Em relação a nutrição da cultura será exposto a importância da fertilid ade do solo e a diagnose foliar para o cultivo da cana-de-açúcar, será ainda apresentado aspectos ligados a fertirrigação como alternativa a adubação convencional em cultivos irrigados.
3.2.1 Diagnose foliar
As culturas agrícolas necessitam de nutrientes em quantidades adequadas para seu metabolismo, e assim quando estas quantidades são insuficientes ou excessivas, podem vir a comprometer a produtividade e qualidade do produto final.
A deficiência de nitrogênio na cana-de-açúcar reduz o rendimento da cultura, resultando tanto na queda da produtividade quanto na sua longevidade de cortes, para o fósforo, as plantas apresentam baixo crescimento, folhas mais velhas arroxeadas, estreitas e curtas, além de baixo perfilhamento, menor altura e diâmetro de colmos e ainda menor comprimento de entrenós. Para o potássio, as folhas apresentam
16
manchas avermelhadas na nervura central podendo evoluir para necroses, a produtividade e o perfilhamento são afetados negativamente (VITTI et al. 2010; ROSSETTO et al. 2010a; ROSSETTO et al. 2010b).
Assim, faz-se necessário a análise do solo em cada final de cultivo da cultura com o objetivo de avaliar a fertilidade do solo, e aplicar os nutrientes em quantidades adequadas para as plantas, entretanto, não é garantido que os nutrientes aplicados satisfarão as exigências nutricionais da cultura, pois podem ocorrer perdas das mais diversas naturezas no solo, como lixiviação, imobilização, volatilização e por perda da própria massa física do solo decorrentes da erosão.
Dessa forma, a diagnose foliar é uma ferramenta que pode determinar quais são os nutrientes que estão apresentando teores inadequados prejudicando o pleno desenvolvimento da cana-de-açúcar, através da análise química dos nutrientes na folha, e dessa forma auxiliar na necessidade de adubação da cultura para que os nutrientes não sejam fatores limitantes à produção, e assim explorar ao máximo o potencial genético das plantas.
A diagnose foliar é feita através da análise das concentrações dos elementos nas folhas, e dessa forma pode-se avaliar o estado nutricional da cultura. Entretanto, existem algumas exigências para o uso dessa técnica em cana-de-açúcar, pois se deve levar em consideração a folha a ser amostrada, época de coleta e das faixas de concentrações médias dos nutrientes.
A amostragem é a fase que requer grande atenção, pois a mesma deve ser representativa de toda a área e o ano de cultivo da cultura. As amostras devem ser compostas e retiradas aos nove meses para cana planta e quatro ou cinco meses de idade para a cana soca devido ao maior desenvolvimento vegetativo da cultura, coletando-se 100 folhas por talhão de 10 ha. A primeira folha com bainha visível (+1) deve ser coletada, sendo que estas folhas devem ter as nervuras centrais retiradas e mantendo-se apenas terço central do limbo foliar (SILVA, 2009).
É valido ressaltar que os teores adequados podem variar de variedade para variedade, idade da planta e da folha amostrada, dessa forma os resultados são analisados segundo as faixas de teores adequados e não em valores específicos para que tais problemas sejam minimizados (Tabela 2).
TABELA 2. Faixas de teores foliares adequados de nutrientes para a cana-de-açúcar
Nitrogênio Fósforo Potássio Cálcio Magnésio Enxofre
--- g kg-1 ---
18 - 25 1,5 - 3,0 10 - 16 2,0 - 8,0 1,0 - 3,0 1,5 - 3,0
Boro Cobre Ferro Manganês Molibdênio Zinco
--- mg kg-1 ---
10 - 30 6 - 15 40 - 250 25 – 250 0,05 – 0,20 10 - 50
É importante salientar que a diagnose foliar visual deve ser utilizada apenas como auxílio a análise dos teores de nutrientes na folha, pois requer um profissional muito experiente, e a deficiência nutricional muitas vêzes pode ser mascarada com excesso de outros nutrientes, e ainda injurias causadas por patógenos e ambiente.
3.2.2 Fertirrigação da cana-de-açúcar
A fertirrigação consiste e aplicar simultaneamente fertilizantes e água no solo, por meio do sistema de irrigação a fim de atender ás demandas da cultura, essa prática agrícola pode ser utilizada em diferentes sistemas de irrigação, como superfície, aspersão ou localizada (PREZOTTI, et al. 2007).
Em substituição à adubação convencional, é importante que a fertirrigação seja feita com sistema de irrigação que garanta alta performance na distribuição da água, o que pode ser obtido, principalmente, quando se utiliza a irrigação localizada (BERNARDO et al., 2006; OLIVEIRA & VILLAS BOAS, 2008).
Como vantagens, a fertirrigação quando feita de maneira correta na cultura da cana-de-açúcar, pode-se citar principalmente a maior eficiência dos fertilizantes, pois os mesmos podem ser aplicados parceladamente baseado na marcha de absorção de nutrientes pela planta, conforme descrito em Haag et al. (1987); economia em mão-de-obra, já que os nutrientes são aplicados rapidamente através do sistema de irrigação, necessitando apenas de um operador para realizar a tarefa (BERNARDO et al., 2006); e a redução da compactação do solo, visto que não é necessário a entrada de máquinas na área de cultivo para realizar a adubação da cultura.
Entretanto, deve-se tomar alguns cuidados ao se utilizar a prática da fertirrigação, como a escolha dos fertilizantes, pois pode ocorrer incompatibilidade dos mesmos na água de irrigação produzindo precipitados na fita gotejadora, e assim obstruindo os emissores.
De acordo com Van der Gulik (1999), os fertilizantes devem seguir a Figura 3 quando dissolvidos na água de irrigação para evitarem qualquer problema de incompatibilidade.
18
FIGURA 3. Compatibilidade entre fertilizantes empregados na fertirrigação.
Não só a compatibilidade dos fertilizantes deve ser atendida, mas utilizar fertilizantes com alta grau de solubilidade também é importante, pois quanto maior a solubilidade, mais fácil será o preparo da solução injetora, menor o risco de entupimento dos emissores e ainda maior a eficiência de absorção pelas raízes. Assim, de acordo com Vitti et al. (1994), a Tabela 3 apresenta os fertilizantes e seu grau de solubilidade.
TABELA 3. Concentração e solubilidade de alguns fertilizantes utilizados na fertirrigação.
Fertilizante Concentração (%) Solubilidade (g L-1) a 20°C
Cloreto de potássio 60 K2O 340
Nitrato de potássio 46 K20 + 13 N 335
Sulfato de potássio 50 K20 + 18 S 120
Sulfato de potássio e magnésio 22 K20 + 22 S + 11Mg 290
Nitrato de amônio 34 N 2190 Nitrato de cálcio 15,5 N + 30 Ca 1220 Sulfato de amônio 21 N + 22 S 760 Fosfato diamônico 53 P205 + 21 N 450 Fosfato monoamônico 60 P2O5 + 11 N 400 Uréia 46 N 1033
Dessa forma, é altamente recomendável uma pessoa treinada para o manuseio dos fertilizantes e do sistema injetor (PINTO e FEITOSA FILHO, 2009), para evitar a manutenção do sistema de irrigação por entupimento, principalmente em sistema de IGS, pois como os emissores são enterrados, sua localização e manutenção se torna mais difícil.
Assim, a fertirrigação na cultura da cana-de-açúcar quando feita corretamente incrementa a produtividade da cana-de-açúcar, Thourburn et al. (2003) estudaram a importância da fertirrigação com N-fertilizante em quatro ciclos de produção (cana planta e três soqueiras), irrigada via IGS a 0,30 m de profundidade, e concluíram que a produtividade de colmos e de açúcar respondeu à adubação nitrogenada via fertirrigação.
Em outro trabalho, ANDRADE JUNIOR et al. (2012), os autores encontraram 207,4 t.ha-1 de colmo com uso de IGS na cana-de-açúcar fertirrigada, utilizando a mesma variedade desta pesquisa (RB867515), no município de União – PI durante a primeira soca de cultivo.
Assim, em sistemas irrigados com IGS na cana-de-açúcar, é muito importante o uso da fertirrigação pela facilidade e eficiência do sistema, além do ganho na produtividade e qualidade dos colmos.