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Métriques d’évaluations

3 Evaluation des algorithmes de suivi

3.2 Métriques d’évaluations

Na observação inicial prosseguia-se com a recolha de informação sobre dados sócio- demográficos, clínicos e de comorbilidade. Registava-se informação relativa ao estado prévio ao episódio, situação profissional, estado funcional, medicação, antecedentes pessoais e familiares e presença de factores de risco vascular (Tabela 3.16). Seguia-se informação detalhada sobre as circunstâncias da ocorrência do acidente neurológico, nomeadamente o modo de instalação e desaparecimento (se fosse o caso), a observação neurológica, incluindo a avaliação pela Unified Neurological Stroke Scale (UNSS)248 no caso de AVC e escala de Hunt e Hess249 para os doentes

com hemorragia subaracnoideia, procedimentos e complicações durante o eventual internamento, exame cardiovascular, exames subsidiários, tratamento, destino à data da alta e avaliação da incapacidade (Oxford Handicap Scale - escala de Rankin modificada250,251), das funções cognitivas (Mini Mental State Examination252) e da dependência nas actividades da vida diária (Índice de Barthel253).

Para os doentes com (ou suspeita de) sintomas e sinais neurológicos focais transitórios a informação registada nas Fichas de Notificação, Observação inicial, Observação 3 meses, e na Observação anual, foi em grande parte semelhante àquela registada para os doentes com AVC. As diferenças relacionam-se com as particularidades específicas dos SSFNT, registando-se o número e a duração dos episódios e a afirmação ou negação de uma lista de sintomas. Na Observação inicial foram mais pormenorizadas as circunstâncias do início dos episódios, o seu modo de aparecimento e desaparecimento, a descrição pormenorizada dos sintomas foi registada numa “check list” em linguagem corrente, e entrevistadas testemunhas, sempre que existissem. O tratamento dos doentes incluídos no estudo ACINrpc foi orientado segundo as práticas locais e sob a responsabilidade dos respectivos médicos assistentes; no entanto era encorajada a realização de ecocardiograma e eco-doppler dos vasos do pescoço, e também do electroencefalograma para os doentes com sintomas neurológicos focais transitórios.

Para a definição dos factores de risco vascular utilizaram-se os critérios clínicos constantes da Tabela 2.17. No caso do doente ter sido internado registou-se a comorbiliade relevante, nomeadamente a ocorrência de embolia pulmonar, atelectasia pulmonar, embolia sistémica, infecção urinária, sépsis, hemorragia digestiva, úlcera de pressão, convulsões e hipertermia. O seguimento dos doentes foi realizado em consulta externa de neurologia aos 3 e 12 meses após o(s) episódio(s) de inclusão, e no caso desta não ser possível utilizavam-se todos os meios disponíveis, contacto telefónico com o próprio, familiares ou vizinhos, revisão de processos clínicos, contacto com médicos de família ou médicos hospitalares e consulta de certificados de óbito. No seguimento dos doentes registou-se o método de seguimento e a fonte de informação, a residência e situação profissional actual do doente, a medicação, a data e motivo de ocorrência de internamentos hospitalares e utilização de outros cuidados de saúde.

Tabela 2.17 – Critérios para avaliação dos factores de risco e comorbilidade

Hipertensão arterial Diagnóstico de hipertensão arterial ao longo da vida e/ou tratamento anti-hipertensor e/ou tensão arterial sistólica >160mmHg e/ou tensão arterial diastólica > 95mmHg em pelo menos dois registos.254

Diabetes mellitus Diagnóstico de diabetes mellitus, e/ou tratamento com anti-diabéticos orais ou insulina e/ou glicemia em jejum >126mg/dl e/ou glicemia pós-prandial ≥200mg/dl e/ou prova de tolerância à glicose com valores de glicemia ≥200mg/dl à 2ª hora.

Hiperlipidemia (a) diagnóstico de hipercolesterolémia e/ou valor de colesterol total sérico após jejum de 12 horas ≥240mg/dl e/ou tratamento com estatinas; (b) diagnóstico de hipertrigliceridémia e/ou valor de triglicerídeos séricos após jejum de 12 horas ≥200mg/dl e/ou tratamento com ácido nicotínico ou derivados do ácido fíbrico (clofibrato, fenofibrato, gemfibrozil); (c) hiperlipidemia, hipercolesterolémia e/ou hipertrigliceridémia.

Nota: durante o período em que decorreu o estudo a administração de estatinas estava indicada apenas para doentes com valores de colesterol sérico considerado elevado.

Consumo de tabaco a) nunca fumou; b) ex-fumador - fumava regularmente em qualquer período da vida mas deixou de o fazer nos 12 meses prévios ao evento; c) fumador actual - fumava à data do evento ou até aos últimos 12 meses prévios ao evento.

Nos fumadores e ex-fumadores contabiliza-se o número médio de cigarros/dia (<20, 20-39, ≥40) e o número de anos de consumo (<20, 20-39, ≥40). A quantidade de “maços-ano” fumados obtém-se multiplicando o consumo diário de cigarros (um maço = 20 cigarros) pelo número de anos que fumou ao longo da vida e é estratificado em (<25, 25-44, ≥45).

Consumo de álcool a) bebedor ocasional/abstémico - < 7 unidades/semana ou não ingere bebidas alcoólicas; b) bebedor regular - consumo diário de bebidas alcoólicas ou ≥ 7 unidades/semana. (1unidade = 150ml vinho = 250ml cerveja = 25ml bebidas destiladas = 12g de álcool puro). O consumo é estratificado em <84g/semana, 84-252g/semana, 253-840g/semana e >840g/semana.

Anticoncepcionais hormonais

a) usa actualmente; b) usou mas já não usa; c) nunca usou. O uso de anticoncepcionais é quantificado em anos (< 1, 1-4, 5-9, 10-19, ≥ 20). (Nota: informação dada pela doente). Terapêutica hormonal

de substituição

a) usa; b) não usa. O uso de terapêutica hormonal de substituição é quantificado em anos (< 1, 1-4, 5-9, 10-19, ≥ 20). (Nota: informação dada pela doente).

Actividade física nos

tempos livres Exercício físico regular independente da actividade laboral, na actualidade, ou durante um período regular de pelo menos 10 anos. Obesidade Índice de massa corporal (IMC) superior a 25.

Malnutrição Índice de massa corporal inferior a 20. Acidente Isquémico

Transitório (AIT) Diagnóstico de AIT determinado por neurologista e/ou história de AIT

7 determinada por

entrevista clínica de neurologista do estudo e/ou registo de AIT no processo clínico realizado por um neurologista.

Doença cardíaca isquémica

Pelo menos um dos seguintes: a) história de angina (dor toráxica e/ou no membro superior relacionada com o exercício físico ou emoção e aliviada pelo repouso); b) enfarte agudo do miocárdio (confirmado por elevação sérica de enzimas ou alterações no ECG) e/ou informação (ou relatório) de médico confirmando o diagnóstico; c) insuficiência cardíaca congestiva (após exclusão de causas tóxicas, infecciosas ou doenças musculares); d) medicação com nitratos; e) coronáriografia mostrando lesões de aterosclerose.

Arritmias Registo ECG com fibrilação auricular e/ou registo clínico com informação de fibrilação auricular em qualquer data. São consideradas significativas as seguintes arritmias (sempre necessário registo ECG): fibrilação auricular; flutter auricular; doença sino-auricular; qualquer grau de bloqueio auriculo-ventricular; taquicardia ventricular.

Doença cardíaca estrutural

Pelo menos a presença de um dos seguintes: a) sopro cardíaco significativo (sopro diastólico ou sopro sistólico > 2/4 em intensidade); b) cardiomiopatia conhecida; c) doença cardíaca congénita; d) cirurgia cardíaca prévia de coração aberto; e) demonstração ecocardiográfica de valvulopatia reumática ou miocardiopatia.

Doença vascular arterial periférica

Pelo menos a presença de um dos seguintes: a) história de claudicação intermitente; b) dor de repouso; c) gangrena dos dedos ou pé; d) ausência de pulsos arteriais em pelo menos um pé; e) sopro fémural; f) cirurgia vascular arterial periférica; g) exame demonstrativo de estenose arteroesclerótica das grandes artérias periféricas.

Traumatismo craniano

ou cervical História de traumatismo descrito pelo doente e/ou referido por médico ou registado em processo clínico e/ou sinais exteriores de traumatismo. O intervalo de tempo entre o traumatismo e o evento foi estratificado em <15 dias, 15-30 dias, 31-90 dias e 91-365 dias. Infecção Sintomas associados a febre (temperatura corporal axilar > 38ºC) ou temperatura sub-febril

(temperatura corporal axilar de 37,5º-38ºC) e/ou sintomas e sinais típicos de infecção local (por exemplo tosse e expectoração purulenta) e/ou administração de antibióticos com ou sem temperatura febril e/ou diagnóstico por cultura ou diagnóstico serológico de infecção recente ou diagnóstico de infecção por médico ou registo em processo clínico. O intervalo de tempo entre a infecção e o evento foi estratificado em <15 dias, 15-30 dias, 31-90 dias e 91-365 dias. Demência/deterioração

cognitiva prévia

Consideraram-se resultados relevantes durante o follow-up, a ocorrência de eventos vasculares, nomeadamente AVC e enfarte agudo do miocárdio (EAM), e a causa de morte, para os quais foi registada a data e local da ocorrência.

Foi também feita a avaliação funcional pelo questionário do “International Stroke Trial”,255-257 a

avaliação da incapacidade (Oxford Handicap Scale - escala de Rankin modificada250,251), da dependência nas actividades da vida diária (índice de Barthel253), das funções cognitivas (Mini Mental State Examination252), de sintomas depressivos pelo Inventário de Beck258-260 e qualidade de vida pelos cartões da COOP/WONCA.261,262