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Méthode de la poêle à frire

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Chapitre 8. Factorisation des entiers

3. Autres algorithmes de factorisation

3.2 Méthode de la poêle à frire

De acordo com Shoemaker e Vos (2009), o processo de edição, elaboração e transformação de uma vastidão de informações num número reduzido de mensagens que são transmitidas ao público, comummente designado por gatekeeping, constitui-se como o âmago do papel dos meios de comunicação social na vida pública moderna. Quais as características deste processo de mediação e seleção noticiosa no seio do campo mediático português? Que critérios alicerçam a escolha das informações que chegam até nós diariamente?

Os diretores e os editores de informação da RTP, SIC, CM, JN e Público convergiram na grande maioria dos valores-notícia apontados, com destaque para três: a relevância/importância dos factos, a utilidade ou interesse público do tema e a proximidade.

Na opinião de José Alberto Carvalho, Alcides Vieira, José Gomes Ferreira, Nuno Pacheco e José Couto Soares, a importância dos factos desempenha um papel essencial no processo de seleção noticiosa, critério que, de acordo com Nuno Pacheco, nos remete para o valor que a notícia assume junto do público. O segundo critério foi também mencionado pelo diretor-adjunto do Público como um dos valores-notícia fundamentais, à semelhança de Alcides Vieira, Armando Esteves Pereira, Paulo Santos e José Gomes Ferreira. Baseando-se no exemplo do CM, Armando Esteves Pereira e Paulo Santos destacam este critério como sendo o mais importante para este jornal, na medida em que têm sempre em vista a seleção dos temas que tenham interesse para o maior número de pessoas possível, relegando para segundo plano todas as notícias que tenham públicos- alvo muito específicos.

“Este é o nosso critério porque entendemos que isto tem um maior interesse junto das pessoas, não deixando de dar o resto. E tanto assim é que um dos pontos que nós colocamos como obrigatório em todas as secções é ter exatamente aquilo que nós chamamos uma pequena coluna de breves, onde colocamos tudo aquilo que poderá parecer menos interessante, mas que toda a gente tem direito a estar informado sobre ele.”

Paulo Santos, CM

Como nos diz Veiga, “Uma inundação de uma rua ou de um bairro só interessará a esse bairro ou rua; mas se as destruições forem significativas, o interesse do público manifestar-se-á maior” (Veiga, 1992: 67), o que leva o autor a destacar o critério da significação como um dos principais vetores no processo de seleção noticiosa, a par dos critérios da atualidade e do interesse.

José Gomes Ferreira, por seu turno, aborda este critério do ponto de vista dos princípios da atividade jornalística. Na opinião do então editor executivo da SIC, o valor do interesse público da notícia poderá, se assim se justificar, suplantar direitos tão importantes quanto o do direito à imagem ou do direito à privacidade.

O critério da proximidade, por seu turno, é referido por José Alberto Carvalho, Alcides Vieira, José Leite Pereira e José Couto Soares como um dos critérios fundamentais no processo de seleção noticiosa. De acordo com estes dois últimos entrevistados, a proximidade é mesmo o valor-notícia mais importante no caso do JN, o que vai de encontro à ideia de que este é um jornal com um forte pendor regional. Segundo José Leite Pereira, o noticiário de proximidade é um dos três vértices que alicerçam o funcionamento do jornal, a par das questões sociais e do desporto. Para Alcides Vieira, o relevo que a proximidade desempenha no processo de escolha dos assuntos a noticiar está sobretudo relacionado com o facto de o público se interessar e se identificar de uma forma mais imediata com notícias que tenham uma maior utilidade e uma maior importância para o seu dia a dia, algo que tende a acontecer de forma mais recorrente no caso do noticiário de proximidade. De acordo com o diretor de informação da SIC, tudo isto faz com que não seja frequente vermos um noticiário televisivo cuja abertura se baseie numa notícia internacional, quer em Portugal quer em qualquer outro país.

Para além da questão da proximidade, Alcides Vieira salienta a importância que a imagem e os pormenores técnicos assumem no processo de seleção noticiosa e na própria hierarquização das peças ao longo do noticiário televisivo. De acordo com o diretor de informação da SIC, detalhes como a indisponibilidade de satélite na altura em que se pretende realizar um direto, o atraso da equipa de reportagem na chegada à redação ou a ausência de imagens que permitam ilustrar um acontecimento importante são elementos cruciais no processo de escolha das notícias que integrarão ou não os noticiários televisivos. Entre estes, o entrevistado destaca a questão da imagem como um dos principais fatores diferenciadores face àquilo que se verifica na imprensa escrita, a qual não está tão dependente da existência de imagens, visto que não precisa de ter uma fotografia do acontecimento para o noticiar, mesmo quando se tratam de assuntos abordados na primeira página do jornal, algo também destacado por Estrela Serrano.

Alicerçando-se no caso do Público, Simone Duarte sublinha o peso que as reportagens assumem neste jornal. De acordo com a entrevistada, o rigor que pauta a elaboração destas reportagens, a sua qualidade e importância, a par de uma boa

contextualização do assunto noticiado, constituem-se como vetores essenciais e diferenciadores no processo de seleção noticiosa no jornal Público.

“(…) o rigor na apuração da informação é um componente muito importante para a gente publicar. (…) No caso da primeira página, ter histórias nossas, mais do que ter a coisa uniformizada que todo o mundo tem, mas também a relevância daquilo, quer dizer, a importância daquilo no contexto nacional e no contexto internacional.”

Simone Duarte, Público

No que se refere ao JN, para além da relevância e da proximidade dos factos noticiados, José Couto Soares chama a atenção para a atenção concedida neste jornal aos assuntos que potenciarão as vendas do jornal, com destaque para questões relacionadas com áreas como a justiça, o trabalho, a saúde ou a educação. Quanto ao noticiário internacional, o então chefe de redação do JN considera que a coscuvilhice e a morbidez são dois vetores-chave na seleção dos temas a retratar, aos quais se junta a proximidade relativamente a Portugal, quer em termos geográficos (Espanha), quer relacionais (Brasil e África), bem como pelo peso da emigração portuguesa (França, Alemanha e Inglaterra). Ainda no JN, José Couto Soares salienta a importância que a atualidade desempenha enquanto valor-notícia, elemento também mencionado por José Alberto Carvalho e José Gomes Ferreira.

“Por vezes, a novidade não é o que interessa a um maior número de pessoas; é o alertar para ‘Atenção, há uma tendência da sociedade, há uma descoberta científica ou uma inovação tecnológica, que parece não interessar a ninguém, mas que é nosso dever divulgar’ e, anos mais tarde, descobre-se que ainda bem que divulgámos, porque aquilo tinha muita importância nas nossas vidas.”

José Gomes Ferreira, SIC

Na opinião de Nuno Pacheco, quando falamos em seleção noticiosa é essencial abordarmos o impacto que a Internet tem neste processo. De acordo com o diretor- adjunto do Público, na atualidade, os meios de comunicação social tradicionais veem-se obrigados a reconfigurar a forma como apresentam as notícias, dada a atualização permanente dos conteúdos possibilitada pela Internet. Hoje em dia é impensável um canal televisivo esperar pelo horário nobre para emitir uma determinada peça jornalística ou um jornal guardar uma notícia até ao dia seguinte, a menos que se trate de uma cacha. Por outro lado, o entrevistado refere que todas as notícias que não assumam uma relevância que justifique a sua inclusão no jornal são ignoradas ou então colocadas na Internet, reservando-se para o jornal do dia seguinte apenas os temas que os diretores e os editores considerem que deverão ser alvo de um maior desenvolvimento.

Para Luís Castro, mais do que enumerar critérios ou valores-notícia, importa promover um estudo que permita não só conhecer os públicos de uma forma mais aprofundada, como também perceber quais são os seus gostos e interesses, o que possibilitaria fundamentar melhor o processo de seleção dos temas a noticiar, indo de encontro aos reais interesses dos telespectadores, leitores e ouvintes.

“(…) será que nós sabemos o que é que realmente as outras pessoas do outro lado querem? Não sabemos. Nós achamos que sabemos e decidimos muito na base daquilo que nós somos.”

Luís Castro, RTP

10. Fontes de informação: a encruzilhada entre os mimetismos do agendamento, a

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