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M7814 Module Installation

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2.4 INSTALLATION PROCEDURE

2.4.3 M7814 Module Installation

Através da metodologia de posicionamento na Escala Rile, utilizada para classificar programas de governo, buscou-se posicionar os discursos dos candidatos à presidência na mesma escala. Dessa forma, se o resultado numérico atribuído ao candidato fosse positivo, considerou-se que esse estaria situado no campo ideológico da direita e caso o resultado fosse numericamente negativo, considerou-se que o discurso do candidato como à esquerda. Quando mais próximo ao zero, mais ao centro se apresentava o candidato.

Relevância dos temas no discurso dos presidenciáveis - 2014 Dilma 2014 Aécio 2014 Relações Internacionais 1,308 irrelevante 2,58 irrelevante Valores Democráticos 3,664 pouco relevante 1,29 irrelevante Sistema Político 36,91 prioritária 38,494 prioritária Economia 14,92 secundária 15,483 secundária Políticas Sociais 15,7 secundária 16,559 secundária

Esrutura Social (Lei e Ordem) 6,544 pouco relevante 2,795 irrelevante Grupos Sociais e Minorias Políticas 10,47 secundária 7,311 pouco relevante Sem classificação 10,47 secundária 15,483 secundária

Gráfico 18 – Escala Rile: Debates televisivos

Fonte: Elaborado pela autora.

A escala apresentou PT e PSDB à esquerda no primeiro processo eleitoral analisado, estando o PT, representado por Lula, consideravelmente mais à esquerda do que seu oponente, representado por Serra, esse situado muito próximo ao centro do espectro. Em 2006, ainda com Lula, o PT se moveu de maneira centrípeta, “empurrando” seu oponente, agora representado pelo candidato Alckmin, para o outro lado da escala. Em 2010, Dilma retomou um pouco do posicionamento de esquerda para depois abandoná-lo em 2014, quando também cruzou a linha para o posicionamento à direita. O PSDB, representado por Serra em 2010, teve posicionamento muito parecido para com 2002, em que o porta voz das ideias foi o mesmo candidato. Já em 2014, com o candidato Aécio Neves, no mesmo movimento realizado pelo PT, os tucanos atravessaram novamente a linha ideológica com posicionamento situado à direita.

Para melhor entender os motivos de mudanças tão drásticas foi realizado um exercício de investigação de quais categorias de direita ganharam maior ênfase e provocaram o deslocamento de posição na escala. O resultado desse exercício apontou que as questões relativas à ênfase nas qualidades e aos problemas nas competências dos candidatos e partidos passou a ficar cada vez maior e, segundo o esquema de codificação do projeto MARPOR e da escala Rile, esse seria um posicionamento à direita no espectro. Essa conclusão aponta para

uma ineficiência metodológica já que o resultado não condisse com a realidade das duas candidaturas. Acredita-se que duas variáveis, inclusive em relação de causa e consequência, podem ter influenciado no resultado: i) o forte personalismo do contexto brasileiro de sistema presidencialista e a tradição de enfrentamento pessoal que se construiu nos debates televisivos no período da “Nova República” e ii) o alto nível de discursos informais e demagógicos que, por despreparo do candidato ou mesmo falta de tempo de elaboração e resposta, fizeram com que grande parte dos excertos não pudesse ser de fato classificado nas categorias.

Portanto, embora a classificação dos discursos nos debates televisivos através do método do projeto MARPOR seja positiva por abrir um leque de possibilidades de investigação, considerou-se que a classificação e posicionamento na Escala Rile não estivesse tão adequado. Os resultados que investigaram o posicionamento ideológico nos discursos pareceram enviesados justamente pelas características culturais que perpassaram os objetivos e métodos dos debates televisivos. Uma outra forma de categorização, capaz de compreender melhor os discursos informais e sucintos, se fará necessária para que seja possível classificar ideologicamente os discursos dos candidatos nos debates.

6.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O exercício de análise das questões levantadas na introdução desse capítulo não possui precedentes na literatura brasileira. Acredita-se que essa é a grande limitação da pesquisa e salienta-se seu potencial como exercício investigativo metodológico sem a intenção de ser conclusivo de maneira determinante. Os resultados mostraram questões muito interessantes e relevantes para a construção da recente literatura sobre debates televisivos, sobretudo em relação à necessidade de se buscar metodologias de análise discursiva que possibilitem investigações mais adequadas. As categorias do MARPOR compreendem grande parte da agenda política mundial, mas estão alinhadas com discursos mais formais. O debate traz a espontaneidade de discurso e o limite de tempo que obriga o/a candidato/a a pensar rapidamente na resposta que lhe cabe, sem muitas vezes possuir tempo suficiente para abordar tudo que gostaria. Esse é um ponto que traz diferença considerável em relação ao programa de governo, documento que não possui limites de páginas e está aberto para que o partido exponha todas as suas ideias (programas de governo do PSDB, por exemplo, chegaram a ter quase 300 páginas de extensão). O dado interessante é que a dinâmica de tempo limitado faz com que os partidos escolham de fato os temas prioritários a serem abordados, maximizando a teoria da “Escolha

Racional” (DOWNS, 1999). O debate da Rede Globo acontece praticamente às vésperas da eleição definitiva de segundo turno e costuma ser a última oportunidade de diálogo direto entre os candidatos e eleitores, fato que mobiliza o discurso voltado para a maximização da conquista de votos. Tais questões ficaram evidentes durante a análise que foi apresentada, não obstante os recursos metodológicos escassos e em experimentação.

A partir da análise do discurso de maneira qualitativa, pode-se destacar algumas estratégias de PT e PSDB ao participarem do debate televisivo. No entanto, cabe ressaltar que a estratégia foi aplicada de maneira completamente diferente a depender do candidato26. Perfis mais tradicionais, como dos candidatos José Serra, Lula, Dilma e Alckmin, e cabe essa ressalva independente do vínculo partidário, realizaram um discurso mais programático, embora Dilma o fizesse em menor escala. Aécio Neves utilizou da estratégia mais personalista e ofensiva em relação ao oponente, colocando em destaque características e trajetórias pessoais em detrimento de um discurso mais voltado para as ações. Tal movimento pode ter sido influenciado pelo forte tensionamento político do momento e pela crise de representatividade que o governo Dilma enfrentava no período pré-eleitoral.

Nesse sentido, considerou-se que a principal contribuição para a investigação dos discursos nos debates televisivos através do método de categorias do projeto MARPOR foi justamente a possibilidade de mensurar quais eram os temas mais expostos neste momento, a frequência que eles apareceram e, sobretudo, a inexistências de certas agendas que ficaram apenas nos discursos formais dos programas de governo. Ou seja, para além de entender a estratégia de participação de PT e PSDB nos debates de segundo turno - último momento de diálogo com o eleitor durante a campanha, a comparação entre o que foi enfatizado nos programas e o que, como estratégia, foi repetido ou não nos debates televisivos foi a maior contribuição da presente investigação e será abordada no próximo capítulo.

Vale ressaltar que os discursos dos candidatos nos debates televisivos sofrem mais influências das variáveis exógenas do contexto, sendo a opinião pública e a imprensa responsáveis por colocar na agenda do debate as pautas mais polêmicas. Devido à intensidade do momento (considerando os debates estudados nesta tese que acontecem nos últimos dias do segundo turno), os partidos apostam na tentativa de agradar o eleitor médio através de temas

26 Destaca-se a importância de um exercício mais profundo de análise de discurso para que se possa traçar o perfil

pessoal de cada candidato, variável essa que pareceu importante para ser trabalhada na literatura dos debates televisivos, mas que não puderam ser aprofundadas nessa tese.

menos radicais e que não gerem desconforto com alguns setores da sociedade. Tal comportamento é o grande exemplo do partido guiado pela Teoria da Escolha Racional.

CAPÍTULO 7. CONGRUÊNCIA NOS DISCURSOS PARTIDÁRIOS E DISTÂNCIA

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