Muitos métodos de visualização tiram partido da cor para organizar, codificar e
apresentar informação ao observador. A cor é usada nas mais variadas tarefas, desde
aplicações tão comuns como nas interfaces de utilizador, até outras mais específicas
como na codificação da classificação de valores ou classes de objetos.
Neste contexto, irá fazer-se uma breve abordagem à problemática da cor, ainda que não
sendo o tema, nem o contributo central deste trabalho, é, contudo, um instrumento
fundamental em visualização. Assim, será discutida a questão em dois cenários,
apresentados a seguir:
• Utilização da cor para classificação;
• Utilização de sequência (paletas ou tabelas) de cores para representação de
variáveis quantitativas.
A abordagem apresentada tem como base a proposta de Colin Ware em (Ware, 2000,
2003), influenciado pelo trabalho desenvolvido por Eduard Tufte em (Tufte, 1994, 1998).
4.1.1. Cor para classificar
O nome técnico para a classificação (ou etiquetagem) de um objeto é “codificação
nominal de informação”. Um código nominal não tem que ser ordenável; tem somente
que ser lembrado e reconhecido. A cor é frequentemente muito eficiente quando utilizada
com código nominal (Ware, 2003). Quando se pretende facilitar a vida a alguém que tem
que classificar objetos visuais em diferentes categorias, atribuir cores distintas aos
objetos é frequentemente a melhor opção.
Existem alguns fatores percetuais a ter em consideração quando se pretende escolher
um conjunto de cores para classificar (Ware, 2003).
1. Capacidade de distinção. O espaço de cor CIE60 permite determinar o grau da
diferença percebida entre duas cores colocadas próximas uma da outra. Quando
se pretende distinguir rapidamente uma cor de um conjunto de outras cores
podem ser aplicadas várias regras. Uma delas passa por escolher uma cor
afastada das restantes no espaço de cor CIE.
2. Cores primárias. As cores primárias, vermelho, verde, amarelo e azul, bem
como o preto e o branco, são especiais a vários níveis. Certamente, estas cores
apresentam-se como escolhas naturais quando se necessita de um leque
reduzido de cores. Adicionalmente, o trabalho na área da confusão cromática
sugere que não devem ser escolhidas duas cores da mesma categoria. Deve ser
evitado o uso de múltiplas tonalidades de verde para codificação, por exemplo.
3. Contraste com o fundo (background). Em muitas situações, espera-se que
objetos codificados com cor possam aparecer numa variedade de fundos. O
contraste simultâneo com cores de fundo pode alterar dramaticamente o aspeto
da cor, fazendo com que uma cor se pareça com outra. Esta é uma razão pela
qual se deve ter um conjunto reduzido de códigos de cor. Um método de reduzir
os efeitos do contraste consiste em colocar uma linha fina branca ou preta a
envolver o objeto codificado com cor. Adicionalmente, nunca se devem usar
códigos usando diferenças puramente cromáticas relativamente ao fundo. Deve
existir uma diferença de luminância significativa, adicionalmente à diferença de
cor.
4. Cegueira cromática. Uma vez que uma parte significativa da população tem
algum tipo de distúrbio relacionado com a perceção das cores (daltonismo, etc.),
pode ser desejável usar cores que possam ser distinguidas mesmo por pessoas
com esses problemas. Note-se que a maioria das pessoas com problemas
visuais relacionados com cor não conseguem distinguir cores que variam na
direção vermelho-verde. Contudo, quase toda a gente consegue distinguir
variações na direção amarelo-azul. Infelizmente, isto reduz drasticamente as
opções de design disponíveis.
5. Número. Apesar de a codificação de cor ser uma forma excelente de mostrar
informação de categorias, somente um número reduzido de categorias pode ser
rapidamente percebido. Estimativas variam entre cinco e dez cores.
6. Tamanho do objeto. Os objetos codificados com cor não devem ser muito
pequenos; especialmente se as diferenças de cor estiverem na direção amarelo-
azul, provavelmente o tamanho mínimo será cerca de meio grau do ângulo visual.
Em geral, quanto maior for a área codificada com cor, mais fácil será distinguir as
cores. Objetos pequenos codificados com cor devem ter cores fortes e saturadas
para uma discriminação máxima. Quando são usadas grandes áreas codificadas
com cor, por exemplo, regiões de um mapa, as cores devem ser pouco saturadas
e variar pouco umas das outras. Isto permite que pequenos objetos codificados
com cores vivas possam ser percebidos no meio das regiões de fundo.
7. Convenções. Por vezes, as convenções para a codificação de cor devem ser
tidas em consideração. Algumas convenções comuns: vermelho=quente,
vermelho=perigo, azul=frio, verde=vida, etc.. Contudo, é importante lembrar que
estas convenções não são necessariamente universais para todas as culturas.
Por exemplo, na cultura Chinesa, vermelho significa vida ou sorte e verde significa
morte.
A seguir é apresentada uma lista de doze cores recomendadas para uso em codificação:
1. Vermelho
2. Verde
3. Amarelo
4. Azul
5. Preto
6. Branco
7. Rosa
8. Ciano
9. Cinzento
10. Laranja
11. Castanho
12. Púrpura
4.1.2. Sequência de cores
A pseudocor é a técnica de representar valores com variações contínuas usando uma
sequência de cores (Ware, 2003). A pseudocor é largamente usada nos diagramas de
radiação astronómica, imagens médicas e em muitas outras aplicações científicas. Os
geógrafos usam uma sequência bem definida de cores para mostrar a altura acima do
nível do mar; as terras baixas são sempre verdes, que invoca a imagem da vegetação, e
a escala continua à medida que a altitude aumenta, passando pelo castanho e o branco
para os picos das montanhas.
O esquema de codificação de cor mais usado pelos físicos consiste numa sequência de
cor que se aproxima do espectro físico da luz visível (Ware, 2003). Apesar de esta
sequência ter algumas propriedades úteis, não é uma sequência percetual. Isto pode ser
facilmente demonstrado com o seguinte teste. Dê-se um conjunto de pastilhas pintadas
com vários tons de cinzento a pessoas, pedindo que as coloquem por ordem. Elas
rapidamente as ordenarão pela ordem escuro-claro ou claro-escuro. Agora, dê-se às
mesmas pessoas pastilhas pintadas de vermelho, verde, amarelo e azul e peça-se que
as coloquem por ordem e o resultado será variado. Para muitas pessoas, o pedido não
fará muito sentido. Pode, até, haver quem decida ordenar por ordem alfabética.
Seguidamente é apresentado um conjunto de questões importantes que devem ser
atendidas quando se pretende usar codificação de cor (Ware, 2000):
• Algumas sequências de cores não serão percebidas por pessoas que sofram de
distúrbios de perceção cromática.
• Se for necessária uma sequência ordenável do ponto de vista percetual, pode ser
usada uma sequência de preto-branco, vermelho-verde, amarelo-azul ou
saturação (esbatido
– vívido). Em geral, uma série de cores que cresça ou
decresça monotonicamente relativamente a um ou mais canais oponentes de cor,
resultará numa sequência ordenada do ponto de vista percetual.
• Diferentes sequências podem ser apropriadas dependendo do nível de detalhe
dos dados. É sugerido que quando é necessário mostrar um elevado nível de
detalhe, a sequência de cor deve ser baseada, sobretudo, na luminância, para
tirar partido da capacidade deste canal para comunicar altas frequências
espaciais.
• Espaços de cor uniformes podem ser úteis para gerar sequências de cor nas
quais passos percetuais iguais correspondem a passos métricos iguais. Contudo,
em alguns casos pode ser desejável exagerar deliberadamente alguns atributos
dos dados, usando uma sequência percetual não-uniforme.
• Quando for importante recuperar valores a partir de uma tabela de cores, a melhor
sequência de cores para minimizar erros devido aos efeitos do contraste consiste
em usar uma que circule através de muitas cores.
• Em muitos casos, a melhor sequência de cores pode ser uma espiral no espaço
de cor. A sequência pode variar através uma gama de cores, tendo o cuidado de
escolher cada cor com uma luminância mais alta que a anterior.
• Mesmo que as cores sejam criadas numa sequência contínua e suave, há a
tendência para a perceber como um conjunto discreto de cores colocadas em
ordem.
• Uma vez que a cor é tridimensional, é possível mostrar duas ou mesmo três
dimensões usando cor. Na verdade, isto é usado de forma habitual no caso de
imagens de satélite, onde partes invisíveis do espectro são mapeadas para as
cores primárias do monitor: vermelho, verde e azul.
• A cor é só uma das maneira de revelar as formas das superfícies. Com
frequência, o shading da superfície com uma fonte de luz artificial, usando
técnicas convencionais de computação gráfica, é uma melhor alternativa.
4.2. Taxonomias para a visualização de
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