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Major and trace elements, and anthropogenic organic compounds

Dans le document Technical Papers in 26 (Page 177-199)

Pérez e Rodríguez (2005) dizem que as redes de conhecimento constituem a máxima expressão do homem como um produtor de conhecimentos. Os indivíduos têm a necessidade de trocar e compartilhar o que aprendem e o [conhecimento] que criam a partir da interação com outros indivíduos (PÉREZ; RODRÍGUEZ, 2005).

Na rede, essa troca entre indivíduos se torna possível, além de que dentro das redes é possível, por meio de interações efetivas, que surjam novos conhecimentos, úteis a todos os participantes (JOHNSON, 2011; PÉREZ; RODRÍGUEZ, 2005; TOMAÉL, 2005).

Por outro lado, como em qualquer situação relacionada com o conhecimento, as questões referentes aos tipos de conhecimento (tácito e explícito) devem ser consideradas, uma vez que a grande dificuldade de pessoas e organizações é trabalhar e compartilhar conhecimentos tácitos (GONZÁLEZ; URBÁEZ, 2011).

Sobre este aspecto, Tomaél (2008, s/p.) aponta que “em um contexto de rede, criar e compartilhar conhecimento tácito requer a adoção de técnicas de trabalho em colaboração e o estabelecimento de relacionamentos e de confiança entre os atores”. Ainda segundo Tomaél (2008, s/p.):

Nas redes de conhecimento, a informação carece de interpretação. Normalmente é subjetiva e provém de um ator que coopera na rede com sua bagagem intelectual, cultural e organizacional. É essa informação, e seu compartilhamento, o foco do estudo das redes de conhecimento e é por meio dela que o conhecimento individual pode ser o mote para parcerias que tragam benefícios recíprocos.

Conforme apontou Ahmadjian (2008), nos contextos de redes interorganizacionais a criação de um espaço capacitante que fomente o compartilhamento de ideias, experiências e conhecimentos é tão fundamental como dentro das organizações. É por meio da criação de um espaço de livre comunicação e compartilhamento de informações e conhecimentos que se pode criar novos conhecimentos em contextos de rede (AHMADJIAN, 2008; JOHNSON, 2011).

Partindo destes direcionamentos teóricos, infere-se que as posturas adotadas pelos membros de uma RC devem estar voltadas para a cooperação e para o compartilhamento de informações e conhecimentos (AHMADJIAN, 2008; CHIRIKOV, 2013; HUGGINS; JOHNSTON; STRIDE, 2012; TOMAÉL, 2005; TUR; AZAGRA- CARO, 2018; WANG et. al, 2014).

A cooperação, neste sentido, consiste em abandonar o individualismo, saber tolerar, saber ceder (TOMAÉL, 2008). Há a necessidade de mudança nas posturas individuais e organizacionais dos membros de uma RC, partindo da criação de um senso de coletividade, no qual os interesses coletivos passem a ser o centro das relações, deixando de lado posturas individualistas e unilaterais (JOHNSON, 2011; PHELPS; HEIDL; WADHWA, 2012; TOMAÉL, 2005; 2008).

Para as organizações, tais posicionamentos se tornam desafios para uma atuação efetiva em rede, uma vez que adotar posturas cooperativas implica, também, em deixar de lado culturas administrativas tradicionais de hierarquia e verticalização, adotando-se técnicas e métodos de gestão voltados para a horizontalização e para o compartilhamento, ambas mudanças que refletem a necessidade de adequações culturais, que muitas vezes podem ser difíceis e demoradas (JOHNSON, 2011; KRÄTKE, 2010).

Com relação aos impactos das RC, estes podem ser percebidos nos níveis individuais, coletivos, organizacionais e regionais (KRÄTKE, 2010). Além da aquisição de novos conhecimentos por parte de indivíduos e organizações, a atuação em redes pode proporcionar o desenvolvimento das regiões onde as RC se inserem, visto que alguns dos resultados da ação efetiva das RC podem ser vistos em termos de inovação dentro das organizações, contribuindo para o desenvolvimento das organizações e das regiões onde estas empresas atuam (KRÄTKE, 2010; WANG et al., 2014).

Sob este aspecto, alguns elementos gerais acerca das RC podem ser apontados, bem como aspectos fundamentais para sua constituição e possíveis resultados, conforme identificado por Müller e Strauhs (2015) no Quadro 4.

Quadro 4 - Redes de Conhecimento e suas características

Aspectos Gerais Elementos Fundamentais Possíveis Resultados

 Ambiente de cooperação entre empresas e indivíduos;

 Cultura voltada para o compartilhamento de informações e conhecimentos;

 Presença de ferramentas de TIC nos processos de compartilhamento de informações e conhecimentos;

 Comunicação livre entre os atores da rede;

 Estabelecimento de normas e procedimentos básicos;

 Criação de identidade entre os membros da rede;  Estabelecimento de regras

claras para a participação na rede;  Interação entre os participantes;  Compartilhamento de dados, informações e conhecimentos;  Objetivos comuns;  Planejamento e definição de ações estratégicas;  Fortalecimento dos laços

entre os atores;

 Compartilhamento de recursos físicos, estruturais e financeiros;  Acesso a dados e informações privilegiados;  Criação de conhecimentos diversos;  Fortalecimento da rede em termos de vantagens competitivas;  Aprimoramento técnico e profissional para os indivíduos;  Desenvolvimento tecnológico e organizacional para as organizações participantes.

Fonte: Müller e Strauhs (2015, p. 16).

Salienta-se que cada rede, com base em seus objetivos e acordos entre os atores, pode desenvolver características próprias e elementos únicos, justamente pelo caráter único de cada rede.

Em termos gerais, as RC se configuram como ambientes de interação e cooperação entre atores heterogêneos, que podem ser atores individuais, coletivos e organizações (PHELPS; HEIDL; WADHWA, 2012; TUR; AZAGRA-CARO, 2018). Para que as ações na rede sejam efetivadas, é necessária a criação de uma cultura voltada para o compartilhamento de informações e conhecimentos, bem como um espaço livre

para o diálogo e para as comunicações multidirecionais (JOHNSON, 2011). A esse respeito, observa-se a relação entre a criação de conhecimentos e a necessidade de um ambiente favorável a este processo, conforme apontado por Nonaka e Takeuchi (1997), Alvarenga Neto (2008) e Ahmadjian (2008).

Verifica-se, ainda, a partir da literatura consultada, que a interação e o compartilhamento de informações e de conhecimentos entre os atores de uma RC são elementos fundamentais para sua constituição, sua manutenção e para a efetividade em suas ações (CASAS; LUNA, 2001; GONZÁLEZ; URBÁEZ, 2011; TOMAÉL, 2005; WANG et al., 2014). Tur e Azagra-Caro (2018) ainda sugerem que um feedback sobre as ações relacionadas com a criação e com o compartilhamento do conhecimento são necessários para que se possa verificar a efetividade da rede.

Partindo das definições e conceitos das RC vistos até o momento, verifica-se a possibilidade dessas redes serem constituídas nas relações e interações entre universidades e outras instituições – foco desta pesquisa – por meio de ações e parcerias de compartilhamento de informações e conhecimentos, e mesmo por meio de outras atividades coordenadas, como projetos de pesquisa e desenvolvimento, cursos e programas de formação e capacitação, desenvolvimento de produtos, dentre outras atividades (CASAS; LUNA, 2001; CASTELLS, 1999; CHIRIKOV, 2013; JOHNSON, 2011; PÉREZ; RODRÍGUEZ, 2005; RAJAN; RAJAN, 2013; WANG et al., 2014).

Ainda, conforme Rajan e Rajan (2013), as redes de conhecimento são oportunidades para as universidades compartilharem seus conhecimentos, além de criar novos conhecimentos por meio da relação com outros atores.

Aular e Pereira (2009) apresentam as universidades como elos das redes de conhecimento capazes de dar respostas às demandas de inovação e de informação das organizações. Corroborando esta afirmação, Casas e Luna (2001) dizem que as universidades são fontes de conhecimento que poderiam ser melhor exploradas buscando o desenvolvimento regional e empresarial. No entanto, ações de aproximação da academia e do setor empresarial/industrial são necessárias (CASAS; LUNA, 2001; FANG; WANG; CHEN, 2017; RAJAN; RAJAN, 2013).

A esse respeito, Casas e Luna (2001) sugerem que os governos, por meio da definição de políticas públicas e ações de fomento, têm papel fundamental na promoção do intercâmbio entre universidade, empresas e sociedade. Casas e Luna (2001) apontam, ainda, que é dever do Estado desenvolver programas e mecanismos

que possam influenciar na formação e manutenção de relacionamentos entre os mais variados atores dos sistemas nacionais de inovação, contribuindo, desta forma, para a formação e manutenção das redes de conhecimento.

Neste sentido, e a partir do que já foi exposto até aqui, visualizar as universidades como atores capazes de contribuir para a criação e manutenção das Redes de Conhecimento oferece a possibilidade de discutir o papel das universidades na sociedade contemporânea, bem como as possibilidades de contribuição efetiva para empresas e sociedade por meio de ações coordenadas desenvolvidas nas RC. Desta forma, na próxima seção serão abordadas questões referentes às universidades e aos desafios da interação entre universidade e sociedade na economia contemporânea.

3 A UNIVERSIDADE NO SÉCULO XXI: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA

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