que permaneceu igual para todos os professores sobre as bancas avaliativas, questão tratada com mais profundidade no Platô 5.
As entrevistas (biográfica e etnográfica juntas) duraram em média 4 horas e 15 minutos em 10 (dez) dias de encontros com os 6 sujeitos, com total aproximado de 34 horas de diálogos (gravados e filmados). Os locais das entrevistas foram indicados pelos professores voluntários da pesquisa e aconteceram no IFAL; na residência de uma professora; em um clube na região da grande Maceió onde uma professora passava um feriado; e na casa da pesquisadora, a pedido de um professor.
Após o período de realização das entrevistas, iniciei o trabalho de escuta das gravações e releitura dos diálogos, buscando identificar as ligações e religações dos saberes e da formação nas narrativas e nos episódios significativos para a discussão das atitudes ético-formativas dos professores. Esse trabalho de escuta para transcrição do diálogo com os professores foi a partida para outra itinerância, agora realizada solitariamente, mas não sozinha, na distância do lócus, do cotidiano dos professores e toda a sua efervescência, mas não desfocada. A implicação pode ser vivida com a distância necessária para a compreensão das narrativas dos sujeitos que descreveram e explicitaram fatos, acontecimentos, situações, que emergiram em campo e que também fazem parte de suas itinerâncias formativas.
para a formação da pesquisadora no sentido da aprendizagem do cuidado em relação ao que se demanda de um pesquisador em relação às ações artesanais que em muitas situações são delegadas a outros, às vezes profissionais especializados nisso, e que impedem de o pesquisador reviver, gerar outro olhar e sentir do vivido. Nesse sentido, foram 3 a 4 meses empregados em um novo tear de construção de saberes e conhecimento, o que em muito auxiliou no uso consciente do que foi gravado e filmado.
Nesta tese, o material coletado foi distribuído a partir do enredo que se teceu. Assim, o material não foi utilizado na sua totalidade, constituindo-se em um acervo bastante diversificado e potencialmente rico para a continuidade de estudos e pesquisas sobre a formação dos professores da EPT. Inclusive, nesse fazer do acontecer, que ocorreu durante o caminhar da pesquisa, emergiu em campo, também, outra inspiração: a de criar um vídeo com as etnoimagens que já havíamos incorporado ao desenvolver da pesquisa e no movimento das itinerâncias cartografadas nos mapas (in)formativos dos professores.
Assim, o vídeo – Itinerâncias Rizoéticas – teve seu roteiro e criação elaborado pela pesquisadora e, por 10 meses, de janeiro a outubro/2012, houve um trabalho paralelo à escrita doutoral para a composição e edição, movimento que revelou artisticamente a rizoética.
4 FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EPT: PLATÔ DO RIZOMA