A partir da recolha dos vários apontamentos estratégicos, disseminados por vários documentos públicos e internos da EEM, sintetizados na revisão da literatura, no ponto 4.2.3.1 (Estratégia e Risco) deste relatório, foi possível sistematizar a abordagem estratégica da EEM, a qual está assente em quatro pilares estratégicos:
101 • Sustentabilidade • Qualidade • Eficiência • Segurança
Estes pilares estratégicos visam a concretização de objetivos que podem ser agregados em grandes objetivos, nomeadamente:
• Assegurar a rentabilização do investimento; • Garantir a sustentabilidade económica; • Satisfazer as necessidades dos clientes; • Satisfazer exigências regulamentares; • Melhorar a eficiência operacional; • Garantir profissionalismo e competência;
• Consolidar cultura de segurança e saúde no trabalho; • Garantir a segurança de abastecimento:
• Reduzir a dependência do Exterior; • Promover a eficiência energética; • Melhorar a qualidade ambiental;
• Adaptar o sistema elétrico ao novo paradigma.
Os grandes objetivos identificados podem ser desdobrados em objetivos mais pequenos e ações, cuja concretização, permite manter e fomentar as forças, neutralizar as fraquezas, mitigar as ameaças e aproveitar as oportunidades identificadas na análise SWOT.
O sucesso da concretização do objetivo de adaptação do sistema elétrico ao novo paradigma implica o acompanhamento das tecnologias e soluções emergentes, a melhoria da comunicação interna e a revisão do acordo de empresa. A concretização deste objetivo permite ainda mitigar as ameaças inerentes à incerteza da evolução das soluções tecnológicas, à incerteza da evolução da mobilidade elétrica, a uma eventual abertura do mercado e à instabilidade da rede e redução da qualidade de serviço que uma integração descuidada de geração renovável intermitente poderia originar. Naturalmente, a adaptação ao novo paradigma implica também a mitigação de uma eventual resistência à mudança. Do ponto de vista das oportunidades, a digitalização dos processo e serviços, e a redução dos
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custos de produção de energia elétrica, estão intrinsecamente ligados à necessidade de adaptação da empresa ao novo paradigma.
A garantia de profissionalismo e competência tem influência em toda a ação da EEM e influencia o sucesso da concretização dos outros grandes objetivos. A par com a concretização do objetivo de redução da dependência energética exterior e o objetivo de adaptação ao novo paradigma, o sucesso da garantia de profissionalismo e competência ajuda a neutralizar as desvantagens da condição ultraperiférica da região. A revisão do acordo de empresa e a renovação geracional permitirá contribuir para a garantia de profissionalismo e competência que, por sua vez, irá garantir o domínio das novas tecnologias e soluções, a mitigação da uma eventual resistência à mudança e conferir, à EEM, a flexibilidade necessária para fazer face aos novos desafios.
O cumprimento da satisfação das necessidades dos clientes está ligado às oportunidades de incremento dos serviços disponibilizados, à digitalização dos processos e serviços, à adaptação ao novo paradigma e a uma maior interação da empresa com os clientes. A digitalização dos processos é também um caminho para a concretização do objetivo de melhoria da eficiência operacional.
A concretização do objetivo de reduzir a dependência energética do exterior contribui, ao mesmo tempo, para uma maior proteção e qualidade ambiental.
A ameaça de alterações aos mecanismos regulatórios, das consequências de redução do volume de vendas de energia e de uma eventual abertura do mercado de comercialização de energia, pode ser mitigada pela concretização do objetivo de assegurar a rentabilização do investimento e do objetivo de garantir a sustentabilidade económica da empresa. A concretização destes objetivos está, por sua vez, ligada à pertinência de uma participação ativa da EEM na adaptação dos regulamentos ao novo paradigma, da promoção da eletrificação, da oferta de mais serviços, de uma maior eficiência operacional e de um planeamento criterioso dos investimentos, acompanhado pela respetiva análise de riscos e por estudos de viabilidade económica.
Embora pudesse estar mais sistematizada e, eventualmente, concentrada num relatório estratégico, a abordagem estratégica da EEM e os grandes objetivos decorrentes, estão em
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linha com as abordagens estratégicas e objetivos do sector elétrico, que visam, por sua vez, uma adaptação adequada das utilities ao novo paradigma e para cada contexto específico. Contudo, importa reforçar e garantir na EEM o alinhamento dos trabalhadores e das ações desenvolvidas, com os objetivos estratégicos.
Os pilares estratégicos, bem como os objetivos, não são independentes entre si, todavia, a sistematização da estratégia, dos objetivos e das ações, está na base de ferramentas de gestão que potenciam a monitorização de indicadores chave e de ações, bem como, a concretização de objetivos, o alinhamento estratégico com vista ao cumprimento da missão, e a vivência da visão da empresa (Turban, Sharda, Delen & King, 2010). A estratégia, objetivos, ações e respetivas associações, devem ser sujeitas a revisões periódicas, ao longo do tempo, com vista à melhor adaptação possível das empresas ao mercado, num contexto de mudança permanente (Turban et al., 2010).
Nos pontos seguintes e com vista a persecução dos grandes objetivos identificados, são apresentadas diversas ações e medidas que podem ser adotadas na EEM. As ações e medidas apresentadas resultam do trabalho de levantamento e listagem de ações e medidas já desenvolvias em congéneres nacionais e internacionais, da recolha das recomendações para a adaptação das utilities ao novo paradigma, de ideias apresentadas nas entrevistas, de ideias recolhidas ao longo da realização do Mestrado em Gestão e de ideias resultantes das observações do investigador ao longo do estágio e da sua atividade profissional na empresa.
7.1 – Ações com vista à rentabilização do investimento e à garantia da
sustentabilidade económica
A sustentabilidade a longo prazo da EEM dependerá, muito provavelmente, da evolução do modelo de negócios e do investimento na modernização da rede. É expetável a necessidade de uma regulação com base no desempenho, que promova o investimento na inovação, na integração da rede e numa maior penetração de renováveis, tenha de ser impulsionada, em detrimento de uma regulação assente no volume de vendas de energia. Nesse sentido, a EEM poderá procurar ter um papel mais proativo junto da ERSE no sentido da adequação regulamentar ao novo paradigma das redes na RAM. O papel proativo da EEM poderá estender-se também ao desenvolvimento de ações de sensibilização junto do Governo
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Regional e sindicatos, no sentido de poderem ser criadas as condições mais favoráveis a uma adaptação adequada da EEM ao novo paradigma.
Paralelamente, a EEM poderá focar-se na criação de valor acrescentado aos serviços oferecidos, apostar na oferta da melhor experiência ao cliente, satisfazendo as suas necessidades, inclusive, para além do contador de energia elétrica. A EEM poderá identificar, em conjunto com o regulador, as potencialidades de oferta da rede, reinventar os serviços atuais e disponibilizar outros serviços, completamente novos, a um preço que acrescente valor ao cliente e que seja percebido como justo e equitativo. Por um lado, a EEM poderá equilibrar a eficiência dos processos com as economias de escala e, por outro lado, procurar individualizar a oferta e o diálogo com o cliente. A criação de uma empresa satélite do Grupo EEM para a comercialização dos novos serviços poderá ser um caminho.
A seleção dos investimentos poderá ser, cada vez mais, criteriosa e resultar de um planeamento da rede progressivamente mais eficiente, onde os riscos sejam considerados e ponderados. A gestão do risco na EEM poderá ser mais efetiva e a exposição ao risco considerada ao nível estratégico, financeiro, operacional e de negócio. Poderão ainda ser considerados os riscos emergentes associados à incerteza da evolução do mercado, à proliferação de recursos distribuídos e de novas tecnologias disruptivas, aos cyber-riscos e aos fenómenos climáticos extremos. Os riscos poderão ser mapeados e, proactivamente, ser desenvolvidas estratégias de mitigação dos mesmos. O apetite ao risco e a persecução dos objetivos, neste âmbito, poderão ser monitorizados através de indicadores de risco nas diferentes áreas e periodicamente avaliados.
Para um planeamento eficiente, a EEM, para além de ter de ser expert em smart grids, terá de se tornar expert em smart company environment, smart home, smart cities e cibersegurança. É expetável que a EEM transite, incrementalmente, para uma utility 2.0, alterando o seu modo de funcionamento, tando ao nível da gestão de ativos como ao nível da gestão de informação.