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Mainstreaming and implementation of DRR within national plans and strategies

mainstreaming frameworks

4. Mainstreaming and implementation of DRR within national plans and strategies

Até o final da década de 1950 Os Guaranys não possuíam uma definição institucional nítida. A atribuição de integrantes permanentemente incumbidos de determinadas atividades vai configurando-se lentamente a partir da saída de Eduardo, a exemplo do estabelecimento de uma presidência da agremiação. Eusébio é considerado o primeiro presidente do grupo, o que a partir de então demarcará um posto central fixo. Antes disso, o espetáculo acontecia a partir do encontro dos brincantes dois ou três meses antes da festa e acontecia com alto grau de espontaneidade. Os mais velhos lembram-se dos ensaios realizados por Eduardo no Alto de Santo Antônio nos últimos meses do ano, sendo que, a cada dia de preparativo integrava-se algum novo membro. Portanto, a existência do grupo só se dava naqueles momentos de encontro para a preparação da encenação.

Duas importantes fotografias foram localizadas na Fundação Gregório de Matos106. Datam de 1959 e mostram dois integrantes dos Guaranys nos festejos do Dois de Julho de Salvador. Estas fotografias sinalizam um aspecto importante, um dos indivíduos fotografados tem um argola presa ao nariz, tal como se tornou muito comum nos filmes estadunidenses de

western, famosos entre os anos de 1950 e 1970 representarem, entre outros aspectos, os

conflitos com o que seria o indígena. Este fato pode apontar a influência àquele momento de uma estética que tomada o índio hollywoodiano como referência. No mais, cabe indagar: qual a finalidade de quem tirou aquela fotografia? Por ora, corrobora o interesse da instituição pública que, ligada à Prefeitura Municipal de Salvador, naquele ano assumiu a responsabilidade de organizar os festejos do Dois de Julho, então transferidos pela Prefeitura Municipal de Salvador, incluindo toda a logística de manutenção dos festejos.107 Neste sentido, registrar a participação popular nos festejos já se fazia importante, mesmo ao se considerar que a fotografia foi incorporada ao acervo posteriormente. Estas fotografias comprovam que, já na referida data, tem-se a participação do coletivo nos festejos do Dois de Julho de Salvador.

105 Apesar das sondagens, o motivo permaneceu desconhecido para nós. 106 Figuras 7 e 9 do C.

Os Guaranys são o único grupo popular itaparicano que adentrou a festa de Salvador.

Isto não demonstraria um grau considerável de organização? A participação anual não seria um fator importante para que o grupo organizasse-se permanentemente? Acreditamos que sim, e isto demonstra que este processo lentamente iniciado com Eusébio, na segunda metade da década de 1950, corporifica-se com Carrinho e depois com Orlando, quando já contariam alguns anos com o auxílio das Prefeituras de Municipais de Salvador e de Itaparica, no que se refere ao transporte e a alimentação.

Pensamos que a integração a festa de Salvador e sua participação ininterrupta até atualidade é ao mesmo tempo um vetor e um efeito da institucionalização. Em outros termos, esta atuação os singularizou também em relação a outros coletivos. Perrone (1995) indica que, segundo Orlando, surgiu a necessidade de melhor organizar o grupo por conta da sua participação no Dois de Julho, e, somente a partir daí, fundou-se um grupo com o nome Os

Guaranys. Não nos parece comprovável esta afirmativa; neste caso, a definição do nome do

grupo teria sido decorrente de uma exterioridade, a festa de Salvador. Todavia, a necessidade de organizar a atuação na capital constituiu-se como um vetor importante no processo de institucionalização.

Outro item importante neste processo tem sido o próprio deslocamento para a participação nos festejos do Dois de Julho de Salvador, que exige no mínimo uma centralização do controle, característico de uma instituição estável. Ademais, a partir da década de 1990, além do Dois de Julho, a agremiação é convidada para festejos no Recôncavo e Baixo Sul da Bahia, no qual pode apresentar seu Auto ou simplesmente abrilhantar a comemoração em questão. Pensamos que o processo de aquisição da centralidade no festejo itaparicano passa por esta projeção em outros locais, notadamente Salvador, o que se soma à já falada manipulação de símbolos que remetem a generalidade.

Além dos fatores mais importantes elencados, pode-se afirmar que, mesmo com o crescimento da importância do grupo, a vida financeira dos mesmos nunca foi fácil. Não existem contribuições expressivas dos órgãos governamentais para com o cortejo dos caboclos e a encenação da Aldeia. Disponibiliza-se um espaço, que vem variando entre diversos pontos do centro histórico da cidade, além da colocação da iluminação e da armação de uma estrutura em forma circular, que podem ser estacas ou pequenas vigas de madeira, qual uma cerca, simbolizando a Aldeia. Parece não haver – ou pelo menos ainda não foram localizados – registros na Prefeitura no que se refere a estas ações. Para os participantes, isto não é problemático; é como se o poder público já soubesse o que teria que fazer. ―Eles sabiam

que tinham que fazer, todo mundo sabe. Não precisava escrever. É obrigação da Prefeitura botar a gambiarra e puxar o carro no dia Seis‖. 108 O grupo sempre se manteve com recursos próprios. A contribuição dos próprios brincantes mediante o constante uso de rifas e livros de ouro109 era um recurso bastante utilizado. A institucionalização possibilitou a organização necessária para que o grupo não se extinguisse por falta de recursos.

O grupo jamais dispôs de uma sede. Na ausência de um lugar desta natureza, desde a década de 1980, a casa de Angélica preenche tem preenchido este papel. Assim, por mais que o grupo não tenha uma sede ainda hoje, a residência das figuras de proa do coletivo, são percebidas como o locus dos Guaranys. O próprio desdobramento do trajeto do cortejo indica a vinculação a alguns locais. A saída passou a acontecer da residência de Angélica e, após a saída de Orlando, incorporou-se sua casa como ponto de passagem e parada do cortejo, também como um reconhecimento da sua importância. Na atualidade, observa-se entre os integrantes o desejo de ter uma sede fixa, o que, caso viesse a se efetivar, forjaria uma nova configuração para os brincantes.

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A duração contínua do desempenho dos Guaranys reflete a coesão do grupo, comprovada pela sua permanência. Isto ocorre a despeito da mudança de lideranças, o que usualmente surge para muitas manifestações como um elemento desagregador. Pode-se dizer que a institucionalização não deixou o grupo menos flexível, menos suscetível de adaptar-se a novas demandas.

O desenvolvimento da rede de poder que sustentou o grupo foi forte o suficiente para não se romper, resistindo a algumas crises, como a migração de lideranças e desentendimentos entre os membros. Enfim, as estratégias implementadas ao longo da trajetória do grupo Os Guaranys garantiram sua duração. Algo considerável, pois outras agremiações não foram bem sucedidas nesse intento. E esta permanência lhes possibilitou

108 Depoimento concedido ao autor por Egina, em 05.01.2010.

109 Em geral um caderno de capa dura, passado de porta em porta, no caso por Orlando, que recolhia uma

colaboração em dinheiro para o cordão. Infelizmente, a consulta a estes cadernos não foi possível, dado o desaparecimento dos mesmos.

manter a ocupação do centro no campo em questão, o que, como um efeito positivo e reflexo, favoreceu novamente sua continuidade.

Uma característica bastante comum dos folguedos populares é o alto raio de ação da atuação e evolução dos brincantes. No caso dos Guaranys, sugerimos que este raio de ação foi limitado, enquadrando os modelos de representação e o discurso em uma matriz mais rígida; este foi o principal efeito da institucionalização. Além disto, a partir dos quatro fatores articulados na institucionalização, a arena central dos festejos recepcionou os caboclos e o Campo Formoso abriu-se para Os Guaranys.

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